
24 de junho de 2025
Daiane Mendes
A China passou de fábrica do mundo a protagonista na corrida por inovação tecnológica. A mudança, segundo o economista e professor da Fundação Getúlio Vargas, Paulo Gala, se dá não apenas pela inovação em si, mas pela capacidade de produzi-la internamente. “O que desenvolve um país de verdade não é usar tecnologia, é produzir. Quem produz tecnologia consegue pagar salários mais altos, ter margens maiores e empregar engenharia sofisticada,” afirmou. Com forte presença estatal, estímulos diretos ao setor privado e avanços em energia, carros elétricos e inteligência artificial, a China já rivaliza com os Estados Unidos em áreas estratégicas da nova economia digital. Esse modelo é baseado em uma articulação estratégica entre Estado e mercado, que permitiu ao país escalar inovações com rapidez. Para o economista, a China conseguiu transformar inovação em um projeto econômico de longo prazo. “O governo chinês promoveu estímulos diretos à iniciativa privada, direcionou os empresários e fez investimentos em inovação para limpar o planeta.” Esse movimento representa uma virada histórica na geopolítica global. “Pela primeira vez, os Estados Unidos estão sendo enfrentados por alguém à altura.” Nos últimos anos, o governo chinês ampliou os investimentos em fontes renováveis, construiu usinas e passou a dominar tecnologias como painéis solares e baterias de lítio. “Eles realmente estão investindo há três décadas nisso. Estão com uma geração monumental de energia e se movendo rapidamente com um sistema eletrificado”, observa Gala. “Em algumas cidades chinesas, nem existe mais carro a combustão. Os ônibus, os táxis, os carros, são todos elétricos.” Corrida por IA e a demanda energética global A infraestrutura energética , muitas vezes ignorada nos debates sobre tecnologia, aparece como uma das bases dessa transformação. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), a China já ultrapassou os Estados Unidos em geração elétrica. Hoje, sua demanda anual é de 10.498 TWh, mais que o dobro do consumo americano, de 4.475 TWh. Gala destaca que, com essa capacidade, o país não apenas sustenta seu avanço industrial, como também disputa a liderança em inovação. “A China já produz quatro vezes mais energia elétrica que os EUA, e tem uma indústria com o dobro do tamanho da americana. Em várias áreas, a China já disputa com os Estados Unidos a fronteira tecnológica, a fronteira do conhecimento,” afirma. Segundo dados da IEA, desde 2020, a demanda de energia da China cresce mais rápido do que a própria economia. O crescimento é impulsionado por fatores como a expansão da indústria de tecnologias de energia limpa, o aumento da posse de condicionadores de ar, a maior penetração de veículos elétricos e a rápida disseminação de data centers e da infraestrutura 5G. Atualmente, cerca de 60% da eletricidade consumida na China vai para a indústria, proporção muito superior à média de 32% nos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Entre 2022 e 2024, quase metade (48%) do aumento no consumo elétrico chinês veio do setor industrial. Esse cenário ganha ainda mais relevância com o avanço da inteligência artificial. O crescimento da IA tem deslocado o foco da disputa tecnológica para a infraestrutura que a sustenta. A questão já não é apenas quem lidera em algoritmos ou aplicações, mas quem terá energia suficiente para manter o ritmo de crescimento dessas ferramentas, usadas por bilhões de pessoas diariamente. Além da eletricidade, essas tecnologias demandam grandes volumes de água para resfriar servidores. Enquanto laboratórios dos Estados Unidos alertam para os riscos de escassez de energia até 2026, a China opera datacenters dedicados à IA com um suprimento elétrico compatível com a demanda digital em expansão. “A inteligência artificial exige muita energia. Os data centers, que são as fábricas do futuro, demandam uma quantidade absurda de energia. E os países que não tiverem energia limpa, confiável e barata vão ficar para trás nessa corrida”, diz Gala. Na visão do economista, a vantagem chinesa não se limita à escala. O país tem atuado para dominar também as estruturas mais sensíveis do setor tecnológico. “A China tem seu próprio sistema de GPS, o Baidu. São mais de 30, 40, 50 satélites lançados por foguetes chineses, com uma rede de transmissão de dados também chinesa.” Mesmo a dependência de chips avançados, considerada uma fragilidade do sistema tecnológico chinês, está sendo enfrentada com rapidez. “Desde que os Estados Unidos impuseram sanções, cortando o fornecimento da TSMC e da ASML, a China começou a investir fortemente no desenvolvimento de microchips ultrapequenos.” Essa movimentação ganhou ainda mais destaque com o crescimento da inteligência artificial. “A China chocou o mundo. Quando começaram a surgir as IAs chinesas, como o DeepSeek, foi um baque para o Ocidente perceber que essas ferramentas eram tão boas quanto as americanas, e bem mais baratas.” Questionado sobre o que o Brasil pode aprender com o modelo chinês, Gala defende uma maior articulação entre Estado e mercado. “O modelo chinês mostra como é importante essa interação entre Estado e empresas.” E completa: “Não se trata de estatizar tudo, nem de deixar tudo para o setor privado. É como fazer uma limonada: precisa da dose certa de água e de limão. A China é um belo exemplo disso.”

11 de junho de 2025
Daiane Mendes
Multidões fazem filas que duram horas para comprar o boneco Labubu, que custa US$30 e pode chegar a valer US$7 mil no mercado secundário. Criado em 2015 pelo artista Kasing Lung, o brinquedo se tornou o mais procurado de 2025 e movimenta milhões de dólares em plataformas de revenda como eBay e StockX. No Reino Unido, o fabricante retirou temporariamente os produtos das lojas após confrontos entre clientes. Ao mesmo tempo, autoridades chinesas intensificam a fiscalização para coibir o contrabando. A popularidade do Labubu também despertou interesse fora do mercado de colecionáveis. Na China, autoridades proibiram um banco local de oferecer bonecos da marca como incentivo para captação de depósitos, em meio à queda nas margens de juros e à intensificação da competição entre instituições financeiras. A medida foi direcionada a uma promoção do Ping An Bank, que oferecia as figuras em troca de depósitos de 50.000 yuans por três meses, promoção considerada inadequada pelas autoridades financeiras. De vídeos no TikTok a leilões milionários A Pop Mart , empresa chinesa de brinquedos responsável pela distribuição, usa a estratégia das "caixas surpresa" para criar engajamento entre consumidores. Usuários do TikTok publicam vídeos mostrando a abertura das caixas, aumentando a expectativa sobre qual personagem vão encontrar. O “Labubu secreto” é o prêmio mais raro, com chance de uma em 72 caixas, o que transforma a compra em uma aposta de alto risco e potencial alto retorno. No eBay, transações de edições limitadas ultrapassam US$ 7 mil. No StockX, plataforma especializada em leilões de produtos exclusivos, a colaboração entre Labubu e a marca Vans atinge preços superiores a US$3 mil por unidade. Origem nórdica e sucesso na Ásia Kasing Lung criou Labubu como parte da série “The Monsters”, inspirando-se na mitologia nórdica, o que contraria a percepção de que o personagem representa apenas a cultura chinesa. Pop Mart adquiriu os direitos do boneco e desenvolveu a estratégia comercial que o tornou um fenômeno global. A empresa chinesa foca em brinquedos colecionáveis e ampliou sua atuação para mercados internacionais com essa fórmula. As ações da Pop Mart alcançaram HK$ 244,80 em 6 de junho, acumulando valorização de 544,32% em 12 meses. O modelo de negócios explora a incerteza do consumidor. Os compradores não sabem qual personagem receberão, gerando comportamento semelhante ao de jogos de azar. Segundo pesquisa do China Youth Daily, em parceria com a Mídia Estudantil Nacional, o principal atrativo das caixas-surpresa é a emoção ao abri-las, apontada por 69,78% dos participantes. Revendedores profissionais compram centenas de caixas para encontrar versões raras e vendem esses itens por até 350 vezes o preço original. Impacto no mercado de colecionáveis O sucesso do Labubu mostra como produtos de nicho podem gerar economias paralelas significativas. Investidores tratam esses bonecos como ativos financeiros, acompanhando a variação de preços e as tendências do mercado. O fenômeno incentiva outras empresas a adotarem estratégias similares, expandindo o setor de brinquedos colecionáveis. Especialistas apontam que esse movimento pode transformar a indústria de entretenimento infantil.

5 de junho de 2025
Daiane Mendes
A rede chinesa de cafeterias, Luckin Coffee, anunciou ações para promover o café brasileiro na China e intensificou os acordos com fornecedores do Brasil. No início de maio, a marca inaugurou uma loja com tema de café brasileiro em Pequim e divulgou seus planos de abrir mais 30 em todo o país. Além da loja temática, a Luckin Coffee inaugurou o Museu do Café Luckin Brasil em Kunshan, província de Jiangsu, no leste do país, como parte da estratégia de valorização do café brasileiro na China. A empresa fechou um contrato para comprar 240 mil toneladas do grão entre 2025 e 2029, em uma operação estimada em cerca de US$2,5 bilhões. A iniciativa integra uma série de ações comerciais entre Brasil e China iniciadas em 2023, com apoio do programa Exporta Mais Brasil, da ApexBrasil . Em Cacoal (RO), representantes da Luckin Coffee fecharam negócios para a compra de 4 mil sacas de café da Amazônia durante um único evento. Após esse primeiro contato, a empresa assinou um acordo para adquirir até 120 mil toneladas em 2024, com valor estimado em US$500 milhões. Durante as negociações, autoridades brasileiras participaram ativamente das tratativas. Em junho de 2024, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, e o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, estiveram na China para formalizar o acordo. Em agosto, executivos da Luckin visitaram a sede da ApexBrasil em Brasília para aprofundar a parceria. Em novembro, Viana retribuiu a visita e conheceu a estrutura da empresa na cidade de Kunshan. Nova fase dos investimentos chineses tem o Brasil como prioridade A movimentação da Luckin Coffee se encaixa num fluxo mais amplo de investimento chinês que voltou a ganhar força em 2025. Em maio, durante visita oficial à China , o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um pacote de R$27 bilhões em aportes de empresas chinesas em diversos setores no Brasil, que incluiu a assinatura de novos compromissos entre a ApexBrasil e a Luckin Coffee, com foco na divulgação do café brasileiro no mercado chinês.

2 de junho de 2025
Daiane Mendes
No dia 31 de maio, a Feira de Recrutamento de Empresas Chinesas no Brasil, em sua sétima edição , atraiu mais de 1.000 pessoas interessadas em oportunidades de trabalho ofertadas por empresas chinesas. A feira foi realizada em São Paulo, reunindo 32 multinacionais chinesas que ofereceram mais de 400 vagas de emprego. O evento, que aconteceu na Faculdade ESEG, do Grupo Etapa, foi organizado pela Associação Brasileira de Empresas Chinesas (ABEC), pelo Instituto Confúcio na Unesp e pelo IEST Group, com apoio do Consulado Geral da República da China em São Paulo. Número de empresas chinesas na feira cresce mais de 250% desde 2016 O número de empresas participantes saltou de nove, em 2016, para 32 neste ano, um crescimento de mais de 250%. Segundo Tian Bin, CEO do IEST Group, o evento pioneiro reforça o papel da cooperação Brasil-China no mercado de trabalho. “Esse crescimento é fruto do fortalecimento contínuo da relação bilateral Brasil-China e demonstra o crescente interesse das empresas chinesas pelo mercado brasileiro. É quando o investimento se transforma em oportunidade de emprego para a população brasileira, e temos muito orgulho em contribuir para isso”, afirma. A Feira já reuniu centenas de grandes empresas chinesas de diversos setores presentes no mercado brasileiro, incluindo automotivo, engenharia, telecomunicações, máquinas e equipamentos, agricultura, tecnologia, mobilidade, entre outros. Nas seis edições anteriores, a feira ofereceu mais de 870 vagas e atraiu mais de 2.600 candidatos, consolidando-se como um dos principais encontros de recrutamento focados no mercado chinês no Brasil. A Feira de 2025 A edição de 2025 da feira é a maior já realizada, com 32 empresas participantes e mais de 400 vagas oferecidas. Por questões de espaço, a organização limitou o número de companhias presentes, embora outras tenham manifestado interesse em participar. Neste ano, o evento recebeu mais de 2 mil inscrições e contou com a presença de mais de 850 participantes no dia. Além de reunir um número recorde de empresas e vagas, o evento também se consolidou como um espaço de encontro entre talentos e oportunidades. Para as companhias, é a chance de acessar profissionais qualificados no mercado brasileiro; para os candidatos, vai além da entrega de currículos, envolve contato direto com recrutadores, networking e aprendizado por meio de palestras sobre carreira, mercado de trabalho e internacionalização. Além do contato direto com os recrutadores, os participantes tiveram acesso a palestras promovidas pelas patrocinadoras XCMG, SPIC e CEEC Brasil, além do Instituto Confúcio e da Faculdade ESEG. [caption id="attachment_24324" align="alignnone" width="1366"] Fonte da imagem: FREMC 2025/ Divulgação[/caption] As vagas contemplaram setores como telecomunicações, logística, tecnologia, energia, e-commerce, consultoria empresarial, educação, mineração e alimentos. As oportunidades abrangeram diferentes níveis de experiência nas áreas comercial e vendas, financeiro, administrativo, recursos humanos, marketing, contabilidade, jurídico e logística. Importância da Feira Para Zhang Guanghua, presidente da ABEC e do Banco da China, a 7ª edição confirma o compromisso das empresas chinesas com o desenvolvimento brasileiro. “O aumento no número de companhias, vagas e inscritos reflete a confiança no mercado e o interesse dos profissionais brasileiros”, disse. O cônsul-geral da República Popular da China em São Paulo, Yu Peng, relacionou o evento ao fortalecimento das relações bilaterais. “A troca de visitas entre os presidentes Lula e Xi Jinping em seis meses mostra o nível estratégico da parceria Brasil-China . A cooperação econômica e comercial tem se fortalecido cada vez mais.” [caption id="attachment_24322" align="alignnone" width="1366"] Fonte da imagem: FREMC 2025/ Divulgação[/caption] O professor Luis Antonio Paulino, diretor do Instituto Confúcio na Unesp, destacou o crescimento do evento. “Neste ano, o número recorde de empresas chinesas mostra a ampliação dos laços econômicos entre Brasil e China. No Instituto Confúcio, contribuímos ensinando a língua e a cultura chinesa, facilitando o relacionamento entre brasileiros e chineses, fundamental para o sucesso desses empreendimentos no Brasil.” Pedro Rebelo, diretor executivo de Negócios Internacionais da São Paulo Negócios, afirmou que a feira reforça a integração entre os dois países. “Em um momento de retrocessos na globalização, Brasil e China se destacam como defensores de um mundo mais unido, integrando negócios, pessoas e culturas. A feira conecta empresas chinesas a brasileiros qualificados, oferecendo maior liberdade para negócios”. As empresas com o maior número de vagas Keeta (Meituan) - 100 vagas. A Meituan é um aplicativo de delivery chinês que acabou de chegar ao Brasil com um investimento de R$6,5 bilhões, para rivalizar com o iFood no mercado brasileiro. XCMG, com 76 vagas. As vagas são distribuídas em seis estados brasileiros: São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás, Pará e Rio Grande do Sul. As oportunidades abrangem diversas áreas, como Recursos Humanos, Finanças, Tecnologia da Informação, Engenharia, Vendas, Compras e Manutenção. Zoomlion, com 30 vagas. iMile Delivery, com 53 vagas. Empresas participantes China Mobile (Telecom) Fiberhome (Telecom) Hytera Comunicações (Telecom) Huawei (Telecom) ZTE (Telecom) OPPO (Telecom) JOVI (Telecom) Realme (Telecom) Kwai (Internet) Keeta - Meituan (Delivery) 99 (Mobilidade) COFCO (Agronegócio) Anjun Express Ltda (Logística) Centex Supplychain (Logística e E-commerce) J&T Express (Logística) Imile Delivery (Logística) Jingdong (E-commerce) Instituto Confúcio da UNESP (Educação) CEEC (Energia) CGN Brasil Energia (Energia) SPIC Brasil (Energia) CRRC Brasil (Equipamentos Ferroviários) C&D (Comércio) Hisense (Eletrodomésticos) ICBC (Financeiro) IEST GROUP (Consultoria) CMOC (Mineração) Mineração Vale Verde (Mineração) Oke Ferramentas (Indústria)Sunward Brasil (Indústria) XCMG (Máquinas) Zoomlion (Máquinas) Centro de Serviços Econômicos e Comerciais China – Países de Língua Portuguesa e Espanhola

29 de maio de 2025
Daiane Mendes
A BYD lançou a versão 2026 do SUV híbrido plug-in Song Plus no Brasil . Após vender mais de 17 mil unidades em 2024, o modelo retorna com mudanças visuais, melhorias tecnológicas e uma nova versão Premium com autonomia elétrica ampliada. O visual segue o padrão global da marca. A frente incorpora os faróis Dragon Face 3.0 com novos contornos, rodas de 19 polegadas e integração com o console central “Heart of Ocean”. O sistema de som Infinity® by HARMAN com subwoofer também equipa o novo modelo. “O Song Plus 2026 mantém os pontos que fizeram sucesso e incorpora demandas do público brasileiro, como mais conectividade e um design atualizado”, afirma Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil e responsável pela área comercial e de marketing da marca. A linha inclui quatro opções de cor (preto, cinza claro, cinza escuro e branco) e duas combinações de interior: azul com cinza claro e caramelo com preto. [caption id="attachment_24273" align="alignnone" width="1878"] Fonte da imagem: BYD/ Divulgação[/caption] [caption id="attachment_24275" align="alignnone" width="1878"] Fonte da imagem: BYD/ Divulgação[/caption] Entre os recursos tecnológicos, o modelo traz head-up display com informações do sistema ADAS, além de controle remoto por meio do aplicativo BYD, com chave digital via NFC e Bluetooth. O SUV mantém a motorização DM (Dual Mode), que combina motor a combustão e elétrico, com bateria Blade. A autonomia no modo 100% elétrico é de 100 km (padrão NEDC) e 63 km (PBEV/Inmetro). A versão Premium amplia a autonomia elétrica com uma nova bateria Blade de 26,6 kWh — ante os 18,3 kWh da versão anterior. A autonomia chega a 135 km no ciclo NEDC e 87 km no padrão PBEV do Inmetro. A versão também oferece recarga rápida de 18 kWh em corrente contínua, com tempo estimado de menos de 1h30. “O Premium começou como edição especial, mas passou a integrar a linha devido à demanda. A nova bateria e os recursos conectados são respostas diretas ao comportamento dos nossos consumidores”, diz Baldy. Preço e garantia O BYD Song Plus 2026 custará R$249.990. Já a versão Premium chega a R$299.800. A marca oferece 6 anos de garantia para o veículo e 8 anos para a bateria, sem limite de quilometragem.

27 de maio de 2025
Daiane Mendes
Em várias regiões da China, bairros inteiros erguidos durante o boom imobiliário permanecem com baixa ocupação. O fenômeno levanta questões sobre a dinâmica recente da urbanização e o papel da moradia no desenvolvimento econômico do país. Pressionado pela baixa confiança dos compradores, endividamento de incorporadoras e desaceleração econômica, o impacto direto dessa crise já se reflete no número elevado de imóveis desocupados: segundo a Business Insider, veículo de notícias global focado em negócios, cerca de 65 milhões de residências estariam abandonadas no país. Durante décadas, o setor imobiliário movimentou boa parte da economia chinesa, impulsionado por políticas estatais que estimularam grandes empreendimentos urbanos. A partir de 2021, no entanto, o mercado entrou em crise. Desde então, o governo implementou diversas medidas para conter os efeitos da retração, mas os estímulos não surtiram efeito duradouro. Uma pesquisa da Reuters aponta que os preços dos imóveis devem cair 4,8% em 2025, mais do que a queda de 2,5% prevista em fevereiro. A projeção para 2026 também foi revista: o crescimento esperado deu lugar à estagnação. Os dados da consultoria E-House, baseados em informações do departamento de estatísticas da China, mostram que os preços dos imóveis já registraram queda de 4,8% em 2024, na comparação anual. As vendas também seguem em retração, a previsão para 2025 é de um recuo de 5%, enquanto os investimentos devem encolher 8,4%, ritmo mais acelerado que a queda de 7% estimada anteriormente. Cidades fantasmas refletem desequilíbrios entre urbanização e demografia O cenário se agrava com a intensificação da guerra comercial entre China e Estados Unidos , o que adiciona mais incerteza ao ambiente econômico. Sem confiança e com excesso de oferta, o país assiste à multiplicação de imóveis vazios e ao surgimento de áreas urbanas inteiras com pouca ou nenhuma ocupação, fenômeno que reforça a presença das chamadas “cidades fantasmas” no território chinês. O excesso de construções em regiões sem demanda efetiva contribuiu para o surgimento de centenas de cidades com baixa densidade populacional. Esses espaços, compostos por blocos de prédios recém-construídos, avenidas largas e infraestrutura quase intacta, permanecem praticamente vazios anos após sua entrega. O fenômeno das cidades fantasmas, presente em diferentes províncias, como Inner Mongolia, Hebei, Henan e Liaoning, reflete os desequilíbrios entre planejamento urbano, especulação imobiliária e dinâmica demográfica. Nos últimos anos, projetos habitacionais foram erguidos com base em projeções de crescimento econômico e migração interna que não se confirmaram. Em muitos casos, os imóveis foram adquiridos como ativos de investimento, não como residências, ampliando a taxa de desocupação. A desaceleração do consumo e a perda de fôlego do mercado formal dificultaram a ocupação desses espaços. Propostas de reutilização urbana ainda têm alcance limitado Autoridades locais enfrentam dificuldades para reverter esse cenário. A queda na arrecadação proveniente da venda de terrenos, uma das principais fontes de receita municipal, limita a capacidade de manutenção e revitalização desses empreendimentos. Em paralelo, a população urbana envelhece e o crescimento demográfico se reduz, o que diminui ainda mais o potencial de ocupação futura. O governo chinês tem sinalizado a intenção de transformar parte desses imóveis em moradias acessíveis ou centros comunitários. Governos locais têm adquirido terrenos com o objetivo de reduzir a pressão financeira sobre as incorporadoras e viabilizar a conclusão dos projetos em andamento. No entanto, iniciativas desse tipo ainda ocorrem de forma isolada e sem impacto significativo nos índices de desocupação. Enquanto isso, bairros inteiros continuam vazios, marcando visualmente uma das consequências mais evidentes da crise no setor imobiliário do país.

26 de maio de 2025
Daiane Mendes
A CEEC Brasil participará da 7ª Feira de Recrutamento de Empresas Chinesas no Brasil , que acontece no próximo dia 31 de maio, em São Paulo. A companhia está com nove vagas abertas para atuação presencial em sua sede, localizada na Avenida Paulista. As oportunidades são destinadas às áreas de Novos Negócios, Desenvolvimento de Mercado, Recursos Humanos, Financeiro, Operações, QSMS e Administrativo. O evento será realizado na Faculdade ESEG – Grupo Etapa, com entrada gratuita e aberta ao público. Para participar, é necessário realizar inscrição prévia por meio do link https://fremc.iestgroup.com/ . “A CEEC busca profissionais comprometidos, com foco em crescimento profissional e capacidade de atuar em ambientes multiculturais”, afirma Flávio Piccoli, gerente de Recursos Humanos da empresa. Os candidatos devem ter fluência em inglês e mandarim, além de experiência prévia em empresas chinesas ou multinacionais. Além do recrutamento, a feira contará com uma programação de palestras. A CEEC Brasil participará com a apresentação “China Energy: Investimentos e oportunidades no Brasil”. Presença global e foco em longo prazo Fundada no Brasil em 2013, a CEEC Brasil atua sob a direção da China Gezhouba Group Overseas Investment Co., Ltd (CGGOIC), braço internacional da China Energy. A empresa investe em projetos greenfield e brownfield nos setores de energia e infraestrutura, com atuação orientada ao desenvolvimento sustentável e à responsabilidade social. Sua cultura organizacional valoriza o trabalho em equipe, a colaboração entre áreas e a boa comunicação. A feira será uma oportunidade para quem busca integrar um grupo com visão de longo prazo e presença global consolidada. Serviço Inscrições: https://fremc.iestgroup.com Data: 31 de maio de 2025 Horário: 10h às 16h Local: Faculdade ESEG - Grupo Etapa Endereço: Rua Vergueiro, 1549 - Paraíso, São Paulo - SP, 04101-000

14 de maio de 2025
Daiane Mendes
A China tem o terceiro maior território do mundo e uma geografia bastante diversa. O país é banhado por cinco mares e conta com mais de 5.000 ilhas espalhadas ao longo de sua extensa costa. Administrativamente, a China se organiza em 34 unidades sob um governo centralizado. Essa estrutura inclui 23 províncias, 5 regiões autônomas, 4 municipalidades sob controle direto do governo central e 2 regiões administrativas especiais. As províncias formam a base dessa organização. Entre elas, Guangdong, Sichuan e Henan se destacam tanto pelo tamanho da população quanto pela força econômica. Taiwan é parte integrante da China, embora atue de forma independente. As quatro municipalidades, Pequim, Xangai, Tianjin e Chongqing, têm o mesmo status das províncias, mas, por serem grandes cidades, são administradas diretamente pelo governo central. Já as regiões administrativas especiais, Hong Kong e Macau, operam com sistemas próprios nas áreas econômica e jurídica, embora estejam subordinadas a Pequim em questões como defesa e política externa. As cinco regiões autônomas foram criadas com foco em grupos étnicos específicos: Tibete (tibetanos), Xinjiang (uigures), Guangxi (zhuang), Mongólia Interior (mongóis) e Ningxia (hui). Essas regiões contam com mais liberdade para lidar com temas culturais e linguísticos, mas seguem as diretrizes definidas por Pequim. A China reconhece oficialmente 56 grupos étnicos. A maioria da população faz parte do grupo han, que representa cerca de 92% dos habitantes. Os demais incluem povos como zhuang, hui, uigures, manchus, tibetanos e mongóis. De modo geral, essas minorias vivem nas áreas mais afastadas dos principais centros econômicos e políticos. Principais etnias da China Han Os han somam mais de 1,2 bilhão de pessoas. Falam o mandarim, língua baseada em ideogramas, reconhecida como uma das línguas oficiais da ONU . Essa etnia consolidou boa parte da estrutura política, literária e científica da China. Os han também foram responsáveis por invenções como a bússola, o papel, a pólvora e a impressão. Zhuang Com aproximadamente 18 milhões de pessoas, os zhuang vivem majoritariamente na Região Autônoma de Guangxi Zhuang e nas províncias de Yunnan, Guizhou, Sichuan e Hunan. Falam a língua zhuang e mantêm práticas tradicionais como o cultivo de arroz e a produção de bordados típicos. Mongóis Descendentes do antigo Império Mongol, vivem principalmente na Mongólia Interior, região autônoma da China, além de Xinjiang e Qinghai. Têm forte tradição no pastoreio e na equitação. A população mongol na China supera a da Mongólia independente. Hui Com cerca de 10 milhões de pessoas, os hui são muçulmanos e vivem em Ningxia, Xinjiang, Gansu, Qinghai, entre outras províncias. Falam mandarim e compartilham costumes dos han, com exceção das práticas religiosas. Uma das especialidades culinárias é a sopa de noodles de Lanzhou. Miao Também com cerca de 10 milhões de pessoas, os miao se concentram em Guizhou, Yunnan e regiões próximas. A língua miao pertence à família sino-tibetana. Os trajes variam por região, com roupas bordadas e joias de prata em festividades como o Lusheng Festival. Tibetanos Vivem principalmente na Região Autônoma do Tibete e em províncias vizinhas. Falam a língua tibetana e seguem o budismo tibetano. A história do povo tibetano remonta há mais de cinco mil anos. No século VII, a Dinastia Tubo consolidou o Tibete como reino unificado, mantendo sua tradição religiosa e cultural até hoje. O governo promove o uso do mandarim como idioma comum em todo o território e desenvolve políticas voltadas à integração nacional. Ao mesmo tempo, investe em programas locais voltados para o desenvolvimento das regiões onde vivem as minorias, principalmente nas áreas de educação, saúde e infraestrutura. A divisão administrativa da China busca equilibrar a unidade do país com a diversidade presente em seu território. Essa estrutura territorial e étnica ajuda a entender como o país organiza sua administração interna e conduz políticas públicas em diferentes regiões.

6 de maio de 2025
Daiane Mendes
A China enfrenta um desafio crescente com o envelhecimento de sua população, com mais de 20% de seus habitantes com 60 anos ou mais. Esse fenômeno demográfico gerou uma nova oportunidade econômica: a economia prateada. Este mercado, focado no atendimento às necessidades dos idosos, tem atraído a atenção de empresas e do governo, que reconhecem seu potencial de crescimento para os próximos anos. Em 2024, a economia prateada representava cerca de 6% do PIB da China, totalizando 7 trilhões de yuans (aproximadamente 965 bilhões de dólares). De acordo com um relatório publicado pela Associação Chinesa de Bem-Estar Social e Serviço para Idosos, essa cifra deverá alcançar 30 trilhões de yuans até 2035, respondendo por até 10% do PIB. O aumento da longevidade, somado à mudança no comportamento de consumo da população idosa, tem sido o principal fator que impulsiona esse crescimento. O crescimento da demanda por produtos e serviços para idosos O comportamento dos consumidores idosos está em transformação, com a busca por melhoria da qualidade de vida por meio de novas experiências e produtos. A crescente demanda por serviços voltados ao bem-estar e à saúde reflete essa mudança. O governo chinês tem adotado medidas para facilitar o desenvolvimento de uma oferta mais adequada a esse público, com foco em cuidados à saúde, mobilidade, lazer e turismo. Em relatório divulgado em 2025, a administração destacou a importância de melhorar as políticas públicas voltadas para o envelhecimento e os serviços de cuidado a idosos. A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma tem incentivado a inovação no setor privado, com o objetivo de garantir que as empresas criem produtos que atendam às especificidades desse público. A criação de diretrizes financeiras e políticas públicas de apoio ao desenvolvimento da economia prateada visa fortalecer a infraestrutura de cuidado e bem-estar para os idosos. Isso inclui desde cuidados médicos em casa até a adaptação de espaços urbanos, como transporte e habitação, para garantir a acessibilidade e a qualidade de vida. Setores em expansão e oportunidades de mercado A expansão da economia prateada não se limita ao setor de saúde. A demanda por produtos e serviços voltados ao lazer e à qualidade de vida tem gerado novas oportunidades de negócios. O mercado de turismo, por exemplo, está se adaptando à nova realidade, com a criação de pacotes e viagens que atendem às necessidades dos idosos. Além disso, setores como alimentos saudáveis, moda e estética também estão se preparando para oferecer produtos que atendam a essa nova faixa etária consumidora. A tecnologia também desempenha forte influência, com o desenvolvimento de dispositivos que ajudam os idosos a manter a independência. De acordo com o estudo da Associação Chinesa de Bem-Estar Social, dispositivos de monitoramento de saúde e cuidados a distância têm mostrado grande potencial para melhorar a qualidade de vida dos idosos, enquanto também oferecem uma oportunidade lucrativa para empresas do setor tecnológico.

9 de abril de 2025
Daiane Mendes
O nome da Meituan era desconhecido no Brasil até surgir, nesta semana, rumores de que a empresa irá iniciar sua operação no mercado brasileiro . A gigante chinesa Meituan opera uma das maiores plataformas de delivery sob demanda do mundo, com mais de 60 milhões de pedidos processados diariamente e uma rede de cinco milhões de entregadores ativos. A empresa firmou sua posição como parte da infraestrutura logística da China e figura entre as três maiores empresas de internet listadas no país em valor de mercado. No terceiro trimestre de 2024, a Meituan registrou receita de 82,25 bilhões de yuans, um aumento de 21% em relação ao mesmo período do ano anterior. A Daxue Consulting aponta que a combinação entre modelo de superapp, inovação tecnológica e estratégia centrada no consumidor explica o crescimento da empresa e sua posição entre as três maiores companhias de internet listadas na China. Criada em 2010 como uma plataforma de cupons, a Meituan adotou a estratégia “Food + Plataforma” em 2018. O delivery de comida representa 30% da receita da companhia. Outros serviços, como reservas de hotéis, compras em supermercados e entrega de remédios, somam 28,2%. Segundo dados da consultoria Daxue Consulting, a Meituan detém 69% do mercado de delivery de comida na China, quase o dobro da participação da Ele.me, sua principal concorrente. A empresa alcançou 81 milhões de usuários ativos mensais em 2024 e registrou receita de 82,25 bilhões de yuans no terceiro trimestre do ano, alta de 21% na comparação anual. A empresa transformou sua operação em um ecossistema com mais de 200 serviços e 81 milhões de usuários ativos mensais. A Meituan conecta consumidores, comerciantes e entregadores em uma única plataforma, criando efeitos de rede que sustentam o crescimento. O sistema integra big data, computação em nuvem e inteligência artificial para otimizar a experiência de entrega e o relacionamento com o usuário. A estratégia da Meituan para manter a liderança no delivery chinês Entre as estratégias adotadas está a criação de tráfego privado. A Meituan incentiva o uso de Mini Programas dentro do WeChat, permitindo que comerciantes criem grupos de clientes e promovam ofertas diretas. Além disso, a função “Bonus Fandom Group” oferece cupons e promoções limitadas, aumentando o engajamento e a frequência de pedidos. A empresa também investe em soluções para o mercado B2B. Comerciais parceiros têm acesso a ferramentas de marketing digital, sistemas de ERP em nuvem, integração com sistemas de pagamento e apoio na gestão de cadeia de suprimentos. Segundo a Daxue Consulting, esse conjunto de soluções eleva a eficiência operacional e a exposição das marcas na plataforma. Na frente tecnológica, a Meituan desenvolveu um sistema de despacho inteligente em tempo real, baseado em machine learning e pesquisa operacional. Além disso, a implementação, iniciada em 2019, reduziu em 20,96% o tempo médio de entrega e em 23,77% a distância percorrida pelos entregadores, gerando uma economia anual de aproximadamente 230 milhões de dólares. A empresa também aplica visão computacional em operações como identificação de pacotes farmacêuticos, leitura de QR codes em bicicletas e validação de cadastros de comerciantes. Com a aquisição da startup Lightyear, especializada em sistemas autônomos e machine learning, a Meituan reforçou sua aposta em inteligência artificial. A integração das tecnologias da Lightyear acelera o desenvolvimento de robôs autônomos de entrega e sistemas preditivos, com o objetivo de ampliar a rede logística e reduzir a dependência de entregadores humanos. Além do mercado interno, a Meituan busca crescimento fora da China. Em 2023, lançou o serviço Keeta em Hong Kong, que se tornou o segundo maior do setor na região em menos de um ano. Em 2024, iniciou a expansão para a Arábia Saudita, com parcerias locais e ações de marketing adaptadas à cultura local.