
13 de janeiro de 2026
Daiane Mendes
Em 2025, a inteligência artificial deixou de ser apenas uma tecnologia em desenvolvimento na China e passou a ocupar um lugar estrutural na economia, na ciência e nos serviços. É o que aponta o Relatório das Dez Principais Tendências de IA para 2025, divulgado pelo QuantumBit Think Tank. Segundo o estudo, o avanço da IA no país resulta da combinação entre expansão da infraestrutura computacional, evolução dos chips, amadurecimento dos modelos de grande escala e crescimento das aplicações práticas. A seguir, as dez frentes que concentraram esse movimento. 1. Infraestrutura computacional vira ativo estratégico A demanda por centros de dados cresceu de forma acelerada ao longo de 2025. Governos e grandes empresas ampliaram a capacidade de processamento para treinar e operar modelos de IA de grande escala. O relatório aponta o poder computacional como base da chamada “indústria inteligente”, com investimentos voltados à eficiência energética, à construção de superclusters de GPU (Unidade de Processamento Gráfico) e à redução de custos operacionais. Esse movimento acompanha uma tendência global, mas ganha contornos próprios na China, onde projetos nacionais de redistribuição de capacidade computacional ajudam a equilibrar oferta de energia e processamento entre regiões. 2. Chips projetados para IA As exigências dos modelos de IA influenciaram diretamente o design de semicondutores. Em 2025, fabricantes chineses avançaram no desenvolvimento de chips voltados especificamente para treinamento e inferência, como ASICs (Circuitos Integrados de Aplicação Específica) e aceleradores dedicados. Empresas como a Huawei, com a linha Ascend, ampliaram parcerias com provedores de nuvem e clientes corporativos para integrar essas soluções a ambientes de produção. O objetivo é reduzir a dependência de GPUs importadas e garantir desempenho adequado para modelos cada vez maiores, dentro das limitações do cenário geopolítico. 3. Pré-treinamento passa a definir a hierarquia dos modelos O relatório destaca que o pré-treinamento passou a definir a hierarquia entre modelos de grande escala, enquanto a inovação em arquitetura determina o nível de eficiência desses treinamentos. Quem dispõe de mais dados, melhor infraestrutura e técnicas mais refinadas parte em vantagem. Na prática, isso reforça a liderança de grandes empresas e centros de pesquisa. Modelos como o Qwen , da Alibaba, ganharam espaço entre desenvolvedores ao longo de 2025 justamente por combinarem base ampla de dados e boa eficiência, o que se refletiu em maior adoção e desempenho consistente. 4. Modelos de grande escala entram na fase de inferência Em 2025, os grandes modelos deixaram de ser vistos como experimentos e passaram a operar de forma contínua em produtos e serviços. A prioridade deixou de ser apenas treinar modelos maiores e passou a torná-los mais eficientes no uso cotidiano. Isso aparece em aplicações como assistentes digitais, automação de processos empresariais, análise de dados e atendimento ao cliente em plataformas de e-commerce, onde a inferência (respostas rápidas e estáveis), tornou-se o principal desafio técnico. 5. IA digital e IA física começam a se integrar O relatório identifica a convergência entre IA da informação, sistemas físicos e inteligência incorporada. Em outras palavras, software e hardware passam a evoluir juntos. Essa integração se reflete no avanço da robótica, da automação industrial e dos veículos autônomos. Empresas como a DJI e fabricantes de robôs industriais ampliaram o uso de IA para navegação, reconhecimento de objetos e interação com ambientes reais, aproximando a tecnologia de aplicações físicas concretas. 6. Reconfiguração dos pontos de entrada de tráfego digital A IA passou a transformar a forma como os usuários acessam serviços digitais. Em 2025, agentes de IA começaram a atuar como intermediários entre pessoas e aplicações, organizando tarefas, informações e fluxos de trabalho. Esses agentes se integraram a smartphones, computadores e plataformas de comunicação, reduzindo a dependência de interfaces tradicionais. Essa mudança altera o papel do “primeiro clique” e desloca parte do tráfego para sistemas baseados em IA. 7. Modelos multimodais ganham espaço O uso de modelos capazes de integrar texto, imagem, vídeo e código avançou de forma visível em 2025. Essas abordagens ampliam o contexto das respostas e tornam as aplicações mais versáteis. Na China, chatbots que combinam imagem e texto, além de ferramentas de geração de conteúdo audiovisual, começaram a ser adotados comercialmente, especialmente em plataformas digitais e serviços criativos. 8. IA incorporada em hardware cotidiano A presença da IA se expandiu para dispositivos de uso diário. Veículos inteligentes, smartphones, wearables (tecnologia vestível) e outros equipamentos passaram a incorporar processamento de IA local, sem depender exclusivamente da nuvem. Esse movimento aproxima a tecnologia do usuário final e amplia seu uso em atividades rotineiras, do transporte à comunicação e ao entretenimento. 9. IA acelera a pesquisa científica O relatório aponta o uso crescente de IA em áreas como química, física e ciência dos materiais. Em vez de substituir pesquisadores, a tecnologia tem sido usada para acelerar simulações, testar hipóteses e otimizar experimentos. Embora comparações com níveis humanos avançados sejam difíceis de medir, há evidências concretas de ganhos de produtividade e redução de tempo em etapas críticas da pesquisa científica e industrial. 10. IA de código aberto e rota chinesa para IAG Por fim, o estudo destaca o fortalecimento de modelos de código aberto desenvolvidos na China e a busca por um caminho próprio rumo à inteligência artificial geral. A estratégia combina abertura técnica, colaboração entre empresas e pesquisadores e desenvolvimento alinhado às demandas locais. O avanço do código aberto, nesse contexto, funciona como um instrumento de escala, redução de custos e formação de ecossistema, sem depender exclusivamente de modelos estrangeiros.

6 de janeiro de 2026
Daiane Mendes
Com os gastos em marketing projetados para crescer apenas 8% na China em 2025, o ritmo mais lento em cinco anos, e mais da metade dos anunciantes pessimistas quanto ao retorno dos investimentos, segundo relatório publicado pelo portal ChinaSEO, marcas passaram a adotar estratégias de micromarketing e comunidades digitais, mais integradas ao cotidiano dos consumidores. A mudança de estratégia não se limita ao formato das campanhas, mas ao papel que o marketing passa a ocupar na jornada de consumo na China. Em vez de campanhas massivas e pontuais, marcas chinesas e estrangeiras vêm priorizando pontos de contato curtos, recorrentes e contextualizados, integrados ao cotidiano digital e físico dos consumidores. A lógica é reduzir desperdício de investimento e aumentar a previsibilidade de retorno, engajamento e recompra. Micro-interações passam a estruturar a relação com o consumidor [caption id="attachment_27076" align="alignleft" width="240"] Fonte da imagem: Rednote/Mixue Ice Cream via Dao Insights [/caption] No varejo físico, o micromarketing aparece na adaptação de elementos simples da experiência de compra. A rede chinesa de sorvetes Mixue, por exemplo, transformou o recibo em um instrumento de fidelização. Cada comprovante traz um trecho de uma história seriada, que se completa apenas com novas compras. A iniciativa utiliza um ponto de contato já existente para estimular retorno ao ponto de venda, sem recorrer a descontos ou campanhas promocionais tradicionais. A estratégia mostra como contatos breves e recorrentes entre marca e consumidor, chamados de micro-interações, passaram a substituir mensagens institucionais amplas e direcionarem estímulos contínuos, incorporados ao fluxo natural do consumo. No ambiente digital, a mesma lógica aparece em campanhas estruturadas para estimular a participação ativa do público. Em 2025, a Levi’s lançou no Douyin o desafio musical #Levi’sMusicProject, convidando usuários a criar vídeos com uma trilha exclusiva associada aos produtos da marca. A campanha resultou na criação de mais de 1,8 milhão de vídeos em cerca de dez dias, enquanto a hashtag acumulou aproximadamente 4,3 bilhões de visualizações na plataforma. Segundo análise da consultoria PLTFRM, especializada em estratégias digitais na China, a ação também impulsionou vendas nos canais de social commerce, com linhas de jeans esgotadas nas lojas da Levi’s dentro do Douyin e no Tmall. Comunidades fechadas ganham espaço nas estratégias de marca Com a queda do alcance orgânico em plataformas abertas, empresas passaram a investir em estratégias de domínio privado dentro do WeChat, combinando comunidades fechadas, conteúdo segmentado e mecânicas de gamificação. Esses grupos funcionam como canais diretos de relacionamento, permitindo comunicação contínua e coleta de dados comportamentais. As ações incluem jogos H5, testes de personalidade e desafios de curto prazo, geralmente ativados nos Momentos do WeChat ou dentro dos próprios grupos. Ao final da interação, o usuário recebe recomendações personalizadas e incentivos para compartilhar o conteúdo em redes baseadas em relações prévias de confiança, como grupos familiares ou de amigos. A Luckin Coffee utiliza esse modelo ao organizar comunidades locais vinculadas a lojas específicas. Por meio desses grupos, a empresa divulga promoções regionais, lança produtos por tempo limitado e direciona consumidores para pedidos recorrentes via mini-programas. A estratégia reforça a frequência de compra e mantém a marca presente na rotina do consumidor. Experiência física passa a alimentar o engajamento digital Outra frente que vem ganhando espaço é a integração entre experiência offline e presença digital. Lojas físicas deixaram de operar apenas como pontos de venda e passaram a funcionar como espaços de ativação, produção de conteúdo e coleta de dados. Em março de 2025, a Zara inaugurou uma loja em Nanjing, no principal distrito comercial da cidade, com áreas voltadas à interação digital. A unidade inclui salas de compras privadas, um estúdio para gravação de vídeos com iluminação profissional e agendamento de serviços via WeChat. O espaço também abriga o primeiro café Zacaffè fora da Espanha, iniciativa voltada a aumentar o tempo de permanência do público e estimular o compartilhamento espontâneo de conteúdo nas redes sociais. Confiança orienta decisões de consumo O avanço do micromarketing também reflete um comportamento mais cauteloso do consumidor chinês em relação à publicidade direta. Plataformas como Xiaohongshu ampliaram o peso da prova social na decisão de compra, com avaliações, relatos de uso e recomendações de usuários influenciando diretamente o consumo. Segundo análise da consultoria PLTFRM, cerca de 70% das transações na plataforma são impulsionadas por prova social, ou seja, avaliações, relatos de uso e recomendações de usuários integrados com publicações de marcas. As marcas também passaram a priorizar KOCs (Key Opinion Consumers), usuários comuns com audiências menores, geralmente abaixo de 10 mil seguidores, como parte das estratégias de influência na China. Esses perfis vêm sendo valorizados por apresentar maior proximidade com o público e maior credibilidade nas recomendações. De acordo com a PLTFRM, em 2025, campanhas com KOCs de nicho registraram taxas de conversão até três vezes superiores às obtidas por perfis de grande alcance. No lugar de campanhas centralizadas em poucos influenciadores, as empresas adotam redes distribuídas de microcriadores, com orientações mais abertas e foco em experiências reais de uso. O modelo favorece narrativas percebidas como espontâneas e fortalece o boca a boca dentro de comunidades específicas, reduzindo a saturação publicitária e aumentando a eficácia da comunicação em segmentos mais seletivos do consumo.

23 de dezembro de 2025
Daiane Mendes
Os robôs humanoides deixaram de ser restritos a laboratórios e feiras de tecnologia e começaram a integrar o ambiente doméstico na China. Famílias já experimentam modelos capazes de interagir com moradores, ajudar em tarefas básicas e monitorar ambientes. Essa adoção doméstica ocorre em meio a um mercado bilionário que deve alcançar 8,2 bilhões de yuans (US$ 1,12 bilhão) na China em 2025, quase 50% do total global, segundo relatório apresentado em Pequim durante a 2ª Conferência Chinesa da Indústria de Robôs Humanoides e Inteligência Incorporada. Há poucos anos, esses robôs se limitavam a correr, dançar e chamar atenção em eventos do setor. Atualmente, já apresentam capacidade funcional, aprendem comandos, reagem ao ambiente e auxiliam em tarefas domésticas simples. Empresas como a UBTECH Robotics projetam que, até 2028, os robôs poderão executar atividades mais complexas, começando como companhia para crianças e idosos e, gradualmente, ampliando sua atuação dentro do lar. A China lidera a produção global de robôs humanoides e responde por mais da metade das unidades fabricadas no mundo. Estimativas da Aliança Chinesa para Aplicações de Robôs Humanoides (HRAA) indicam que as remessas chinesas devem chegar a 20 mil unidades até o final de 2025. No mesmo período, o país deve concentrar entre 75% e 85% das entregas globais anuais. Atualmente, mais de 100 modelos domésticos já estão disponíveis para venda e aluguel, com preços que variam de 2.500 yuans (US$ 344) a 100.000 yuans por dia. Em uma perspectiva de longo prazo, o Morgan Stanley Research estima que o mercado global de robôs humanoides, incluindo cadeias de suprimentos, manutenção e suporte, pode atingir US$ 5 trilhões até 2050, com mais de 1 bilhão de unidades em operação. A China deve concentrar o maior número desses robôs em uso, com cerca de 302,3 milhões de unidades até meados do século, segundo projeções da instituição. Robôs como parte do ecossistema de casas inteligentes A adoção doméstica se acelerou porque a tecnologia ficou mais acessível e funcional. Embora os preços ainda sejam altos para algumas famílias, eles caíram significativamente nos últimos anos, aproximando os robôs de produtos eletrônicos de consumo. O modelo Little Bumi, da Songyan Power, por exemplo, é vendido a partir de 9.998 yuans. O desempenho, por outro lado, não foi comprometido. Os modelos atuais incorporam inteligência artificial avançada que permite aprendizado e adaptação contínuos. A principal mudança recente está na arquitetura dos robôs humanoides chineses. Os novos modelos adotam sistemas integrados de tomada de decisão, nos quais o processamento de linguagem, a percepção visual e o controle motor operam de forma coordenada. Essa integração permite que o robô receba instruções verbais simples e as transforme em ações, como pegar um objeto específico ou se deslocar em um espaço. Plataformas baseadas em aprendizado por reforço e grandes volumes de dados físicos têm melhorado equilíbrio, coordenação e precisão dos movimentos. Esse tipo de abordagem reduz falhas em tarefas repetitivas e aproxima o desempenho dos robôs das exigências de ambientes reais, como salas, cozinhas e corredores. Um exemplo recente é o robô humanoide desenvolvido pela XPeng, equipado com um chip próprio de inteligência artificial que permite reconhecer o ambiente e reagir de forma fluida. O modelo utiliza bateria de estado sólido, dispensando conexão constante à tomada, e conta com revestimento externo flexível, projetado para simular aparência e textura humanas, característica que chegou a causar espanto pela forma humana realista. Ao mesmo tempo, a rápida expansão do setor levantou alertas no próprio governo chinês e entre analistas de mercado. A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC), principal agência de planejamento econômico do país, advertiu publicamente para o risco de formação de uma bolha de investimento no segmento de robôs humanoides, em parte devido ao rápido aumento de capital e à proliferação de empresas com produtos muito semelhantes. Atualmente, mais de 150 fabricantes disputam o mercado doméstico, muitos deles startups ou entrantes de outros setores, o que preocupa autoridades chinesas por potencial saturação e por reduzir o espaço dedicado à pesquisa e desenvolvimento de tecnologias mais avançadas. Apesar da valorização de índices ligados ao setor, como o Solactive China Humanoid Robotics, que acumula alta superior a 25% em 2025, a adoção em larga escala ainda avança em ritmo inferior ao dos investimentos. A diferença entre capacidade produtiva, demanda real e regulação reforça a preocupação com a sustentabilidade do crescimento e com a necessidade de marcos regulatórios que orientem a consolidação da indústria.

19 de dezembro de 2025
Daiane Mendes
Em meio à disputa por espaço no mercado brasileiro de delivery, a Keeta , plataforma controlada pela chinesa Meituan, inaugurou nesta semana um centro de apoio para entregadores parceiros em São Paulo. A unidade fica no bairro de Santo Amaro, na zona sul da capital, e marca a primeira iniciativa física da empresa voltada a esse público no país. O centro ocupa uma área de cerca de 400 metros quadrados e oferece áreas de descanso, banheiros, espaço para alimentação, acesso à internet, salas de treinamento e atendimento presencial. Segundo a empresa, o objetivo é fornecer suporte direto aos entregadores, facilitar a comunicação com a plataforma e criar um ponto físico de apoio durante a jornada de trabalho. [caption id="attachment_26875" align="alignnone" width="1688"] Imagem: Keeta/ Divulgação[/caption] [caption id="attachment_26874" align="alignnone" width="1688"] Imagem: Keeta/ Divulgação[/caption] A iniciativa faz parte do plano de expansão da Keeta no mercado brasileiro . A companhia anunciou um investimento de R$1 bilhão para operar em São Paulo e na região metropolitana. O plano integra um compromisso maior de investimento de aproximadamente R$5,6 bilhões no Brasil ao longo dos próximos cinco anos. De acordo com a Keeta, o atendimento presencial responderá a demandas recorrentes dos entregadores por suporte mais acessível, especialmente em etapas iniciais de operação da plataforma. Além do centro físico, a empresa afirma que avalia outras ações voltadas à segurança e à capacitação dos trabalhadores.

15 de dezembro de 2025
Daiane Mendes
A China lidera o ranking global de clusters de inovação da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO) em 2025, com 24 polos entre os 100 maiores clusters globais. O levantamento considera indicadores como pedidos internacionais de patentes (PCT) , produção científica e dados de investimentos de venture capital. O conjunto Shenzhen–Hong Kong–Guangzhou manteve a primeira posição global, apoiado na combinação de alto volume de patentes, produção acadêmica expressiva e elevada atividade de capital de risco. Pequim e Xangai–Suzhou também figuram entre os dez principais polos. Os demais clusters chineses se concentram em regiões industriais e acadêmicas consolidadas, com ecossistemas que conectam universidades, empresas tecnológicas e centros de pesquisa. Como a WIPO define um cluster de inovação A WIPO classifica como cluster as regiões em que universidades, empresas e institutos de pesquisa apresentam alta densidade de publicações científicas e de pedidos de patentes. O indicador mede a capacidade desses ecossistemas de transformar pesquisa em soluções tecnológicas e de atrair capital para novos negócios.Na edição de 2025, os 100 principais clusters respondem por aproximadamente 70% dos depósitos internacionais de patentes, cerca de 70% do capital de risco global e cerca de 50% das publicações científicas indexadas. Os dez maiores concentram aproximadamente 40% dos pedidos PCT, 35% dos investimentos de venture capital e 15% das publicações. Movimentos no ranking e padrões globais A atualização metodológica, que ampliou o peso dos dados financeiros, gerou movimentos relevantes no ranking. A WIPO aponta que Shenzhen–Hong Kong–Guangzhou ultrapassou Tóquio–Yokohama nesta edição. A Índia também avançou com a inclusão de indicadores de venture capital, enquanto alguns polos asiáticos registraram perdas relativas. A edição de 2025 inclui dez novos polos no ranking: Miami, Phoenix e Salt Lake City, nos Estados Unidos; Ningbo e Ningde, na China; Dublin; Cidade do México; Oslo; Hamburgo; e Manchester. Com Cidade do México e São Paulo, a América Latina mantém dois representantes. Por países, a China aparece à frente pelo segundo ano consecutivo com 24 clusters, seguida pelos Estados Unidos (22), Alemanha (7), Reino Unido (4), Índia (4), Japão (3), Coreia do Sul (3), França (3) e Canadá (2). [caption id="attachment_26796" align="alignnone" width="2403"] Imagem: China2Brazil[/caption] Apesar da liderança chinesa em quantidade, polos dos Estados Unidos e da Europa Ocidental continuam entre os mais intensivos por habitante e por densidade de recursos de inovação. Regiões como Boston, San Jose–San Francisco, Cambridge e Eindhoven mantêm posições de destaque quando analisados indicadores relativos. A WIPO observa que a ampliação do peso de venture capital reduziu a distância entre China e Estados Unidos em algumas métricas, indicando que número absoluto de clusters não necessariamente se traduz em maior intensidade per capita de inovação. Ranking de 2024 Em 2024, a WIPO registrou os cinco maiores polos de ciência e tecnologia na Ásia. Tokyo–Yokohama, no Japão, liderou o ranking global. Shenzhen–Hong Kong–Guangzhou e Pequim, ambos na China, apareceram na sequência. Seoul, na Coreia do Sul, ficou em quarto lugar, enquanto Xangai–Suzhou, também na China, completou a lista. Com três regiões entre as cinco primeiras, a China concentrou o maior número de polos no topo do ranking de 2024.

5 de dezembro de 2025
Daiane Mendes
Grandes empresas globais passaram a revisar suas operações na China para reagir à perda de espaço e ao crescimento acelerado de concorrentes locais. Em 2025, companhias como Starbucks, Burger King e L’Oréal reformularam modelos de gestão, buscaram parcerias e ajustaram portfólios para manter presença no maior mercado consumidor da Ásia. As mudanças respondem à queda de receita, ao fortalecimento das marcas domésticas e à necessidade de adaptação rápida aos hábitos de consumo no país. Em novembro, a Nike anunciou que as vendas na China, o terceiro maior mercado da Nike, caíram pelo quinto trimestre consecutivo nos três meses encerrados em 31 de agosto, e reconheceu que enfrenta forte concorrência de marcas locais como Anta e Li-Ning. Segundo relatório do Euromonitor International, a Anta detém hoje cerca de 23% do mercado chinês de vestuário esportivo, enquanto a Nike mantém cerca de 20,7%. A Starbucks anunciou, em novembro de 2025, uma joint-venture com a gestora chinesa Boyu Capital para a nova fase de expansão no país. O acordo, avaliado em US$4 bilhões, prevê que a Boyu assuma até 60% das operações de varejo na China, enquanto a Starbucks mantém 40% e segue licenciando a marca. A empresa afirma que a parceria busca acelerar a presença em cidades menores, ajustar o portfólio local e sustentar o plano de expansão que prevê atingir até 20 mil lojas no médio prazo. O Burger King anunciou, também em novembro, uma joint-venture com a gestora chinesa CPE para acelerar sua expansão no país. O acordo prevê um investimento de US$350 milhões por parte da CPE, que passa a deter cerca de 83% da nova operação. A rede conta atualmente com cerca de 1.250 lojas e planeja ultrapassar 4.000 unidades na China até 2035. A empresa afirma que a parceria busca reforçar investimentos, ampliar a presença nacional e adaptar o negócio ao ritmo de crescimento local. A L’Oréal também ajustou seu plano de atuação após registrar queda de 3,2% nas vendas no Norte da Ásia em 2024. A empresa investiu em participações minoritárias em marcas chinesas de cuidados com a pele para ampliar presença num segmento que cresce com fabricantes locais. O movimento faz parte da estratégia de fortalecer o portfólio na categoria que mais avança entre os consumidores chineses. Consumo local fortalece marcas nacionais e pressiona multinacionais Além dessas operações, setores como moda, fast-food, cosméticos e bens de consumo mostram tendência semelhante. Fabricantes chineses ganham espaço ao oferecer preços mais baixos, forte presença digital e adaptação rápida às demandas locais. A Proya, uma das líderes chinesas de cosméticos, superou 10 bilhões de yuans em receita em 2024, a primeira marca chinesa do setor a atingir esse patamar anual. A empresa atribui o resultado em grande parte à forte penetração no comércio eletrônico, com cerca de 95% das vendas ocorrendo online. Analistas atribuem o avanço das marcas chinesas a uma mistura de fatores. O movimento de orgulho nacional, conhecido como Gauchão, fortaleceu a preferência dos consumidores mais jovens por produtos locais. Além disso, preços mais competitivos, uso eficiente de canais digitais e capacidade de responder rápido às tendências aceleraram esse crescimento. Com isso, a competição se intensificou em categorias nas quais as marcas chinesas operam com vantagem de escala, agilidade e proximidade com o consumidor.

1 de dezembro de 2025
Daiane Mendes
Quando Lúcia Puglia começou a estudar mandarim, ainda em São Paulo, a China parecia um destino distante, quase inalcançável. “Eu estudava chinês dois anos antes de vir e, mesmo assim, me parecia muito distante. Hoje eu sou tradutora, ajudo brasileiros que vêm para cá e estou aqui há dois anos”, diz. A trajetória que parecia improvável virou projeto de vida, estruturado por planejamento, estratégia e uma compreensão realista do sistema educacional chinês. Segundo Lúcia Puglia, internacionalista formada pela USP e mestranda em Estudos da China na Zhejiang International Business University, o acesso às bolsas chinesas depende menos de sorte e mais de preparação. Ela afirma que planejamento, informação e uma estratégia bem definida tornam o processo mais viável do que muitos imaginam. Lúcia já vivia na China quando recebeu sua primeira bolsa, em Wuhan, pelo Instituto Confúcio. A partir dessa experiência, começou a pesquisar outras formas de permanecer no país e aprofundar os estudos. Para ela, iniciar o processo com antecedência é fundamental. Lúcia lembra que as inscrições para bolsas universitárias costumam abrir entre setembro e outubro, mas só conseguiu se inscrever em novembro. “Eu tive que ir atrás do exame de proficiência de inglês, também fazer toda a documentação, então isso leva um tempo”. Segundo ela, quem se candidata mais cedo têm chances maiores do que aqueles que deixam para janeiro ou fevereiro. Ela explica que o processo exige organização e documentação básica que inclui tradução juramentada do diploma e do histórico escolar para o inglês, seja do ensino médio ou da graduação para quem vai fazer pós. É preciso preparar pelo menos duas cartas de recomendação de professores da sua formação anterior. Também é obrigatório apresentar o certificado de antecedentes criminais, que pode ser emitido no site da Polícia Federal. Para cursos em inglês, as universidades costumam exigir comprovante de proficiência, como TOEFL, IELTS ou Duolingo. Para cursos em chinês, o nível necessário varia de acordo com a instituição. “É muita coisa ao mesmo tempo, mas não é difícil. Precisa de tempo, foco e saber para onde você está indo”, afirma. Esse “saber para onde ir” passa por uma compreensão básica do sistema universitário chinês. Lúcia explica que é importante pesquisar universidades ligadas aos projetos 985 e 211, que formam o núcleo das instituições consideradas de excelência acadêmica, com mais recursos, professores e programas voltados a estudantes internacionais. Ela também recomenda observar se o curso escolhido faz sentido dentro da vocação daquela universidade, algo que pesou na decisão dela de seguir para os estudos chineses, uma área forte em diversas instituições de Pequim. Além da documentação, um ponto considerado determinante no processo é a proximidade com a rede de relacionamentos chinesa. “Uma das expressões muito importantes no chinês é o guanxi, que quer dizer relacionamento, network, e realmente já vi muitas portas se abrindo pela presença do guanxi e também se fechando pela ausência dele”. Segundo ela, é importante manter contato e conversar com professores, participar de cursos curtos ou eventos acadêmicos e estabelecer conexões que reforcem a candidatura. Custo de vida como bolsista na China Ela admite que, à primeira vista, o valor da bolsa parecia que não seria suficiente, até entender como funcionava a rotina de um bolsista no país. Com a moradia incluída na bolsa, segundo ela, o subsídio cobre boa parte dos custos básicos, já que o custo de vida pode ser menor do que em vários destinos populares. “A comida de rua é realmente bem barata… um prato muito bem servido pode custar 10, 15 yuan”, exemplifica. No transporte, o metrô também é econômico: “cada linha custa de 2 a 4 yuan”, diz. Ela compara essa realidade com o Brasil: “é bem diferente… se eu já tenho acomodação, [minha bolsa] cobre todas as minhas despesas.” No mestrado, segundo ela, a bolsa costuma subir para cerca de 3.000 yuan, ou até mais em casos especiais. Desafios acadêmicos e rotina de estudos Para Lúcia, um aspecto evidente da educação chinesa é a exigência acadêmica. “É esperado que você use o seu dia todo para a universidade… atender às aulas, fazer as lições, as tarefas e ir bem nas provas.” Ela explica que, dependendo da bolsa, pode haver exigência de nota mínima alta (em alguns casos, 85 ou mais). Por isso, avaliar bem o idioma do curso escolhido é fundamental. “Não recomendo escolher o chinês como idioma base, se você já não tiver realmente familiaridade com o idioma… escolher o inglês é um caminho mais seguro”, afirma. Crescimento do fluxo acadêmico entre os dois países O fluxo de brasileiros no país asiático ainda é pequeno, pouco mais de 20 mil visitaram a China em 2019, antes da pandemia, segundo dados oficiais chineses, mas a expectativa é que esse número dobre até 2027 com a isenção de visto entre os dois países e pelo fortalecimento do ensino de mandarim no Brasil. A presença do Instituto Confúcio foi determinante na trajetória dela e também é parte de um esforço maior entre Brasil e China para aumentar o ensino de mandarim. O Brasil conta hoje com 15 institutos, cerca de 20 mil alunos de mandarim e mais de 1.500 brasileiros que já estudaram na China com apoio institucional, de acordo com dados apresentados pela vice-ministra da Educação do Brasil, Denise Pires de Carvalho, na Conferência Mundial da Língua Chinesa de 2025, em Pequim. Lúcia enxerga sua experiência como estratégica para sua carreira. Ela acredita que falar mandarim, ter estudado na China e entender sua cultura traz uma vantagem competitiva no mercado de trabalho. “Hoje, falando mandarim, eu não vejo só o mercado chinês como uma possibilidade, mas o mundo como um todo.” Ela cita empresas de comércio exterior, portos, companhias de logística e relações governamentais como áreas onde esse conhecimento tem demanda crescente.

26 de novembro de 2025
Daiane Mendes
Depois do sucesso do projeto piloto em Santos e São Vicente , a Keeta, braço internacional da chinesa Meituan, iniciará sua operação em São Paulo a partir de 1º de dezembro. A empresa traz para a capital o capacete inteligente, desenvolvido inicialmente para ciclistas. O piloto da marca no Brasil, iniciado em 30 de outubro, registrou 1.600 restaurantes cadastrados e 4.700 entregadores parceiros na Baixada Santista. A operação em São Paulo começará pela capital e por oito municípios da região metropolitana: Guarulhos, São Bernardo do Campo, Santo André, Osasco, Diadema, Itaquaquecetuba, Barueri e São Caetano do Sul. Com a entrada em São Paulo, a Keeta projeta expandir sua atuação para mais de 15 regiões metropolitanas até meados de 2026 e alcançar cobertura em mais de 1 mil municípios até 2030. O plano inclui investir R$1 bilhão na operação paulista. Além da expansão na cidade paulista, a companhia destacou os resultados técnicos do piloto. Seu sistema de rastreamento registrou mais de 90% de precisão nas entregas, índice que, segundo a Keeta, está acima dos concorrentes e reduz desencontros além de facilitar o atendimento ao cliente. A plataforma também oferece canal direto de comunicação entre entregadores e restaurantes, permitindo ajustes rápidos em pedidos e retirada de itens. A Keeta afirma que não adota contratos de exclusividade com restaurantes e entregadores. Segundo a empresa, esse modelo busca ampliar a concorrência, aumentar o fluxo de pedidos e permitir que cada parceiro escolha como operar. Durante coletiva de imprensa realizada em São Paulo, a companhia apresentou o capacete inteligente criado para apoiar os entregadores. O dispositivo conecta-se ao celular por Bluetooth e ativa-se de forma automática. Ele permite que o entregador receba chamadas e instruções de rota sem tocar no telefone. O equipamento também tem sensores que detectam quedas e enviam alertas para a plataforma. Além do capacete, a Keeta apresentou o mascote Kiki. Tony Qiu, presidente de operações internacionais da Keeta, explicou que o personagem é inspirado em um guepardo (animal conhecido pela velocidade) e, segundo Tony Qiu, simboliza a busca da Keeta por entregas rápidas com eficiência. A Keeta afirma que o objetivo do conjunto de ferramentas de segurança é reduzir acidentes e agilizar pedidos de socorro. “Se o pedido atrasar mais de 15 minutos, vamos oferecer um cupom fora do pacote e fora da plataforma. Para cumprir isso, não pedimos que o motorista dirija mais rápido — a segurança é prioridade. A estratégia é melhorar o algoritmo para que o motorista não perca tempo esperando no restaurante”, disse Tony Qiu. [caption id="attachment_26501" align="alignnone" width="1688"] Tony Qiu, presidente de operações internacionais da Keeta em coletiva de lançamento em São Paulo/ China2Brazil[/caption] Representantes do governo paulista e do consulado chinês participaram da coletiva. O secretário de Desenvolvimento Econômico de São Paulo, Rodrigo Goulart, destacou que a administração pediu priorização da segurança no trânsito e no trabalho dos entregadores durante as negociações de entrada da empresa na cidade. “A gente pediu para a Keeta não só se estabelecer na cidade de São Paulo, mas, principalmente, pensar na segurança do cidadão paulistano — do cidadão que anda e trafega pelas ruas e também de quem trabalha como entregador,” disse. A Meituan, controladora da Keeta, é a maior empresa de delivery de comida do mundo em número de pedidos. Atende cerca de 770 milhões de usuários por ano e opera mais de 80 milhões de transações diárias na China. No Brasil, a empresa busca aumentar a confiabilidade do serviço para consumidores e elevar a receita dos restaurantes com ferramentas de marketing e repasse financeiro em até sete dias, sem cobrança de tarifas.

14 de novembro de 2025
Daiane Mendes
Que a China é o maior mercado de comércio eletrônico do mundo não é novidade. O que está transformando as estratégias das marcas, no entanto, é o avanço do chamado consumo de experiência entre os jovens, um modelo em que o ato de comprar envolve interação, personalização e entretenimento. O consumo de experiência abrange setores como entretenimento, turismo, gastronomia e cultura. A geração Z valoriza vivências que possam ser compartilhadas on-line, o que leva empresas a investir em ambientes interativos e campanhas com influenciadores digitais. Com isso, o consumo se torna uma extensão da identidade pessoal e da vida social. Esse comportamento está ligado à expansão das plataformas digitais e à integração entre os mundos físico e virtual. Marcas como Alibaba, JD.com e Douyin têm ampliado o uso de inteligência artificial e realidade aumentada para criar experiências de compra mais imersivas e personalizadas. O mercado de livestream e-commerce atingiu 332,5 bilhões de yuans (cerca de US$45,7 bilhões) em 2024, alta de 54,6% em relação ao ano anterior, segundo a Dao Insights. Em uma geração que cresceu com o uso de smartphones, tablets, relógios inteligentes e bicicletas elétricas, a tecnologia é vista não apenas como ferramenta de conveniência, mas também como expressão individual. Especialistas em comportamento apontam que o consumo jovem na China é guiado por autenticidade, praticidade e pertencimento cultural. A Zhihu, principal plataforma chinesa de perguntas e respostas, registra 13,2 milhões de assinantes mensais, sendo 70% deles da geração pós-2000. A busca por produtos que reflitam valores pessoais e referências locais tem se intensificado. Por isso, marcas que combinam design moderno, sustentabilidade e elementos culturais chineses vêm ganhando destaque no mercado. Segundo levantamento do Workplace Human Laboratory, 48% dos entrevistados afirmaram adquirir apenas o necessário, sem se deixar influenciar por embalagens ou funções adicionais. Outros 25%, nascidos após os anos 2000, priorizam o menor preço e o melhor custo-benefício. Já os que valorizam “a melhor qualidade” e “a história da marca” somam 22% e 6%, respectivamente. Os dados indicam uma mudança de racionalidade no consumo, os jovens estão menos preocupados com o prestígio das marcas e mais atentos ao valor prático. Essa transformação também ficou evidente no Double 11 de 2025, o maior festival de compras da China. Neste ano, as plataformas adotaram uma abordagem mais longa e voltada ao engajamento, com campanhas iniciadas semanas antes da data principal. A estratégia buscou equilibrar o ritmo de consumo e fortalecer o vínculo entre marcas e consumidores, substituindo o apelo dos descontos agressivos por experiências e interações mais significativas. Segundo a Dao Insights, a edição de 2025 foi marcada por transmissões ao vivo mais segmentadas, uso ampliado de IA para personalização e ações voltadas à fidelização, não apenas à conversão imediata. A conferência China Consumer 2024, promovida pela China-Britain Business Council, destacou exemplos como o da Pop Mart , que integra realidade aumentada, chips NFC e espaços digitais aos seus brinquedos colecionáveis. O modelo permite desbloquear conteúdos e participar de comunidades virtuais, transformando o produto em porta de entrada para uma experiência contínua que combina entretenimento, pertencimento e identidade. De acordo com a consultoria Ernst & Young, 70% da Geração Z na China trocariam de marca por uma experiência digital mais envolvente. Entre as marcas que exploram esse conceito está a Totemist, que conecta memórias emocionais a objetos físicos. Seus batons trazem chips NFC capazes de armazenar fotos, textos e áudios pessoais. Ao aproximar o produto do celular, o consumidor acessa instantaneamente essas lembranças, um gesto que transforma a compra em uma experiência sensorial e afetiva, refletindo a nova lógica do consumo jovem na China: menos sobre o produto em si e mais sobre o significado que ele carrega.

7 de novembro de 2025
Daiane Mendes
Enquanto acontecem encontros pré- COP30 em Belém, representantes de instituições brasileiras e chinesas se reuniram em São Paulo, nesta sexta-feira (7), para discutir a temática do meio ambiente como forma de cooperação sino-brasileira. Durante o evento, foi lançada a publicação “Diálogo Ecológico Brasil-China para um Futuro Sustentável”. “O tema do meio ambiente não deve ser uma oposição ao desenvolvimento econômico, ele deve caminhar em conjunto. A China faz isso muito bem, e São Paulo pretende seguir cooperando fortemente com o país em prol de uma economia mais verde”, afirmou Mauro Arima, assessor de Relações Internacionais do governo do Estado de São Paulo. Segundo ele, quase metade dos investimentos chineses no Brasil têm ligação direta ou indireta com sustentabilidade, em áreas como bioenergia, etanol e mobilidade urbana verde. O evento, promovido pelo IBRICS+ , em parceria com o Consulado-Geral da China em São Paulo e o Instituto Tricontinental, com apoio da UNESP, reuniu representantes do setor público, acadêmico e financeiro para discutir cooperação bilateral e economia sustentável. O assessor da Secretaria Municipal de Relações Internacionais da Prefeitura de São Paulo, Bernardo Torres, destacou a importância da parceria ecológica entre a capital paulista e a China, ressaltando que a cidade já possui mais de 52% de sua área composta por zonas verdes e que essa agenda ambiental tem se fortalecido com o apoio chinês. “Boa parte dos avanços em mobilidade limpa em São Paulo só foi possível com o apoio da China e do Bank of China, que têm contribuído para a troca da frota de ônibus elétricos e outros projetos de sustentabilidade”, afirmou. Representando o setor financeiro, o vice-presidente e diretor-executivo do Bank of China (Brasil), Hsia Hua Sheng, reforçou o papel dos bancos chineses no financiamento da transição energética e de projetos sustentáveis no país. Ele citou exemplos como o apoio à frota elétrica paulista e a emissão de green bonds por empresas brasileiras. “O Bank of China tem financiado a troca da frota de ônibus elétricos em São Paulo e projetos de infraestrutura sustentável. Esse é um trabalho conjunto — ficamos felizes de representar o setor financeiro da China ao lado do Brasil na tarefa de construir um planeta sustentável”, disse. [caption id="attachment_26267" align="alignnone" width="1575"] Imagem: China2Brazil[/caption] O pesquisador Miguel Yoshida, do Instituto Tricontinental, destacou que a publicação reflete uma visão coletiva sobre civilização ecológica e cooperação Sul-Sul, alinhada à proposta de um desenvolvimento global equilibrado. “Queremos construir e promover uma visão conjunta sobre a questão ambiental, compartilhando as iniciativas que desenvolvemos para enfrentar os grandes desafios climáticos e construir um planeta sustentável”, afirmou Yoshida. Durante o evento, também foi anunciada a doação do livro “Diálogo Ecológico Brasil-China para um Futuro Sustentável” ao Centro Acadêmico de Relações Internacionais da UNIFESP, além de outras universidades brasileiras. A iniciativa busca ampliar o debate sobre transição verde e fortalecer a participação de estudantes na discussão sobre sustentabilidade global. “A finalidade é dar a maior publicidade possível ao tema e envolver a juventude nesse diálogo Brasil-China”, afirmou Melissa Cambuhy, diretora de Relações Institucionais do IBRICS+. Segundo ela, o encontro e a publicação reforçam a importância do diálogo entre os dois países às vésperas da COP30, ampliando o debate sobre economia verde, desenvolvimento e responsabilidade ambiental.