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Primeira liga comercial de luta entre robôs humanoides estreia na China

Luta entre robôs humanoides
Imagem: ENGINEAI Robotics/ Divulgação

A EngineAI Robotics Technology, empresa chinesa de robótica sediada em Shenzhen, lançou a Liga URKL, apresentada pela empresa como a primeira liga comercial gratuita de luta entre robôs humanoides. A competição ocorrerá entre fevereiro e dezembro e reunirá equipes de universidades, empresas e centros de pesquisa de vários países. A organização vai selecionar 16 times para a fase principal, com prêmio máximo de 10 milhões de yuans. A iniciativa busca levar os testes de robôs humanoides para um ambiente de confronto controlado e público, com foco no avanço de tecnologias centrais.

Zhao Tongyang, fundador e CEO da EngineAI Robotics, anunciou que a competição usará o robô humanoide T800 como plataforma padrão. O modelo mede 1,73 metro e pesa 75 quilos. A empresa abriu inscrições para participantes internacionais e vai realizar uma etapa de triagem antes de definir as 16 equipes finais.

A liga combina modos remoto e autônomo. Segundo Zhao, o modelo autônomo tende a se tornar dominante. Ele afirmou que o combate exige decisões rápidas e que o controle remoto impõe atrasos de resposta, o que limita o desempenho em disputas de alta intensidade.

A proposta da URKL difere de torneios anteriores ao adotar uma estratégia de comercialização. Em 2025, a Unitree Robotics organizou um torneio de combate com robôs G1 operados por participantes não profissionais. O evento teve caráter demonstrativo e educacional. Durante as disputas, os robôs exibiram resistência a impactos, percepção multimodal e recuperação após quedas. Ao mesmo tempo, o torneio expôs limites em controle dinâmico e latência de percepção.

A URKL planeja produzir um programa de entretenimento com disputas entre robôs humanoides, análises técnicas e acompanhamento das equipes. O projeto inclui a criação da propriedade intelectual do personagem “Robot Boxing King”. A organização busca estruturar as competições como um formato recorrente de evento esportivo com alcance internacional.

Empresas de robótica usam torneios de combate como ambiente de teste para hardware e software. O confronto exige força, velocidade e tempo de resposta. Os robôs precisam gerar potência imediata, operar motores com alto torque e reagir em intervalos curtos. A capacidade de se levantar após quedas testa os algoritmos de controle de movimento. Ao longo das lutas, a estrutura mecânica passa por avaliações contínuas de estabilidade e resistência.

Zhao afirmou que, no estágio atual, os robôs humanoides ainda não atendem ao uso doméstico em larga escala. Segundo ele, as competições funcionam como etapa de validação para aplicações futuras em tarefas pesadas e repetitivas em ambientes industriais e de risco.

Para as empresas, o objetivo vai além da bilheteria. A organização busca atrair equipes de algoritmos e universidades, oferecer plataformas padronizadas e código aberto e identificar talentos técnicos. O treinamento em cenários adversos também gera dados não estruturados para sistemas de inteligência artificial, o que acelera o avanço da generalização dos modelos.

Fonte: 36Kr