
8 de abril de 2025
Daiane Mendes
A Meituan, uma das maiores empresas de tecnologia da China , prepara sua entrada no mercado brasileiro, segundo rumores de mercado. A companhia vai disputar espaço com o iFood , atual líder do setor de entrega de refeições no país. O movimento é parte da estratégia de globalização da empresa e marca a estreia internacional da Meituan fora da Ásia. A empresa aposta na integração de múltiplos serviços em um só aplicativo e no uso de tecnologias avançadas para atrair consumidores e expandir sua operação. Fundada em 2010, por Wang Xing, a Meituan se consolidou como uma plataforma digital que oferece mais de 200 tipos de serviços, como entrega de comida, transporte, reservas em restaurantes e compras de supermercado. A empresa conecta consumidores, comerciantes e prestadores de serviço por meio de um sistema digital próprio que permite transações em tempo real. Segundo dados da Daxue Consulting, a Meituan registrou uma receita de RMB 82,25 bilhões no terceiro trimestre de 2024, o que representa um aumento de 21% em relação ao mesmo período do ano anterior. No mesmo ano, a plataforma alcançou 81 milhões de usuários ativos por mês e se posicionou entre as três maiores empresas de internet listadas na China em valor de mercado. No setor de entrega de alimentos, a Meituan lidera com 69% de participação, quase o dobro do Ele.me, seu principal concorrente no país asiatico. Para sustentar esse crescimento, a empresa investe no uso de dados, computação em nuvem e inteligência artificial para otimizar operações e melhorar a experiência dos usuários. A vinda ao Brasil faz parte da estratégia de expansão internacional. A empresa deve aplicar o mesmo modelo de operação usado na China, que combina logística eficiente, integração de serviços e uso intensivo de tecnologia. A expectativa é que a entrada da Meituan transforme o mercado de delivery no país, com impactos para concorrentes, consumidores, restaurantes e entregadores.

4 de abril de 2025
Daiane Mendes
A TCL anunciou, nesta quinta-feira (3), sua linha de produtos para 2025 voltada ao mercado da América Latina. O evento ocorreu no auditório Oscar Niemeyer, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. A empresa apresentou novidades em diversas categorias, como televisores, monitores, refrigeradores, ar-condicionado, lava e seca, celulares, tablets e soluções fotovoltaicas. A nova linha segue a estratégia global divulgada pela marca durante a CES 2025, principal feira de tecnologia de consumo do mundo. Entre os destaques está a TV TCL C6K QD-MiniLED que utiliza a tecnologia All-domain Halo Control. O modelo estará disponível nos tamanhos 55”, 65”, 75”, 85” e 98”. Segundo a empresa, essa tecnologia amplia a precisão no controle de luz, o que contribui para uma experiência visual mais definida. A marca também ampliou sua linha QD-MiniLED e incluiu o painel HVA Matte nos tamanhos de 85 e 98 polegadas, uma inovação no segmento. [caption id="attachment_23615" align="alignnone" width="2048"] Fonte da imagem: Redação China2Brazil[/caption] A tecnologia HVA da série C6K oferece até cinco vezes mais contraste em relação a modelos convencionais e um amplo ângulo de visão de 178°. Seu design minimalista, com bordas ultrafinas, amplia a área útil da tela e garante uma experiência visual moderna e imersiva. A linha de smart TVs integra o TCL Channel, plataforma gratuita com conteúdos globais, como filmes, séries e esportes. A empresa também apresentou óculos de realidade virtual com tradução simultânea e um modelo voltado para jogos, que se conecta ao celular e permite a transferência de imagens. A TV TCL C6K QD-Mini LED estará disponível no mercado brasileiro a partir de maio, com versões de 55”, 65”, 75”, 85” e 98”. Detalhes sobre os preços serão anunciados em breve. A TCL ainda confirmou a chegada ao Brasil da unidade de negócios TCL Solar, voltada a soluções em energia fotovoltaica. [caption id="attachment_23616" align="alignnone" width="2048"] Fonte da imagem: Redação China2Brazil[/caption] Na área de climatização, o destaque ficou com o TCL FreshIN 3.0. O modelo responde a três demandas centrais do setor: saúde respiratória, consumo de energia e ambientes mais saudáveis. Com lançamento previsto para o final do terceiro trimestre no Brasil, a nova geração do equipamento regula a temperatura, melhora a qualidade do ar, reduz ruídos e otimiza o uso de energia. O aparelho também incorpora comando de voz offline e é compatível com Alexa e Google Home. Investimento no Brasil A TCL atua no Brasil desde 2016 por meio da joint venture com a SEMP. Desde então, a TCL SEMP subiu do quinto para o segundo lugar no mercado nacional de televisores. A empresa mantém duas fábricas em Manaus (AM) e planeja construir uma terceira unidade nos próximos anos. Na produção de televisores, a companhia investiu mais de R$150 milhões em sua unidade brasileira, que possui capacidade para fabricar até 3,5 milhões de aparelhos por ano. Já a fábrica de ar-condicionado, com capacidade para 1 milhão de unidades anuais, recebeu aportes de R$31 milhões. [caption id="attachment_23614" align="alignnone" width="2048"] Fonte da imagem: Redação China2Brazil[/caption] Segundo Eason Cai, CEO da TCL SEMP e General Manager da TCL Latin America Business Group, o desempenho regional em 2024 foi positivo. “Investimos bilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento nos últimos seis anos, o que se reflete na evolução do nosso portfólio. Com a nova linha, esperamos um desempenho ainda melhor em 2025”, afirmou. Tecnologia e arte A TCL também participa da edição 2025 da SP-Arte, um dos principais eventos de arte da América Latina. A iniciativa faz parte da plataforma TCL Art, que busca promover o uso da tecnologia como ferramenta de expressão artística. O evento acontece entre os dias 2 e 6 de abril, em São Paulo, e reúne galerias de diversas partes do mundo. [caption id="attachment_23617" align="alignnone" width="2048"] Fonte da imagem: Redação China2Brazil[/caption] “A plataforma TCL Art foi pensada para promover a utilização da tecnologia para inspirar expressões artísticas em nossas vidas. Pensamos e vivemos inovação como os artistas e enxergamos uma grande sinergia entre nossos produtos e soluções com a criatividade que estes expressam em suas obras”, afirmou Dale Chen, diretor de marketing para a América Latina da TCL. TCL entra para grupo de patrocinadores globais dos Jogos Olímpicos até 2032 A TCL também firmou acordo com o Comitê Olímpico Internacional (COI) e passou a integrar o grupo de parceiros globais dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. O contrato é válido até 2032 e inclui as categorias de Equipamentos Audiovisuais Domésticos e Eletrodomésticos. [caption id="attachment_23618" align="alignnone" width="2048"] Fonte da imagem: Redação China2Brazil[/caption] Além do COI, a parceria também se estende à CONMEBOL, entidade responsável pelas principais competições de futebol da América do Sul. Com isso, a TCL amplia sua presença no esporte e fortalece sua estratégia de marketing global.

26 de março de 2025
Daiane Mendes
A ascensão da China como potência global desperta interesse e questionamentos sobre os fundamentos que sustentam seu modelo de governança. Em China: Tradição e Modernidade na Governança do País, Evandro Menezes de Carvalho, professor de Direito Internacional da Fundação Getulio Vargas (FGV) e da Universidade Federal Fluminense (UFF), examina as bases históricas, culturais e políticas que moldaram o desenvolvimento chinês e sua influência no cenário internacional. “A China foi forçada a se reinventar em meio às crises, combinando pragmatismo econômico e centralização política para garantir seu crescimento”, explica. O livro parte de um panorama histórico que remonta ao período em que a China era um dos principais centros econômicos do mundo, com 34,6% do PIB global até o século XIX. No entanto, as Guerras do Ópio e os tratados desiguais impostos pelas potências ocidentais comprometeram a soberania do país, enfraquecendo a sua economia e a sua estrutura política. A dinastia Qing, já fragilizada, não conseguiu acompanhar o avanço das potências industriais, e, em 1912, o império chegou ao fim. O século seguinte foi marcado por conflitos internos, invasões estrangeiras e crises políticas que retardaram o desenvolvimento do país. Em 1978, a China representava apenas 4,9% do PIB mundial. Segundo Carvalho, a ascensão chinesa nas últimas décadas foi resultado de um processo de transformação que combinou a reinterpretação do passado com uma adaptação pragmática à exigência da modernização. O conceito de "socialismo com características chinesas" é um dos eixos centrais do livro. Carvalho explica que a China passou de um sistema socialista influenciado pela União Soviética para um modelo de governança próprio, no qual o socialismo se adapta às particularidades chinesas. "O Partido busca manter a comunicação com a sociedade, pois isso é essencial a longo prazo. A cada sessão da Assembleia Popular Nacional, são definidas metas que depois são divulgadas. O sistema não é fechado, as decisões são publicadas nos jornais chineses, permitindo que a população cobre sua implementação." O Partido Comunista Chinês (PCCh) manteve o controle do Estado, mas incorporou elementos de mercado, abrindo a economia e promovendo reformas que geraram o crescimento. Como destaca o professor, essa mudança não foi abrupta, mas construída gradualmente, respeitando a realidade do país. “A China não melhorou um modelo externo, mas construiu seu próprio caminho, equilibrando tradição e inovação”, observa. Outro ponto abordado no livro é a relação entre valores históricos e desenvolvimento econômico. Carvalho analisa como princípios confucionistas, a hierarquia e a moralidade estatal, ainda influencia a governança chinesa. "A sociedade chinesa é estruturada em uma rede de relações, onde o indivíduo ocupa o centro, mas dentro de um conjunto de conexões. A família e os círculos próximos têm um papel fundamental, e compreender essa dinâmica é essencial para entender a sociedade chinesa. Esse modelo explica o conceito de guanxi, como descrito por autores como Fei Xiaotong, que já na década de 1940 analisavam essas estruturas e suas influências na modernidade", explica. A noção de “Estado-família” é um exemplo disso: o governo não é apenas uma entidade administrativa, mas também uma estrutura de proteção à sociedade, na qual a estabilidade e a unidade são prioridades. Essa visão reflete-se no próprio sistema político, onde Executivo, Legislativo e Judiciário não atuam como poderes independentes, mas como partes interligadas de um mesmo projeto de Estado. O autor também discute como a Guerra Fria e a construção de estereótipos sobre a China influenciaram a percepção do país ocidental. Durante décadas, uma narrativa dominante oscilou entre a ideia de um país exótico e a de uma ameaça ideológica. Segundo Carvalho, essa visão simplificada desconsidera as múltiplas “Chinas” que coexistem dentro do território e a complexidade de sua trajetória histórica. “O socialismo na China passou por um processo de sinicização. Uma noção de governança chinesa não é apenas institucional, mas reflete a sabedoria de um povo que historicamente se adapta a novos desafios", explica. No contexto atual, a ascensão chinesa como potência global reacende debates sobre sua trajetória e influência. Em entrevista ao China2Brazil, Carvalho ressalta que o avanço da China não foi um aspecto espontâneo, mas uma resposta estratégica aos desafios históricos e às pressões externas. Essa capacidade de adaptação permitiu ao país superar um período em que precisou importar até os mesmos pregos, em 1947, para se tornar a segunda maior economia do mundo . O livro traz reflexões que ajudam a compreender o momento atual, a relação entre tradição e inovação, a estrutura política e a forma como a China se posiciona no cenário internacional. "Muitos não querem entender a governança da China por se tratar de um país comunista, mas o sistema é mais complexo do que isso. O marxismo-leninismo é relevante para o Partido, que tem 100 milhões de membros, mas sua importância para os outros 1,3 bilhões de chineses é questionável. Para a sociedade, o que pesa mais é a cultura, a tradição e a forma chinesa de organização, que em alguns pontos se alinha ao marxismo, mas vai além dele,” explica. Ao conectar passado e presente, China: Tradição e Modernidade na Governança do País apresenta uma leitura aprofundada sobre os mecanismos que sustentam o desenvolvimento chinês e seus efeitos globais.

21 de março de 2025
Daiane Mendes
No último ano, a China deu um grande passo na indústria de games. De um mercado inicialmente focado em jogos mobile, o país agora entrou na briga com grandes mercados globais como criador de títulos AAA, desafiando as grandes potências globais com uma abordagem ousada e inovadora. Empresas como Tencent, NetEase e miHoYo lideraram esse movimento, misturando cultura local e apelo internacional. Para Lucas Peng, COO do Grupo IEST e especialista no setor de games, o investimento da China em eSports abre caminho para a liderança do país nesse segmento. “A China já é um dos maiores mercados de eSports do mundo, com uma base de fãs apaixonada e infraestrutura de ponta. O sucesso de jogos como Honor of Kings e League of Legends em competições internacionais fortalece a imagem da China como líder no setor”, diz o especialista no mercado de eSports. Confira a entrevista completa: 1 - Como a China evoluiu de um mercado focado em jogos mobile para um produtor de títulos AAA com apelo global? R: A China começou sua trajetória no mundo dos games com um forte foco em mobile, impulsionada pela rápida adoção de smartphones e pela expansão da internet móvel. Jogos como Honor of Kings e PUBG Mobile dominaram o mercado local e, posteriormente, conquistaram o mundo. No entanto, com o amadurecimento do mercado e o aumento da competição interna, os estúdios chineses começaram a investir pesado em títulos AAA. Grandes empresas como Tencent, NetEase e miHoYo passaram a alocar grandes recursos em tecnologia de ponta, talentos internacionais e narrativas universais. Hoje, vemos jogos como Genshin Impact e Black Myth: Wukong competindo em gráficos, inovação e apelo global, colocando a China no mapa dos grandes produtores de games. 2 - O que diferencia os estúdios chineses dos concorrentes ocidentais e japoneses em termos de desenvolvimento e estratégia? R: Os estúdios chineses têm algumas características únicas que os diferenciam. Primeiro, eles são extremamente ágeis e escaláveis, capazes de lançar e iterar jogos rapidamente. Segundo, dominam modelos de negócios como free-to-play e microtransações, que são altamente lucrativos e bem aceitos no mercado global. Além disso, investem muito em tecnologia, desenvolvendo motores gráficos próprios e adotando inovações como IA e cloud gaming . Por fim, têm uma habilidade impressionante de criar jogos que funcionam tanto no mercado local quanto global, como Genshin Impact, que mistura elementos orientais e ocidentais de forma harmoniosa. 3 - Qual o impacto da entrada de títulos como Honor of Kings, Black Myth: Wukong e Infinity Nikki no posicionamento da China no mercado global de games? R: Esses títulos estão redefinindo a percepção global sobre os jogos chineses. Honor of Kings consolidou a China como líder no mercado mobile, enquanto Black Myth: Wukong e Infinity Nikki mostram que o país pode competir em gráficos de última geração e narrativas profundas. Esses jogos não apenas atraem jogadores, mas também chamam a atenção da mídia e da indústria, elevando a China ao status de produtora de jogos AAA. Eles são a prova de que a China não é apenas um mercado consumidor, mas também um criador de conteúdo de classe mundial. 4 - As aquisições de estúdios ocidentais por empresas como Tencent e NetEase indicam uma mudança na estratégia do mercado chinês? R: Sem dúvida. Essas aquisições refletem uma estratégia de expansão global. Empresas como Tencent e NetEase estão adquirindo estúdios ocidentais para acessar talentos e tecnologias avançadas, além de ganhar conhecimento sobre as preferências culturais do público ocidental. Isso permite que a China não apenas exporte seus jogos, mas também influencie diretamente o mercado global. É uma mudança de mentalidade: de ser um player local para se tornar um líder global. Mas um ponto interessante aqui, isso não é recente. Em 2008-2009, quando a Riot Games anunciou o League of Legends, a Tencent já tinha 23% da Riot Games. Após 2011, eles tinham 93%. E eles compraram totalmente a Riot Games em dezembro de 2015. 5 - Como os estúdios chineses equilibram a criação de jogos com identidade cultural local e a necessidade de apelo internacional? R: Eles usam uma abordagem híbrida, que é fascinante. Por exemplo, Genshin Impact incorpora elementos da cultura chinesa, como arquitetura e mitologia, mas os apresenta de forma universal, com uma estética que agrada tanto ao público oriental quanto ao ocidental. Já Black Myth: Wukong se baseia em uma lenda chinesa clássica, mas utiliza gráficos e mecânicas que atraem jogadores de todo o mundo. A chave está em criar narrativas e visuais que sejam culturalmente ricos, mas acessíveis a um público global. 6 - Quais os principais desafios que os desenvolvedores chineses enfrentam para conquistar o público ocidental? R: Um dos maiores desafios é lidar com as diferenças culturais. Temas e estéticas que funcionam na China podem não ressoar no Ocidente. Além disso, há as restrições governamentais na China, que podem limitar a criatividade ou atrasar lançamentos. Outro ponto é a percepção de qualidade: apesar dos avanços, alguns jogadores ocidentais ainda veem os jogos chineses como inferiores. Por fim, a concorrência com estúdios consolidados como EA, Ubisoft e Sony é intensa. Mas, como vemos com Genshin Impact e Black Myth: Wukong, esses desafios estão sendo superados. 7 - Quais tecnologias os estúdios chineses estão priorizando para se destacar no mercado global? R: Os estúdios chineses estão investindo pesadamente em tecnologias como cloud gaming, IA e motores gráficos próprios. O cloud gaming, por exemplo, permite que jogos de alta qualidade sejam acessíveis em dispositivos móveis, enquanto a IA é usada para personalizar experiências e melhorar a inteligência de NPCs. Além disso, estão explorando realidade virtual (VR) e aumentada (AR) para criar experiências mais imersivas e como a realidade estendida (XR) e a mista (MR). 8 - Como o uso de motores gráficos próprios influencia a competitividade dos jogos chineses? R: O uso de motores gráficos próprios, como o da miHoYo em Genshin Impact, permite maior controle sobre a otimização e a qualidade visual dos jogos. Isso reduz a dependência de tecnologias ocidentais, como Unreal Engine e Unity, e dá aos estúdios chineses uma vantagem competitiva. Além disso, motores próprios são adaptados às necessidades específicas dos desenvolvedores, o que acelera o processo de criação e inovação. 9 - Existe a possibilidade de os estúdios chineses influenciarem o design e a narrativa dos jogos ocidentais, assim como o Japão fez no passado? R: Com certeza. Já estamos vendo isso acontecer. Jogos como Genshin Impact influenciaram o design de mundos abertos e sistemas de gacha no Ocidente. Além disso, a narrativa rica em mitologia e cultura chinesa está inspirando estúdios ocidentais a explorar temas semelhantes. A China tem o potencial de se tornar uma referência, assim como o Japão foi nos anos 90 e 2000. É uma questão de tempo até que vejamos mais influências chinesas no design e na narrativa dos jogos ocidentais. 10 - O investimento crescente em eSports na China pode fortalecer ainda mais a posição do país no mercado global? R: Sem dúvida. A China já é um dos maiores mercados de eSports do mundo, com uma base de fãs apaixonada e infraestrutura de ponta. O sucesso de jogos como Honor of Kings e League of Legends em competições internacionais fortalece a imagem da China como líder no setor. Além disso, o investimento em eventos, transmissões e influenciadores ajuda a consolidar a cultura gamer chinesa globalmente. O eSports é uma peça-chave para o futuro do cenário competitivo na China e no Mundo. Um bom exemplo para ilustrar isso é que a empresa Hero Esports (antiga VSPO), a maior empresa de e-sports da China e Ásia, foi escolhida a dedo globalmente, para fazer eventos Globais como Esports World Cup e Asian Games.

19 de março de 2025
Daiane Mendes
Março é tradicionalmente o mês em que o governo chinês discute os principais assuntos da governança do país. As reuniões, conhecidas como “Duas Sessões”, tiveram como pauta principal o crescimento econômico da China. O governo projetou um aumento de 5% no PIB, uma meta mais cautelosa diante da desaceleração econômica global. “Essa previsão de crescimento mostra como a China está ajustando suas expectativas ao cenário atual”, comenta Evandro Menezes de Carvalho, professor de Direito Internacional da FGV e da Universidade Federal Fluminense. As Duas Sessões são eventos anuais que reúnem a Assembleia Popular Nacional (APN) e a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC). Esses encontros têm grande influência nas decisões políticas e econômicas do país, refletindo diretamente nas estratégias tomadas pela China. Impacto global das Duas Sessões O professor, que é também autor do livro China: Tradição e Modernidade na Governança do País, analisa que as decisões tomadas durante as Duas Sessões não se restringem à mudanças apenas na China. Elas moldam as relações econômicas e comerciais do país com o resto do mundo. “O que ocorre nas Duas Sessões afeta diretamente o comércio internacional, as finanças globais e o setor de tecnologia, já que a China é um dos principais atores nesses campos.” Essas decisões políticas moldam, portanto, os rumos da economia global e das relações internacionais. Empresas e governos de todo o mundo acompanham de perto as Duas Sessões, pois as mudanças na China têm repercussões diretas em mercados globais e políticas comerciais. Outros temas discutidos Além da meta de PIB para o ano, as autoridades chinesas determinaram atenção ao consumo interno. O país pretende estimular o fortalecimento do consumo doméstico para reduzir a dependência da China de outros países. O foco será o investimento em inovação para internalizar cadeias de suprimentos de alta tecnologia. Outro tema planejado foi a transição para uma economia mais sustentável e o uso de novas tecnologias. O governo destacou o uso de big data e inteligência artificial para melhorar a governança pública. “A China tem investido em tecnologias para aprimorar a coleta de dados e tornar a governança mais eficiente”, explica Carvalho. Além disso, o governo chinês dedicou atenção à questão do envelhecimento da população, propondo medidas como subsídios e incentivos para estimular o aumento da natalidade. Como funcionam as Duas Sessões Durante as Duas Sessões, são debatidos temas como o orçamento do governo, o planejamento de longo prazo e novas políticas públicas. Carvalho esclarece: “Enquanto a APN toma as decisões formais, a CCPPC auxilia na discussão e formulação dessas políticas.” Ele também destacou uma diferença importante entre a China e o Ocidente: "No modelo chinês, o processo de decisão é contínuo. A população participa ao longo do ano, enquanto no Ocidente, o envolvimento é limitado a votações periódicas." O professor aponta que a China, por meio dessas sessões, consegue alinhar suas necessidades de governança de um país de grande escala e complexidade. "Essas sessões não são apenas reuniões internacionais. Elas são o reflexo de um sistema de governança que busca equilíbrio entre a autoridade central e a participação popular. Mesmo sem o voto direto como no Ocidente, a China tem mecanismos próprios para ouvir e envolver a população nas políticas públicas", afirma Evandro. Segundo ele, a participação popular é uma das características centrais desse sistema, e a tecnologia tem sido uma aliada importante nesse processo. Durante esses encontros, o governo chinês define suas metas e políticas para o ano seguinte. As questões abordadas variam conforme o contexto econômico e político do país. “Este ano, a China focou em um crescimento econômico moderado, refletindo desafios internos e externos”, observa.

11 de março de 2025
Daiane Mendes
Cinco das dez maiores plataformas de comércio eletrônico no Brasil são asiáticas, e quatro delas são chinesas. Shopee, Temu, Shein e AliExpress, ao lado da sul-coreana Samsung, registraram juntas 639 milhões de acessos em janeiro de 2025, segundo o relatório "Setores do E-commerce no Brasil" da Conversion. O mercado de importados cresceu 68% em relação ao mesmo mês de 2024. Apesar do avanço das plataformas asiáticas, o Mercado Livre segue na liderança, com 12,4% dos acessos, à frente da Shopee (8,6%) e da Amazon Brasil (7%). Varejistas nacionais como Americanas, Magazine Luiza e Via (dona das Casas Bahia, Extra e Ponto Frio) também ampliam investimentos para fortalecer sua presença digital, apostando em estoques locais, logística integrada e programas de fidelização para competir com marketplaces estrangeiros. O domínio das gigantes chinesas A Temu, pertencente à PDD Holdings, é a plataforma asiática que mais cresce. Em janeiro, a plataforma registrou um aumento de 38,5% nos acessos, adicionando 39,7 milhões de visitas a mais que no mês anterior. Seu modelo prioriza a conversão rápida, oferecendo preços baixos e um sistema de recompensas que mantém os consumidores engajados. A Shopee continua consolidando sua presença no Brasil, investindo em logística e ampliando seu marketplace. Shein e AliExpress seguem estratégias similares, apostando em preços agressivos e experiência digital para aumentar sua base de clientes. Mudança na dinâmica do varejo brasileiro As redes nacionais, que antes competiam entre si, agora enfrentam plataformas que operam sem lojas físicas, sem estoques locais e com menores custos tributários. Enquanto os varejistas brasileiros lidam com desafios logísticos e altos impostos, as plataformas chinesas adotam o modelo factory-to-consumer (F2C), vendendo diretamente das fábricas para o consumidor. Essa abordagem elimina intermediários e permite margens menores, tornando a competição difícil para empresas locais. Outro diferencial é o controle da experiência de compra. Enquanto marketplaces brasileiros dependem de lojistas independentes, as plataformas chinesas gerenciam toda a jornada do cliente, utilizando algoritmos para incentivar compras recorrentes e oferecer descontos personalizados. O AliExpress, por exemplo, tem investido em inteligência artificial para otimizar recomendações e impulsionar vendas. Impactos e possíveis mudanças As mudanças na política aduaneira e a tributação sobre importações podem influenciar parte desse crescimento, mas não alteram a tendência principal. As plataformas chinesas seguem expandindo suas operações, explorando categorias como eletrônicos, vestuário e produtos para casa. O investimento contínuo em logística global, hubs de distribuição e experiência do usuário mantém essas empresas à frente da concorrência. Enquanto isso, varejistas nacionais tentam se adaptar. Empresas nacionais investem em marketplaces próprios e testam novas estratégias, mas ainda enfrentam desafios na precificação e na logística. A ascensão do e-commerce chinês no Brasil demonstra a necessidade de inovação no setor. Modelos de assinatura, personalização e maior integração digital devem ganhar força nos próximos anos, redefinindo o comportamento de consumo no país.

18 de fevereiro de 2025
Daiane Mendes
Nos grandes centros urbanos da China, o uso do dinheiro está cada vez mais sendo substituído por pagamentos feitos com um simples escaneamento de QR Code. Em 2024, 73,20% das transações no país ocorreram por meio de plataformas digitais, de acordo com a iiMedia Research. Esse número indica uma transformação profunda no comportamento dos consumidores chineses, que aderiram massivamente às tecnologias de pagamento móvel. O crescimento das transações digitais na China não aconteceu por acaso. A popularização dos smartphones e a expansão das redes de internet criaram um ambiente propício para a adoção dessas tecnologias. Com mais de 1 bilhão de usuários de internet e uma taxa de penetração de smartphones que ultrapassa 70%, a China se tornou um terreno fértil para inovações financeiras. Além disso, gigantes do setor, como Alipay e WeChat Pay, ofereceram soluções práticas e acessíveis para consumidores e empresas, eliminando a necessidade de dinheiro físico ou cartões bancários. Essas plataformas simplificaram os pagamentos ao integrarem serviços adicionais, como empréstimos, investimentos e até mesmo agendamento de consultas médicas, criando ecossistemas digitais completos. A pandemia de COVID-19 acelerou ainda mais essa tendência. Restaurantes, lojas e até vendedores ambulantes passaram a aceitar pagamentos por QR Code como padrão. Em 2024, cerca de 953,86 milhões de chineses utilizavam esses serviços regularmente, tornando os pagamentos móveis parte da rotina no país. A conveniência e a segurança oferecidas por essas plataformas foram determinantes para sua adoção em massa. Alipay e WeChat Pay dominam o mercado Segundo a Daxue Consulting, a adoção dos pagamentos móveis na China é fortalecida por duas plataformas principais: Alipay, do grupo Alibaba, e WeChat Pay, da Tencent. No terceiro trimestre de 2023, a Alipay registrou um volume de transações de RMB 118,19 trilhões, enquanto o WeChat Pay movimentou RMB 67,81 trilhões. Juntas, essas plataformas responderam por mais de 94% do mercado de pagamentos móveis no país. O Alipay, lançado em 2004, foi pioneiro no setor e inicialmente criado para facilitar transações na plataforma de e-commerce da Alibaba. Já o WeChat Pay, lançado em 2013, se beneficiou da enorme base de usuários do WeChat, o aplicativo de mensagens mais popular da China, que também oferece redes sociais, jogos e outros serviços. A UnionPay, tradicionalmente associada a pagamentos com cartões bancários, mantém relevância no setor. Em uma pesquisa realizada pelo Statista, 45% dos entrevistados indicaram que utilizam seus serviços, consolidando sua posição como a terceira força no mercado. A UnionPay também tem investido em soluções digitais para competir com as gigantes do setor. O avanço do yuan digital (e-CNY) Embora os pagamentos móveis já dominem o mercado chinês, o governo avança para uma nova fase de digitalização financeira com o yuan digital (e-CNY). Diferentemente das carteiras digitais privadas, como Alipay e WeChat Pay, essa moeda é emitida diretamente pelo Banco Popular da China e tem o objetivo de oferecer uma alternativa oficial ao dinheiro físico e às plataformas privadas de pagamento. O e-CNY já está sendo usado para pagamentos em transportes públicos, compras no varejo e até operações de servidores públicos. Em cidades como Xangai, Shenzhen e Pequim, projetos-piloto têm testado o uso da moeda digital em diversos cenários, desde pagamentos de contas de luz até salários de funcionários públicos. Ao contrário das criptomoedas descentralizadas, como o Bitcoin, o yuan digital é controlado pelo governo e integrado ao sistema bancário do país. Uma das principais vantagens do e-CNY é a maior segurança e estabilidade, pois é garantido pelas reservas do banco central, garantindo que cada unidade de e-CNY tenha um valor equivalente em reservas. Além disso, o e-CNY permite ao governo chinês maior controle e monitoramento sobre as transações financeiras, o que pode ajudar a combater lavagem de dinheiro, evasão fiscal e outras atividades ilegais. Outro objetivo importante do e-CNY é promover a inclusão financeira, especialmente em áreas rurais onde o acesso a serviços bancários tradicionais é limitado. Com o e-CNY, mesmo pessoas sem contas bancárias podem realizar transações digitais, desde que tenham acesso a um smartphone ou outro dispositivo compatível.

10 de fevereiro de 2025
Daiane Mendes
O Teatro Gazeta, em São Paulo, recebeu neste sábado (8) o grupo de dança da Universidade Minzu do Centro-Sul da China. O espetáculo Cores da China, realizado em duas sessões, foi parte das comemorações do Ano Novo Chinês . O evento gratuito lotou os 700 assentos do teatro. Dança, música e tradição no palco O espetáculo, que mesclou tradição e modernidade, reuniu 20 dançarinos que se revezaram em uma sequência de performances inspiradas nas tradições de diferentes grupos étnicos da China, como mongóis e tibetanos. Cada número trouxe elementos característicos de suas respectivas culturas, desde as vestimentas até os movimentos coreografados. A dança clássica chinesa serviu de base para muitas apresentações, mas com fusões contemporâneas que incorporaram técnicas das artes marciais e coreografias mais modernas. Um dos momentos mais marcantes foi a tradicional dança de equilíbrio de tigelas, onde a dançarina Shi Yujie, demonstrou precisão e leveza ao equilibrar recipientes sobre a cabeça enquanto realizavam movimentos complexos. [caption id="attachment_23057" align="alignnone" width="1440"] Imagem: China2Brazil[/caption] [caption id="attachment_23054" align="alignnone" width="1440"] Imagem: China2Brazil[/caption] [caption id="attachment_23056" align="alignnone" width="1364"] Imagem: China2Brazil[/caption] Além das coreografias, a música teve um papel central na experiência. Músicos executaram melodias ao vivo utilizando instrumentos tradicionais chineses, criando uma atmosfera que transportou o público para diferentes épocas e regiões da China. No encerramento, um desfile de trajes típicos apresentou ao público a riqueza das vestimentas de diversas regiões do país, acompanhado por uma peça da Ópera de Pequim . Autoridades destacam a importância do intercâmbio cultural O evento contou com a presença de autoridades como Yu Peng, cônsul-geral da China, destacou a importância de São Paulo como um centro de intercâmbio cultural entre Brasil e China. “Temos muita honra de convidar os artistas da Universidade Minzu do Centro-Sul da China para mostrar ao povo brasileiro a esplêndida civilização chinesa de 5 mil anos e construir uma ponte entre os nossos povos”, afirmou. Outras autoridades incluem San Lang Zaxi, vice-presidente da Universidade Minzu do Centro-Sul; Thomas Law, presidente do Instituto Sociocultural Brasil-China (Ibrachina); José Renato Naini, secretário municipal de Mudanças Climáticas de São Paulo; e Angela Gandra, secretária municipal de Relações Internacionais. [caption id="attachment_23055" align="alignnone" width="1440"] Imagem: China2Brazil[/caption] San Lang Zaxi ressaltou que eventos como esse ajudam a aproximar as culturas. “Esperamos que, por meio da dança e da música, os amigos brasileiros possam sentir de perto o charme único da cultura chinesa e aumentar o entendimento e a amizade entre os povos”, disse. Cesar Martins, vice-reitor da UNESP, enfatizou o papel do Instituto Confúcio na conexão entre Brasil e China. “Um grande projeto entre os nossos dois países tem trazido grandes frutos de aproximação da arte, da cultura, da ciência e do conhecimento entre os nossos povos”, afirmou. Turnê leva a cultura chinesa a outras cidades brasileiras O espetáculo Cores da China é uma realização do Ibrachina, da Universidade Minzu do Centro-Sul da China e do Ministério da Cultura, com apoio da Embaixada da China no Brasil, do Consulado da China em São Paulo e do Instituto Confúcio na Unesp. O evento conta com patrocínio da BYD e da CPFL Energia. Após a passagem por São Paulo, a turnê segue para Brasília, Campinas e Salvador, levando a tradição e a expressividade da cultura chinesa a diferentes partes do Brasil.

4 de fevereiro de 2025
Daiane Mendes
O maior estúdio cinematográfico do mundo não fica em Hollywood. Localizado na China, na província de Zhejiang, o Hengdian World Studios ocupa uma área total de 330 hectares e tem 495.995 metros quadrados de área construída, representando a maior cidade cinematográfica do mundo. Desde a sua fundação, em 1996, já recebeu mais de 300 cineastas e forneceu os sets para mais de 5 mil produções de cinema e TV. O complexo recria construções históricas em tamanho real, incluindo palácios imperiais e templos, tornando-se uma referência na indústria audiovisual. Diferente dos grandes estúdios de Hollywood, que operam em espaços fechados e sets temporários, Hengdian abriga mais de 30 bases de filmagem permanentes, cobrindo períodos que vão desde a China Antiga até cenários modernos. Entre as réplicas mais impressionantes estão o Palácio do Imperador Qin, o Templo Budista Dazhi e a Cidade Proibida, construída em escala original. Para garantir a precisão histórica, pesquisadores analisaram documentos, livros e registros de museus antes de recriar cada detalhe das construções. A estrutura do estúdio também permite produções em grande escala. Com espaços abertos para cenas de batalhas épicas e um setor dedicado a efeitos especiais naturais, o Fantasy Valley, que oferece locações para gravações de tempestades, erupções vulcânicas e desastres naturais. Hengdian como destino turístico Além de funcionar como centro de produção audiovisual, o complexo se tornou um destino turístico. Já recebeu mais de 20 milhões de visitantes em um único ano e, para conhecer todas as atrações, são necessários pelo menos três dias. A estrutura inclui mais de 40 hotéis temáticos e 10 mil quartos de alto padrão. A Hengdian Group, empresa responsável pelo estúdio, opera um ecossistema que vai além do cinema. Com mais de 5 mil funcionários e 10 subsidiárias, a companhia atua em setores como esportes, cultura, pesquisa, conferências e até serviços de saúde. A empresa estruturou uma cadeia completa que envolve alimentação, moradia, turismo, compras e educação, tornando-se um dos principais players da indústria cinematográfica e turística da China. Comparado a Hollywood, Hengdian se sobressai pela escala e fidelidade dos cenários históricos. Enquanto os estúdios norte-americanos dependem de tecnologia digital para criar locações, a China aposta na construção física dos espaços, proporcionando maior imersão tanto para produções quanto para visitantes. Com mais de 100 estúdios internos e uma infraestrutura que atende a diferentes níveis de produção, o complexo se tornou o principal polo de gravações do país. Séries históricas, dramas épicos e filmes de grande orçamento utilizam suas locações, reduzindo a necessidade de gravações internacionais ou o uso excessivo de computação gráfica para reconstruir cenários históricos. O edifício do Palácio Imperial, por exemplo, reproduz o estilo arquitetônico das dinastias Qin e Han e já foi utilizado em diversas superproduções, incluindo Herói (2002), de Zhang Yimou. Esse modelo de cenários fixos permite que diretores e equipes tenham maior controle visual e narrativo sobre suas produções.

31 de janeiro de 2025
Daiane Mendes
No dia 20 de janeiro de 2025, a China deu mais um passo em direção à liderança da inteligência artificial (IA) com o lançamento do DeepSeek-R1 , um chatbot de IA generativa. O anúncio discreto contrasta com a turbulência vivida pelas sete maiores empresas de tecnologia dos EUA, conhecidas como Magnificent 7 (Apple, Microsoft, Alphabet/Google, Amazon, Nvidia, Tesla e Meta), que perderam juntas mais de US$ 600 bilhões em valor de mercado em 27 de janeiro. A movimentação levantou questionamentos sobre o avanço tecnológico do país e seu impacto no mercado global. Embora o Vale do Silício tenha colocado os Estados Unidos no topo do mercado global de IA, a China tem avançado rapidamente, impulsionada por investimentos bilionários e uma política governamental que prioriza a inovação. O país já abriga algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo e tem se consolidado como um dos principais pólos de pesquisa e desenvolvimento em IA . Mas até que ponto iniciativas como o DeepSeek podem mudar esse cenário? Segundo Fabro Steibel, PhD e diretor executivo do ITS Rio, a China já está no segundo plano plurianual que coloca a inteligência artificial como prioridade. Embora nem sempre receba esse reconhecimento nos debates ocidentais, ainda assim, a potência asiática já consolidou sua posição no setor. “Com o DeepSeek é a primeira vez que uma aplicação de IA generativa chinesa ganha bastante destaque lá fora”, diz. No entanto, ele pondera que a ferramenta, sozinha, não é suficiente para desafiar a liderança global. “É mais complexo do que isso.” Uma das principais diferenças entre a China e o Ocidente no desenvolvimento de IA está na relação entre empresas e governo. “Há uma relação de simbiose”, explica Steibel. Ele cita o caso da BYD, que teve seu crescimento impulsionado por contratos com o setor público. “Os primeiros clientes da BYD foram a prefeitura de Shenzhen. Primeiro se trocou a frota de caminhões, depois a de táxis e outras”, exemplifica. Esse modelo se repete na IA. “Existe um ecossistema muito ativo de desenvolver soluções no setor privado para o setor público. Isso cria demanda.” Outro fator relevante é o ambiente regulatório de privacidade na China, que difere consideravelmente das normas ocidentais. “É diferente do que é nos Estados Unidos ou na Europa, principalmente na comparação com o GDPR”, ressalta Steibel. A nova lei europeia de proteção de dados, que entrou em vigor em maio de 2018, é uma regulação da União Europeia, mas muitas entidades fora da Europa que utilizam serviços online também são impactadas. “Isso faz com que não haja comparabilidade de privacidade por padrão. Ela pode existir, mas não é presumida.” Além disso, regulamentações locais podem obrigar empresas a compartilharem dados com o governo. “As diferenças regulatórias criam uma potencial incompatibilidade. Quando a gente fala de aplicativos de internet que vão no celular ou que você acessa pelo computador nesse mundo digital, essa questão de privacidade é uma tensão constante.” Aposta no modelo aberto Diferente de algumas iniciativas ocidentais, a China tem apostado na abertura como diferencial competitivo no desenvolvimento da IA. “A grande diferença do DeepSeek é a aposta no modelo aberto”, diz Steibel, embora não seja totalmente aberto, mas parcialmente. Ele menciona Shenzhen como um exemplo de ecossistema em que o compartilhamento de código impulsiona carreiras. “Quando você tem essa lógica de que uma IA aberta pode ser mais acessível, barata e customizável do que outras fechadas, isso influencia o mercado.” Além disso, a inteligência artificial pode transformar setores produtivos, o que pode fortalecer ainda mais a competitividade chinesa. “O uso de IA pela China deve refletir na diminuição de custo de produção”, observa Steibel. “Talvez a grande vantagem não esteja na IA em si, mas nos resultados que ela gera.” O futuro da IA chinesa Entre os avanços mais promissores, Steibel destaca o desenvolvimento de modelos menores e mais eficientes. “O que parece estar acontecendo com o DeepSeek é o uso de técnicas de Knowledge Distiller, que reduzem o tamanho de um modelo grande”, explica. “Isso o torna mais versátil, ainda que com menos detalhes.” Ele compara essa tecnologia à compactação de imagens, que facilitou a difusão de fotos na internet. “É como se o DeepSeek fosse uma versão compactada de modelos maiores, mas há muito a se descobrir sobre isso.” O crescimento da IA chinesa pode transformar dinâmicas econômicas globais. “Ainda não é a grande economia em termos de produção, mas é para lá que estamos indo”, conclui Steibel. “A tendência é que novos modelos como o DeepSeek surjam, e isso pode ser uma transformação tão grande quanto foi a introdução dos Transformers.” Os Transformers são um modelo de rede neural que utiliza o mecanismo de atenção para processar dados de forma mais eficiente, permitindo treinamento mais rápido e escalável. Introduzido em 2017, esse modelo é uma base para avanços em IA, como os modelos GPT e BERT, especialmente em tarefas de processamento de linguagem natural. A inovação dos Transformers permitiu que redes neurais se tornassem muito mais eficientes, sendo fundamentais para o desenvolvimento de tecnologias atuais, incluindo os chatbots e tradutores automáticos.