
22 de junho de 2023
Daiane Mendes
A China anunciou, em março deste ano, a abertura do país para a entrada de grupos estrangeiros. Esta é a primeira vez que turistas têm permissão para visitar o país desde a pandemia. Conforme o país busca reanimar seu turismo doméstico e internacional, após a flexibilização das restrições da COVID-19 , a China vem recebendo um grande aumento na procura por viagens domésticas devido à demanda acumulada por viagens. Com isso, várias cidades, antes pouco conhecidas, se tornaram novos destinos turísticos, como, por exemplo, a região de Zibo, antiga base industrial na província de Shandong no leste da China. A região de Zibo vem ganhando destaque, desde março deste ano, com uma média de 33.600 visitantes por dia. A região foi um enorme sucesso durante o feriado do Dia do Trabalhador, atraindo milhares de apreciadores da gastronomia em busca do ‘Churrasco de Zibo’. Comparado com os 10.000 visitantes por dia em 2019, as reservas de acomodações locais aumentaram 800%, fazendo os preços dispararem. Além dos grandes destinos populares que são Patrimônio Mundial da UNESCO na China como a Grande Muralha da China, a Cidade Proibida e os Guerreiros de Terracota em Xi'an, a China também tem apostado no turismo de suas principais cidades. Investimento em turismo e cultura A cidade de Xangai, com o objetivo de se tornar um dos principais destinos de investimento em turismo na região Ásia-Pacífico, está gradativamente se aproximando de se tornar uma renomada cidade turística mundialmente famosa. Com esse objetivo em mente, a cidade anunciou o investimento de US$15,7 bilhões que serão destinados para 28 projetos culturais e turísticos que abrangem uma ampla gama de atrações culturais, incluindo relíquias históricas, residências antigas, moda e arte e a construção de uma estação de esqui coberta, prevista para ser inaugurada no primeiro semestre de 2024. Essas iniciativas visam enriquecer a experiência dos turistas e consolidar a posição de Xangai como um dos principais destinos turísticos. Esses esforços do governo chinês refletem o compromisso em atender o setor do turismo e promover o país para receber um número cada vez maior de visitantes. Com uma variedade de atrações culturais, históricas e naturais, além de uma infraestrutura turística em constante aperfeiçoamento, a China oferece um leque de opções para os viajantes explorarem e desfrutarem de uma experiência única e enriquecedora em sua visita ao país.

13 de junho de 2023
Daiane Mendes
A maior usina hidrelétrica do mundo em termos de capacidade instalada está na China. Localizada no Rio Yangtzé, na cidade de Sandouping, a barragem das Três Gargantas possui uma capacidade de 22,5 gigawatts, o que equivale a cerca de 32 usinas nucleares de tamanho médio. Para efeitos de comparação, a usina de Itaipu tem 14 gigawatts de potência máxima instalada. A usina teve sua construção iniciada em 1994 com o objetivo de gerar energia limpa, reduzir as inundações na região e melhorar a navegação ao longo do rio, sendo considerado projeto arquitetônico e de maior amplitude da China desde a Grande Muralha. Concluída em 2012, a obra consistia em uma barragem de concreto com uma altura de 185 metros e um comprimento de cerca de 2,3 milhas. A geração de energia da Usina das Três Gargantas é feita por meio de 34 turbinas instaladas na barragem. Cada turbina tem uma capacidade de 700 megawatts. A usina é capaz de produzir cerca de 100 bilhões de quilowatts-hora de eletricidade por ano, o que ajuda a suprir a crescente demanda energética da China. Além da geração de energia, a usina também tem benefícios trazidos para o controle de enchentes. O reservatório formado pela barragem pode armazenar até 39,3 bilhões de metros cúbicos de água, reduzindo os riscos de inundações ao longo do Rio Yangtzé. A usina também possibilitou melhorias no tráfego fluvial, permitindo que navios de carga de maior porte navegassem pelo rio. Impactos ambientais da construção da Usina das Três Gargantas A construção da Usina das Três Gargantas, no entanto, não veio sem um custo: a obra gerou enormes impactos ambientais e sociais. A inundação das áreas adjacentes ao reservatório levou ao deslocamento de cerca de 1,3 milhão de pessoas, além de afetar a biodiversidade da região. Imagem principal: Zheng Jiayu/Xinhua

24 de maio de 2023
Daiane Mendes
O confucionismo foi fundado pelo filósofo chinês Confúcio, por volta do século V a.C. e, por mais de dois mil anos, foi a principal doutrina da China. Confúcio nasceu na província de Lu, na província de Shandong, durante um período de mudanças sociais e políticas tumultuadas conhecidas como Período das Primaveras e Outonos . Considerado um guia espiritual e uma figura filosófica que instrui seus seguidores a buscar a harmonia em suas vidas, Confúcio se dedicou ao estudo e à reflexão sobre os problemas sociais e políticos de sua época, buscando soluções para promover a estabilidade e a harmonia na sociedade. Os ensinamentos de Confúcio foram registrados principalmente no livro "Analectos", compilado por seus discípulos após sua morte. Esses ensinamentos giram em torno de princípios éticos e morais, que se tornaram a base do confucionismo. Confúcio acreditava que a chave para uma sociedade saudável e harmoniosa estava na prática do Ren (humanidade) e na busca pela virtude. Ele enfatizou a importância das relações humanas e da conduta adequada, tanto em termos de rituais e etiqueta (Li) quanto de valores como lealdade (Zhong), reciprocidade (Shu) e reverência filial (Xiao). Além disso, Confúcio defendia a ideia de que um governante deveria ser um exemplo moral para o povo e governar com benevolência e justiça. Ele enfatizava a importância da educação (Wen) para o desenvolvimento das virtudes e aprimoramento do caráter, assim como o equilíbrio entre sabedoria e coragem (Wu). Após sua morte, seus ensinamentos foram transmitidos por seus seguidores e alcançaram a base da filosofia confuciana. Ao longo dos séculos, o confucionismo exerceu uma influência significativa na China, moldando a cultura, a ética e a política do país. E influenciou na formação cultural de outros países, como o Japão e a Coreia. Durante a dinastia Han (206 aC - 220 dC) , o confucionismo tornou-se a ideologia oficial do Estado e influenciou fortemente o sistema educacional e a burocracia imperial. Os exames imperiais, ensinamentos nos ensinos confucianos, foram alcançados para selecionar funcionários públicos competentes. Ao longo da história, o confucionismo passou por diferentes interpretações e crenças, mas continuou a ser uma força cultural e filosófica importante na China. Mesmo com o desenvolvimento de outras correntes filosóficas e ideológicas políticas, o confucionismo ainda exerce uma influência significativa no pensamento chinês contemporâneo e na sociedade chinesa. Veja abaixo os fundamentos-chave do confucionismo: 1 - Ren (仁) O conceito central do confucionismo é o "Ren", que pode ser traduzido como humanidade, bondade, benevolência ou virtude. O Ren enfatiza a importância das relações humanas e o tratamento adequado dos outros. Ele busca cultivar qualidades como empatia, respeito, cortesia e responsabilidade. 2 - Li (礼) O "Li" refere-se aos rituais e etiquetas adequados que regem a conduta social. Ele abrange uma ampla gama de práticas, desde rituais religiosos até regras de etiqueta cotidianas. O Li desempenha um papel fundamental na manutenção da ordem social e na promoção da harmonia entre as pessoas. 3 - Xiao (孝) O "Xiao" representa a reverência filial e o respeito pelos pais e idosos. É considerado um dever fundamental dos filhos cuidar e obedecer aos seus pais, bem como honrar os ancestrais. O respeito pela autoridade e pela autoridade familiar é uma característica importante do confucionismo. 4 - Junzi (君子) O "Junzi" refere-se ao homem nobre ou ao cavaleiro virtuoso. É uma figura ideal que busca a excelência moral e intelectual, adotando uma postura ética em todos os aspectos da vida. 5 - Zhong (忠) e Shu (恕) O "Zhong" significa lealdade e o "Shu" representa a reciprocidade. Esses princípios são enfatizados como valores essenciais nas relações sociais. A lealdade é vista como uma virtude fundamental para o bem-estar da comunidade, enquanto a reciprocidade enfatiza tratar os outros da maneira que gostariam de ser tratados. 6 - Wen (文) e Wu (武) O "Wen" refere-se à cultura e à educação, enquanto o "Wu" refere-se à força militar e habilidades físicas. O confucionismo enfatiza a importância de equilibrar a educação intelectual e moral com a capacidade de defender a justiça e a ordem, buscando um equilíbrio entre sabedoria e coragem. Quer saber mais sobre a cultura da China? Leia também: Moda chinesa é reflexo da história e cultura do país.

16 de maio de 2023
Daiane Mendes
A relação diplomática entre o Brasil e a China tem sido historicamente caracterizada por laços comerciais e cooperação em diversas áreas. Os dois países estabeleceram relações diplomáticas em 1974, durante o governo do presidente Ernesto Geisel e mantiveram um relacionamento relativamente estável desde então. Contudo, foi a partir de 2009, com a segunda visita do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China, que o país tornou-se o principal parceiro comercial do Brasil. Em contrapartida, o Brasil tornou-se um importante fornecedor de commodities (produtos básicos globais não industrializados) para a China. As exportações brasileiras para o país asiático, são dominadas por produtos como soja, minério de ferro, petróleo e carne bovina. Já a China exporta para o Brasil produtos manufaturados, eletrônicos e bens de consumo, auxiliando o comércio bilateral de modo fundamental para as economias de ambos os países, além de contribuir para o desenvolvimento econômico global. O volume de comércio bilateral chegou a US$150,5 bilhões em 2022 . Além das relações comerciais, os dois países têm buscado a cooperação em diversas áreas, como ciência e tecnologia, educação, cultura e turismo e promovido intercâmbios e parcerias. A China também tem sido um importante investidor em setores-chave da economia brasileira, como energia, agricultura, transporte e telecomunicações. Empresas chinesas têm participado de licitações de projetos de infraestrutura no Brasil e têm sido parceiras em projetos como a construção de usinas hidrelétricas e ferrovias. Os desafios e oportunidades entre os laços diplomáticos Brasil-China Apesar das relações estáveis, é importante ressaltar que essa diplomacia passou por alguns desafios ao longo dos anos, como mudanças de governo, políticas internas e externas, eventos geopolíticos globais, entre outros. Questões como a competição no setor industrial, barreiras comerciais, protecionismo e divergências em fóruns internacionais também geraram atritos entre os dois países. No entanto, ao longo desses quase 50 anos de relações diplomáticas, a China e o Brasil têm mantido um crescimento constante em sua relação, mesmo diante das mudanças no cenário internacional. Recentemente, os dois países concordaram em realizar transações comerciais em suas próprias moedas , retirando o dólar americano como intermediário. Isso permitirá que os países conduzam transações diretas, trocando Yuan por Real e vice-versa, em vez de usar o dólar. O acordo será executado pelo Banco Industrial e Comercial da China (ICBC) e pelo Banco de Comunicações BBM. A expectativa é que isso reduza os custos, facilite os investimentos, impulsione transações transfronteiriças e fortaleça ainda mais o comércio entre Brasil e China.

9 de maio de 2023
Daiane Mendes
A China é um país com uma longa história repleta de tradição e, ao longo dos anos, suas vestimentas evoluíram significativamente. Desde os tempos antigos até os dias atuais, a moda chinesa tem sido influenciada por fatores como a cultura, as condições climáticas, os avanços tecnológicos e a política. Esses fatores moldaram a moda chinesa em várias dinastias ao longo do tempo, cada uma com suas próprias características distintas. Durante a dinastia Xia, (aproximadamente 2100 a.C. a 1600 a.C.), que foi a primeira dinastia registrada na história chinesa, as roupas eram feitas de peles de animais e tecidos simples, como o linho. Na dinastia Shang, (1600 a.C. a 1046 a.C.) as roupas se tornaram mais elaboradas, com bordados e desenhos. Na dinastia Zhou,(1046 a.C. a 256 a.C.) a seda começou a ser utilizada na produção de roupas, o que trouxe um grande avanço e novas tendências. Durante a dinastia Han, (206 a.C. a 220 d.C.) as roupas passaram a ser mais estruturadas, com cortes ajustados ao corpo e mangas longas. As cores das roupas também se tornaram mais vibrantes, com o uso de tintas e corantes. Na dinastia Tang, (618 d.C. a 907 d.C.) as roupas ficaram mais soltas e fluidas, com tecidos leves e estampas coloridas e possuíam um estilo que apresentava semelhanças com o vestuário tradicional do Irã e da Índia. Na dinastia Ming (1368 a 1644), o estilo passou a ser mais formal, com roupas com a cor vermelha predominante e muitos detalhes e bordados elaborados. Já na dinastia Qing, (1644 a 1912) a vestimenta da China foi influenciada pela cultura manchú, com roupas que apresentavam colarinhos altos, cintos largos e as mangas mais curtas e justas. [caption id="attachment_16958" align="alignnone" width="1500"] Mongkolchon/ Adobe Stock[/caption] Com a chegada do século XX, a moda chinesa passou por uma grande transformação, com a influência da moda ocidental. Os chineses começaram a adotar peças de roupas ocidentais, mas também misturam elementos tradicionais com designs modernos . Hoje em dia, essa mistura de tradição e modernidade é comum. As peças tradicionais ainda são usadas em ocasiões formais, como o qipao, um vestido justo ao corpo com gola alta, e o cheongsam, um vestido de seda com botões na frente e uma fenda lateral. A moda chinesa atualmente é vista como uma importante indústria, com marcas de moda locais e internacionais buscando atrair consumidores chineses e estrangeiros. À medida que a China se torna cada vez mais influente no cenário global, a moda chinesa está se tornando mais diversa e inclusiva, abraçando diferentes estilos e tendências, revelando um futuro promissor e é esperado que continue evoluindo e inovando nos próximos anos.

20 de abril de 2023
Daiane Mendes
A educação tem desempenhado um papel fundamental no avanço da China nas últimas décadas. Compreender a importância da educação na ascensão da China, é essencial para entender como o país conseguiu se tornar uma das principais economias do mundo nas últimas décadas. O investimento no sistema educacional foi uma das principais estratégias adotadas pelo governo chinês para garantir um desenvolvimento sustentável, baseado em uma força de trabalho altamente qualificada e em uma economia baseada em inovação e tecnologia. Segundo a UNESCO, o país alocou 3,57% de seu PIB em educação em 2020, valor que chegou a 3,85% em 2013. A partir da década de 1980, o governo chinês adotou políticas de reforma educacional que buscam melhorar a qualidade do ensino e aumentar o acesso à educação em todo o país. Desde então, o foco tem sido no desenvolvimento de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). A sigla STEM é formada pelas iniciais das palavras em inglês: Science (Ciência), Technology (Tecnologia), Engineering (Engenharia) e Mathematics (Matemática). Juntas, essas áreas formam a base do sistema STEM. O país tem trabalhado para garantir que todos os seus cidadãos tenham acesso a uma educação básica de qualidade. É possível notar o resultado desse investimento no aumento significativo da taxa de alfabetização, que passa de 96%, além da crescente proporção de sua população com formação universitária. A China também é líder mundial em produção de pesquisa científica e tecnológica, com um grande número de patentes e inovações desenvolvidas. O país já é líder em patentes de 5G e 6G, além de estar entre os que mais registram patentes em diversos segmentos do mundo. Até 2025, a China prevê formar 1 milhão de profissionais no setor de propriedade intelectual. A ênfase na educação STEM também tem ajudado a China a se tornar um líder em setores como inteligência artificial, realidade aumentada, robôs, blockchain, tecnologia da informação e telecomunicações. A educação também desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento econômico da China, fornecendo profissionais especializados e com habilidades avançadas necessárias para impulsionar a economia. Quer saber mais sobre a China? Leia também: Conheça a trajetória política do presidente chinês, Xi Jinping

12 de abril de 2023
Daiane Mendes
Xi Jinping é o atual presidente da República Popular da China e secretário-geral do Partido Comunista Chinês . Ele está no poder desde 2013 e consolidou sua posição como um dos líderes chineses mais poderosos da história recente. Nascido em 1953 em Pequim, Xi Jinping é filho de Xi Zhongxun, ex-vice-primeiro-ministro da China e membro fundador do Partido Comunista Chinês. Seu pai também foi companheiro de armas de Mao Tsé-Tung, ex-presidente da China. Devido a alguns problemas de seu pai com o regime do país, em 1969, Xi Jinping foi enviado a Yan chuan, em Xianxim, para trabalhar numa comunidade agrícola por seis anos. Xi Jinping foi educado na China e se filiou ao Partido Comunista em 1974. Ele é formado em Engenharia Química e obteve um doutorado em Direito pela Universidade Tsinghua, em Pequim. Xi Jinping começou sua carreira política no início dos anos 1980, trabalhando em vários cargos do governo local nas províncias chinesas de Fujian e Zhejiang. Mais tarde, ele serviu como governador da província de Fujian, secretário do partido na província de Zhejiang e secretário do partido em Xangai. Em 2007, Xi Jinping foi nomeado para o Comitê Permanente do Politburo, o mais alto órgão de decisão do Partido Comunista Chinês. Ao longo de sua carreira política, ele ocupou vários cargos importantes, como secretário e governador de diversas províncias. Em Fujian, priorizou a preservação ambiental e as relações com Taiwan, enquanto em Zhejiang, promoveu a reestruturação da indústria local em busca de desenvolvimento sustentável. Depois que Hu Jintao deixou o cargo de presidente em 2013, Xi Jinping assumiu a presidência e se tornou o líder do Partido Comunista Chinês. Ao assumir o poder, Xi Jinping lançou uma grande campanha anticorrupção, reprimiu a dissidência e afirmou o domínio da China no cenário mundial por meio de iniciativas como a do Cinturão e Rota, um projeto de infraestrutura e comércio que engloba a Ásia, África e Europa. Neste momento discute-se a entrada do Brasil na iniciativa chinesa. Sob sua liderança, a China também se tornou cada vez mais assertiva em suas disputas territoriais no Mar do Sul da China e vem se tornado cada vez mais uma potência da tecnologia e do desenvolvimento econômico. Xi Jinping também tem feito acordos para a expansão do uso do Renminbi (RMB), moeda chinesa, o que contribuirá para construir um sistema monetário internacional mais resistente e menos dependente do dólar americano. Recentemente, o Brasil fez um acordo com a China para comercialização sem o uso do dólar como moeda intermediária . Imagem: Pang Xinglei/ Xinhua

4 de abril de 2023
Daiane Mendes
A China é o país mais populoso do mundo e um dos maiores em extensão territorial e, por conta disso, sua cultura é bem diversa. Com a comida, essa diversidade não seria diferente. Cada região do país tem sua própria culinária, que reflete as tradições, o clima, os recursos disponíveis e as influências históricas. O contraste harmonioso entre as cores, aromas e sabores de cada prato é baseado na filosofia do yin e yang, em que os opostos se complementam. Além do conceito do yin e yang, também existe a ideia dos cinco sabores que corresponde aos cinco elementos: o doce representa a terra, o salgado representa a água, o azedo representa a madeira, o amargo representa o fogo e o picante representa o metal. Acredita-se que, para manter a saúde e o equilíbrio do corpo é necessário ter uma dieta equilibrada que contenha todos os cinco sabores. Por isso é comum encontrar uma mistura de sabores doces e salgados, picantes e agridoces, quentes e frios, entre outros, em uma única refeição chinesa . Veja abaixo, as diferenças entre as culinárias de cada região, para que você possa conhecer melhor a gastronomia chinesa: Norte da China Devido ao clima frio, a culinária dessa região apresenta características mais próximas ao paladar europeu. Os alimentos mais consumidos são: pães cozidos a vapor, batatas, noodles (macarrão chinês) e bolinhos de carne, uma vez que a pesca não é tão comum quanto o consumo de carne. Entre os pratos mais famosos estão o pato assado de Pequim, o peixe com arroz fermentado e o frango com pasta de soja. Leste da China A culinária do Leste da China é caracterizada por pratos com frutos do mar já que a região é conhecida por possuir recursos aquáticos e vegetais. O arroz é o cereal básico das refeições, refletindo a grande produção de arroz na região, mas o trigo também é bastante utilizado na forma de macarrão, pães cozidos a vapor e dumplings. Sul da China A culinária do Sul da China é conhecida por ser a mais diversa e variada da China e se destaca como um representante marcante da culinária chinesa em todo o mundo. Devido à sua vasta extensão marítima, os portos do Sul da China sempre desempenharam um papel significativo no comércio internacional, atraindo povos estrangeiros. Essa troca cultural não só enriqueceu a culinária local, como também ajudou a difundir receitas, ingredientes, utensílios e técnicas de preparo únicas para outras partes do mundo. Os pratos são marcados pelo uso de óleo, geralmente vegetal e frutos do mar. O dim sum , um tipo de comida de rua, é uma das principais atrações culinárias do Sul da China. Oeste da China Essa região é rica em recursos naturais e culturais, mas ao mesmo tempo é de difícil acesso devido às montanhas e altitudes elevadas, por essa razão, os habitantes da região dependem principalmente dos recursos locais para a produção de alimentos e bebidas, o que influencia fortemente a culinária local. Outra característica marcante da culinária do Oeste da China é a conservação de alimentos por meio de métodos tradicionais, como a secagem ao ar livre e a conservação em sal. Carne seca, tofu fermentado, chouriço e peixe em conserva são exemplos de ingredientes frequentemente utilizados na região. Quer saber mais sobre a China, leia também: O vínculo cultural e simbólico entre os chineses e a Lua

21 de março de 2023
Daiane Mendes
Os chineses possuem um vínculo cultural e simbólico muito forte com a Lua, que é celebrado em rituais, mitos e obras de arte por mais de 4.000 anos. Durante as dinastias Xia (2070-1600 a.C.) e Shang (1600-1046 a.C.), as pessoas adoravam a Lua em cerimônias solenes para invocar boas colheitas e para pedir proteção contra doenças e desastres naturais. Na antiguidade, a Lua era vista como um símbolo de renovação e renascimento. Com o tempo, o culto à Lua se tornou mais refinado e sofisticado. Durante a dinastia Tang (618-907 d.C.), a poesia sobre a Lua tornou-se uma forma popular de arte. Poetas famosos como Li Bai e Du Fu escreveram sobre a beleza e a majestade da Lua em seus poemas, que são apreciados até os dias de hoje. A cultura chinesa também tem muitas lendas sobre a Lua. Uma das mais conhecidas é a história da deusa Chang'e, uma figura importante da mitologia chinesa e é considerada uma deusa lunar. Segundo a lenda, ela era casada com o arqueiro Hòu Yì e acabou se tornando imortal após ingerir a poção da imortalidade. Depois disso, ela voou até a Lua, onde viveu em um palácio de gelo. Cháng'e é frequentemente celebrada na cultura chinesa durante o Festival da Lua, que é realizado no 15º dia do oitavo mês do calendário lunar. Acredita-se que ela seja a responsável por trazer a luz e a renovação ao mundo, simbolizando a regeneração e a renovação da vida. Sua única companhia é o Coelho da Lua , que faz o elixir da imortalidade para os habitantes do Céu. Além de ser uma figura importante na mitologia chinesa, Cháng'e também é reverenciada na cultura popular chinesa, sendo uma personagem recorrente em contos, peças de teatro, poesias e canções. Na China, ela é considerada uma representação do amor, da beleza e da elegância feminina. Durante o Festival da Lua, as pessoas costumam se reunir para admirar a lua cheia e comer bolinhos de lua, que são feitos em homenagem a Cháng'e. Além disso, também é comum fazer oferendas para a deusa lunar, como frutas, doces, incensos e flores. Por fim, o vínculo cultural e simbólico entre os chineses e a Lua é profundo e complexo. A Lua é um tema popular na poesia e nas artes, sendo uma figura central em muitas lendas e tradições culturais. Através dessas histórias e práticas, a cultura chinesa celebra a beleza e a majestade da Lua, uma fonte constante de inspiração e admiração. Quer saber mais sobre a China? Leia também: Conheça 7 curiosidades da cultura chinesa

14 de março de 2023
Daiane Mendes
Na China, as superstições são levadas a sério e muitas crenças são baseadas em numerologias, palavras, crenças culturais e religiosas. Para o povo asiático, muitos desses números ou palavras trazem azar ou sorte. O número 4, por exemplo, pode ser facilmente confundido com a palavra ‘morte’, devido a sua pronúncia em mandarim. Por conta disso, muitos prédios na China não possuem o quarto andar, indo do terceiro direto para o quinto. Assim como contar enquanto sobe ou desce os degraus também traz azar. Se existe um número específico para o “azar", para os chineses, também existe o “número da sorte”, sendo ele o número 8, que possui o mesma explicação: a pronúncia. A palavra prosperidade possui a pronúncia parecida com a do número 8. A crença sobre a numerologia 8 é tão popular que as olimpíadas de Pequim tiveram início no dia 08 de agosto de 2008 (08/08/08). [caption id="attachment_16220" align="alignnone" width="1897"] Imagem: Adobe Stock[/caption] Outra superstição chinesa muito popular é sobre as cores. Assim como no ocidente, em que usamos a cor branca na virada do ano para atrair prosperidade e paz, na China, o costume é usar a cor vermelha. Mas o uso do vermelho vai além do ano novo, ela é muito utilizada na decoração de eventos chineses, por representar a vida e trazer boa sorte. A cor verde, por sua vez, é constantemente associada à infidelidade. Usar chapéu dessa cor significa que você está sendo traído! Superstições chinesas com os espíritos ancestrais No feriado nacional, Qingming, que acontece anualmente por volta de 5 de abril, as pessoas param para relembrar seus ancestrais e entes falecidos, queimando incensos e fazendo oferendas aos mortos. Pela tradição, as famílias limpam os túmulos dos parentes mortos, fazem preces e queimam papel de joss, o “dinheiro dos mortos”. São queimadas também réplicas de bens como carros, jóias e casas, com o objetivo de que seus antepassados tenham prosperidade no pós morte. Em contrapartida sobre a admiração pelos seus ancestrais, o povo chinês possui muitas crenças referentes a espíritos e almas. Para os chineses, o sétimo mês do calendário lunar é o mês dos ‘fantasmas’ e, por isso, é considerado perigoso viajar. Antes das viagens, em algumas regiões da China, é comum comer Gyoza antes de fazer uma viagem longa e, na volta, comer macarrão. Quer saber mais sobre a cultura da China? Leia também: PANGU: Conheça a mitologia chinesa sobre a criação do mundo