
21 de agosto de 2025
Daiane Mendes
O mês de julho rendeu para o mercado de soja do Brasil um aumento de quase 14% nas exportações para a China, totalizando 10,62 milhões de toneladas. O volume brasileiro representou 86,6% do total das importações chinesas de soja no mês, segundo dados da Administração Geral das Alfândegas da China. A demanda chinesa ocorre em meio à tensão comercial com os EUA , o que tem causado instabilidade nos mercados e reordenamento das cadeias de suprimentos globais. As exportações brasileiras alcançaram um recorde histórico para o mês, somando 12,25 milhões de toneladas embarcadas, conforme levantamento da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). No acumulado de janeiro a julho, o Brasil exportou 77,2 milhões de toneladas da oleaginosa, marca inédita para o período. A China é a maior consumidora de soja do mundo. Segundo a autoridade alfandegária do país, a demanda em julho chegou a 11,67 milhões de toneladas, representando um aumento de 18,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Esse é o maior recorde histórico para o mês e superando a estimativa anterior de analistas, de 10,48 milhões de toneladas. O aumento ocorre em meio à elevação das taxas de juros nos Estados Unidos em relação ao Brasil, que tornou a soja americana cerca de 20% mais cara que a sul-americana, segundo entidade do setor agroamericano.

13 de agosto de 2025
Daiane Mendes
No próximo dia 15 de agosto, a Praça da Liberdade, no centro de São Paulo, vai receber um show de drones gratuito para celebrar o Dia Nacional da Imigração Chinesa e os 51 anos de relações diplomáticas entre Brasil e China. O evento contará com 100 drones controlados remotamente, que formarão imagens alusivas ao Brasil e à China, além de mensagens em português e mandarim. O espetáculo utiliza a técnica de “posicionamento cinemático”, que permite alternar cores e agrupamentos de drones para criar imagens visíveis à longa distância. O evento é organizado pelo Ibrachina , Chinese Bridge Club in São Paulo, Secretaria da Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo e CULT SP, com apoio do Consulado Geral da China em São Paulo. Serviço: Show de Drones Data: 15 de agosto Horário: 20h Local: Praça da Liberdade – São Paulo Entrada gratuita

13 de agosto de 2025
Daiane Mendes
A China encerrou 2024 com aproximadamente 240 milhões de crianças entre 0 e 15 anos, segundo o Departamento Nacional de Estatísticas. Esse grupo representa 17,1% da população total e concentra um potencial de consumo em ascensão. A chamada “economia de pais e filhos”, centrada em bens e serviços para crianças e adolescentes, mas custeados pelos pais, deve ultrapassar 5 trilhões de yuans (US$ 685 bilhões) até 2025, impulsionada por transformações no comportamento familiar e pela digitalização precoce dos nascidos entre 2010 e 2025, a Geração Alfa. Essa nova geração cresce imersa em ecossistemas digitais alimentados por algoritmos, vídeos curtos e plataformas de e-commerce interativo. A relação direta com as telas e a exposição constante a estímulos personalizados fazem com que os hábitos de consumo dos jovens chineses se tornem parte central das estratégias do varejo digital no país. Digitalização precoce e consumo mediado pelos pais A média diária de exposição às telas entre as crianças chinesas é de 4 horas e 44 minutos, de acordo com a plataforma EcommerceToChina. Esse tempo é distribuído entre aplicativos educacionais, jogos online, redes sociais e vídeos curtos, consumidos em plataformas como Douyin (versão chinesa do TikTok), Bilibili e Xiaohongshu (RedNote). Embora os menores de idade não realizem transações diretas, sua influência sobre as decisões de compra é expressiva. Estima-se que o consumo intermediado pelos pais, sob demanda dos filhos, esteja entre US$130 bilhões e US$670 bilhões por ano na China. Os setores mais impactados incluem educação digital, tecnologia, moda e entretenimento. Tecnologias interativas e e-commerce gamificado Plataformas de e-commerce e marcas chinesas respondem a esse fenômeno com campanhas voltadas aos filhos, mesmo que o público pagante sejam os pais. Esse movimento é parte de uma estratégia mais ampla do mercado interno chinês para fomentar o consumo doméstico por meio da digitalização da infância e da adaptação dos negócios ao comportamento da Geração Alfa. Um dos segmentos mais dinâmicos dessa economia é o de produtos educacionais digitais. De acordo com levantamento da Checkout.com, 59% dos pais chineses relatam pagar mensalmente por conteúdos e serviços educacionais online para seus filhos. A oferta inclui tutoria virtual, aplicativos com atividades gamificadas e cursos extracurriculares distribuídos em plataformas integradas ao ecossistema WeChat ou em apps dedicados como DingTalk. Viagens familiares sob influência das crianças O comportamento da Geração Alfa também tem impacto direto no turismo doméstico. Segundo relatório da rede Hilton Hotels, 98% das crianças chinesas da Geração Alfa e Geração Z participam ativamente das decisões relacionadas às viagens em família, e 68% dos pais escolhem destinos com base nas preferências dos filhos. A popularização da hashtag #FamilyTravel nas redes sociais chinesas em 2024 evidenciou essa tendência. Resorts temáticos, hotéis com estrutura infantil e pacotes personalizados cresceram em popularidade. Parques como Shanghai Disneyland e Universal Beijing Resort registraram recordes de visitação durante feriados escolares, o que demonstra como o lazer infantil passou a operar como motor de decisão e consumo para o setor hoteleiro e de entretenimento. Empresas do setor têm investido em infraestrutura voltada a esse público. Alguns hotéis incorporaram salas de jogos digitais, experiências imersivas com realidade aumentada e cardápios interativos em seus serviços, refletindo a expectativa de um cliente que, mesmo sem autonomia financeira, define prioridades de consumo com base em suas experiências digitais. Implicações econômicas, sociais e tecnológicas A expansão do consumo digital na infância levanta questões sobre os limites entre autonomia, influência e exposição. A capacidade das crianças de influenciar decisões de compra, pressiona setores como educação, tecnologia e turismo a responderem de forma rápida a demandas altamente voláteis, impulsionadas por tendências online, interatividade e algoritmos de recomendação. O fenômeno, ainda em consolidação, abre espaço para debates sobre sustentabilidade do modelo, impactos no desenvolvimento infantil e estratégias de regulação compatíveis com um ambiente de consumo que começa cada vez mais cedo.

8 de agosto de 2025
Daiane Mendes
O consumo de café na China mais do que dobrou entre 2020 e 2024, com um salto de 130,8 mil toneladas nas importações líquidas da bebida, segundo dados alfandegários. A taxa média de crescimento anual no período chegou a 65,7%. Apesar do avanço, o consumo per capita ainda é baixo, cerca de 16 xícaras por ano, diante da média global de 240, o que indica espaço para expansão adicional. Essa transformação no padrão de consumo vem sendo impulsionada principalmente por jovens urbanos e por uma classe média em expansão , que passou a incorporar o café na rotina sem abrir mão do tradicional chá. “Hoje, a China consome cerca de 3 bilhões de dólares em café por ano, mas as projeções indicam que esse número deve ultrapassar os 6 bilhões até 2030”, afirmou Daniel Lau, diretor comercial do IEST Group, em entrevista à CNN Brasil. Segundo ele, o crescimento de quase 80% será impulsionado por novos hábitos sociais e esportivos, além de mudanças de comportamento no varejo chinês. Nos últimos anos, o café deixou de ser um produto restrito às grandes cidades e ganhou espaço até em regiões rurais, onde as vendas já superam os volumes registrados nos centros urbanos. A demanda inclui desde cafés solúveis até grãos premium, como o tipo Bourbon ou blends com notas frutadas, o que abre margem para a entrada de produtos brasileiros com maior valor agregado. O momento é estratégico para o Brasil, que enfrenta novos entraves comerciais com os Estados Unidos. No dia 6 de agosto, entrou em vigor a elevação de 50% nas tarifas sobre o café brasileiro, determinada ainda durante o governo Trump. A medida afeta diretamente a competitividade do produto no mercado norte-americano, um dos principais destinos das exportações brasileiras. Diante desse novo cenário, a Embaixada da China no Brasil anunciou a habilitação de 183 novas empresas brasileiras para exportar café ao país asiático. Segundo a Agência Brasil, a autorização tem validade de cinco anos e entrou em vigor em 30 de julho, mesmo dia da formalização da tarifa norte-americana. “O Brasil está cada vez mais presente no dia a dia do cidadão chinês”, observa Lau. “Seja no café feito em casa, nas cafeterias, no açúcar ou nas proteínas animais consumidas nas refeições, há uma forte presença de produtos brasileiros. E com o aumento do poder aquisitivo da classe média chinesa, essa tendência só tende a crescer.”

31 de julho de 2025
Daiane Mendes
Em 2024, quase 90% do valor total de produtos falsificados e pirateados apreendidos pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos teve origem na China e em Hong Kong, segundo relatório oficial do órgão. O dado expõe um mercado paralelo estruturado e em expansão, que desafia leis internacionais e impacta diretamente a indústria do luxo. Do falso ao idêntico: o que são os superfakes Diferentemente das cópias convencionais, os superfakes reproduzem com precisão detalhes como costura, acabamentos e até números de série de itens originais, principalmente de marcas de luxo. De bolsas e calçados a roupas esportivas e relógios, esses produtos circulam tanto em mercados físicos, como os centros comerciais de Xangai e Pequim, quanto em redes sociais e plataformas de e-commerce. Em muitos casos, são vendidos por valores inferiores ao varejo tradicional, mas superiores às falsificações comuns, atraindo consumidores que buscam status a menor custo. Na China, o crescimento do mercado paralelo contrasta com as tentativas do governo de conter a prática. A Lei de Comércio Eletrônico, em vigor desde 2019, ampliou a responsabilidade das plataformas digitais, como Taobao e Pinduoduo, exigindo a retirada de vendedores de produtos falsificados e estabelecendo multas de até 2 milhões de RMB (cerca de US$274 mil). A legislação também passou a abranger comerciantes que atuam exclusivamente por redes sociais, antes fora do escopo regulatório. Ainda assim, os vendedores continuam a adotar táticas para driblar os controles. Entre elas estão a substituição de letras em nomes de marcas, como “Z*ra” em vez de Zara, o uso de chats privados para divulgar preços com desconto e o redirecionamento de usuários para sites alternativos. A tecnologia de inteligência artificial, usada por plataformas como o Taobao para rastrear produtos suspeitos com base em preços, tem sido contornada por vendedores que igualam o valor ao de itens legítimos, apenas revelando o preço real no atendimento direto. Fora do ambiente online, os mercados físicos seguem operando de forma quase aberta. Pequenas barracas e estabelecimentos sem identificação continuam a vender falsificações em pontos turísticos e áreas comerciais de grandes cidades. Embora existam inspeções periódicas, autoridades tendem a mirar alvos maiores, enquanto operações menores persistem à margem da fiscalização. Mudança de comportamento do consumidor americano após tarifas Desde a imposição de tarifas de importação contra a China, que chegaram até 145% nos EUA, consumidores americanos passaram a buscar alternativas para driblar esses custos. Conforme reportagem do New York Post, em abril, o Taobao registrou aproximadamente 185.000 downloads, além do aumento em outros aplicativos chineses como Taobao e DHgate para compras diretas, facilitadas pelo acesso via smartphone. Nas redes sociais, especialmente no TikTok, vídeos que expõem os bastidores da produção de falsificações se tornaram virais. Alguns mostram supostos fabricantes demonstrando as semelhanças entre originais e réplicas. Outros assumem tom mais publicitário, promovendo vendas diretas com apelo à ideia de que os produtos vêm das “mesmas fábricas” de marcas conhecidas, como Gucci, Prada, Michael Kors e Louis Vuitton. Esses vídeos usam o conflito comercial entre EUA e China como contexto. Criadores afirmam que o governo chinês revogou acordos de confidencialidade como retaliação às tarifas americanas, permitindo que fábricas detalhassem por dentro a cadeia de produção global de luxo, narrativa sem verificação independente ou confirmação oficial. Marcas como Hermès e Lululemon negaram vínculo comercial com os produtores mencionados nos vídeos. Hermès reafirma que produz exclusivamente na Europa, enquanto Lululemon informou que não trabalha com os fornecedores citados e alerta para potenciais falsificações Marcas adotam blockchain, IA e linhas acessíveis para enfrentar superfakes A Dewu (Poizon), popular entre jovens consumidores chineses, oferece serviços de verificação que combinam análise especializada e tecnologia de IA. Cada produto enviado à plataforma passa por múltiplas etapas de checagem, incluindo avaliação de materiais, padrões de fabricação e numeração. Essa normalização do consumo de superfakes também pressiona o comportamento de marcas de luxo. Algumas têm intensificado ações judiciais contra plataformas digitais, enquanto outras investem em tecnologias de rastreamento por blockchain e etiquetas NFC invisíveis, buscando assegurar a autenticidade dos produtos desde a fabricação até o ponto de venda. Há ainda movimentos mais recentes de adaptação, como o lançamento de linhas paralelas ou edições limitadas com preços mais acessíveis, numa tentativa de recuperar parte dos consumidores atraídos por réplicas. Consumo, status e ética: o dilema por trás da réplica Especialistas apontam que o combate aos superfakes exige mais do que reforço nas fronteiras. A rastreabilidade da cadeia de produção e a cooperação entre países, sobretudo em um cenário de vendas transnacionais facilitadas por marketplaces e redes sociais, são pontos de alerta. Além disso, cresce o debate sobre o papel do próprio consumidor nesse ecossistema. A busca deliberada por réplicas de alto padrão levanta questionamentos sobre o valor atribuído às marcas, o consumo consciente e os limites éticos do desejo por status.

30 de julho de 2025
Daiane Mendes
O e-commerce evoluiu de uma simples vitrine digital para uma experiência integrada que combina comércio, redes sociais e entretenimento. Essa foi a principal mensagem de In Hsieh, sócio do IEST Group e um dos precursores do comércio eletrônico no Brasil, durante sua apresentação no Fórum E-commerce Brasil, o maior evento do setor na América Latina, realizado entre 29 e 31 de julho em São Paulo. Para ele, a transformação liderada por plataformas chinesas mostra que vender online envolve hoje muito mais do que logística e preço, trata-se de criar um ecossistema completo de engajamento, conteúdo, comunidade e experiência. O especialista chamou a atenção para a diferença fundamental entre o modelo ocidental e o chinês. Enquanto empresas ocidentais evoluíram a partir do varejo físico e precisaram adaptar seus legados ao digital, as chinesas nasceram no ambiente online, sem compromissos com formatos preexistentes. “Eles vieram de uma folha em branco, isso permitiu criar plataformas multifuncionais e altamente integradas, muitas vezes chamadas de super apps, onde o usuário assiste a vídeos, joga, interage em comunidades, acumula pontos e, eventualmente, compra”, afirmou. Na China, o conceito de social commerce vai além da venda por redes sociais. Ele abrange toda a jornada digital, da descoberta à transação, dentro de um único ambiente. No Brasil, esse modelo começou a ganhar força com a entrada de plataformas como Shopee , Shein, TikTok Shop e Temu. Segundo In Hsieh, muitas dessas empresas já operam com estruturas locais completas, incluindo centros de distribuição e times de conteúdo e marketing. “Essas plataformas não estão mais apenas fazendo cross-border, elas estão no Brasil, com operação ponta a ponta”, disse. Além disso, o modelo de monetização também se distancia do que predomina no Ocidente. Na China, boa parte da receita de plataformas como o Alibaba vem de publicidade, não de comissões ou margens de venda. “O Alibaba gera mais receita com publicidade do que com comissão. Ele é mais Google do que a Amazon”, comparou. Estratégias de gamificação e retenção aumentam frequência e recompra de usuários Outro ponto central é o uso de gamificação e estratégias de retenção. Elementos como check-ins diários, cupons por fidelidade e jogos simples são usados para manter o usuário ativo, mesmo quando ele não está pronto para comprar. O objetivo é aumentar a frequência de acesso e, com isso, as chances de conversão. “Esses check-ins diários, os joguinhos, os cupons... não são só diversão. São mecanismos de retenção. São formas de manter o cliente próximo, mesmo quando ele não está no momento de compra”, explicou. Ele mencionou ainda o funil invertido. “No Ocidente, pensamos em conversão no final da jornada. Na China, o foco é manter o usuário dentro da plataforma o tempo todo, mesmo sem intenção de compra. Quando decidir comprar, ele já está lá”, disse. Um exemplo do novo modelo trazido pelos chineses é o TikTok Shop, plataforma que oferece entretenimento e venda em um único lugar, onde o consumidor compra sem sair da plataforma. Segundo In Hsieh, essas estratégias redefinem a lógica do e-commerce no Brasil. “Estamos vendo não só novas plataformas, mas um novo comportamento digital. As marcas brasileiras precisam entender que não é apenas uma nova vitrine, é um novo mercado.”

22 de julho de 2025
Daiane Mendes
Aos 50 anos, a Hello Kitty, personagem japonesa criada em 1974 pela empresa Sanrio, voltou a ocupar espaço nas redes sociais chinesas, não como ícone infantil, mas como símbolo do cansaço emocional da Geração Z. Vídeos no D ouyin, versão chinesa do TikTok , mostram a personagem soterrada por papéis, presa em escritórios sem janelas e cercada por frases de autoajuda. O que antes era símbolo de inocência se transformou em um canal para ironia, sátira e, principalmente, nostalgia. Desde o início de 2024, a personagem tem sido usada em colaborações com marcas, exposições e criações geradas por inteligência artificial. Usuários chineses misturam a Hello Kitty com estética Y2K, estilo que resgata referências do final dos anos 1990 e início dos 2000, roupas de streetwear e elementos da vida corporativa. O conteúdo viralizado nas redes sociais explora temas como o esgotamento profissional e a crítica à cultura do trabalho excessivo, o chamado "996", jornada que vai das 9h às 21h, seis dias por semana. Em resposta à insegurança econômica e à alta competitividade, os jovens chineses têm buscado conforto emocional no consumo de produtos que remetem à infância. Pesquisa da consultoria Hub of China indica que quase 70% da Geração Z chinesa faz ao menos uma compra emocional por mês, adquirindo itens como doces, pelúcias e brinquedos não pela utilidade, mas pelo valor afetivo. Marcas locais também exploram essa tendência. A White Rabbit, conhecida pelas balas tradicionais, relançou embalagens retrô e ampliou sua linha com velas e perfumes inspirados em seus sabores. No fim de 2024, o Universal Beijing Resort lançou caixas surpresa com pelúcias de Minions inspiradas nos animais do zodíaco chinês, vendidas a 99 yuans (cerca de US$13,50), que esgotaram rapidamente. [caption id="attachment_24833" align="alignnone" width="1200"] Fonte da imagem: Universal Beijing Resort[/caption] Uma pesquisa de 2024 conduzida pelo Instituto de Desenvolvimento Fudan aponta que os consumidores jovens chineses estão mudando seu foco de bens duráveis caros para produtos que trazem satisfação emocional imediata, como alimentos e entretenimento. Esse comportamento indica uma mudança no padrão tradicional de aspiração de consumo, que antes valorizava a ascensão econômica. O avanço desse consumo de natureza afetiva aponta para um deslocamento no que tradicionalmente se entende como aspiração de consumo na China. Se antes o desejo de ascensão econômica guiava as decisões de compra, hoje cresce a busca por estabilidade emocional. Esse movimento, que pode parecer pontual ou individual, é na verdade uma resposta coletiva a um ambiente social de alta pressão e competição. E no mercado chinês, onde marcas locais e internacionais disputam atenção com intensidade , compreender essa nuance se tornou mais do que uma vantagem, mas uma exigência estratégica.

16 de julho de 2025
Daiane Mendes
O comércio eletrônico chinês movimentou RMB 15,5 trilhões (aproximadamente US$ 2 trilhões) em 2024, com crescimento anual de 7,2%, segundo a Daxue Consulting. Esse crescimento mostra como a competição acirrada entre as maiores plataformas do país, disputam espaço entre consumidores, marcas e fornecedores. Taobao, Tmall, JD.com e Pinduoduo disputam mais do que vendas. Elas brigam por frequência, recorrência e relevância. Investem em logística, lançam assinaturas, aplicam preços dinâmicos e miram nichos específicos. A estrutura de cada uma acompanha sua estratégia e essa diversidade de modelos, em vez de fragmentar o setor, pressiona o sistema como um todo a se reinventar constantemente. Foco na experiência e no público jovem é estratégia-chave do Taobao Voltado ao comércio entre consumidores (C2C) , o Taobao opera com uma lógica de plataforma aberta. Seu diferencial não está apenas na variedade de oferta, mas na forma como organiza essa vitrine. A plataforma valoriza a reputação e o atendimento ao consumidor, por meio de iniciativas como a “lista das melhores lojas”. Nos últimos anos, o foco em públicos jovens se intensificou através de parcerias com marcas ligadas ao universo geek, como animes e games, para renovar a linguagem visual e o tipo de produto em destaque. O resultado é um ambiente de compra que mais se assemelha a uma comunidade digital do que a um grande varejista. O registrou um volume bruto de mercadorias (GMV) superior a RMB 5,2 trilhões em 2024. Tmall reforça presença de marcas oficiais e programa de fidelidade Enquanto o Taobao constrói relações horizontais com vendedores independentes, o Tmall mira grandes marcas. A plataforma reforça sua identidade como vitrine de produtos oficiais e busca transmitir confiança e qualidade. Sua estratégia para fidelizar clientes passa pela oferta da assinatura VIP88, que acumulava mais de 46 milhões de assinantes em novembro de 2024, garantindo benefícios fixos aos assinantes. Esse programa mira especialmente os jovens adultos, que hoje concentram a maior parte das compras online na China. A assinatura ajuda a transformar o consumo eventual em hábito. JD.com destaca-se pela logística e programas para vendedores A JD.com, com receita líquida de RMB 1,1 trilhão em 2024, concentra-se em tecnologia e varejo com forte controle logístico. A empresa opera centros de distribuição, gerencia a entrega e controla o estoque, o que lhe dá um argumento claro em um mercado saturado de promessas: o compromisso com o prazo. Nos últimos meses, a plataforma também passou a atrair vendedores, lançando programas de incentivo que reduzem taxas e oferecem visibilidade em campanhas promocionais. A aposta é clara, mais vendedores trazem mais variedade e ampliam a competitividade. Pinduoduo cresce com modelo de compras coletivas e preço baixo Com 695 milhões de usuários ativos em junho de 2024, é especialmente popular nas áreas rurais e cidades menores. Com um modelo baseado em compras em grupo, o Pinduoduo cresce apostando no preço como seu principal diferencial. A plataforma transfere para o consumidor parte da responsabilidade por atrair mais compradores e fechar o volume necessário para descontos maiores. Essa estratégia ganha força fora dos grandes centros urbanos, onde o apelo de marcas premium é menor que a relação custo-benefício. Ao apostar no boca a boca digital, o Pinduoduo vira sinônimo de preço baixo e conquista usuários que antes estavam à margem do e-commerce tradicional. Concorrência constante redefine o mercado e o comportamento do consumidor A guerra de preços e a aceleração nas entregas marcaram a primeira fase da expansão do e-commerce na China. Agora, a disputa avança para outras frentes. Plataformas competem pela atenção do consumidor com cupons, cashback e assinaturas que oferecem vantagens exclusivas. Essa nova etapa intensifica a corrida por tempo de permanência nos aplicativos e engajamento recorrente, especialmente em cidades menores ou em regiões do interior da China, com custo de vida mais baixo e ainda em expansão digital, onde o potencial de crescimento segue em alta. Uma das principais ferramentas para ampliar esse alcance é o live commerce, modelo que integra transmissão ao vivo com vendas em tempo real. A estratégia é combinada a ações em redes sociais chinesas como Douyin (versão local do TikTok) e RedNote (Xiaohongshu), ampliando o impacto das campanhas e aproximando marcas de nichos específicos. Em um mercado altamente competitivo, o marketing se torna tão central quanto o produto. Essa pressão impõe um novo desafio às plataformas: como crescer de forma sustentável sem abrir mão da relevância? A resposta passa por diversificação de serviços e integração de canais. A tendência aponta para modelos híbridos, com lojas físicas conectadas ao digital, experiências personalizadas baseadas em dados e novos formatos de venda. A disputa entre os gigantes do e-commerce deixou de se concentrar em preço ou logística. Hoje, envolve a capacidade de construir ecossistemas próprios e ocupar territórios, não apenas geográficos, mas também digitais, comportamentais e tecnológicos.
8 de julho de 2025
Daiane Mendes
Em junho, um avatar (personagem criado com inteligência artificial) vendeu o equivalente a US$7,6 milhões em sete horas de live na plataforma Youxuan, da Baidu. Era a versão digital do influenciador Luo Yonghao que, dessa vez, sequer apareceu. O resultado superou suas transmissões presenciais anteriores e marcou um ponto de virada: o entretenimento de vendas ao vivo na China está sendo automatizado, em escala. A substituição de pessoas por avatares no live commerce chinês já não é um teste. Segundo In Hsieh, cofundador do Asia Latam Tech Forum e especialista em negócios digitais entre Brasil e China, mais de 100 mil clones digitais atuam hoje nesse tipo de transmissão, dentro de um mercado que movimenta US$946 bilhões por ano. O fenômeno indica uma nova fase no varejo digital do país, onde a presença humana começa a deixar de ser um fator primordial. Live commerce virou mecanismo central do varejo chinês O modelo de transmissões comerciais surgiu na China em 2016, quando o Alibaba integrou lives à plataforma Taobao para criar um canal direto entre vendedores e consumidores. A proposta inicial era demonstrar produtos ao vivo, tirar dúvidas em tempo real e gerar compras por impulso. Nove anos depois, plataformas como Douyin, Kuaishou e Pinduoduo transformaram o recurso em parte do cotidiano da população chinesa. Só as transmissões da Douyin (versão chinesa do TikTok ) movimentaram RMB 659 bilhões em 2024, segundo a consultoria chinesa Daxue. A audiência responde a estímulos visuais rápidos, linguagem direta e promoções relâmpago. E agora, também a personagens criados por IA. Avatares assumem o protagonismo das vendas Impulsionadas por inteligência artificial generativa, as marcas chinesas passaram a criar vendedores digitais para manter suas campanhas no ar 24 horas por dia. Esses avatares simulam voz, expressões faciais e gestos, com comportamento padronizado, tom constante e aparência amigável. Diferente dos humanos, os clones digitais podem atuar em várias salas ao mesmo tempo e são programados para adaptar o discurso ao perfil do público e manter o ritmo da live sem oscilações. É uma solução escalável, especialmente em campanhas massivas ou em nichos técnicos, como vendas de eletrônicos, moda e cosméticos. Além do caso de Luo Yonghao, há outros exemplos que sustentam a mudança. A Tencent lançou, em 2023, a personagem Xingtong (星瞳), considerada a primeira influenciadora virtual da moda chinesa. Em suas duas primeiras lives, ela superou RMB 1 em volume bruto de mercadorias (GMV) em cada uma. No segundo evento, vendeu mais de 4 mil placas gráficas, sem intervalo. Em menos de dois anos, os clones deixaram de ser curiosidades tecnológicas para se tornarem ativos operacionais. Plataformas agora testam formatos híbridos, nos quais clones digitais complementam criadores humanos. Os avatares se tornam extensões das marcas, operando com consistência visual, tom padronizado e presença constante. O resultado é um novo perfil de vendedor: mais próximo de um streamer ou personagem de mídia do que de um representante comercial.

26 de junho de 2025
Daiane Mendes
O social commerce, modelo que combina entretenimento, conteúdo e vendas em tempo real, têm ganhado cada vez mais espaço. Segundo a Accenture, o mercado global de social commerce deve movimentar aproximadamente R$6,6 trilhões até o fim de 2025. De olho nessa mudança de comportamento do consumidor, o TikTok ampliou sua atuação para além do entretenimento e entrou no terreno do e-commerce, com o lançamento do TikTok Shop, plataforma que transforma vídeos e lives em pontos de venda. A lógica é simples: influenciadores apresentam produtos ao vivo ou em vídeos curtos, com links de compra integrados. A compra acontece dentro do próprio aplicativo. Atento às oportunidades trazidas com o TikTok Shop, o IEST Group, acaba de lançar a ECN (E-commerce Creators Network) , uma frente dedicada à criação de conteúdo com foco em vendas dentro de plataformas como o TikTok Shop. Segundo Lucas Peng, COO do IEST Group e responsável pela operação da ECN no Brasil, o mercado está entrando em um novo momento do e-commerce e do marketing de influência. “A ECN surgiu como uma resposta estratégica à evolução do marketing de influência”, diz. A agência é parceira oficial do TikTok Shop no Brasil. 1 - O que motivou o IEST Group a lançar a ECN como uma nova frente de negócios? Vivemos a nova era do e-commerce e do marketing de influência. A ECN surgiu como uma resposta estratégica à evolução do marketing de influência, que passou a integrar diretamente as vendas por meio de plataformas como o TikTok Shop e Kwai Shop. A agência nasce dentro do grupo IEST para estruturar esse novo modelo de operação, voltado à conversão direta por meio de conteúdo. O conceito de content commerce ainda é pouco difundido no Brasil, mas já movimenta mercados como o chinês. Trata-se da prática de vender produtos a partir de conteúdos criados por influenciadores, como vídeos curtos ou lives. A ECN vem para atender essa demanda com uma estrutura capaz de integrar conteúdo, vendas e operação, aproveitando o conhecimento acumulado com nossos parceiros internacionais e a experiência prévia que temos com criadores de conteúdo. 2 - A ECN nasce com quais objetivos principais no curto e médio prazo? Nós já estávamos atendendo algumas marcas na área de marketing de influência, ainda como IEST Group. Mas, com a chegada do TikTok Shop, percebemos que muitas delas nos procuravam em busca de boas práticas para esse momento inicial. Com nosso conhecimento e experiência diretamente do mercado chinês, sentimos a necessidade de apoiar tanto marcas quanto criadores para que tenham mais sucesso nessa nova fase do e-commerce. Assim, um dos principais objetivos da ECN é desenvolver todo esse ecossistema ao redor do social commerce, sempre com foco em gerar mais resultados e sucesso para nossos clientes, criadores e parceiros. A ECN tem como objetivo principal desenvolver todo esse ecossistema ao redor do social commerce no Brasil, especialmente após a chegada do TikTok Shop no mercado brasileiro. No curto e médio prazo, a empresa busca atuar como ponte entre marcas, criadores e o próprio TikTok e outras plataformas, oferecendo suporte estratégico, técnico e comercial. Além de ajudar influenciadores a gerar vendas por meio de conteúdo, a ECN também apoia marcas na abertura e operação de lojas. A empresa se posiciona como uma das únicas no país com capacidade para atuar simultaneamente em três frentes: como seller (loja própria ou gerenciada), como TSP (parceiro oficial do TikTok) e como agência de creators. A ideia é consolidar um modelo integrado, que facilite o acesso e o sucesso dentro da plataforma. 3 - Como vai funcionar a intermediação entre influenciadores e marcas? A ECN terá um casting próprio ou atuará em modelo de marketplace? A ECN opera com dois modelos complementares: casting próprio e modelo de marketplace. A empresa já conta com criadores parceiros, mas também atua em conjunto com outras agências que ainda não dominam a operação do TikTok Shop. Por ter acesso direto à plataforma como parceira oficial, a ECN consegue conectar marcas com influenciadores preparados para vender por meio de conteúdo. O foco está em facilitar essa intermediação, oferecendo suporte estratégico e reduzindo as barreiras de entrada — tanto para criadores quanto para agências menores que queiram explorar esse novo canal. 4 - Como a ECN pretende apoiar os creators dentro do ecossistema da TikTok Shop? A ECN apoia os criadores por meio de duas frentes principais: o CAP (Creator Agency Partner) e o TAP (TikTok Affiliate Partner). No CAP, a atuação envolve campanhas específicas com criadores, com objetivos definidos e pagamento por projeto. Já no TAP, o modelo é baseado em comissionamento: o criador gera conteúdo, coloca o link do produto e recebe por venda realizada. Como TSP (TikTok Shop Partner), a ECN oferece sete serviços oficiais: abertura e gestão de loja, produção de vídeos curtos e lives, gerenciamento de afiliados, treinamentos, recrutamento em massa e suporte estratégico. Recentemente, a empresa conduziu um webinar oficial para sellers, em parceria com o próprio TikTok. Esse posicionamento permite apoiar o criador em todas as etapas do processo, da escolha do produto à execução da campanha. 5 - Quais critérios serão usados para selecionar e desenvolver influenciadores na plataforma? A seleção segue as diretrizes do TikTok Shop: mínimo de 5 mil seguidores e atividade recente na conta. A ECN prioriza criadores que demonstram interesse em vender via TikTok e que já iniciaram, mesmo que de forma independente, sua participação na plataforma. Mais do que audiência, buscamos disposição para testar, aprender e adaptar estratégias. Como o portfólio precisa atender marcas de diferentes segmentos, ter diversidade de perfis e abertura ao processo colaborativo é um diferencial. A ECN também faz busca ativa por talentos com potencial de conversão e interesse no modelo de content commerce. 6 - O que diferencia a ECN de outras agências e plataformas que também atuam nesse elo entre influenciadores e marcas? A ECN é parceira oficial do TikTok Shop em todas as frentes, o que garante acesso direto à plataforma, know-how atualizado e dados estratégicos. Esse posicionamento permite agilizar a operação, reduzir intermediários e melhorar os resultados para criadores e marcas. Além disso, a ECN faz parte do grupo IEST, que já atua com lojas próprias e com a operação de contas de terceiros dentro do TikTok Shop. Isso permite acompanhar o desempenho das campanhas em tempo real e compartilhar insights reais com os criadores. Também atuamos na seleção de lojas confiáveis, facilitando o processo de venda e evitando problemas logísticos, uma dor comum entre influenciadores. 7 - Como você enxerga a profissionalização do mercado de creators e o papel da ECN nesse cenário? Tenho atuado, há anos, em frentes mais disruptivas do mercado, incluindo o setor de criadores de conteúdo. Em 2029, participei da formação de alguns dos primeiros creators, e vejo na ECN esse mesmo papel: o de ajudar a construir as bases desse mercado. A ECN atua nessa etapa inicial, em que é preciso testar caminhos, identificar boas práticas e entender o que realmente funciona. Isso está diretamente ligado à profissionalização do setor. Os pequenos criadores, por estarem no início da jornada, tendem a se dedicar mais para gerar resultados. Isso contribui para a profissionalização e o amadurecimento do mercado. Há ainda um ponto importante: ao conectar pequenos criadores com pequenas marcas, criamos pontes entre quem está começando e quem quer crescer. Isso potencializa os dois lados e cria uma nova dinâmica no mercado. Na China, esse modelo de comissionamento já se mostrou mais eficiente. O criador não ganha apenas no momento da campanha, mas passa a gerar receita recorrente à medida que continua vendendo o mesmo produto ao longo do tempo. Esse acúmulo de “links de venda” se transforma em um portfólio ativo de comissões. É uma mudança de mentalidade importante. 8 - O TikTok tem ganhado força no mercado asiático e agora aposta no Brasil com o TikTok Shop. Na sua visão, por que a plataforma decidiu investir tão fortemente no e-commerce via social? A resposta curta: porque é o futuro. O social commerce já é uma realidade consolidada em diversos mercados. O Brasil, apesar de ser um dos últimos a adotar essa tendência, tem alto potencial. É um dos países com maior consumo de conteúdo digital e forte participação no e-commerce. Ou seja, o ambiente é propício. O TikTok não está inventando algo novo. O modelo já se provou eficaz em outras regiões. A aposta no Brasil faz sentido justamente porque há uma base de usuários altamente engajada, que consome e compartilha conteúdo de forma intensa. 9 - O modelo de live commerce, popular na China, ainda não se consolidou no Brasil. O que falta para essa lógica ganhar força por aqui? O principal fator é o tempo. Como aconteceu com o Pix e o uso de QR Code, o público brasileiro leva um tempo até assimilar novas formas de consumo. O live commerce enfrenta uma barreira inicial de desconfiança. No começo do e-commerce, o receio era parecido. Muitos consumidores tiveram experiências negativas em marketplaces e, por isso, hesitavam em comprar online. Hoje, a confiança aumentou porque surgiram intermediários confiáveis, lojas, marcas e influenciadores, que ajudam a validar a experiência de compra. O mesmo vale para o live commerce. O modelo funciona porque aproxima o consumidor do vendedor. Dá para tirar dúvidas ao vivo, ver o produto sendo testado e avaliar melhor se aquilo atende à necessidade. É uma simulação da loja física, com a conveniência do digital. Mas, para isso funcionar, é preciso preparo. Não basta abrir uma live esperando vender em grande volume. É necessário comunicar com clareza: fazer lives temáticas, como “super live de tecnologia” ou “super live de moda”, por exemplo. Assim, o público certo se conecta ao conteúdo certo. 10 - Quais aprendizados do mercado chinês podem acelerar a curva de adoção no Brasil? O principal aprendizado é que o social commerce é um caminho sem volta. Na China, os influenciadores são peças centrais nesse processo, e o público já busca por produtos diretamente dentro das redes, como acontece com o TikTok. Outro ponto importante é a segmentação. Lá, os criadores são divididos em dois grandes grupos: KOLs (Key Opinion Leaders), que são figuras mais aspiracionais ou celebridades; e KOCs (Key Opinion Consumers), que representam o consumidor comum, que testa, avalia e opina de forma prática. Esse segundo grupo, muitas vezes, gera mais confiança e vendas do que campanhas com grandes nomes. Além disso, o conteúdo precisa ser funcional. Na China, os vídeos de produto não são institucionais, eles mostram alguém usando, testando, comparando, indicando. Criam contexto e confiança. Mostrar proporção, resistência ou aplicação prática é mais eficaz do que imagens estáticas em 3D. Outro ponto é a diferença entre branding e venda. Alguns influenciadores funcionam melhor para campanhas de posicionamento, enquanto outros são mais eficientes em gerar conversão direta. Entender esse papel e fazer essa distinção ajuda a melhorar a performance das campanhas. O Brasil pode se beneficiar dessas práticas, desde que o mercado invista em educação, segmentação e estratégias de conteúdo voltadas para o consumo real.