Destaques da Semana

China reforça política para a América Latina e amplia cooperação com Brasil e Uruguai em 2026

Política América Latina
Imagem: Ding Haitao/ Xinhua

A China reforçou, no início de 2026, sua política para a América Latina e o Caribe ao divulgar, em dezembro de 2025, o terceiro Documento de Política para a região. O texto define diretrizes para ampliar a cooperação política, econômica e cultural com países latino-americanos e caribenhos. Em janeiro e fevereiro de 2026, o presidente Xi Jinping manteve contatos diretos com líderes do Brasil e do Uruguai, reafirmando o interesse de Pequim em aprofundar a parceria com a região.

Em 23 de janeiro, Xi Jinping conversou por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ligação, o líder chinês afirmou que a China pretende manter a cooperação com países da América Latina e do Caribe e ampliar o diálogo político. Em 3 de fevereiro de 2026, Xi se reuniu em Pequim com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, em visita de Estado. No encontro, o governo chinês declarou apoio à presidência rotativa do Uruguai na Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e no Mercosul, além de defender o aprofundamento da cooperação bilateral e regional.

Desde o início de 2026, a China e países da América Latina ampliaram contatos diplomáticos e projetos de cooperação. Segundo autoridades chinesas, o objetivo é manter a agenda de parceria mesmo diante de um cenário internacional instável.

Cenário internacional e impactos na América Latina

As mudanças no sistema internacional têm afetado países latino-americanos. No fim de 2025, os Estados Unidos divulgaram uma nova Estratégia de Segurança Nacional. Em 23 de janeiro de 2026, o Departamento de Defesa norte-americano publicou um novo relatório estratégico, que prioriza a segurança interna e os interesses dos EUA no Hemisfério Ocidental.

Na avaliação do governo chinês, essas diretrizes reforçam disputas geopolíticas na região. Além disso, episódios recentes envolvendo disputas entre potências em áreas estratégicas, como o caso da Groenlândia, indicam maior instabilidade no cenário global. Esse contexto amplia incertezas para países da América Latina em temas como comércio, investimentos e governança internacional.

Cooperação institucional e agendas comuns

A China ampliou os mecanismos de diálogo com a região por meio do Fórum China–CELAC. Em maio de 2025, Pequim sediou a quarta Reunião Ministerial do Fórum, que aprovou a Declaração de Pequim e o Plano de Ação Conjunto China–CELAC para 2025–2027. O documento define cooperação em áreas como educação, intercâmbio cultural, capacitação técnica e políticas sociais.

Atualmente, cerca de 70 instituições de ensino de língua chinesa operam na América Latina. Além disso, a China anunciou que pretende oferecer, entre 2025 e 2028, 3.500 bolsas de estudo governamentais, 10 mil vagas de treinamento na China, 500 bolsas para formação de professores de chinês, 300 vagas de capacitação técnica em políticas de redução da pobreza, mil vagas no programa “Ponte da Língua Chinesa” e 300 projetos de pequeno porte voltados ao bem-estar social. O governo chinês também informou que pretende convidar, anualmente, 300 representantes políticos da CELAC para programas de intercâmbio em governança pública.

Comércio, investimentos e projetos econômicos

A cooperação econômica concentra parte central da relação China–América Latina. Países da região participam de projetos ligados à Iniciativa Cinturão e Rota. O comércio bilateral cresceu de US$12,6 bilhões em 2000 para US$518,47 bilhões em 2024, segundo dados divulgados por autoridades chinesas. A China tornou-se o principal parceiro comercial de Brasil, Peru, Chile e Uruguai, além de figurar entre os maiores investidores externos na região.

Projetos conjuntos avançaram em áreas como infraestrutura, energia, agricultura, manufatura, economia digital e tecnologia. Em paralelo, a China informou ter doado 30 mil toneladas de arroz a Cuba para mitigar a escassez de alimentos no país.

Multilateralismo e cooperação Sul–Sul

A China e países latino-americanos defendem o multilateralismo em fóruns internacionais e atuam de forma coordenada em temas como reforma da Organização das Nações Unidas, comércio internacional, mudanças climáticas e direitos humanos. Segundo a diplomacia chinesa, a parceria se baseia no respeito à soberania, na não interferência em assuntos internos e no reconhecimento de diferentes modelos de desenvolvimento.

A complementaridade econômica sustenta parte dessa cooperação. A América Latina concentra recursos naturais e enfrenta desafios estruturais em infraestrutura e produtividade. A China oferece financiamento, tecnologia, mercado consumidor e experiência em políticas de desenvolvimento.

Agenda futura da parceria

Na quarta Reunião Ministerial do Fórum China–CELAC, a China apresentou cinco eixos de cooperação: solidariedade, desenvolvimento, intercâmbio cultural, segurança e aproximação entre povos. A proposta orienta a agenda bilateral e regional nos próximos anos.

De acordo com o governo chinês, a ampliação da cooperação com a América Latina busca fortalecer a integração do Sul Global, ampliar a coordenação política e sustentar projetos conjuntos em comércio, investimentos e intercâmbio educacional. A estratégia inclui a manutenção do diálogo de alto nível, a expansão da cooperação econômica e o fortalecimento dos mecanismos multilaterais.

Fonte: gmw.cn