
26 de outubro de 2023
Daiane Mendes
Com a modernização do país, a China passou por uma série de transformações sociais e econômicas que abriram portas para as mulheres em diversos setores. Uma das principais mudanças foi a expansão da educação e do acesso ao mercado de trabalho, que permitiu que mais mulheres buscassem carreiras profissionais e independência financeira. Essa maior autonomia econômica também reflete em suas escolhas pessoais, em uma alteração na dinâmica familiar, que possibilitou que as mulheres chinesas adiassem o casamento e a maternidade, se concentrando em seus objetivos pessoais e profissionais de maneira independente. Esses fatores refletem no fenômeno global da “economia feminina”, que mostra como as mulheres estão se preocupando mais com o seu próprio bem-estar e desenvolvimento pessoal, redefinindo os seus papéis na sociedade e buscando mais liberdade e felicidade para si mesmas. No entanto, elas também enfrentam desafios e preconceitos, como a discriminação no trabalho, a pressão social e familiar para se casar e ter filhos, e o estigma de serem chamadas de “ sheng nu ”, termo usado para se referir às mulheres que permanecem solteiras após os 27 anos. Esses fatores podem limitar as suas oportunidades e afetar a sua autoestima. Para lidar com essas dificuldades, elas estão investindo mais na saúde, com um crescimento médio anual de 20% nos gastos com produtos de saúde, sendo que as mulheres gastam 63% a mais do que os homens nessa área. Além da saúde física, as mulheres chinesas estão cuidando mais da saúde mental, com um aumento expressivo na procura por serviços de gestão emocional pessoal, aconselhamento psicológico no trabalho e aconselhamento matrimonial. Transformações sociais e a "economia feminina" Um relatório recente divulgado pela consultoria Daxue Consulting, investigou os padrões de consumo das mulheres chinesas e apontou oportunidades na chamada “economia feminina”. O relatório enfatiza o papel central que as mulheres têm nas decisões de compra das famílias, sendo responsáveis por 86% das compras domésticas e contribuindo com 41% para o PIB do país. Além disso, elas também estão desafiando os estereótipos de gênero na aquisição de bens como casas e carros, além de mostrarem preferências de risco similares às dos homens na gestão financeira, contrariando o mito de que o gênero influencia o comportamento do consumidor nesse setor. As mulheres chinesas estão aproveitando as oportunidades oferecidas pelo desenvolvimento econômico e social do país, transformando a sua realidade e influenciando o comportamento de outras pessoas. Com um poder econômico crescente, elas se tornaram um grupo demográfico de extrema importância para as empresas e marcas. Seus padrões de consumo e tendências estão evoluindo, com um foco crescente em produtos de qualidade, sustentáveis e que estão alinhados com seus valores pessoais. Essas escolhas de consumo não refletem apenas as aspirações das mulheres chinesas, mas também influenciam as tendências de mercado e incentivam a inovação. Outro fator relevante é o impacto que as mulheres chinesas têm nas redes sociais da China. Com uma presença significativa em plataformas como Weibo, WeChat e Douyin , elas compartilham suas opiniões, experiências e recomendações. Isso não apenas cria comunidades de apoio, mas também gera confiança e recompensa entre seus seguidores. Muitas mulheres chinesas são influenciadas por digitais influencers e líderes de opinião, cumprindo um papel de importância na formação de tendências culturais e comportamentais.

11 de outubro de 2023
Daiane Mendes
O setor imobiliário chinês, que representa 30% da economia chinesa, enfrenta uma turbulência desde 2021. Diante do alto endividamento e da disparada dos preços dos imóveis, o governo implementou medidas rigorosas que restringiram as oportunidades de negócios no setor e impactaram toda a atividade econômica. Um dos pontos críticos dessa situação foi o colapso do Grupo Evergrande , um gigante do mercado imobiliário chinês, que entrou em crise em dezembro de 2021, provocando graves consequências para o setor. A crise da Evergrande teve início no final de 2021, em um momento em que o mercado imobiliário da China estava em alta. Movida por um “impulso de construção”, a empresa tomou emprestado mais de 2,4 trilhões de RMB (330 bilhões de dólares) para erguer habitações. No entanto, logo se deparou com um problema de superoferta e a situação se agravou até 16 de agosto de 2023, quando a empresa declarou falência na Bolsa de Valores de Shenzhen, expondo uma bolha de dívidas. Um dia depois, em 17 de agosto, a empresa também solicitou proteção contra falência na Bolsa de Valores de Nova York, podendo ter consequências para o setor imobiliário. A queda da Evergrande afetou profundamente as vendas das empresas imobiliárias, com mais da metade delas registrando uma queda de 50% nas vendas de janeiro a abril, enquanto outras sofreram perdas médias de 30%. A elevação dos preços dos imóveis tem se revelado um obstáculo quase inacessível para a maioria dos cidadãos chineses, especialmente os mais jovens, que enfrentam dificuldades cada vez maiores para realizar o sonho da casa própria. Essa tendência pode impactar níveis de desenvolvimento do mercado imobiliário a longo prazo e até mesmo a saúde financeira do país. As mudanças no comportamento dos consumidores e seus efeitos no mercado imobiliário chinês em 2024 Além da crise da Evergrande, que abalou profundamente o mercado, diversos fatores contribuíram para a instabilidade no setor imobiliário. O crescimento contínuo dos preços dos imóveis e as mudanças nos padrões de consumo da população estão entre os principais fatores que ameaçam a estabilidade desse mercado. Um fator relevante é a mudança no comportamento de consumo da população chinesa, à medida que as novas gerações priorizam diferentes aspectos em suas escolhas de moradia, como sustentabilidade, comodidade e acessibilidade. Essa transformação no cenário do mercado imobiliário exige adaptações rápidas das agências para atender às demandas dos consumidores modernos. Para 2024, as expectativas para o mercado imobiliário chinês são incertas, mas alguns analistas apontam para uma possível recuperação lenta e gradual que poderá levar anos. Essa recuperação seria sustentada por uma grande intervenção do governo e uma maior diversificação das fontes de financiamento. O governo chinês deve aumentar os investimentos em infraestrutura e habitação social, bem como facilitar o acesso ao crédito para os compradores de primeira viagem. Além disso, as empresas imobiliárias devem buscar novas formas de captação de recursos, como emissão de ações, títulos verdes e parcerias estratégicas, a fim de reduzir sua dependência de individualização e aumentar sua competitividade. Outra tendência que pode se consolidar em 2024 é a expansão do mercado imobiliário comercial, especialmente nas áreas de escritórios, varejo e logística, que devem se beneficiar da recuperação da demanda doméstica e do comércio internacional.

4 de outubro de 2023
Daiane Mendes
Paixão, motivação, adaptabilidade, liderança e ambição são cinco elementos fundamentais do empreendedorismo. Quando se fala no espírito empreendedor chinês são essas habilidades e atitudes que permitiram a China crescer e se desenvolver nas últimas décadas. Essa transformação pode ser refletida na abertura ao comércio exterior, no empreendedorismo estatal, na cultura da inovação e na ambição global. A cultura chinesa valoriza o empreendedorismo como uma forma de ver a vida, os estudos, a carreira e as relações. Para os chineses, empreender é muito mais do que começar um negócio próprio. É ter a capacidade de identificar e aproveitar oportunidades, de inovar e de criar valor para a sociedade. Nos últimos 20 anos, a China passou por uma transformação econômica e social sem precedentes. De uma nação pobre e rural, tornou-se a segunda maior economia do mundo, com um PIB de US$15 trilhões em 2020, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas do país (NBS, na sigla em inglês). A abertura ao comércio exterior Um dos principais motores do desenvolvimento chinês foi a abertura ao comércio exterior, iniciada em 1978 pelo líder Deng Xiaoping, que rompeu com o isolamento imposto pelo regime comunista de Mao Tse-Tung e implementou uma série de reformas econômicas, centradas na agricultura, no setor privado, na indústria e na tecnologia. A entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001 foi um marco nesse processo, pois permitiu ao país integrar-se ao mercado globalizado, reduzindo tarifas e barreiras comerciais. A China tornou-se então um dos maiores exportadores e importadores do mundo, aproveitando sua vantagem competitiva em mão de obra barata e abundante, além de investir em infraestrutura e inovação. O empreendedorismo Outro fator que contribuiu para o crescimento chinês foi o empreendedorismo, ou seja, a capacidade do Estado chinês de criar empresas públicas que se envolvem com parceiros multinacionais para desenvolver novos projetos e produtos com base tecnológica, gerando ganhos para a qualificação da mão de obra do país e o conhecimento científico. Esse modelo permitiu à China avançar em setores estratégicos como energia, telecomunicações, transporte, defesa e espaço. O país vem caminhando para ser tornar líder mundial em equipamentos de telecomunicações e smartphones, competindo com gigantes como Apple e Samsung. Outro exemplo é o programa espacial chinês, que enviou sondas à Lua e a Marte, além de astronautas à órbita terrestre. Cultura da inovação Um terceiro elemento que explica o sucesso chinês é a cultura da inovação, que se manifesta tanto nas empresas quanto nos indivíduos. A China tem investido massivamente em educação, ciência e tecnologia, buscando formar talentos e gerar conhecimento. O país é o que mais publica artigos científicos no mundo e o segundo que mais registra patentes. Além disso, a China tem estimulado o surgimento de um ecossistema vibrante de startups e empreendedores, que oferecem soluções criativas para os problemas da sociedade. Empresas como Alibaba, Tencent, Baidu e ByteDance são companhias que revolucionaram os setores de comércio eletrônico, redes sociais, busca online e entretenimento digital. A ambição Global Um quarto aspecto que caracteriza o espírito empreendedor chinês é a ambição global, ou seja, a vontade de expandir sua influência e seu poder no cenário internacional. A China tem adotado uma postura mais assertiva e proativa nas relações diplomáticas, econômicas e militares com outros países, especialmente com os Estados Unidos, seu principal concorrente. A China tem participado de organizações multilaterais como a ONU, a OMC, o G20 e o BRICS, defendendo seus interesses e valores. A China também tem promovido iniciativas como o Cinturão e Rota da Seda, um megaprojeto de infraestrutura que visa conectar a Ásia, a Europa e a África, aumentando o comércio e a cooperação entre essas regiões. O país ainda tem ampliado sua presença em áreas como a África, a América Latina e o Oriente Médio, oferecendo investimentos, créditos e vacinas.

28 de setembro de 2023
Daiane Mendes
O desemprego atualmente na China é um dos problemas sociais e econômicos que afetam milhões de pessoas, especialmente os jovens. Segundo os dados do Escritório Nacional de Estatísticas da China (NBS) , a taxa de desemprego entre os jovens de 16 e 24 anos atingiu um recorde histórico de 21,3% em julho de 2023, um aumento de 0,5 ponto percentual em relação ao mês anterior. Isso significa que um em cada cinco jovens chineses está sem trabalho. Alguns fatores que contribuem para o desemprego urbano entre os jovens na China incluem: a desaceleração do crescimento econômico que reduziu a demanda por mão de obra em alguns setores, como a indústria e a construção civil. Ao mesmo tempo, a transformação estrutural da economia aumentou a demanda por mão de obra qualificada em setores emergentes, como os serviços, a tecnologia e a inovação. No entanto, a competição acirrada no mercado de trabalho dificulta a entrada dos jovens, especialmente dos recém-formados, que enfrentam a concorrência dos trabalhadores mais experientes e dos migrantes rurais. Além disso, a falta de qualificação profissional limita as oportunidades de emprego para os jovens que não possuem educação superior ou formação técnica e boa parte dos empregadores, muitas vezes, preferem trabalhadores experientes que oferecem maior produtividade e menor custo. Por outro lado, a pandemia de Covid-19 também teve um impacto negativo na oferta e na demanda de emprego, especialmente nos setores de serviços, turismo e educação. A crise sanitária provocou o fechamento temporário ou permanente de muitas empresas, a redução da renda das famílias e o aumento da incerteza econômica. Cultura de trabalho chinesa A cultura de trabalho na China é conhecida por sua exigência ética de trabalho, na qual é comum a prática do 996-work, que significa trabalhar das 9h às 21h, seis dias por semana. Essa cultura é comum nos setores de tecnologia e jogos, que se desenvolveram rapidamente graças a essas práticas. No entanto, essa cultura também tem um alto custo para os trabalhadores, que sofrem com o estresse, a fadiga, a falta de equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e o risco de doenças ocupacionais Diante dessas situações, muitos jovens chineses estão buscando alternativas para escapar da pressão social e do trabalho tradicional. Algumas subculturas emergentes surgiram como alternativas que oferecem uma forma de escapismo para os jovens que se sentem desiludidos com a realidade. Uma dessas subculturas é a ACGN (anime-comic-game-novel), que se refere a um mundo bidimensional de animes, mangás e jogos. Essa comunidade proporciona aos jovens um refúgio onde podem mergulhar em narrativas fictícias, explorar mundos imaginários e encontrar criatividade no conforto e na fantasia. Outra subcultura emergente é o estilo de vida "tang ping" (躺平), que significa "deitar-se". Essa filosofia reflete a exaustão crescente entre os jovens, que optam por se afastar do mundo e rejeitar as expectativas da sociedade, como o consumo excessivo, a competição incessante e a busca pelo sucesso a todo custo. O "tang ping" incentiva uma abordagem mais descontraída e desapegada à vida, promovendo o equilíbrio e a auto aceitação. Em contrapartida, a subcultura budista atrai jovens que buscam um sentido espiritual para a vida. Os seguidores dessa subcultura praticam a meditação para encontrar a paz interior, adotam o vegetarianismo como uma forma de respeito pelos seres vivos, se envolvem em atividades voluntárias para contribuir para o bem-estar da comunidade e praticam a caridade como uma expressão de compaixão pelos menos afortunados . Essas subculturas emergentes representam maneiras diferentes pelas quais os jovens chineses estão lidando com as pressões da sociedade contemporânea e buscando uma sensação de significado e pertencimento em suas vidas. Cada uma delas oferece uma abordagem única para enfrentar os desafios do mundo moderno e encontrar um caminho que atenda às suas necessidades e valores individuais.

19 de setembro de 2023
Daiane Mendes
O termo “BRIC” foi usado pela primeira vez em 2001, pelo economista-chefe do Goldman Sachs, Jim O’Neill, para se referir às economias emergentes do Brasil, Rússia, Índia e China como potenciais agentes de crescimento econômico global. Posteriormente, em 2010, a África do Sul se juntou ao grupo, tornando-se o BRICS. O principal objetivo do BRICS é fortalecer a cooperação econômica e política entre essas nações e aumentar sua influência no cenário internacional. Para atingir esses objetivos, o grupo criou mecanismos financeiros alternativos aos dominados pelas nações desenvolvidas, tais como o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) e o Arranjo Contingente de Reservas (ACR). Essas instituições apoiam projetos de infraestrutura e assistência a países que enfrentam dificuldades econômicas. O BRICS se tornou uma força econômica e política no cenário internacional devido ao seu rápido crescimento econômic o e influência global crescente. Juntos, os países do BRICS representam cerca de 17% do comércio global e aproximadamente um terço do PIB mundial. Apesar das diferenças culturais, políticas, geográficas e de desenvolvimento humano entre seus membros, o grupo enfrenta desafios comuns, como desigualdade social, pobreza, corrupção, poluição e dependência de commodities. Porém, o BRICS está empenhado em superar esses obstáculos e se consolidar como uma força econômica e política global. Uma das principais áreas de abordagem do BRICS é a cooperação econômica, que inclui a promoção do comércio mútuo, investimentos em projetos conjuntos e o fomento à estabilidade financeira global. Isso inclui o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), anteriormente conhecido como Banco de Desenvolvimento dos BRICS, com a finalidade de financiar projetos de infraestrutura em nações em desenvolvimento. Nos últimos anos, a relação entre dois membros fundadores do BRICS, Brasil e China, vem sendo percebida como uma parceria estratégica em ascensão, com o potencial de contribuir para o desenvolvimento econômico e social de ambos os países, bem como para a estabilidade regional. Em 2023, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, fez uma visita à China e assinou 15 acordos destinados a fortalecer a cooperação entre as duas nações em diversas áreas, como comércio, indústria, comunicação, inovação, pesquisa e tecnologia. O objetivo é diversificar os investimentos e ampliar as oportunidades de negócios entre os dois países. BRICS reúne novos países membros para cooperação global Em um esforço para expandir ainda mais sua influência e cooperação, o grupo reuniu seis nações para se juntarem ao BRICS: Argentina, Egito, Irã, Etiópia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. A formalização da entrada desses países está prevista para janeiro de 2024. A adesão de novos membros pode acarretar implicações políticas significativas, como o fortalecimento da China, enquanto o Brasil poderia perder influência no grupo. No entanto, especialistas apontam que a ampliação do grupo pode fortalecer a sua posição em negociações com economias mais desenvolvidas. Dessa forma, o Brasil busca diversificar seus investimentos e expandir suas oportunidades de negócios com países emergentes que demonstram um grande potencial de crescimento e consumo, ao mesmo tempo em que almeja aumentar sua participação e influência no BRICS.

13 de setembro de 2023
Daiane Mendes
A agricultura chinesa é um exemplo de como um país consegue alimentar uma população de mais de 1,412 bilhão de pessoas, com recursos naturais escassos e desafios ambientais. A China vem investindo em ciência, tecnologia e inovação para aumentar a produtividade e a eficiência do setor agrícola, diversificar a produção e o comércio, além de integrar o desenvolvimento rural com o desenvolvimento urbano. Com uma tradição agrícola milenar, a China sempre valorizou a agricultura como uma atividade fundamental para a sua economia, a sua sociedade e a sua cultura. O país foi um dos primeiros lugares do mundo a cultivar plantas e animais e a desenvolver sistemas de irrigação, cultivo e colheita. Da mesma forma que também foi um dos primeiros lugares do mundo a experimentar e difundir novas variedades de culturas, como o arroz , o trigo e o milho. No entanto, a agricultura chinesa também enfrentou muitos obstáculos ao longo da sua história. Com uma área cultivável limitada, que representa apenas 7% da área total do país e sua distribuição desigual dos recursos hídricos, regiões áridas e semiáridas no norte e no oeste, e regiões úmidas e inundáveis no sul e no leste, o país asiático enfrenta problemas ambientais sérios, como a poluição do solo, da água e do ar, a erosão da biodiversidade, as mudanças climáticas e os desastres naturais. Diante desses desafios, a China tem buscado soluções inovadoras e sustentáveis para o seu setor agrícola, implementando políticas públicas que incentivam a pesquisa, o desenvolvimento e a difusão de novas técnicas e variedades de culturas, que aumentam o rendimento e a resistência das plantas a pragas, doenças e condições climáticas adversas. A China também tem melhorado a infraestrutura rural e a gestão dos recursos hídricos, que facilitam o transporte, o armazenamento e a irrigação dos produtos agrícolas. Além disso, também tem instalado tecnologia 4G na zona rural, que permite aos produtores rurais acessar informações, serviços e mercados online, além de receber treinamento em tecnologias da informação. Inclusive utilizando recursos como sensores, sistemas de integração de maquinários, GPS, drones e softwares para gestão agrícola, que contribuem para o monitoramento, o controle e a otimização da produção da lavoura. Outra estratégia do país, é a diversificação da sua produção e o seu comércio agrícola, buscando atender às demandas internas e externas. Por se tratar de um dos maiores produtores e consumidores de alimentos do mundo, mas também um dos grandes importadores de alguns produtos, como soja, carne e lácteos, o país tem buscado ampliar suas fontes de fornecimento, assim como suas parcerias comerciais, especialmente com países em desenvolvimento, como o Brasil. China incentiva cooperativas e cadeias produtivas Além de apoiar os pequenos produtores rurais, que representam mais de 90% dos produtores agrícolas do país, oferecendo crédito, subsídios, seguros e assistência técnica, a China também vem incentivando os agricultores a participar de cooperativas e associações, que facilitam o acesso a recursos, serviços e mercados. Segundo a FAO ( Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) , existem mais de um milhão de cooperativas agrícolas na China, que envolvem cerca de 40% dos agricultores familiares. Essas cooperativas fornecem aos seus membros benefícios como economias de escala, redução de custos, aumento da renda, melhoria da qualidade dos produtos e fortalecimento da capacidade de negociação. Além disso, a China também vem promovendo a integração vertical da cadeia produtiva agrícola, estimulando os agricultores a se envolverem em atividades de processamento, armazenamento, transporte e comercialização dos seus produtos. Essa estratégia visa aumentar o valor agregado da produção agrícola, reduzir as perdas pós-colheita e melhorar a competitividade dos agricultores no mercado interno e externo.

31 de agosto de 2023
Daiane Mendes
O chá é uma bebida milenar, que tem sido consumida na China há mais de 4.000 anos. A lenda popular atribui sua descoberta ao Imperador Shen Nong, um lendário governante que, ao buscar combater as epidemias em seu império, determinou que todos deveriam ferver a água antes de bebê-la. Certo dia, enquanto descansava, algumas folhas caíram em sua xícara e ele notou que a cor e o aroma do líquido haviam mudado. Curioso, ele resolveu provar o chá e, ao perceber que ele possuía um sabor agradável, decidiu compartilhar sua descoberta com o povo. A infusão de folhas na água fervente passou a ser consumida por suas propriedades medicinais antes de se tornar uma bebida popular . Com o tempo, beber chá virou uma tradição na China com rituais e uma grande diversidade de sabores. A arte tradicional da cerimônia, também chamada de “Gongfu Cha”, valoriza a preparação cuidadosa e a degustação desta bebida. Ela busca criar uma experiência completa que envolve uma escolha adequada de utensílios, a temperatura da água, o tempo de infusão e a apreciação do sabor, aroma e visual do chá. Conforme os anos foram passando, o chá obteve um grande valor cultural e social. Tornou-se um símbolo de hospitalidade, um elemento de rituais e um meio de estreitar laços pessoais e profissionais. O chá também influenciou as artes e a filosofia chinesa ao longo dos séculos. Ele representa uma rica tradição cultural, uma parte essencial do dia a dia e uma conexão com a história e os valores da China, cada um com seu próprio sabor, aroma e propriedades. Alguns dos tipos mais conhecidos são: Chá Verde O chá verde é um dos chás mais consumidos e apreciados na China. Ele é feito a partir das folhas frescas da planta Camellia sinensis, que são submetidas a um leve aquecimento para evitar a oxidação. Assim, o chá verde preserva as propriedades naturais da planta, como os antioxidantes, as catequinas e os polifenóis. Existem muitas variedades de chá verde, cada uma com seu sabor e aroma característicos. Alguns exemplos de chás verdes famosos são o Longjing (Chá do Dragão), que tem um sabor suave e adocicado, e o Biluochun (Caracol Verde), que tem um sabor floral e frutado. Chá Oolong Este tipo de chá é considerado um chá semi-oxidado, pois passa por um processo intermediário entre o chá verde e o chá preto. As folhas da camellia sinensis são expostas ao ar por um tempo controlado, o que altera a cor e o sabor do chá. O chá oolong tem uma grande diversidade de sabores, que podem variar de floral e frutado a amadeirado e tostado, dependendo do grau de oxidação e do método de produção. Alguns exemplos de chás oolong renomados são o Tie Guan Yin (Deusa da Misericórdia), que tem um sabor delicado e refrescante, e o Da Hong Pao (Manto Vermelho), que tem um sabor intenso e complexo. Chá Preto O chá preto é o tipo de chá mais oxidado e mais processado entre os chás derivados da Camellia sinensis. As folhas da planta são murchadas, enroladas, fermentadas e secas, o que confere ao chá uma cor escura e um sabor forte e encorpado. O chá preto também contém mais cafeína do que os outros tipos de chá, sendo estimulante e energizante. Alguns exemplos de chás pretos chineses são o Keemun, que tem um sabor suave e aromático, e o Dian Hong, que tem um sabor rico e maltado. Chá Branco O chá branco é o tipo de chá menos processado entre os chás provenientes da Camellia sinensis. Ele é feito a partir dos brotos e das folhas mais jovens da planta, que são colhidos antes de se abrirem completamente. Essas partes da planta são apenas secas ao sol ou ao vapor, sem passar por nenhum tipo de oxidação ou fermentação. Por isso, o chá branco tem uma cor clara e um sabor suave e delicado. Ele também é rico em antioxidantes, que trazem benefícios para a saúde. Alguns exemplos de chás brancos famosos são o Bai Hao Yin Zhen (Chifre de Prata), que tem um sabor doce e floral, e o Bai Mu Dan (Peônia Branca), que tem um sabor frutado e amendoado.

18 de agosto de 2023
Daiane Mendes
A China possui uma cultura de negócios única e protocolos distintos de negociação. Ao lidar com os chineses no âmbito comercial, é essencial conhecer um conceito central na cultura chinesa: o Guanxi (关系). Ele se refere a redes de relacionamentos pessoais e conexões sociais. É uma prática que envolve o desenvolvimento e manutenção de laços interpessoais para fins pessoais e profissionais. O termo "guanxi" pode ser traduzido como "relações" ou "conexões", mas seu significado é mais profundo e abrangente. No passado, o guanxi era essencial para formar alianças, assegurar a cooperação em situações complexas e facilitar a convivência social. Com o passar do tempo, o conceito de guanxi evoluiu, mas ainda está profundamente enraizado na sociedade chinesa e em outras culturas asiáticas. Ele exerce influência sobre diversos aspectos da vida moderna, abrangendo desde negócios, política, relações interpessoais até, por exemplo, no âmbito empresarial. Ao mencionar o termo "Guanxi", é comum associá-lo superficialmente à noção de networking ocidental . No entanto, as relações construídas na cultura chinesa possuem uma profundidade que vai além das conexões típicas no mundo dos negócios ocidentais. Na China, não basta ter uma extensa lista de contato, é preciso aderir às normas culturais e comportamentais, enquanto se demonstra respeito pelas habilidades individuais. O Guanxi é baseado na ideia de reciprocidade e favores mútuos, onde as pessoas constroem e mantêm relações investindo tempo, esforço e recursos para ajudar uns aos outros. Isso é especialmente importante em contextos sociais e de negócios na China e em outras culturas do leste asiático, onde os relacionamentos pessoais, muitas vezes, são fator crucial em negócios comerciais, contratações e tomadas de decisão. Embora o Guanxi seja uma parte importante da cultura chinesa, é importante notar que seu significado e prática podem variar entre diferentes regiões da China e em outras partes do mundo. Em contextos mais tradicionais, o Guanxi pode ser muito formal e hierárquico, enquanto em contextos modernos e urbanos, ele pode se manifestar de maneiras mais informais e flexíveis. Por isso, é fundamental abordar o Guanxi com respeito, confiança e sensibilidade cultural, especialmente para aqueles que não são nativos da cultura chinesa. Reconhecer a importância do Guanxi pode ser benéfico para estabelecer relações comerciais e pessoais bem-sucedidas na China e em outras partes do mundo onde essa prática possui forte influência cultural.

8 de agosto de 2023
Daiane Mendes
A China possui diversos projetos de engenharia icônicos espalhados pelo país. A Ponte Danyang-Kunshan é um exemplo. Ligando as cidades de Danyang e Kunshan, atravessando o Rio Yangtze e o Lago Taihu, a ponte faz parte da rodovia de alta velocidade Beijing-Xangai, uma das principais vias de transporte terrestre no país. De acordo com o Guinness, o livro dos recordes, a Ponte de Danyang-Kunshan, é a ponte mais longa do mundo com 164,8 km. Sua construção foi concluída em 2010 e, no período de quatro anos, enfrentou diversos desafios, incluindo o terreno complexo, a topografia variada e as águas do rio Yangtze. Para superar essas adversidades, foram necessários 10 mil trabalhadores, além de tecnologias avançadas de construção, materiais de alta qualidade e métodos inovadores. Um dos aspectos da Ponte Danyang-Kunshan é a sua extensa seção elevada, que a mantém acima das águas do rio Yangtze e das áreas ao redor. Essa seção elevada inclui uma série de pilares e viadutos que sustentam a estrutura da ponte. Sua construção não só permitiu a conexão eficiente entre Danyang e Kunshan, mas também treinou a habilidade da China em realizar projetos de infraestrutura de grande escala. A área em que a ponte está situada é propensa a terremotos. Por essa razão, medidas especiais foram construídas ao design e à construção para garantir que a ponte seja resistente a esses eventos naturais. Além de seu papel crucial na rede de telefonia móvel da China, facilitando o transporte de passageiros e mercadorias entre as duas cidades e regiões adjacentes, a Ponte Danyang-Kunshan também é projetada para acomodar trens de alta velocidade, caracterizando-se como uma infraestrutura especialmente preparada para suportar o intenso tráfego ferroviário a uma velocidade média de 350 km/h. China têm algumas das maiores construções de pontes do mundo A China é responsável pela construção de algumas das maiores pontes do mundo . A Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau é a maior ponte marítima do planeta, com um comprimento de 54 quilômetros de extensão. Esta estrutura impressionante conecta as cidades de Hong Kong, Zhuhai e Macau e é a sexta maior em termos de extensão global. A construção levou 9 anos para ser finalizada e foram utilizadas 420 mil toneladas de aço, correspondente a 60 torres Eiffel. O investimento totalizou aproximadamente 130 bilhões de yuans e sua estrutura foi projetada para resistir a terremotos de magnitude 8, bem como a um super tufão e potenciais embates de embarcações de grande porte. O conjunto abrange um complexo composto por três pontes estaiadas interligadas, um túnel submarino e duas ilhas artificiais.

25 de julho de 2023
Daiane Mendes
Na China, um conceito específico explica o desejo de se adquirir e usufruir de bens e materiais produzidos localmente: o Guochao. A expressão surgiu em 2018, após uma alta demanda dos jovens chineses por marcas, especialmente os da Geração Z, matérias-primas e elementos que remetem ao orgulho nacional e à nostalgia cultural, apresentados em uma versão luxuosa. Essa tendência valoriza a estética e o estilo de vida tradicional chinês , ao mesmo tempo em que incorpora elementos contemporâneos. Esses jovens consumidores estão liderando uma mudança significativa no mercado interno e na consolidação da China como um importante centro para a indústria da moda e do luxo, com marcas locais ganhando destaque tanto nacionalmente quanto internacionalmente. O país tem produzido designers talentosos e influentes, além de abrigar importantes eventos e semanas de moda, que atraem a atenção de consumidores e profissionais do setor de todo o mundo. Assim como acontece com diversas outras tendências da moda, as marcas precisaram se ajustar ao estilo Guochao a fim de atender à demanda do mercado e atrair os consumidores interessados nessa estética. Reconhecidas grifes chinesas como Uma Wang, Samuel Guì Yang e Yuhan Wang já adotaram esse conceito em suas recentes coleções. A influência é especialmente visível na Xiaohongshu, a maior plataforma de compartilhamento de estilo de vida da China, similar ao Instagram. Com o aumento da demanda por produtos de luxo , marcas premium e experiências relacionadas ao Guochao tem impulsionado o setor varejista, bem como a indústria de fabricação e distribuição. Isso contribui para o crescimento econômico do país, fortalecendo ainda mais a sua posição como uma potência global no mercado de consumo. Zak Dychtwald, um especialista em tendências do Young China Group, observou que a Geração Z da China está redefinindo a economia de consumo do país. Os jovens estão se tornando mais exigentes em relação ao consumo, buscando uma identidade cultural chinesa forte e autêntica. Essa mudança na percepção da própria cultura, pode ser interpretada como uma resposta à predominância da influência ocidental na moda e na cultura popular, refletindo um desejo de promover e preservar a herança cultural do país.