
5 de novembro de 2026
Mais de 90% dos painéis solares importados pelo Brasil vêm da China, segundo estudo do Centro de Energia, Finanças e Desenvolvimento (CEFD). Baterias, inversores, carregadores, bicicletas e empilhadeiras elétricas também fazem parte das compras brasileiras do país asiático, com aplicações que vão da geração de eletricidade ao transporte de pessoas e mercadorias. Alguns desses produtos chegam prontos para uso. Outros são componentes de instalações que abastecem casas e empresas, armazenam energia ou alimentam veículos. A presença chinesa, portanto, alcança diferentes etapas do uso da eletricidade. A seguir, veja seis categorias que o Brasil importa da China e qual é a função de cada uma. 1. Painéis solares Os painéis, também chamados de módulos fotovoltaicos, transformam a luz do sol em eletricidade. São utilizados tanto em telhados de casas e empresas quanto em usinas de grande porte. O Brasil importou 5,5 gigawatts-pico (GWp) em módulos no primeiro semestre de 2026, segundo a consultoria Greener. O volume caiu 48% em relação ao mesmo período de 2025. A medida representa a potência dos equipamentos em condições padronizadas de teste, e não a quantidade de painéis ou a energia efetivamente gerada. O estudo do CEFD também destaca a predominância chinesa no fornecimento de módulos ao Brasil. 2. Inversores solares Para que a eletricidade produzida pelos painéis possa alimentar a maior parte dos equipamentos de uma casa ou empresa, ela precisa passar por uma conversão. O inversor transforma a corrente contínua gerada pelos módulos em corrente alternada, utilizada pela rede elétrica. O equipamento também participa do controle e do monitoramento da instalação. Nos modelos híbridos, permite integrar painéis e baterias para armazenar parte da energia e utilizá-la posteriormente. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o mercado brasileiro de inversores solares depende fortemente de importações. Fabricantes chineses como Huawei, Sungrow, Solis, Deye e Growatt estão entre as marcas com presença comercial no país. A liderança chinesa também aparece no mercado mundial. Huawei e Sungrow responderam, juntas, por 55% do fornecimento global de inversores solares em 2024, em termos de potência, segundo a consultoria Wood Mackenzie. Naquele ano, nove dos dez maiores fornecedores desses equipamentos tinham sede na China. 3. Baterias de íons de lítio As baterias recarregáveis armazenam energia para diferentes aplicações. Podem alimentar veículos, aparelhos eletrônicos e sistemas instalados em imóveis ou conectados à rede elétrica. Segundo a Câmara de Comércio Exterior (Camex), a China é a principal fornecedora do Brasil de acumuladores de íons de lítio, nome utilizado para essas baterias nas estatísticas de comércio exterior. Nos sistemas de armazenamento, as baterias guardam energia elétrica e a fornecem quando necessário. Isso permite, por exemplo, aproveitar a geração solar de um horário para atender ao consumo em outro. 4. Bicicletas, motos e ciclomotores elétricos A presença chinesa também aparece no transporte sobre duas rodas. Entre setembro de 2025 e agosto de 2026, a China respondeu por 94,4% do valor importado pelo Brasil na categoria que reúne motocicletas, ciclomotores e outros ciclos com motor elétrico, incluindo bicicletas. As compras brasileiras desse grupo, consideradas todas as origens, somaram US$ 192,5 milhões, alta de 147,3% em relação aos 12 meses anteriores. Os dados são de levantamento da WM Trading, com base no Comex Stat, sistema de estatísticas de comércio exterior do governo brasileiro. 5. Empilhadeiras elétricas A eletrificação também chega aos armazéns e centros de distribuição. Empilhadeiras elétricas utilizam baterias para movimentar e elevar cargas, tarefas necessárias à organização de estoques e ao abastecimento de linhas de produção. Entre outubro de 2025 e setembro de 2026, o Brasil importou US$ 283,3 milhões em uma das categorias de empilhadeiras elétricas, com 75,6% do valor correspondente a equipamentos de origem chinesa. Os dados são do Comex Stat, compilados pelo portal NCM Brasil. Os números abrangem apenas uma categoria de modelos elétricos, e não o total de empilhadeiras importadas pelo país. 6. Carregadores de baterias As importações brasileiras de carregadores de baterias somaram US$ 163,5 milhões entre outubro de 2025 e setembro de 2026. A China respondeu por 71,8% desse valor, segundo dados do Comex Stat compilados pelo portal NCM Brasil. O levantamento reúne equipamentos para diferentes usos, sem separar os carregadores destinados a veículos elétricos daqueles utilizados em outras aplicações.

5 de novembro de 2026

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