
11 de fevereiro de 2026
China2Brazil
Desde o início de 2026, líderes da Ásia, das Américas e da Europa intensificaram visitas oficiais à China para discutir cooperação política e econômica, em meio à instabilidade do cenário internacional. A sequência de encontros em Pequim ocorre em um contexto de tensões geopolíticas e incertezas na economia global, o que leva governos a buscar previsibilidade, acordos comerciais e canais de diálogo com o país. A revista americana Forbes observou que a capital chinesa tem recebido delegações estrangeiras quase diariamente, em busca de um ambiente econômico menos volátil. O movimento reforça a percepção de que a China ocupa um espaço central nas articulações diplomáticas e comerciais em 2026. No início de fevereiro, o presidente Xi Jinping conversou por videoconferência com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e, em seguida, falou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo o South China Morning Post, a sequência de contatos com líderes de duas potências globais ilustra a atuação diplomática da China no início do ano. Xi afirmou a Putin que pretende trabalhar em um novo plano para as relações bilaterais e defendeu a atuação conjunta dos dois países para manter a estabilidade estratégica internacional. O presidente chinês declarou que China e Rússia, como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, devem incentivar a defesa do multilateralismo, da equidade entre os países e das normas básicas do direito internacional. Na conversa com Trump, Xi disse que pretende manter o diálogo para dar previsibilidade às relações entre China e Estados Unidos. O presidente chinês também afirmou que a China não abrirá mão de sua soberania e integridade territorial, incluindo a posição sobre Taiwan. Trump descreveu a ligação como “longa e completa” e afirmou que o diálogo foi “muito positivo”, em publicação nas redes sociais. Além dos contatos entre chefes de Estado, a China recebeu, em janeiro, 18 novos embaixadores em Pequim. Ao encontrá-los, Xi incentivou os diplomatas a conhecer diferentes regiões do país para formar uma visão mais ampla sobre a sociedade chinesa. A mesma referência foi retomada pelo primeiro-ministro britânico Keir Starmer durante sua visita à China, a primeira de um premiê do Reino Unido em oito anos. O encontro marcou a retomada de contatos de alto nível após um período de redução no diálogo bilateral. Durante a reunião no Grande Salão do Povo, Xi afirmou que China e Reino Unido devem ampliar a cooperação e adotar uma visão de longo prazo para a relação entre os dois países. Após o encontro, Starmer declarou que o fortalecimento dos laços com a China atende ao interesse nacional britânico e destacou a presença de uma delegação empresarial na viagem. Desde dezembro de 2025, a China recebeu líderes como o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, o presidente da França, Emmanuel Macron, e o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, além dos primeiros-ministros do Reino Unido, Canadá, Finlândia e Irlanda. As agendas incluíram reuniões políticas em Pequim e visitas a centros econômicos, como Xangai, para encontros com empresários e investidores. Em 2026, a China iniciou a execução do 15º Plano Quinquenal (2026–2030). Durante as reuniões com líderes estrangeiros, Xi tem apresentado as diretrizes do plano, que prioriza desenvolvimento econômico, inovação tecnológica e ampliação da abertura comercial. O governo chinês afirma que essas diretrizes criam oportunidades para empresas e governos parceiros. As visitas já resultaram em acordos. Durante a passagem do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, os dois países assinaram um roteiro de cooperação econômica e comercial. O Canadá também autorizou a importação anual de até 49 mil veículos elétricos chineses com tarifa de 6,1%, mantendo a sobretaxa de 100% para volumes acima desse limite. Os dois governos ainda anunciaram a ampliação de voos diretos e medidas para facilitar negócios bilaterais. A visita de Keir Starmer resultou na assinatura de quatro acordos de cooperação econômica e comercial e na redução da tarifa sobre o uísque britânico, de 10% para 5%. Já o presidente sul-coreano Lee Jae-myung afirmou, em fórum empresarial em Pequim, que a cooperação em áreas como inteligência artificial pode ampliar a parceria entre China e Coreia do Sul. Em Xangai, Lee participou de uma cúpula de startups e defendeu maior integração entre os ecossistemas de inovação dos dois países. O primeiro-ministro da Finlândia, Petteri Orpo, apontou oportunidades de cooperação em energia limpa e transição energética. Segundo ele, projetos conjuntos nessas áreas podem contribuir para metas climáticas e para a expansão de investimentos bilaterais. Fonte: news.cn

11 de fevereiro de 2026
China2Brazil
O Seedance 2.0, novo modelo de geração de vídeo por inteligência artificial da ByteDance , entrou em testes limitados no início de 2026 e passou a atrair atenção global pelo nível de controle sobre cenas, personagens e movimentos de câmera. O lançamento em fase de testes ocorreu em 7 de fevereiro. A repercussão entre criadores e investidores se refletiu no mercado financeiro chinês nos dias 9 e 10 de fevereiro. O sistema gera vídeos com múltiplos planos a partir de texto e referências visuais e sonoras. O modelo aceita quadros iniciais e finais, clipes de vídeo e áudio como referência e permite editar partes específicas do material após a geração. Segundo relatórios da Open Source Securities, a ferramenta automatiza movimentos de câmera e divisão de cenas. Além disso, o sistema gera vídeos a partir de storyboards e mantém consistência de personagens, iluminação e estilo entre diferentes planos. O modelo aceita até 12 arquivos de referência, como imagens, vídeos e áudios. Com isso, a IA aprende composição visual, características de personagens e linguagem cinematográfica sem exigir comandos extensos. Criadores relatam melhora na transição entre cenas e na coerência dos personagens. Um produtor afirmou que os modelos passaram a lidar com consistência visual e regras físicas básicas, o que alterou o resultado final dos vídeos. Após testar o Seedance 2.0, Feng Ji, CEO da Game Science e produtor de Black Myth: Wukong, afirmou que o modelo marca uma nova etapa do conteúdo gerado por IA. Nas redes sociais, o criador de conteúdo “el.cine” disse que o sistema elevou o nível de exigência para profissionais do audiovisual e passou a ser usado por cineastas independentes na China em projetos experimentais. Como o Seedance 2.0 segue em testes, a ByteDance não divulgou preços. Em junho de 2025, o Seedance 1.0 Pro custava RMB 0,01 por mil tokens, e um vídeo de 5 segundos em 1080p saía por RMB 3,67. Criadores informam que, em modelos disponíveis no mercado, um vídeo de 3 segundos em 480p custa cerca de RMB 0,30 e, em 720p, quase RMB 1. O uso de modelos de vídeo por IA cresce e já aparece entre os mais adotados após os modelos de linguagem. O avanço do Seedance 2.0 ocorre em um ambiente de disputa global. No exterior, Sora, da OpenAI, e os modelos da Runway avançam na geração de vídeo. Na China, Kling, da Kuaishou, Vidu, da Shengshu Technology, e Hailuo, da MiniMax, disputam aplicações como vídeos longos e consistência de personagens. Em 2026, a xAI lançou o Grok Imagin 1.0, com geração de vídeos de até 10 segundos em 720p. A Shengshu lançou o Vidu Q3, voltado a séries curtas, e alcançou o segundo lugar em rankings da Artificial Analysis. A Kuaishou apresentou o Kling 3.0, que cobre etapas da produção audiovisual. Até dezembro de 2025, o Kling reunia mais de 60 milhões de criadores, com 600 milhões de vídeos gerados e receita anualizada de US$ 240 milhões. A Runway lançou o Gen-4.5, com foco em narrativa imagem-vídeo, e testes indicaram dificuldade de distinção entre vídeos gerados e reais. Apesar do avanço técnico, surgiram alertas sobre uso de dados. Usuários relataram que o modelo gera vozes semelhantes a partir de uma única imagem e cria ângulos não presentes no material original. Em 9 de fevereiro, a ByteDance anunciou que o Seedance 2.0 suspenderia temporariamente o uso de imagens e vídeos de pessoas reais como referência principal. Para o professor Sha Lei, da Universidade Beihang, o avanço da IA exige equilíbrio entre inovação, conformidade de dados e proteção de direitos autorais. Zhang Libo, do Instituto de Software da Academia Chinesa de Ciências, afirmou que o uso de dados públicos é comum no setor, mas áudio e vídeo ampliam riscos por envolverem identificação pessoal. Especialistas avaliam que não existe um único modelo dominante. Segundo Wang Chao, fundador do Wenyuan Think Tank, o desempenho varia conforme o cenário de uso. Para Kang Zhuoliang, pesquisador do LongCat-Video, da Meituan, a evolução dos modelos aponta para aplicações além da criação de conteúdo, com uso em simulação de ambientes físicos, robótica e sistemas de direção autônoma. Fonte: sina.com.cn

11 de fevereiro de 2026
China2Brazil
A EngineAI Robotics Technology, empresa chinesa de robótica sediada em Shenzhen, lançou a Liga URKL, apresentada pela empresa como a primeira liga comercial gratuita de luta entre robôs humanoides. A competição ocorrerá entre fevereiro e dezembro e reunirá equipes de universidades, empresas e centros de pesquisa de vários países. A organização vai selecionar 16 times para a fase principal, com prêmio máximo de 10 milhões de yuans. A iniciativa busca levar os testes de robôs humanoides para um ambiente de confronto controlado e público, com foco no avanço de tecnologias centrais. Zhao Tongyang, fundador e CEO da EngineAI Robotics, anunciou que a competição usará o robô humanoide T800 como plataforma padrão. O modelo mede 1,73 metro e pesa 75 quilos. A empresa abriu inscrições para participantes internacionais e vai realizar uma etapa de triagem antes de definir as 16 equipes finais. A liga combina modos remoto e autônomo. Segundo Zhao, o modelo autônomo tende a se tornar dominante. Ele afirmou que o combate exige decisões rápidas e que o controle remoto impõe atrasos de resposta, o que limita o desempenho em disputas de alta intensidade. A proposta da URKL difere de torneios anteriores ao adotar uma estratégia de comercialização. Em 2025, a Unitree Robotics organizou um torneio de combate com robôs G1 operados por participantes não profissionais. O evento teve caráter demonstrativo e educacional. Durante as disputas, os robôs exibiram resistência a impactos, percepção multimodal e recuperação após quedas. Ao mesmo tempo, o torneio expôs limites em controle dinâmico e latência de percepção. A URKL planeja produzir um programa de entretenimento com disputas entre robôs humanoides, análises técnicas e acompanhamento das equipes. O projeto inclui a criação da propriedade intelectual do personagem “Robot Boxing King”. A organização busca estruturar as competições como um formato recorrente de evento esportivo com alcance internacional. Empresas de robótica usam torneios de combate como ambiente de teste para hardware e software. O confronto exige força, velocidade e tempo de resposta. Os robôs precisam gerar potência imediata, operar motores com alto torque e reagir em intervalos curtos. A capacidade de se levantar após quedas testa os algoritmos de controle de movimento. Ao longo das lutas, a estrutura mecânica passa por avaliações contínuas de estabilidade e resistência. Zhao afirmou que, no estágio atual, os robôs humanoides ainda não atendem ao uso doméstico em larga escala. Segundo ele, as competições funcionam como etapa de validação para aplicações futuras em tarefas pesadas e repetitivas em ambientes industriais e de risco. Para as empresas, o objetivo vai além da bilheteria. A organização busca atrair equipes de algoritmos e universidades, oferecer plataformas padronizadas e código aberto e identificar talentos técnicos. O treinamento em cenários adversos também gera dados não estruturados para sistemas de inteligência artificial, o que acelera o avanço da generalização dos modelos. Fonte: 36Kr

11 de fevereiro de 2026
China2Brazil
A China registrou alta de 0,2% no Índice de Preços ao Consumidor (IPC) em janeiro, na comparação anual, enquanto o núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, subiu 0,8%, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (11) pelo Departamento Nacional de Estatísticas. No mesmo comunicado, o órgão informou que passou a calcular o IPC com base em 2025, em uma atualização do ano-base que ajusta a cesta de consumo, amplia a cobertura da pesquisa e busca refletir mudanças recentes nos padrões de consumo da população. O Departamento Nacional de Estatísticas atualiza o ano-base do IPC e do Índice de Preços ao Produtor (IPP) a cada cinco anos. A partir de 2026, os dois índices passaram a usar 2025 como referência. A prática segue padrões adotados por institutos de estatística em outros países e tem como objetivo alinhar os indicadores às mudanças no consumo e na estrutura da economia. O IPC mede a variação de preços de uma cesta fixa de bens e serviços consumidos pelas famílias. Como os hábitos de consumo mudam com o avanço econômico e social, o governo revisa periodicamente os itens pesquisados e o período de comparação. Segundo o órgão, a atualização permite retratar com mais precisão o mercado atual. Entre as mudanças, o índice passou a incluir a eletricidade usada em veículos de novas energias, em resposta ao aumento da frota desses automóveis no país. O catálogo de classificação do IPC, os pontos de coleta de preços, as especificações dos produtos, os pesos das categorias e o período-base de comparação também passaram por revisão. Após a atualização, o IPC mantém oito categorias principais e 268 classes básicas. O órgão excluiu, fundiu e dividiu itens e incluiu novas categorias para captar padrões recentes de consumo. Entre elas estão dispositivos de segurança residencial, produtos voltados a idosos, lava-louças, eletricidade para veículos, serviços de fotografia, serviços médicos online e serviços de estética médica. O departamento revisou a categoria “alimentos, tabaco e álcool”, que passou a se chamar “alimentos, tabaco, álcool e refeições fora de casa”. A categoria “turismo” mudou para “agências de viagens e outros serviços turísticos”. Além disso, o órgão criou um índice derivado de serviços de viagem, que reúne passagens aéreas, passagens de trem, hospedagem, aluguel de veículos, agências de viagens e outros serviços turísticos. Na nova base, a pesquisa do IPC passou a cobrir cerca de 120 mil pontos de venda em todo o país e aproximadamente 620 mil especificações de produtos. O número amplia a cobertura em relação ao ciclo anterior. A coleta incluiu supermercados por associação, varejistas de novos formatos e plataformas de varejo sob demanda, como serviços de entrega. O levantamento também incorporou itens como drones inteligentes. O departamento ampliou o uso de big data na coleta de preços, com dados de transações online, registros eletrônicos de empresas e bases administrativas. A mudança busca ampliar a precisão e a frequência das informações. Os pesos das oito categorias do IPC com base em 2025 ficaram em 29,5% para alimentos, tabaco, álcool e refeições fora de casa; 5,4% para vestuário; 22,1% para habitação; 5,5% para bens e serviços domésticos; 14,3% para transporte e comunicação; 11,4% para educação, cultura e recreação; 8,9% para saúde; e 2,9% para outros bens e serviços. Em relação ao ano-base de 2020, o órgão informou que as mudanças nos pesos foram limitadas. O peso dos serviços aumentou, enquanto o dos bens de consumo caiu, em linha com a estrutura atual do consumo no país. O Índice de Preços ao Produtor (IPP) também passou a usar 2025 como ano-base. Em janeiro, o IPP subiu 0,4% em relação a dezembro, o quarto aumento mensal consecutivo. Na comparação anual, a queda foi de 1,4%, após recuo de 1,9% em dezembro. Fonte: news.cn

11 de fevereiro de 2026
China2Brazil
As principais empresas de tecnologia da China lançaram, entre o fim de 2025 e o início de 2026, aplicativos de saúde com inteligência artificial (IA) para disputar um mercado que voltou a ganhar força após anos de estagnação. Ant Group, Alibaba, Baidu, JD.com, ByteDance e iFlytek passaram a competir por usuários e por espaço no ecossistema de serviços médicos digitais, com foco em triagem de sintomas, leitura de exames, apoio a consultas e gestão da saúde. Médicos ouvidos pelo Tech Planet afirmam que a IA ajuda a interpretar sintomas e laudos, reduz dúvidas iniciais e diminui a ansiedade do paciente antes da consulta. Usuários relatam que recorrem às ferramentas para avaliar desconfortos leves e esclarecer informações básicas, e buscam atendimento presencial quando o caso exige exame clínico. O sistema de saúde enfrenta desequilíbrio entre oferta e demanda, com falta de tempo para acompanhamento contínuo de pacientes ambulatoriais e recém-saídos do hospital. Nesse contexto, a IA atua como apoio em tarefas repetitivas, como responder perguntas frequentes, organizar dados clínicos e explicar relatórios médicos, sem substituir a avaliação profissional. O interesse das big techs também se explica pelo tamanho do mercado. Projeções apontam que o setor de gestão de saúde com IA na China pode alcançar 2,59 trilhões de yuans até 2027, com crescimento anual acima de 20%. Além do atendimento direto ao consumidor, as plataformas funcionam como portas de entrada para outros serviços da cadeia de saúde, como seguros, gestão de doenças crônicas e apoio a pesquisas clínicas. Empresas com infraestrutura de dados e modelos de grande escala conseguem aplicar a IA em múltiplos cenários e integrar tecnologia ao fluxo de atendimento médico. Rentabilidade segue como principal desafio A geração anterior de plataformas de saúde online enfrentou dificuldades para alcançar lucro. A Good Doctor Online priorizou serviços e evitou monetização por medicamentos e publicidade médica. A estratégia limitou a receita e levou à aquisição da empresa pelo Ant Group. A Chunyu Doctor registrou prejuízos de 9,57 milhões de yuans em 2023, 22,95 milhões em 2024 e 2,92 milhões nos dez primeiros meses de 2025. A WeDoctor tentou abrir capital em Hong Kong desde 2021 e manteve prejuízos, embora tenha reduzido a taxa de perdas para 4,2% no primeiro semestre de 2025. O comércio eletrônico farmacêutico permanece como o modelo mais estável de geração de receita. No primeiro semestre de 2025, a JD Health elevou a receita em 24,5%, para 35,29 bilhões de yuans. O varejo farmacêutico respondeu por 83% do faturamento. O lucro líquido cresceu 27,45%, para 2,6 bilhões de yuans. Os novos projetos de IA enfrentam outro tipo de pressão: manter neutralidade médica e, ao mesmo tempo, encontrar fontes de receita. O Ant Group informou que o Afu não exibe publicidade nem rankings comerciais em conteúdos de perguntas e respostas. Em janeiro de 2026, a plataforma registrou mais de 30 milhões de usuários ativos mensais e mais de 10 milhões de perguntas por dia. Fonte: 36Kr.

10 de fevereiro de 2026
China2Brazil
A China reforçou, no início de 2026, sua política para a América Latina e o Caribe ao divulgar, em dezembro de 2025, o terceiro Documento de Política para a região. O texto define diretrizes para ampliar a cooperação política, econômica e cultural com países latino-americanos e caribenhos. Em janeiro e fevereiro de 2026, o presidente Xi Jinping manteve contatos diretos com líderes do Brasil e do Uruguai, reafirmando o interesse de Pequim em aprofundar a parceria com a região. Em 23 de janeiro, Xi Jinping conversou por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ligação, o líder chinês afirmou que a China pretende manter a cooperação com países da América Latina e do Caribe e ampliar o diálogo político. Em 3 de fevereiro de 2026, Xi se reuniu em Pequim com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, em visita de Estado. No encontro, o governo chinês declarou apoio à presidência rotativa do Uruguai na Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos ( CELAC ) e no Mercosul, além de defender o aprofundamento da cooperação bilateral e regional. Desde o início de 2026, a China e países da América Latina ampliaram contatos diplomáticos e projetos de cooperação. Segundo autoridades chinesas, o objetivo é manter a agenda de parceria mesmo diante de um cenário internacional instável. Cenário internacional e impactos na América Latina As mudanças no sistema internacional têm afetado países latino-americanos. No fim de 2025, os Estados Unidos divulgaram uma nova Estratégia de Segurança Nacional. Em 23 de janeiro de 2026, o Departamento de Defesa norte-americano publicou um novo relatório estratégico, que prioriza a segurança interna e os interesses dos EUA no Hemisfério Ocidental. Na avaliação do governo chinês, essas diretrizes reforçam disputas geopolíticas na região. Além disso, episódios recentes envolvendo disputas entre potências em áreas estratégicas, como o caso da Groenlândia, indicam maior instabilidade no cenário global. Esse contexto amplia incertezas para países da América Latina em temas como comércio, investimentos e governança internacional. Cooperação institucional e agendas comuns A China ampliou os mecanismos de diálogo com a região por meio do Fórum China–CELAC. Em maio de 2025, Pequim sediou a quarta Reunião Ministerial do Fórum, que aprovou a Declaração de Pequim e o Plano de Ação Conjunto China–CELAC para 2025–2027. O documento define cooperação em áreas como educação, intercâmbio cultural, capacitação técnica e políticas sociais. Atualmente, cerca de 70 instituições de ensino de língua chinesa operam na América Latina. Além disso, a China anunciou que pretende oferecer, entre 2025 e 2028, 3.500 bolsas de estudo governamentais, 10 mil vagas de treinamento na China, 500 bolsas para formação de professores de chinês, 300 vagas de capacitação técnica em políticas de redução da pobreza , mil vagas no programa “Ponte da Língua Chinesa” e 300 projetos de pequeno porte voltados ao bem-estar social. O governo chinês também informou que pretende convidar, anualmente, 300 representantes políticos da CELAC para programas de intercâmbio em governança pública. Comércio, investimentos e projetos econômicos A cooperação econômica concentra parte central da relação China–América Latina. Países da região participam de projetos ligados à Iniciativa Cinturão e Rota. O comércio bilateral cresceu de US$12,6 bilhões em 2000 para US$518,47 bilhões em 2024, segundo dados divulgados por autoridades chinesas. A China tornou-se o principal parceiro comercial de Brasil, Peru, Chile e Uruguai, além de figurar entre os maiores investidores externos na região. Projetos conjuntos avançaram em áreas como infraestrutura, energia, agricultura, manufatura, economia digital e tecnologia. Em paralelo, a China informou ter doado 30 mil toneladas de arroz a Cuba para mitigar a escassez de alimentos no país. Multilateralismo e cooperação Sul–Sul A China e países latino-americanos defendem o multilateralismo em fóruns internacionais e atuam de forma coordenada em temas como reforma da Organização das Nações Unidas, comércio internacional, mudanças climáticas e direitos humanos. Segundo a diplomacia chinesa, a parceria se baseia no respeito à soberania, na não interferência em assuntos internos e no reconhecimento de diferentes modelos de desenvolvimento. A complementaridade econômica sustenta parte dessa cooperação. A América Latina concentra recursos naturais e enfrenta desafios estruturais em infraestrutura e produtividade. A China oferece financiamento, tecnologia, mercado consumidor e experiência em políticas de desenvolvimento. Agenda futura da parceria Na quarta Reunião Ministerial do Fórum China–CELAC, a China apresentou cinco eixos de cooperação: solidariedade, desenvolvimento, intercâmbio cultural, segurança e aproximação entre povos. A proposta orienta a agenda bilateral e regional nos próximos anos. De acordo com o governo chinês, a ampliação da cooperação com a América Latina busca fortalecer a integração do Sul Global, ampliar a coordenação política e sustentar projetos conjuntos em comércio, investimentos e intercâmbio educacional. A estratégia inclui a manutenção do diálogo de alto nível, a expansão da cooperação econômica e o fortalecimento dos mecanismos multilaterais. Fonte: gmw.cn

10 de fevereiro de 2026
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A 42ª Expedição Antártica Chinesa informou, em 10 de fevereiro, que o veículo 6×6 “Snow Leopard”, desenvolvido na China, concluiu testes de campo no interior da Antártida . O modelo percorreu mais de 10 mil quilômetros em ambientes extremos, sem registro de falhas. Os testes ocorreram em áreas próximas à Estação Zhongshan e em regiões do interior, com o objetivo de ampliar a capacidade logística, apoiar pesquisas científicas e viabilizar operações de resgate em condições severas. Até então, as expedições chinesas no interior do continente dependiam de veículos importados sobre esteiras, com baixa velocidade, alto consumo de combustível e custos elevados de manutenção. Com a validação do “Snow Leopard”, a China passa a contar com um veículo de maior velocidade para transporte de pessoal, apoio científico e resposta a emergências em áreas polares. Entre 5 de dezembro de 2025 e o início de fevereiro de 2026, a equipe submeteu o veículo a testes na Estação Zhongshan e em áreas interiores. O “Snow Leopard” cruzou cinco tipos de terreno típicos da Antártida: gelo marinho, cascalho, neve fofa, neve compacta e gelo sólido. Segundo Sun Peng, vice-chefe da equipe de Grove Mountains e responsável pelos testes, veículos sobre esteiras atingem cerca de 15 km/h. Em contraste, o “Snow Leopard” alcançou 28 km/h em neve fofa e 42 km/h em neve compacta. Em áreas de gelo sólido, manteve velocidade estável de até 65 km/h. Com o tanque cheio, a autonomia máxima chega a cerca de 700 quilômetros. Sun Peng afirmou que a Antártida funciona como um campo de testes para veículos em condições extremas. Para lidar com temperaturas muito baixas, baixa pressão atmosférica e terrenos de gelo e neve, a equipe de desenvolvimento aplicou soluções próprias em tecnologias como partida do sistema de potência em baixas temperaturas, distribuição dinâmica de alto torque na transmissão e pneus de materiais compostos para ambientes frios. Os testes também incluíram missões em condições reais de operação. Yao Xu, chefe da equipe de Grove Mountains, relatou que, durante uma operação de emergência no interior do continente, a equipe do “Snow Leopard” operou por 12 horas seguidas. O veículo percorreu 263 quilômetros em uma tempestade de neve, com visibilidade de cerca de três metros, e entregou um equipamento considerado crítico. Segundo Yao, foi a primeira vez que a China realizou um transporte terrestre desse tipo no interior da Antártida em condições climáticas extremas, quando o acesso aéreo não era possível. De acordo com um responsável do Laboratório Nacional de Veículos Inteligentes e Verdes e Transporte da Universidade Tsinghua, os mais de 10 mil quilômetros percorridos pelo “Snow Leopard” no interior da Antártida funcionam como um teste das capacidades chinesas em engenharia, fabricação e integração de sistemas. Na próxima etapa, a equipe deve aprofundar pesquisas em sistemas de potência, design estrutural, gestão de energia e controle inteligente, além de buscar a aplicação industrial destas tecnologias. Fonte: gmw.cn

10 de fevereiro de 2026
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O Ministério do Comércio da China informou que, durante o 15º Plano Quinquenal, o país avançará no desenvolvimento de alta qualidade, ampliará a abertura ao exterior, manterá a defesa do sistema multilateral de comércio e fortalecerá relações econômicas e comerciais baseadas em igualdade e benefício mútuo. Segundo o órgão, essas diretrizes criam condições para a permanência e a expansão de empresas estrangeiras no mercado chinês ao longo do período. Além disso, desde o início de 2026, chefes de Estado e de governo de diversos países visitam a China à frente de delegações empresariais. As agendas incluem reuniões com autoridades e empresas chinesas, com foco em ampliar a cooperação bilateral. Como resultado, os encontros ampliam o diálogo institucional e reforçam o interesse de multinacionais em manter e expandir operações no país. Nesse contexto, os dados de 2025 mostram crescimento do investimento estrangeiro em setores estratégicos da economia chinesa. O investimento da Coreia do Sul na indústria manufatureira da China cresceu 14,1% em relação a 2024. Já o Canadá ampliou em 11,7% seus aportes em indústrias de alta tecnologia. A Finlândia elevou em 21,7% o investimento na manufatura chinesa, enquanto o Reino Unido registrou alta de 15,9% no volume aplicado no país. Ao mesmo tempo, levantamentos do Conselho Empresarial Canadá–China, da Câmara de Comércio da União Europeia na China, da Câmara Britânica de Comércio na China e da Câmara Americana de Comércio na China indicam que a maioria das multinacionais mantém a China entre seus principais destinos de investimento. Os relatórios apontam que as empresas preservam operações no país e planejam novos aportes no médio e longo prazo. Fonte: gmw.cn

9 de fevereiro de 2026
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A esquiadora chinesa Gu Ailing conquistou a medalha de prata no slopestyle feminino nesta segunda-feira (9) nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026, disputados na Itália. A atleta ficou atrás da suíça Mathilde Gremaud, que venceu a prova após assumir a liderança na segunda rodada. Gu competiu em penúltimo lugar e liderou após a primeira descida, com 86,58 pontos, a maior nota da rodada. Em seguida, Gremaud marcou 83,60 pontos. As duas abriram vantagem superior a dez pontos sobre as demais competidoras. Na segunda rodada, erros afetaram várias atletas. Gu caiu e registrou 23 pontos. Em contrapartida, Gremaud fez a melhor apresentação da rodada e alcançou 86,96 pontos, o que garantiu a liderança. Aos 22 anos, nascida em São Francisco (Estados Unidos), a esquiadora de estilo livre compete pela China desde 2019 e ganhou visibilidade mundial ao se tornar, em 2022 em Pequim , a mais jovem campeã olímpica da modalidade e a primeira a conquistar três medalhas (mais duas de ouro e uma de prata) em uma mesma edição de Jogos de Inverno. Fora das pistas, Gu é a atleta mais bem paga dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, com ganhos estimados em US$23 milhões (aproximadamente R$120 milhões) em 2025, valor que a coloca entre as mais bem remuneradas do mundo no esporte feminino . A maior parte dessa renda vem de contratos de patrocínio com marcas globais e chinesas, além de parcerias em moda e publicidade. Fonte: news.cn

9 de fevereiro de 2026
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A China anunciou um plano para transformar Xangai em um centro internacional de abastecimento e comercialização de combustíveis verdes para o transporte marítimo até 2030. O Ministério dos Transportes, em conjunto com outros dez órgãos do governo central, publicou o “Plano de Implementação para Apoio à Construção do Centro Internacional de Abastecimento de Combustíveis Verdes e Centro de Comércio de Xangai”. A medida responde ao avanço das metas de descarbonização do setor naval e ao endurecimento das regras de emissões da Organização Marítima Internacional (IMO). O plano estabelece que, até 2030, Xangai alcance capacidade anual de abastecimento superior a 1 milhão de metros cúbicos de gás natural liquefeito (GNL) e 1 milhão de toneladas de metanol e biocombustíveis. A proposta cria um sistema integrado de fornecimento, que reúne GNL, metanol verde e biocombustíveis, com regras de certificação, normas técnicas e mecanismos de gestão. O objetivo é substituir o modelo de fornecimento único por serviços diversificados de abastecimento de combustíveis verdes para navios. Xangai já ampliou sua atuação no abastecimento de combustíveis de menor emissão. Dados do fim de 2025 indicam que o Porto de Xangai abasteceu 712 mil metros cúbicos de GNL e 62,5 mil toneladas de metanol. O volume de metanol verde colocou o porto na segunda posição global, atrás apenas de Roterdã. Na oferta, o projeto de metanol verde de 100 mil toneladas liderado pelo grupo Shenergy entrou em operação no fim de 2025. A unidade usa resíduos urbanos como matéria-prima. Outro projeto, da Shanghai Electric, iniciou operações em Taonan, na província de Jilin, e passou a fornecer metanol verde para o mercado. Apesar dos avanços, o plano reconhece entraves ao crescimento em escala. Parte das políticas de apoio ainda carece de detalhamento. A oferta doméstica de biocombustíveis misturados permanece abaixo do volume registrado em portos como Singapura e Roterdã. A coordenação logística entre áreas produtoras do nordeste da China e da Mongólia Interior e os centros de demanda em Xangai segue em fase inicial. O setor também enfrenta limitações de infraestrutura, como falta de tanques em zonas alfandegadas e a necessidade de adaptar dutos e sistemas de aquecimento para armazenar biocombustíveis. A ausência de incentivos obrigatórios reduz a adesão dos armadores ao uso de combustíveis verdes. Para enfrentar esses gargalos, o plano define metas em sete frentes, que incluem segurança do abastecimento e modelos de reabastecimento multimodais. O documento cria um mecanismo de coordenação entre ministérios e governos locais para integrar reabastecimento e comercialização em Xangai. O texto prevê operações transfronteiriças, mistura de combustíveis em zonas francas e ampliação da capacidade produtiva de metanol verde em áreas aptas. O plano também propõe integrar o reabastecimento à negociação de combustíveis verdes, por meio da Bolsa Marítima de Xangai e da Bolsa de Futuros de Xangai, com conexão ao mercado de carbono e ao financiamento marítimo. A Comissão Municipal de Transportes de Xangai afirmou que o plano alinha políticas nacionais à estratégia da cidade como centro marítimo internacional. As medidas se concentram em cinco eixos: capacidade de suporte, serviços de abastecimento, incentivos, serviços de transação e supervisão de segurança. O governo espera acelerar a adoção de combustíveis de menor emissão no transporte marítimo e ampliar a posição de Xangai na cadeia global de energia para navegação. A iniciativa integra a estratégia dos “Cinco Centros” de Xangai e busca reduzir as emissões do setor naval. Com a criação de um sistema de abastecimento e comércio de combustíveis verdes, a cidade pretende oferecer um modelo replicável para portos internacionais. A execução do plano depende da coordenação entre órgãos públicos, da implementação das regras de certificação e da expansão da infraestrutura de armazenamento e logística até 2030. Fonte: The Paper