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Robô chinês vence meia maratona e supera recorde humano

Robô meia maratona
Imagem: Xinhua

O robô “Lightning”, da equipe Qitian Dasheng-The Great Sage, Heaven’s Equal, da empresa Shenzhen Honor, venceu a prova com tempo recorde de 50min26s. O resultado supera o desempenho do robô campeão de 2025, “Tiangong Ultra” (2h40min42s), e também fica abaixo do recorde mundial humano da meia maratona, de 57min20s.

A prova incluiu um percurso mais exigente em relação à edição anterior. Segundo a organização, o trajeto reuniu mais de dez tipos de terreno, com trechos planos, subidas, descidas, curvas e vias estreitas. A inclinação chegou a 8%, com descidas de até 6%, além de obstáculos que simulam cenários urbanos.

Mesmo com maior dificuldade, os robôs registraram desempenho superior ao esperado. De acordo com Zhao Wen, engenheiro sênior de controle do Centro de Inovação em Robôs Humanoides de Pequim, o avanço decorre da evolução da chamada “inteligência incorporada”. Algoritmos mais precisos, sistemas de percepção aprimorados e melhor comunicação interna permitiram ajustar passo e cadência com maior estabilidade.

No hardware, as equipes adotaram mudanças estruturais. Yao, engenheiro da equipe vencedora, afirma que o “Lightning” foi projetado com pernas entre 0,9 m e 0,95 m, em referência a atletas humanos. O modelo também utiliza refrigeração líquida, o que permite operação contínua após estabilização térmica.

Além disso, especialistas relatam redução de cerca de 15% no peso dos robôs com uso de fibra de carbono e ligas metálicas. Ao mesmo tempo, a resistência aumentou. Baterias de maior densidade e sistemas de gestão energética ampliaram a autonomia de cerca de 5 km para mais de 10 km. Motores e articulações também evoluíram em integração e desempenho.

A corrida funciona como um ambiente de teste extremo. Segundo Shao Yuanxin, COO da RobStride Dynamics, o papel da maratona para os robôs é semelhante ao da Fórmula 1 para a indústria automotiva. O cenário exige desempenho máximo e gera dados aplicáveis em situações reais.

Durante a prova, cada robô executa cerca de 250 mil movimentos articulares. O sistema precisa lidar com sobrecarga de sensores, controle térmico e limitação de bateria. Por isso, a competição também expõe falhas.

Para Tian Feng, diretor do Thinking, Fast and Slow Institute, identificar falhas durante o teste acelera o desenvolvimento. Ele afirma que dados gerados por robôs que não completam a prova ajudam a ajustar sistemas e melhorar o desempenho. Em 2026, cerca de 40% das mais de 100 equipes utilizaram navegação autônoma, avanço em relação à edição anterior, quando predominava o controle remoto.

O uso de cenários reais passou a orientar o desenvolvimento do setor. Em vez de aperfeiçoar a tecnologia em laboratório e buscar aplicação depois, empresas adotam o caminho inverso: inserem robôs em ambientes reais para acelerar evolução.

Dados do setor indicam que, em 2025, a China reuniu mais de 140 empresas de robôs humanoides e produziu 14,4 mil unidades, o equivalente a cerca de 84,7% do total global. O mercado atingiu RMB 1,55 bilhão, com mais da metade da participação mundial.

Apesar dos avanços, a produção em larga escala ainda enfrenta desafios. Mesmo assim, o governo chinês mantém o tema como prioridade. A “inteligência incorporada” aparece pelo segundo ano consecutivo no relatório de trabalho oficial. Projeções indicam que o mercado pode alcançar RMB 400 bilhões até 2030 e ultrapassar RMB 1 trilhão até 2035.

As tecnologias testadas na corrida tendem a migrar para aplicações práticas. Especialistas apontam uso futuro em inspeção industrial, resgate de emergência e serviços de saúde.

Fonte: gmw