A China lançou uma ação nacional para acelerar o desenvolvimento do 6G e preparar a comercialização da tecnologia até 2030. O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação divulgou, em 4 de junho, um plano que coordena governos locais, empresas e centros de pesquisa para impulsionar inovação, testes, desenvolvimento industrial e aplicações da próxima geração das comunicações móveis.
A iniciativa estabelece metas até 2029 para fortalecer tecnologias desenvolvidas no país, ampliar cenários de uso do 6G e estimular a criação de novos produtos, como chips, terminais, componentes eletrônicos e sistemas operacionais.
Segundo especialistas, a política deve acelerar o avanço da cadeia produtiva do 6G, incluindo estações-base, redes centrais de telecomunicações e equipamentos de infraestrutura, além de impulsionar setores associados à inteligência artificial, internet via satélite e sensoriamento sem fio.
O plano prevê cooperação entre governos e empresas em quatro frentes principais: pesquisa tecnológica, desenvolvimento industrial, aplicações comerciais e coordenação de projetos. Na área de pesquisa, o objetivo é ampliar a participação chinesa na definição dos padrões internacionais do 6G e avançar na integração entre comunicação, inteligência artificial, satélites e sensoriamento.
Já no desenvolvimento industrial, a estratégia inclui o fortalecimento da produção de chips, terminais, componentes eletrônicos, sistemas operacionais e tecnologias ligadas à indústria espacial comercial, além da criação de polos regionais especializados.
Para Lu Feng, presidente do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento das Indústrias Futuras de Pequim, a China entrou em uma fase decisiva do desenvolvimento do 6G. Segundo ele, os avanços tecnológicos já começam a gerar resultados práticos, enquanto os trabalhos de padronização avançam em escala global.
Outro foco da política está na criação de aplicações para a nova tecnologia. O governo pretende apoiar projetos voltados para comunicações imersivas, manufatura industrial, economia de baixa altitude, inteligência incorporada e monitoramento oceânico, utilizando instrumentos de financiamento, formação de talentos, acesso a dados e incentivos regulatórios.
De acordo com Zhao Gang, presidente do Instituto Saizhi de Pesquisa Industrial, a estratégia busca combinar recursos de diferentes regiões e empresas para formar uma estrutura nacional de inovação em 6G. Ao mesmo tempo, a medida amplia a participação de governos locais e do setor privado no desenvolvimento da tecnologia.
Especialistas avaliam que características como baixa latência, integração entre comunicação, computação e sensoriamento e cobertura por redes terrestres, aéreas, marítimas e espaciais poderão viabilizar novas aplicações industriais, sistemas autônomos e operações em ambientes de difícil acesso.
O avanço do 6G segue um cronograma internacional já definido. A União Internacional de Telecomunicações (ITU) concluiu a visão estratégica da tecnologia em 2023. A definição dos requisitos técnicos está prevista para 2026, enquanto as especificações finais devem ser publicadas em 2030.
O Projeto de Parceria de Terceira Geração (3GPP), responsável pelos padrões globais das redes móveis, iniciou os estudos preliminares do 6G em 2025. A expectativa é concluir a versão básica dos padrões em 2029 e iniciar a comercialização por volta de 2030.
Nos últimos meses, o governo chinês também aprovou frequências experimentais para testes da tecnologia, permitindo a realização de validações técnicas alinhadas aos parâmetros definidos pela ITU.
Além do avanço tecnológico, o mercado vê potencial econômico expressivo no setor. Estimativas da Academia Chinesa de Tecnologia da Informação e Comunicação (CAICT) apontam que a implantação em larga escala do 6G poderá ocorrer até 2035, criando um mercado avaliado em trilhões de yuans.
Para os especialistas, a nova política deve acelerar investimentos em equipamentos de telecomunicações, redes de transporte de dados, chips e dispositivos conectados, além de ampliar a integração entre 6G, inteligência artificial e internet via satélite, abrindo espaço para novos setores da economia digital.
Fonte: gmw

