
8 de outubro de 2025
Daiane Mendes
O mercado espacial comercial da China deve atingir 2,8 trilhões de yuans (aproximadamente US$393,2 bilhões) até o final de 2025, segundo o Instituto de Pesquisa da Indústria Empresarial da China. O crescimento é resultado da expansão de empresas privadas, pelo aumento de lançamentos orbitais e pelo desenvolvimento de satélites de comunicação, parte de uma estratégia que especialistas chamam de “Rota da Seda Espacial”, que simboliza a busca da China pelo desenvolvimento da indústria aeroespacial em cooperação com outros países. O setor espacial comercial chinês começou a se estabelecer em 2010, com políticas que abriram espaço para a participação de capital privado. Em 2014, o governo chinês incentivou investimentos sociais em atividades espaciais e, em 2015, lançou o Plano Nacional de Infraestrutura Espacial Civil de Médio e Longo Prazo (2015–2025), estimulando empresas privadas a fabricar foguetes, satélites e prestar serviços de dados orbitais. Após 10 anos de desenvolvimento do plano, o número de companhias no setor cresceu rapidamente, de menos de 100 há uma década para mais de 500 em 2025, atuando em lançamentos, na fabricação de pequenos satélites e no fornecimento de dados de observação da Terra e de serviços de internet por satélite. Em 2024, foram 68 lançamentos orbitais, conforme o Relatório Anual de Atividades Espaciais. A expansão inclui também o desenvolvimento de constelações de satélites de comunicação em órbita baixa para prover banda larga, com aplicações comerciais em agricultura, logística e monitoramento ambiental. O sistema de navegação por satélite BeiDou , parte integrante dessa estratégia, é promovido como alternativa ao GPS, oferecendo posicionamento e navegação a países participantes da Iniciativa Cinturão e Rota, incluindo nações da África, Oriente Médio e América Latina A China é o terceiro país a colocar astronautas no espaço e construir uma estação espacial com grandes avanços na exploração científica da Lua. A missão Chang’e-6, lançada em 3 de maio de 2024, foi bem-sucedida e coletou 1.935,3 gramas de material lunar do lado oculto da Lua , retornando à Terra após 53 dias no espaço. A Chang’e-6 integra uma série de programas espaciais chineses, incluindo a estação espacial Tiangong, que funciona como laboratório orbital e centro de pesquisa internacional, realizando experimentos em microgravidade, biotecnologia e física de materiais, e recebendo cientistas de países parceiros e que compõem uma estratégia de longo prazo para consolidar a presença tecnológica e científica da China no espaço até 2045, com futuras missões à Lua e Marte. Além disso, o setor espacial comercial chinês também registrou 138 eventos de financiamento em 2024, totalizando 20,239 bilhões de yuans (US$2,8 bilhões), recordes históricos, segundo o Relatório do Ecossistema de Inovação Espacial Comercial da China de 2025. As áreas mais beneficiadas foram aplicações de satélites, fabricação de foguetes e produção de satélites.

7 de outubro de 2025
Daiane Mendes
O Banco Mundial revisou sua projeção de crescimento da economia chinesa em 2025, estimando um aumento de 4,8%, acima dos 4% previstos anteriormente, em abril. A nova estimativa se aproxima da meta oficial do governo de Pequim, que busca um crescimento próximo a 5% neste ano. Segundo o relatório, a revisão reflete o desempenho das exportações chinesas, que resistiram às pressões de tarifas internacionais, e os estímulos implementados pelo governo para sustentar o consumo interno após a desaceleração no setor imobiliário. A região do Leste Asiático e Pacífico também teve sua previsão elevada, passando de 4% para 4,8%. Apesar das perspectivas positivas para 2025, o Banco Mundial alerta para riscos futuros. O crescimento deve desacelerar para 4,2% em 2026, com menor contribuição das exportações e a necessidade de redução gradual dos estímulos fiscais. Além disso, fatores estruturais, como o envelhecimento da população e o alto desemprego entre jovens, permanecem como desafios para manter a expansão econômica de forma sustentável.

1 de outubro de 2025
Daiane Mendes
A fabricante chinesa de celulares OPPO anunciou a chegada dos modelos Reno14 e Reno14 F no mercado brasileiro. A série marca a aposta da empresa no segmento intermediário, voltado para fotografia em eventos e ambientes noturnos. Além do lançamento dos aparelhos, a empresa confirmou a abertura de sua loja oficial online no mercado brasileiro, prevista para meados de outubro. A operação também terá presença em marketplaces como Amazon e Mercado Livre e em redes de varejo como Casas Bahia, Magazine Luiza, Claro, Vivo e Bemol, totalizando mais de 3 mil pontos de venda no país. “O Brasil é um mercado de dimensões continentais e consumidores apaixonados por tecnologia. A abertura da nossa loja oficial online, somada à presença em plataformas digitais e em uma operadora parceira, é um marco para consolidarmos uma experiência de compra diferenciada, confiável e próxima das necessidades do público local”, disse Ethan Xue, presidente da OPPO para a América Latina. A OPPO projeta dobrar as vendas no Brasil até 2026 e tornar-se a segunda marca mais vendida em celulares Android até 2029, apostando em expansão no varejo físico e online. Segundo Mariana Passos, gerente sênior de comunicação da OPPO Brasil, a linha já tem presença consolidada no exterior. “Até maio deste ano, 130 milhões de dispositivos Reno foram vendidos em mais de 100 países e regiões”, afirmou. Características dos modelos O Reno14 traz câmera telefoto de 50 MP com zoom de 3,5x, sistema triplo de flash e suporte a vídeo 4K HDR com inteligência artificial. O Reno14 F conta com sistema duplo de flash e design com acabamento cintilante inspirado no movimento da cauda de sereia. [caption id="attachment_25631" align="alignnone" width="1575"] Imagem: OPPO/ Divulgação[/caption] Ambos têm telas AMOLED, 6,59 polegadas no Reno14 e 6,57 polegadas no Reno14 F, certificações IP66, IP68 e IP69 contra água e poeira, e recursos como Splash Touch e Toque com Luva. A bateria é de 6.000 mAh, com carregamento rápido SUPERVOOC™, e os dois modelos vêm equipados com 12 GB de RAM e mais 12 GB de expansão virtual. A linha estreia o sistema ColorOS 15, baseado no Android 15, que, segundo a empresa, oferece desempenho 18% mais rápido e 40% mais estável. O Reno14 inclui sistema de resfriamento por inteligência artificial, enquanto todos os modelos contam com câmara de vapor. Entre os recursos de fotografia com IA estão o AI Motion Photo 2.0, que reduz borrões combinando diferentes tempos de exposição, e o Editor AI 2.0, voltado para edição rápida de imagens. Preços e disponibilidade O Reno14 será vendido por R$4.999, nas cores Branco Pérola e Verde Luminoso. O Reno14 F terá preço sugerido de R$3.499, nas cores Azul Cintilante e Verde Luminoso. A venda começa em 1º de outubro em parceiros de varejo e, a partir da segunda quinzena do mês, no Amazon e Mercado Livre. Raphael Carvalho, gerente de treinamento da OPPO Brasil, destacou melhorias no desempenho do sistema. “As nossas tecnologias combinadas aumentam a velocidade em 18% e melhoram a estabilidade e o controle em 40%. Na série Reno14, a experiência com janela flutuante está mais suave do que nunca”, afirmou. Outros lançamentos Além da linha Reno 14, a Oppo apresentou no Brasil os fones Enco Buds 3 Pro, por R$699, e os Enco Buds 3, por R$399, além do smartwatch Oppo Watch X2 Mini, ainda sem preço definido no Brasil.

29 de setembro de 2025
Daiane Mendes
Quando o assunto é Creator Economy, a China se consolida como referência global na criação de tendências. Em um painel realizado nesta segunda-feira (29), durante o YouPix Summit , especialistas discutiram como os modelos de negócios asiáticos vêm influenciando o cenário brasileiro. Entre os formatos que ganham força, destacam-se as mini-novelas, conhecidas como microdramas, e o social commerce, que despontam como novas formas de consumo de entretenimento com grande potencial de crescimento no país. Segundo Claudine Bayma, country manager do Kwai Brasil, as mini-novelas, formato lançado pelo Kwai no Brasil em 2022, já somam mais de 100 bilhões de visualizações. Segundo ela, o modelo, inspirado no consumo chinês de microdramas, ganhou força por se adaptar ao comportamento do público, que hoje assiste a narrativas rápidas no celular. “Enquanto a família antigamente se reunia para ver a novela das oito na sala, hoje cada um tem a sua própria experiência no seu próprio celular na palma da mão. O vertical é muito mais do que um enquadramento. O vertical é a cumplicidade do usuário com o conteúdo”, afirmou Claudine. Claudine acrescentou que o investimento da plataforma no Brasil soma cerca de R$70 milhões, com 20% destinados ao Tele Kwai. “Na China, o Kwai produz seis mil títulos por ano. Aqui, ainda estamos em cerca de 100, mas queremos alcançar essa maturidade (do mercado chinês)”. Além da publicidade e do branded content, que são conteúdos produzidos em nome de uma marca, Claudine destacou a possibilidade de que histórias testadas no digital avancem para TV e cinema, movimento já presente no mercado chinês. Criador como empresa e o avanço do social commerce Lucas Peng, COO do IEST Group e responsável pela agência de marketing de influência ECN, destacou a chegada do social commerce, modelo em que a compra é feita diretamente dentro das redes sociais, e ressaltou a diferença de mentalidade entre criadores brasileiros e asiáticos. “O Brasil ainda está um pouquinho atrás nesse aspecto porque o criador pensa como mídia, vitrine. Na China o criador é uma empresa, ele tem funcionários e ele é a conversão. Ele entende o poder que ele tem para mudar”, disse. Ele destacou também o papel de KOL (Key Opinion Leader) e KLC (Key Opinion Consumer) no mercado asiático, apontando que microinfluenciadores têm grande impacto na conversão. “A gente que está começando agora com o Kwai Shop e o TikTok Shop no Brasil percebe que o criador ainda tem uma certa resistência e pensa ‘vou fazer live de vendas? Não, eu sou influenciador, sou celebridade, não sou vendedor’”, afirmou. O social commerce foi outro destaque. Só em 2025, a prática deve movimentar US$1,2 trilhão, de acordo com pesquisa da Accenture, e boa parte vinda de transmissões ao vivo. Claudine explicou que o formato exige habilidades específicas: “O criador de conteúdo de live é um perfil, tem uma dinâmica, uma retórica, um roteiro completamente diferente do criador de conteúdo, por exemplo, de lifestyle ou de Telekwai.” Segundo Peng, o formato exige preparo diferenciado: “Uma live de venda tem dinâmica própria, diferente do lifestyle. Enquanto no Brasil as transmissões duram de duas a três horas, na China elas ultrapassam seis horas. No 11/11, um criador chamado Austin Lee, vendeu 1,7 bilhão de dólares em uma noite”, afirmou. Parceria entre marcas e criadores Os painelistas defenderam que o relacionamento entre marcas e criadores precisa evoluir. Peng destacou que muitas empresas ainda tratam influenciadores apenas como prestadores de serviço, com briefings engessados. “Para quem trabalha com criador, sabe que muitas vezes não é só dinheiro. Às vezes precisa ter afinidade com a marca. Então a marca precisa flexibilizar e falar, eu quero você parceiro junto. E às vezes é essa estratégia.” Claudine complementou: “Se a marca quer resultado de venda, não é o tamanho do criador que vai definir isso. É quanto ele consegue ser engajador. É sobre afinidade e sobre a desenvoltura dele, mas do tamanho de base.” Inteligência artificial e influenciadores virtuais O painel também abordou o uso de inteligência artificial e o surgimento de influenciadores virtuais. Para Claudine, a tecnologia deve ser vista como ferramenta de apoio, e não substituição. “Nada, na minha opinião, vai substituir o humano, o criativo. Ele é simplesmente para auxiliar a produção de conteúdo. Para fazer com que fique mais barato”, disse. Peng lembrou que algumas marcas chinesas já desenvolvem criadores virtuais próprios para alinhar identidade e narrativa. “Não é para substituir. É justamente alguém que está dando a essência do criador. Não é só um robô falando algo, precisa ter personalidade. Então, é bem esse caminho”, finalizou.

25 de setembro de 2025
Daiane Mendes
O mercado de sorvetes da China movimentou US$19,16 bilhões em 2024 e deve crescer para US$33 bilhões até 2033, segundo a consultoria Renub Research. Desde 2014, o país lidera o setor em receita e consumo e, hoje, é o maior consumidor global do produto. O crescimento reflete mudanças no comportamento dos consumidores chineses, nas estratégias das empresas e na forma de comprar e consumir sorvete. O consumo se concentra nas regiões leste e sul, especialmente em cidades como Xangai e Hangzhou. No norte, onde o clima é mais frio, a demanda é menor. Ao mesmo tempo, os hábitos dos consumidores estão mudando. Sorvetes caros, que antes eram símbolos de status, agora dividem espaço com produtos mais baratos, vendidos por menos de 5 yuans (cerca de R$3,75), que viralizam nas redes sociais. Em junho de 2025, o tema “o sorvete retorna à era de 5 yuans” teve mais de 63 milhões de visualizações no Weibo, mostrando como preço baixo pode atrair novos públicos. A aparência dos sorvetes também virou um atrativo na hora da compra. Produtos inspirados em pontos turísticos ou elementos culturais são vendidos em museus e parques, atraindo consumidores que buscam experiências visuais e gastronômicas únicas. Um sorvete de RMB 15 (R$ 11,20), com design de um palácio histórico, vale pelo sabor e pelo efeito “instagramável”. Além disso, marcas locais estão criando sabores com ingredientes tradicionais chineses, como matcha, feijão vermelho e gergelim preto, e versões mais saudáveis, com menos açúcar e gordura ou à base de plantas. Formatos diferentes, como mochi e picolés artesanais, também registram alta demanda. Ao lado dessas mudanças de comportamento, a China investe fortemente em tecnologia e logística. A cadeia de frio avançou e garante que sorvetes possam ser vendidos online sem riscos. O e-commerce de sorvetes deve atingir US$2,27 bilhões até 2025, representando 28,3% do total de alimentos congelados vendidos online, segundo a Renub Research. Empresas chinesas como Yili e Mengniu lideram o setor, com 17% e 10% de participação, enquanto marcas estrangeiras, como Nestlé e Häagen-Dazs, são mais populares nas grandes cidades. Mixue: do interior da China ao Brasil A Mixue começou em 1997, quando o funadaor, Zhang Hongchao, abriu uma pequena loja de raspadinhas em Henan. Mas o sucesso veio apenas em 2005, quando o empreendedor passou a vender cones de sorvete por 1 yuan (cerca de R$0,80), que conquistaram o público de baixa renda. A rede cresceu rapidamente e, em 2024, ultrapassou o McDonald’s e Starbucks em número de lojas, após dobrar sua rede, com mais de 45 mil pontos de venda no mundo. Agora, a Mixue mira o Brasil. A empresa acaba de chegar ao país e prepara a abertura de lojas, sendo a primeira delas em um shopping na Avenida Paulista, em São Paulo. Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), a rede planeja investir R$3,2 bilhões no país e gerar 25 mil empregos até 2030. A empresa pretende replicar no mercado latino-americano seu modelo de baixo custo, aplicado com sucesso na China.

24 de setembro de 2025
Daiane Mendes
O arquiteto chinês Kongjian Yu, conhecido internacionalmente pelo conceito das chamadas “cidades-esponja”, morreu na queda de um avião de pequeno porte em Aquidauana, no Mato Grosso do Sul, na noite de terça-feira (23). Outras três pessoas também estavam a bordo e não sobreviveram. Yu, nascido em Zhejiang em 1963, era professor, doutor pela Universidade Harvard, consultor do governo chinês e referência em projetos urbanos voltados para adaptação às mudanças climáticas . Yu foi o criador do conceito de “cidade-esponja”, modelo de planejamento urbano que utiliza parques, jardins e áreas verdes para absorver e reter água da chuva, reduzindo enchentes, e que foi incorporado em mais de 70 cidades chinesas e ganhou força após as inundações de 2012, em Pequim. Além de Kongjian Yu, estavam a bordo os cineastas e documentaristas brasileiros Luiz Fernando Feres da Cunha Ferraz e Rubens Crispim Jr., além do piloto Marcelo Pereira de Barros. A aeronave caiu próxima à pista de pouso de uma fazenda turística da região, que já serviu de locação para a novela Pantanal, da TV Globo. As causas do acidente estão sob investigação.

18 de setembro de 2025
Daiane Mendes
A China possui a maior rede 5G do mundo, com mais de 4,4 milhões de estações bases em 2025, segundo o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT). O país já começou a migrar para o 5G-Advanced (5G-A), também conhecido como 5.5G, uma evolução do 5G que serve de ponte para o futuro 6G. As três principais operadoras do país, China Mobile, China Telecom e China Unicom, possuem o plano de ativar o 5G-A em mais de 300 cidades neste ano. A meta é expandir o serviço para todo o território até 2027. A Groupe Speciale Mobile Association (GSMA) projeta que, até 2030, o 5G responderá por 57% de todas as conexões móveis globais, com a infraestrutura avançada da China servindo de base para a digitalização industrial. Essa nova fase promete conexões até dez vezes mais rápidas do que o 5G atual, além de maior estabilidade da rede. O 5G-A também vai permitir aplicações mais complexas, como carros autônomos em larga escala, cirurgias remotas mais seguras e fábricas inteligentes com menor tempo de resposta entre máquinas. O governo chinês vê o 5G-A como parte de uma estratégia para manter a liderança em telecomunicações e preparar a base tecnológica para o 6G, previsto para chegar por volta de 2030. A tecnologia amplia a capacidade das antenas ao incorporar funções de sensoriamento, o que permite que a rede funcione também como um sistema de radar distribuído, capaz de detectar objetos em áreas urbanas e viabilizar aplicações em drones e no tráfego aéreo de baixa altitude. Essa combinação de transmissão de dados e percepção ambiental abre caminho para cidades inteligentes mais integradas e para a expansão de veículos autônomos em rotas controladas. 5G-A como sistema nervoso da economia Se o 4G ficou conhecido por popularizar os smartphones e abrir espaço para aplicativos de redes sociais, e o 5G passou a ser tratado como uma internet móvel mais rápida e estável, o 5G-Advanced dá um passo além. Ele começa a funcionar como uma espécie de sistema nervoso da economia, conectando fábricas, hospitais, portos e até cidades inteiras em tempo real. Deixa de ser apenas uma rede de comunicação para se tornar parte da infraestrutura que sustenta o dia a dia de um país. O que começou como um projeto de rede de alta velocidade evoluiu para um ecossistema que integra setores produtivos, saúde e logística, conectando serviços em tempo real, onde a tecnologia 5G-A conecta aplicativos inteligentes atuais às ambições do 6G do futuro. A estratégia chinesa é justamente essa, apresentar o 5G-A não como uma simples atualização de tecnologia, mas como parte de um plano de modernização nacional, aliado à inteligência artificial. Em seus planos, o governo chines fala em “nova infraestrutura”, colocando a conectividade avançada no mesmo nível de importância de trens de alta velocidade ou usinas de energia. Enquanto outros países ainda discutem questões como segurança cibernética e custos de implantação, a China aposta em transformar o 5G-A em um produto de exportação, oferecendo um modelo completo de modernização digital, que pode ser levado a países parceiros na Ásia, na África e na América Latina.

11 de setembro de 2025
Daiane Mendes
Os microdramas chineses, também chamados de minidramas, deixaram de ser apenas uma tendência passageira nas redes sociais e se tornaram um dos principais formatos de entretenimento digital na China. Em junho de 2025, o aplicativo de microdramas Hongguo, da ByteDance , registrou 212 milhões de usuários ativos mensais, de acordo com dados da Questmobile. Esse tipo de conteúdo surgiu em 2018, logo depois do lançamento do TikTok. São episódios curtos, de até três minutos, gravados na vertical e pensados para o consumo rápido no celular. Só em 2024, foram produzidos mais de 8.000 títulos no país, dez vezes mais do que no resto do mundo, de acordo com a Daxue Consulting. O setor movimentou 50,4 bilhões de yuans (US$6,9 bilhões) no ano, com receita vinda principalmente de assinaturas, publicidade e compras dentro dos aplicativos. A diferença em relação à TV tradicional está no tempo e no custo. Enquanto uma série pode levar meses para ser gravada e custar dezenas de milhões de yuans, um minidrama sai em poucos dias, com orçamento de até 800 mil yuans (cerca de US$112 mil). O crescimento do formato abriu caminho para novos aplicativos como o Hongguo, lançado em 2023. O app adotou um modelo gratuito, em que o próximo episódio é liberado após a exibição de anúncios. Em junho de 2025, a base de usuários ativos chegou a 212 milhões, alta de 179% em um ano, segundo a Questmobile. O resultado colocou o Hongguo à frente do Youku, plataforma de vídeos longos, e muito próximo do BiliBili. Foi a primeira vez que um aplicativo de microdramas superou serviços tradicionais de vídeo na China. Especialistas já chamam o Hongguo de “microdrama 2.0”, pois combina acesso gratuito para o público, divisão de receita com os criadores e recomendações feitas pelo algoritmo do Douyin. O modelo impulsionou séries que ultrapassaram a marca de 1 bilhão de visualizações. Hoje, o aplicativo é considerado o maior sucesso da ByteDance depois do Douyin e do TikTok. Publicidade e consumo digital em microdramas Marcas passaram a usar os minidramas como estratégia de marketing. Segundo o Relatório Estatístico sobre o Desenvolvimento da Internet na China, divulgado em agosto de 2024, 52,4% dos internautas chineses consomem esse tipo de conteúdo. A Kans, marca chinesa de cuidados com a pele, investiu 50 milhões de yuans em cinco produções com o influenciador @Jiang17. O projeto gerou 3,34 bilhões de yuans em vendas e mais de 50 bilhões de visualizações, segundo a Daxue Consulting. Com esse alcance, a ByteDance já testa novos caminhos para o Hongguo. Entre os planos estão uma assinatura sem anúncios e a inclusão de vídeos curtos de não ficção, em linha com o Douyin. A empresa também avalia levar o aplicativo para fora da China, em busca de novos mercados. Além das marcas, as plataformas de streaming também começaram a se adaptar a essa nova tendência. Em abril de 2025, o fundador e CEO da iQiyi, Gong Yu, anunciou que a empresa entrou oficialmente no mercado de e-commerce de conteúdo, com operações experimentais já em andamento, integrando propriedade intelectual, streaming ao vivo e vídeos curtos em uma mesma experiência para o usuário. O movimento busca diversificar a monetização em um momento em que a receita com assinaturas e publicidade perde fôlego. No último ano, a iQiyi registrou retração de 13% na receita de membros, 8% na de publicidade e um recuo de 60% no lucro líquido, segundo dados financeiros da própria empresa. Como parte da estratégia, o aplicativo iQiyi Express foi rebatizado como iQiyi Micro-Drama.

5 de setembro de 2025
Daiane Mendes
A JOVI, marca da chinesa Vivo Mobile , líder em tecnologia móvel na China com mais de 500 milhões de usuários em 60 países, agora produz smartphones no Brasil. A empresa abriu sua fábrica em Manaus no final de 2024 e trouxe cinco modelos para o mercado brasileiro, desenhados a partir de pesquisas detalhadas com consumidores locais. Essa foi a forma encontrada para enfrentar a concorrência de outras marcas, até mesmo chinesas, no Brasil. “Fizemos centenas de entrevistas de pesquisa com o consumidor brasileiro. Foram conversas que duraram de uma hora e meia a duas horas, para entender hábitos de uso, pontos de dor e expectativas”, explica André Varga, Diretor de Produto da JOVI. Bateria e resistência adaptadas ao dia a dia brasileiro Segundo Varga, a empresa identificou pontos críticos como duração da bateria, resistência do aparelho e qualidade de captura de imagens em ambientes com pouca luz. “A bateria precisa durar mais de um dia mesmo em uso intenso. Muitas pessoas não têm sempre um carregador ou powerbank à mão. Por isso, desenvolvemos baterias maiores e mais rápidas, com quatro anos de garantia e manutenção da capacidade de carga acima de 80%”, explica. O design também foi adaptado ao público brasileiro. “Não se trata apenas de um celular bonito. Queremos que ele seja funcional e resistente. Muitos modelos têm certificações de impacto e resistência à água”, afirma. Para o público jovem, a JOVI oferece recursos como ring light integrado, lentes desenvolvidas em parceria com fabricantes europeus e ferramentas que melhoram fotos e vídeos em ambientes escuros. A linha Y foi lançada em julho com os modelos JOVI Y29, Y29s 5G e Y19s, todos produzidos em Manaus. Eles utilizam a tecnologia BlueVolt, que garante baterias de grande capacidade, carregamento rápido e manutenção de até 80% da carga após quatro anos. O Y29 possui bateria de 6.500 mAh, o Y29s 5G tem 6.000 mAh e o Y19s, 5.500 mAh. Todos são certificados com IP64 e MIL-STD 810H, resistentes à poeira, respingos e quedas. De acordo com o diretor de produto, a linha Y foi pensada para brasileiros que enfrentam jornadas longas sem acesso frequente a carregadores, sem abrir mão de design e desempenho. O pacote de pós-venda da linha Y inclui dois anos de garantia para defeitos de fabricação, quatro anos de garantia da bateria e até três anos de revisão gratuita. Cada modelo atende a perfis distintos: a linha premium prioriza jovens que valorizam câmeras avançadas, design e performance; a linha acessível prioriza resistência e autonomia, voltada para profissionais que passam o dia fora de casa. Pesquisa com o consumidor brasileiro orienta produtos Com base em estudos, a empresa estruturou pacotes de benefícios que combinam durabilidade, performance e assistência contínua. A promessa da empresa vai além do design moderno, mas de baterias que duram o dia todo, garantia estendida e um pacote de pós-venda pensado para atender diferentes perfis de usuário. “Nosso objetivo é primeiro ganhar reconhecimento e confiança. Queremos que o consumidor conheça a marca e perceba valor em cada detalhe, desde a bateria até o pós-venda”, reforça Varga. A linha V50 chegou em maio ao mercado brasileiro com os modelos V50 5G e V50 Lite 5G, voltados para fotografia profissional e design sofisticado. O V50 5G traz câmeras co-criadas com a ZEISS, tela AMOLED de 6,77 polegadas com taxa de atualização de 120Hz, processador Snapdragon 7 Gen3, 12GB de RAM expansível e 512GB de armazenamento, bateria de 6.000 mAh e carregamento rápido de 90W. O V50 Lite 5G oferece 8GB de RAM expansível, 256GB de armazenamento, bateria de 6.500 mAh e tecnologia BlueVolt. Ambos possuem certificações de resistência à água e quedas, além de recursos de inteligência artificial da plataforma Google Gemini, como apagador de objetos e tradução de tela. [caption id="attachment_25363" align="alignnone" width="1238"] linha V50/ Divulgação[/caption] [caption id="attachment_25364" align="alignnone" width="1238"] Linha V50/ Digulgação[/caption] Pacote de pós-venda 5 Estrelas O Pacote de Benefícios 5 Estrelas, inédito no país, oferece um ano de proteção para tela quebrada, dois anos de garantia total, três anos de troca gratuita de capa e película, quatro anos de garantia da bateria e cinco anos de revisão anual gratuita. A JOVI iniciou sua operação brasileira com capacidade de produzir 100 mil celulares no primeiro ano, com expectativa de expandir portfólio e produção nos próximos anos. A fábrica de Manaus produz desde placas eletrônicas até a montagem final do aparelho, garantindo controle de qualidade e atendimento ágil. “Nosso objetivo é construir uma base sólida, conhecer o consumidor e oferecer produtos e serviços que realmente façam diferença”, conclui Varga.

26 de agosto de 2025
Daiane Mendes
O mercado chinês é conhecido pela competição intensa em praticamente todos os setores. Essa competição vai desde o aço, turismo, plataformas de delivery, carros elétricos, entre outros. Segundo Daniel Lau, Diretor Executivo do IEST Group, o mercado chinês vive uma disputa constante para oferecer o melhor produto, serviço e custo ao consumidor. “Não se trata de uma guerra de preço. Eu diria que seria uma intensa competição que afeta os preços das montadoras chinesas, mas isso é característica do mercado chinês como um todo. Morei na China por oito anos, sendo a primeira vez em 2002 e desde essa época a forte competição é uma característica do mercado em quase todos os setores”, disse. Segundo Lau, existem mais de 110 fabricantes de veículos elétricos na China, essa quantidade grande de empresas faz com que os preços tenham que ser competitivos. Quem não conseguir acompanhar essa característica do mercado, geralmente acaba fechando as portas ou sendo comprado por outras empresas concorrentes. Ele lembra que esse movimento não é novo “isso não é uma coisa que acontece hoje, já tem acontecido no passado, é que atualmente deram mais notícias sobre isso aqui no Ocidente”, afirma. Como exemplo, veja o caso da maior montadora chinesa de veículos elétricos, que tem como meta vender 5,5 milhões de carros em 2025. “Dentro dessa meta de 5,5 milhões, a montadora tem um desejo de exportar cerca de um milhão de veículos, ou seja, 4,5 milhões de veículos seriam vendidos dentro da China e cerca de um milhão de veículos seriam exportados para outros países do mundo”, afirma Segundo o especialista, os órgãos reguladores do mercado acompanham o movimento atual de competição e já orientaram as montadoras a evitarem descontos excessivos.“Os diversos órgãos reguladores estão atentos e já tem conversado no setor e pedido para que as empresas não se lancem a descontos vorazes dos seus veículos, para manter o mercado como um todo mais saudável, mais perene”, disse. Em 2024, a China vendeu mais de 31 milhões de veículos, de acordo com a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM, em inglês). Desse total, mais de 12 milhões foram elétricos, o equivalente a cerca de um terço das vendas. Em 2025, o cenário já mudou: “os veículos elétricos já possuem mais de 50% de market share mês a mês. Então, ao final de 2025, a gente vai ter uma mudança bastante interessante do mix de produtos”. Lau explicou que o país concentra grande parte da produção mundial. “O que a China vende de veículos elétricos dentro do país, representa cerca de 70% de toda a produção de veículos elétricos do mundo”, afirma. Grandes empresas também têm investido no Brasil, como a fabricante chinesa GWM, que inaugurou em 15 de agosto, em Iracemápolis, interior de São Paulo, uma fábrica dedicada a veículos de novas energias. Durante a cerimônia de abertura da fábrica da GWM foram anunciados 10 bilhões de reais até 2032. Estima-se que vão ser criados mais de 900 postos de trabalho e no começo dessa fábrica já vão ser montados três modelos de veículos. Sobre a cadeia de suprimentos, Lau explica que algumas montadoras chinesas são altamente verticalizadas pois produzem internamente componentes importantes, como carroceria, motores e baterias, até partes mais caras e mais nobres do veículo. Segundo ele, isso ajuda a baixar os custos. “Isso, tendo o menor custo, permite a ela oferecer um menor valor de venda do seu veículo no mercado.” Em relação ao impacto fora da China, Lau avalia que ainda não há uma guerra de preços em mercados como Brasil, Europa ou Sudeste Asiático. “A princípio, não vejo uma guerra de preços em outros mercados, mas tudo é possível. O que existe hoje, 2025, é uma expansão, seja na exportação de veículos prontos ou abertura de fábricas”. No Brasil, por exemplo, a tendência é de mais chegada de marcas: “nos próximos 12 meses, a previsão de 10 marcas chinesas estarão presentes no Brasil”, afirma. Segundo ele, no futuro pode até surgir uma competição de preços mais forte nesses mercados, mas o foco atual está na consolidação das operações e no aumento da participação internacional.