
18 de dezembro de 2025
China2Brazil
Pesquisadores chineses publicaram, em 18 de dezembro, na revista científica Nature, os resultados de um estudo clínico sobre controle da glicemia e perda de peso no tratamento do diabetes. A pesquisa analisou os efeitos do peptídeo Masto, desenvolvido por uma empresa chinesa, e aponta melhora do açúcar no sangue e de indicadores metabólicos ligados ao sistema cardiovascular, ao fígado e aos rins. O trabalho se baseia em medicamentos inovadores desenvolvidos na China e oferece orientações clínicas para enfrentar o avanço do diabetes, considerado um problema de saúde pública no país. O estudo avaliou pacientes chineses e buscou responder às necessidades específicas desse grupo populacional. Guo Lixin, um dos autores do artigo e especialista-chefe do Departamento de Endocrinologia do Hospital de Pequim e do Centro Nacional de Geriatria, afirmou que a publicação em um periódico de alto impacto indica o reconhecimento internacional da pesquisa clínica original conduzida na China. Segundo ele, medicamentos inovadores desenvolvidos no país já competem com terapias internacionais e podem beneficiar um número maior de pacientes. O diabetes integra o grupo das quatro principais doenças crônicas que ameaçam a saúde da população chinesa. Muitos pacientes apresentam alterações metabólicas associadas, como obesidade, hipertensão e dislipidemia. Diante desse cenário, o programa governamental “China Saudável (2019–2030)” incluiu uma ação específica de prevenção e controle do diabetes. Em comparação com pacientes da Europa e dos Estados Unidos, pessoas com diabetes na China apresentam maior incidência de resistência à insulina, esteatose hepática e acúmulo de gordura visceral. A obesidade abdominal aparece como a manifestação clínica mais comum. Apesar disso, por muitos anos, faltaram esquemas terapêuticos ajustados a esse perfil metabólico. Especialistas em metabolismo e endocrinologia que participaram do estudo afirmaram que os resultados refletem com precisão as características clínicas e as necessidades terapêuticas dos pacientes chineses, por se basearem em dados locais. Zhu Dalong, coautor do artigo e diretor do Centro Médico de Endocrinologia e Doenças Metabólicas do Hospital Gulou, vinculado à Faculdade de Medicina da Universidade de Nanjing, destacou que o estudo fornece evidências científicas para o tratamento de pacientes com sobrepeso, obesidade e diabetes na China, além de contribuir para o manejo do diabetes tipo 2. O avanço do peptídeo Masto se insere em um movimento mais amplo da indústria farmacêutica chinesa, que busca ampliar o desenvolvimento de medicamentos originais. O setor tem investido em novos alvos terapêuticos, terapias celulares, como CAR-T, e no uso de inteligência artificial para acelerar etapas de pesquisa, desenvolvimento e validação de fármacos. Dados oficiais indicam que, desde o início do 14º Plano Quinquenal, mais de 110 medicamentos inovadores desenvolvidos no país receberam aprovação para comercialização. Em 2024, a China ficou em segundo lugar no mundo em número de novos medicamentos em desenvolvimento. Até o fim de novembro de 2025, 68 medicamentos inovadores haviam sido aprovados, número superior ao total registrado em todo o ano anterior. Fonte: news.cn

18 de dezembro de 2025
China2Brazil
A SAIC MG iniciou nesta semana as entregas do MG4 Semi-Solid-State Battery Edition, o primeiro modelo elétrico do mundo equipado com bateria semi-sólida produzido em escala comercial. O veículo foi apresentado oficialmente em agosto, durante o Salão do Automóvel de Chengdu, na China, e passa agora à fase de distribuição ao consumidor. Segundo o site IT Home, o MG4 chegou ao mercado com preço de varejo a partir de 68.800 yuans, com valor promocional temporário de 65.800 yuans. A versão com bateria semi-sólida tem preço de tabela de 102.800 yuans e preço subsidiado por tempo limitado de 99.800 yuans. O MG4 mede 4.395 mm de comprimento, 1.842 mm de largura e 1.551 mm de altura, com entre-eixos de 2.750 mm. O modelo está disponível em seis cores externas: Roxo Leste, Verde Onda Clara, Branco Luar, Vermelho Coral, Cinza Estrelado e Azul Ilha. No interior, o veículo oferece duas opções de acabamento: Roxo Rosado e Azul Montanha. O volante de dois raios conta com aquecimento. O carro também traz seletor de marchas na coluna de direção e carregador sem fio de 50 W no console central. Além disso, o modelo utiliza um sistema de conectividade desenvolvido pela MG em parceria com a OPPO, com chip Qualcomm Snapdragon 8155. O sistema permite comandos de voz para funções do veículo, integração de aplicativos, conectividade entre motorista e carro, navegação por gestos e recursos de inteligência artificial. Na parte mecânica, a versão equipada com bateria semi-sólida de íons de lítio à base de manganês utiliza um motor elétrico com potência máxima de 120 kW e torque de 250 N·m. De acordo com o ciclo chinês CLTC, a autonomia declarada é de 530 quilômetros. Fonte: IT Home

18 de dezembro de 2025
China2Brazil
A China Southern Airlines e a Alibaba Cloud anunciaram, nesta quinta-feira (18), o lançamento conjunto do modelo de big data de segurança Sky Shield. Desenvolvido a partir do modelo multimodal Qianwen , da Alibaba Cloud, e do sistema de gestão de segurança da China Southern Airlines, o Sky Shield está na versão 1.0 e já opera em cenários como treinamento de voo, alertas operacionais e diagnóstico de falhas. O modelo reúne funções como identificação multimodal de riscos, avaliação das operações de voo e tratamento inteligente de falhas. Segundo informações oficiais, a aviação civil enfrenta desafios recorrentes, entre eles a dificuldade na identificação de riscos, a indefinição de responsabilidades e o suporte limitado à tomada de decisão. A China Southern Airlines Digital Technology Co., Ltd. (CSDT), subsidiária integral da companhia aérea, apontou limitações nos métodos tradicionais de treinamento, que não identificam com precisão lacunas técnicas individuais, além da baixa eficiência dos relatórios manuais de riscos. A partir de treinamento aprofundado do modelo Qianwen em servidores de computação inteligente da Alibaba Cloud , a CSDT desenvolveu o Sky Shield 1.0 com um mecanismo colaborativo entre quatro agentes inteligentes, imagem, texto, decisão e conteúdo, para elevar a precisão e a eficiência na identificação e avaliação de riscos. O Sky Shield foca cenários críticos de segurança da aviação e integra dados das nove competências do modelo EBT (Evidence-Based Training) para realizar avaliações detalhadas das operações de voo. Por meio de interação em linguagem natural, pilotos acessam relatórios personalizados com alertas de risco e avaliações operacionais, o que permite recomendações de treinamento mais direcionadas. No nível operacional, o sistema atua em três frentes. A primeira é o gerenciamento inteligente de falhas de aeronaves, com suporte desde o alerta antecipado até o acompanhamento do problema. A segunda é um “radar de risco” para operações de voo, que oferece alertas visuais antecipados. A terceira é um sistema de avaliação da capacidade dos pilotos, baseado em um modelo multidimensional com identidade única (One ID). Para equipes da linha de frente, a China Southern Airlines lançou ainda a ferramenta móvel “Tire uma foto e encontre riscos”. O recurso identifica automaticamente o tipo de risco, associa as unidades responsáveis e sugere planos de correção, o que acelera a resposta e aumenta a precisão na gestão de riscos. Fonte: IT Home

17 de dezembro de 2025
China2Brazil
O mercado global de carros de passeio deve alcançar um novo recorde em 2025, com 81,3 milhões de unidades vendidas, e terá sua trajetória cada vez mais ligada à China, segundo relatório do Centro de Pesquisa Automotiva (CAR), da Alemanha, divulgado nesta segunda-feira (15) . De acordo com o estudo, esse volume representa o maior nível de vendas em oito anos. A China concentra parte relevante da produção e da demanda e sustenta o crescimento global do setor, apoiada por uma cadeia de suprimentos integrada e por ganhos de escala. O diretor do CAR, Ferdinand Dudenhoeffer, afirma que o tamanho do mercado chinês e os avanços em baterias, veículos de nova energia e tecnologias de direção autônoma influenciam diretamente a indústria automotiva mundial. “Quem não está na China não participa do setor automotivo”, disse o pesquisador, citado no relatório. Entre os 15 maiores mercados do mundo, China, Estados Unidos, Índia e Turquia devem registrar crescimento superior a 4% nas vendas de carros de passeio em 2025. Em sentido oposto, os principais mercados europeus devem avançar menos. A Alemanha deve crescer 0,7%, enquanto França e Itália devem recuar 4,8% e 2,6%, respectivamente. Para 2026, o CAR projeta alta de 2,6% nas vendas globais, que devem alcançar 83,4 milhões de unidades. A Ásia deve crescer acima da média mundial, com expansão estimada em 3,8%, impulsionada pela maior participação da China na produção e nas vendas. Segundo Dudenhoeffer, a Ásia já lidera a indústria automotiva global, com a China à frente desse movimento. Em 2025, mais de 60% da produção mundial de carros de passeio ocorreu no continente asiático, enquanto a Europa respondeu por cerca de 15%. O relatório indica que a Alemanha e outros produtores europeus devem perder participação adicional em 2026. O estudo atribui esse movimento ao aumento da concorrência global e aos efeitos das políticas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos, que pressionam a competitividade das montadoras europeias. Fonte: Xinhua

17 de dezembro de 2025
China2Brazil
A Xiaomi apresentou, em 17 de dezembro, durante a Conferência de Parceiros do Ecossistema Integrado “Pessoas–Carros–Casa 2025”, seus avanços mais recentes em grandes modelos de inteligência artificial. O destaque foi a primeira apresentação pública de Luo Fuli como integrante da empresa, na qual a pesquisadora detalhou a estratégia da Xiaomi para agentes inteligentes e modelos físicos de IA. Na abertura da apresentação, Luo Fuli afirmou que a próxima fase da evolução da inteligência artificial exige modelos capazes de interagir com o mundo real. Segundo ela, sistemas baseados apenas em linguagem já não são suficientes para lidar com tarefas complexas do cotidiano. Na conferência, Luo Fuli se apresentou como responsável pelo grande modelo MiMo, desenvolvido pela Xiaomi. A partir de modelos de linguagem, a empresa construiu uma nova geração de modelos-base voltados para agentes inteligentes, denominada MiMo-V2-Flash. Segundo a pesquisadora, o MiMo-V2-Flash possui 309 bilhões de parâmetros no total, dos quais 15 bilhões ficam ativos durante a execução. Ainda assim, o modelo alcançou posições entre o primeiro e o segundo lugar em rankings públicos de avaliação de modelos open source, reconhecidos internacionalmente, especialmente em tarefas de programação e agentes. De acordo com Luo Fuli, em grande parte dos benchmarks, o MiMo-V2-Flash supera ou se equipara a modelos como DeepSeek-V3, Kimi e Qwen, que costumam ter de duas a três vezes mais parâmetros totais. Em termos de custo, o modelo é ligeiramente mais barato que o DeepSeek-V3.2 e apresenta uma velocidade de inferência cerca de três vezes maior. Em comparação com o Gemini 2.5 Pro, o desempenho geral é semelhante, mas o custo de inferência do modelo do Google é cerca de 20 vezes superior. Atualmente, a Xiaomi disponibiliza todos os pesos do MiMo-V2-Flash em código aberto, além de um relatório técnico detalhado e APIs para integração por desenvolvedores em ambientes de Web Coding IDE. Durante a apresentação, Luo Fuli afirmou que, apesar dos avanços, ainda não há confiança plena no uso de grandes modelos para tarefas complexas do dia a dia. Para ela, a próxima geração de agentes inteligentes deve ir além da simulação de linguagem e coexistir de forma prática com o mundo físico. Segundo a pesquisadora, essa evolução exige dois avanços centrais. O primeiro é a transição de sistemas que apenas respondem perguntas para modelos capazes de concluir tarefas completas. Isso envolve memória, raciocínio, planejamento e percepção multimodal, permitindo a integração com dispositivos como óculos inteligentes e outros terminais conectados ao cotidiano. O segundo avanço é o desenvolvimento de modelos físicos. De acordo com Luo Fuli, os grandes modelos atuais priorizaram linguagem e aprendizado por reforço, mas não desenvolveram plenamente percepção, simulação do mundo e interação física. Como resultado, conseguem resolver problemas abstratos, mas falham ao compreender leis físicas básicas, o que leva a erros conhecidos como “alucinações corporificadas”. Para a pesquisadora, a próxima etapa da IA exige modelos capazes de compreender não apenas imagens e textos, mas também as leis físicas que regem o ambiente real, permitindo deduções sobre o funcionamento do mundo. Durante o mesmo evento, o presidente do Grupo Xiaomi, Lu Weibing, anunciou que a empresa investirá RMB 200 bilhões em pesquisa e desenvolvimento nos próximos cinco anos, com o objetivo de se posicionar entre os líderes globais em tecnologias avançadas. Segundo ele, apenas em 2025 o investimento em P&D deve variar entre RMB 32 bilhões e 33 bilhões, com previsão de cerca de RMB 40 bilhões em 2026. Lu Weibing afirmou ainda que, desde abril, a Xiaomi lançou sucessivamente modelos básicos MiMo de linguagem, multimodalidade e voz, todos abertos a desenvolvedores globais. Em novembro, a empresa apresentou a solução Xiaomi Miloco para casas inteligentes e o modelo corporificado MiMo-Embodied, ambos também em código aberto. O sistema operacional leve Xiaomi Vela, voltado para a Internet das Coisas, teve sua versão open source, o openvela, disponibilizada nas plataformas GitHub, Gitee e GitCode. Atualmente, o sistema conta com mais de 100 parceiros globais, suporta mais de 1.500 tipos de produtos e está presente em mais de 160 milhões de dispositivos. Segundo dados divulgados no evento, a Xiaomi alcançou 742 milhões de usuários ativos mensais no mundo. No ecossistema de hardware, a plataforma Xiaomi AIoT conecta 1,04 bilhão de dispositivos e reúne mais de 15 mil parceiros. No software, a base global de desenvolvedores chegou a 1,2 milhão, com mais de 1,1 bilhão de downloads mensais no mercado doméstico. Com esse ecossistema, a Xiaomi Auto anunciou a abertura total do CarIoT para a indústria automotiva. A empresa passou a oferecer uma interface unificada para montadoras e fabricantes de hardware veicular. De acordo com informações divulgadas na conferência, o CarIoT já abriu mais de 30 categorias de produtos e firmou parcerias com quatro montadoras, entre elas BYD e GAC Toyota. Fonte: tmtpost.com

17 de dezembro de 2025
China2Brazil
O Porto Livre de Hainan iniciará, em 18 de dezembro, o fechamento alfandegário integral em toda a ilha, medida que deve ampliar a cooperação econômica entre a província chinesa e os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático ( ASEAN ). Representantes dos setores político, empresarial e acadêmico avaliam que a nova fase tende a aprofundar fluxos comerciais, investimentos e projetos conjuntos. Nos últimos anos, o aumento do grau de abertura do Porto Livre de Hainan já se refletiu no comércio bilateral. O volume de trocas entre Hainan e a ASEAN passou de RMB 23,66 bilhões em 2020 para RMB 57,91 bilhões em 2024. Ao mesmo tempo, a cooperação avançou em áreas como agricultura, investimentos, transporte marítimo e turismo. Como uma das principais portas de entrada da China para o Sudeste Asiático, Hainan vem reforçando a conectividade regional. No transporte aéreo, autoridades abriram ou ampliaram rotas internacionais entre Haikou e Penang, Cidade de Ho Chi Minh e Nha Trang; Sanya e Vientiane; além de Qionghai e Kuala Lumpur. No transporte marítimo, o Porto de Yangpu acelera sua transformação em hub internacional e já estruturou uma rede de rotas voltada ao Sudeste Asiático. A combinação entre localização geográfica e políticas associadas ao fechamento alfandegário tende a elevar o nível da cooperação . Recentemente, Hainan e países da ASEAN anunciaram projetos de cooperação marítima, incluindo a criação conjunta de laboratórios de biotecnologia marinha, o avanço de projetos de energia eólica offshore flutuante e a abertura de rotas de cruzeiros de longa distância pelo Mar do Sul da China. Para Chen Peiqiang, presidente da Câmara de Comércio da Tailândia e da Junta de Comércio Tailandesa, o fechamento do Porto Livre de Hainan deve reforçar o papel estratégico da ilha dentro da Iniciativa Cinturão e Rota. Segundo ele, Hainan pode se consolidar como plataforma de conexão entre a China, a ASEAN e a Parceria Econômica Regional Abrangente (RCEP). As políticas associadas ao fechamento incluem benefícios como tarifa zero e isenção de imposto de importação para vendas internas de produtos com valor agregado superior a 30%. De acordo com Lu Keming, presidente fundador da Câmara de Comércio Indonésia–Hainan, essas medidas podem transformar Hainan em um hub para empresas indonésias investirem na China e para empresas chinesas investirem na Indonésia. O diretor do Departamento de Oceanos da Província de Hainan, Li Dongyu, informou que, entre cerca de 6.600 códigos de produtos com tarifa zero após o fechamento, mais de 2.300 se relacionam ao setor marítimo. Segundo ele, ao operar como centro de distribuição e processamento, Yangpu permitirá a importação de componentes essenciais com tarifa zero, a combinação com capacidade produtiva doméstica e a posterior exportação de produtos alinhados à demanda da ASEAN. O modelo integra capacidade produtiva chinesa, tecnologia estrangeira, políticas locais e demanda regional. Além do fechamento alfandegário, a atualização para a versão 3.0 da Área de Livre Comércio China–ASEAN adicionou temas como economia digital, economia verde e conectividade das cadeias de suprimentos. Esse movimento cria um duplo impulso para a cooperação com Hainan, que pode funcionar como zona de demonstração da nova etapa do acordo, com iniciativas em integração industrial, reconhecimento mútuo de talentos e desenvolvimento de indústrias verdes. Segundo Xu Ningning, presidente do Comitê de Cooperação Industrial do RCEP, o próximo passo de Hainan deve priorizar a cooperação com a ASEAN em pequenas e médias empresas e na formação de talentos em alta tecnologia. Ele também destaca o potencial do comércio eletrônico transfronteiriço e defende a criação de uma organização não governamental conjunta de e-commerce, com sede em Hainan. Fonte: China News

17 de dezembro de 2025
China2Brazil
Pesquisadores chineses criaram os primeiros metais bidimensionais (2D) do país, um avanço que a revista Physics World incluiu na lista das “10 principais descobertas para 2025”. O estudo foi conduzido por uma equipe do Instituto de Física da Academia Chinesa de Ciências e publicado na revista Nature em março. A pesquisa aborda um desafio considerado quase impossível por décadas: a produção de metais em escala bidimensional. Desde a identificação do grafeno monocamada, em 2004, os materiais 2D ampliaram de forma consistente o campo da física da matéria condensada e da ciência dos materiais. Nesse período, cientistas já identificaram experimentalmente centenas de materiais bidimensionais e projetaram teoricamente cerca de 2 mil estruturas. Apesar desse avanço, os metais permaneceram fora desse grupo devido às fortes ligações metálicas entre seus átomos, que dificultam a formação de estruturas ultrafinas estáveis. Segundo Zhang Guangyu, cientista líder do projeto, esse obstáculo limitou por anos o desenvolvimento de metais 2D. Para contornar o problema, a equipe desenvolveu um método de fabricação em escala atômica conhecido como técnica de especificação por van der Waals. A abordagem permitiu a criação de diferentes metais bidimensionais, entre eles bismuto, estanho, chumbo, índio e gálio. De acordo com Zhang, a espessura desses metais corresponde a cerca de um milionésimo de uma folha de papel A4 e a aproximadamente 1/200.000 do diâmetro de um fio de cabelo humano. Essa dimensão extrema abre caminho para aplicações tecnológicas de alta precisão. Os pesquisadores apontam que os metais 2D podem apoiar o desenvolvimento de transistores ultracompactos de baixo consumo de energia, dispositivos de alta frequência, telas transparentes, sensores de alta sensibilidade e processos de catálise mais eficientes. A Physics World é uma revista científica vinculada ao Instituto de Física, entidade profissional que representa físicos no Reino Unido e na Irlanda. Sua lista anual das 10 principais descobertas é referência no meio científico internacional e considera critérios como relevância científica, avanço do conhecimento, integração entre teoria e experimento e impacto global. Fonte: Xinhua

17 de dezembro de 2025
China2Brazil
O Parque Musical de Qunli, em Harbin, concluiu oficialmente no dia 16 de dezembro a construção do tradicional boneco de neve gigante, que voltou a atrair atenção nas redes sociais e no turismo local. A escultura tornou-se um dos principais símbolos da temporada de inverno na chamada Cidade do Gelo, no nordeste da China . A construção começou em 4 de dezembro e levou 11 dias. O projeto mobilizou 64 escultores e mais de 100 trabalhadores. Neste ano, o boneco atingiu 19 metros de altura e manteve o visual clássico, com chapéu vermelho, cachecol vermelho e botões em formato de coração. O volume de neve ultrapassou 3.500 metros cúbicos, o maior já registrado na história da atração, o que resultou em uma estrutura mais uniforme e estável. Ao contrário da simples sobreposição de neve, a obra exige técnicas específicas devido ao tamanho da escultura. Para garantir melhor acabamento e maior resistência, a equipe utilizou neve artificial. Esse tipo de neve apresenta maior aderência, coloração mais branca e maior precisão na modelagem em comparação com a neve natural. A neve artificial não é produzida com água tratada da rede urbana. O material vem da água bruta do rio Songhua. Neste inverno, os organizadores adicionaram uma nova piscina de filtragem ao processo, o que reduziu impurezas. A filtragem melhora a aparência da neve e ajuda a retardar o derretimento, permitindo que o boneco permaneça em exposição por mais tempo durante a temporada. Com a conclusão da obra, o boneco de neve passou de fenômeno digital a ponto de visita presencial, concentrando turistas interessados em fotografias e experiências de inverno. A atração reforça o calendário turístico de Harbin e integra a estratégia local de estímulo à economia do gelo e da neve durante os meses mais frios. Fonte: toutiao.com

16 de dezembro de 2025
China2Brazil
A Alibaba lançou, em 16 de dezembro, a nova geração da série de modelos de inteligência artificial Wanxiang 2.6, voltada à produção audiovisual profissional e à criação de imagens. O modelo passa a oferecer, pela primeira vez na China, suporte à interpretação de personagens em vídeos gerados por IA. A atualização também inclui sincronização entre áudio e imagem, geração de múltiplas cenas e condução por voz. O Wanxiang 2.6 já está disponível no Alibaba Cloud Bailian e no site oficial da plataforma. O lançamento ocorre após a Alibaba apresentar, em setembro, o Wanxiang 2.5, primeiro modelo chinês de geração de vídeo com sincronização audiovisual. Segundo a empresa, essa versão elevou a eficiência da criação de vídeos. No ranking do LMArena , que avalia grandes modelos de IA, o Wanxiang liderou a classificação nacional em geração de vídeo a partir de imagens. A versão 2.6 amplia a qualidade de imagem, os efeitos sonoros e a precisão no cumprimento de instruções. Cada vídeo pode ter até 15 segundos de duração, o maior limite registrado no mercado chinês até o momento. O modelo incorpora recursos de interpretação de personagens e controle de storyboard, o que permite gerar vídeos com uma ou várias pessoas, além de interações entre pessoas e objetos. O sistema também realiza automaticamente a alternância entre cenas, atendendo a demandas de produções audiovisuais profissionais. De acordo com a Alibaba, o Tongyi Wanxiang utiliza uma arquitetura multimodal que integra vídeos de referência no processo de aprendizado. O modelo analisa emoções, posturas e características visuais dos personagens ao longo do tempo e em diferentes ângulos. Também extrai dados acústicos, como timbre e velocidade da fala. Essas informações funcionam como parâmetros de controle na geração dos vídeos, garantindo consistência entre imagem e som. Atualmente, o sistema já suporta performances individuais e em grupo. No controle de storyboard, o modelo aplica compreensão semântica avançada para dividir os comandos do usuário em múltiplas cenas, com narrativa estruturada. Durante as transições, o sistema mantém a consistência do personagem principal, do cenário e da atmosfera, o que assegura uniformidade de ritmo e estilo ao longo do vídeo. O recurso de interpretação de personagens amplia o uso do modelo por usuários não especializados. Ao enviar um vídeo pessoal e definir um prompt, como ficção científica ou suspense, o sistema cria automaticamente o storyboard, a atuação do personagem e a dublagem, gerando um curta com narrativa completa e movimentos de câmera inspirados no cinema. Em aplicações profissionais, como publicidade e produção de minisséries, o Wanxiang 2.6 permite gerar vídeos completos a partir de prompts contínuos. Segundo a empresa, o modelo mantém a consistência de personagens, produtos e cenários mesmo com múltiplas mudanças de cena, o que facilita a criação de campanhas publicitárias e conteúdos seriados. O acesso ao Wanxiang 2.6 já está disponível para usuários no site oficial da plataforma. Empresas podem utilizar a API por meio do Alibaba Cloud Bailian. A Alibaba também informou que o aplicativo Qwen deverá integrar o modelo em breve. Atualmente, a família Wanxiang reúne mais de dez capacidades de criação visual, incluindo geração e edição de imagens, geração de vídeos a partir de texto, imagens ou voz, criação de movimentos, interpretação de personagens e edição geral de vídeos. Esses recursos já são utilizados em áreas como quadrinhos animados com IA, design publicitário e produção de vídeos curtos. Fonte: tmtpost.com

16 de dezembro de 2025
China2Brazil
Empresas chinesas que expandem operações para o exterior enfrentam dificuldades crescentes para proteger suas marcas na internet, diante do aumento de infrações em domínios impulsionadas por inteligência artificial e da baixa participação do país na posse de domínios de topo de marca. O tema foi debatido em um fórum sobre propriedade intelectual promovido pelo Centro Nacional de Engenharia do Sistema de Nomes de Domínio da Internet (ZDNS) e pela Comissão Internacional de Arbitragem Econômica e Comercial da China (CIETAC). “Antes, prestávamos atenção apenas a marcas registradas e patentes. Só quando surgiram em massa, nos mercados externos, domínios falsificados com o nome da marca combinado a diversos sufixos é que percebemos as brechas na proteção de domínios”, afirmou o diretor jurídico de uma empresa chinesa de equipamentos eletrônicos voltada ao comércio internacional. O relato reflete um problema comum entre empresas chinesas que atuam fora do país. Com o uso de IA facilitando a criação em escala de domínios falsos e com a aproximação da segunda rodada de pedidos de novos domínios genéricos de topo (gTLDs) da ICANN, prevista para 2026, os domínios deixaram de ser apenas um recurso técnico e passaram a integrar a estratégia de proteção da propriedade intelectual no comércio internacional. Infrações em domínios crescem com IA, enquanto China tem baixa participação em gTLDs Uma pesquisa global da Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN) indica que mais de 98% dos líderes de marketing entrevistados na China acreditam que os domínios genéricos de topo podem gerar benefícios relevantes para suas organizações, segundo Zhang Jianchuan, diretor sênior de cooperação com stakeholders da ICANN na região Ásia-Pacífico. Apesar disso, os dados históricos mostram uma participação limitada das empresas chinesas . Na primeira rodada de pedidos de gTLDs, em 2012, companhias da Europa e da América do Norte receberam 1.586 aprovações, mais de 80% do total. A Amazon obteve 55 domínios e o Google, 46. As empresas chinesas receberam 41 aprovações, menos de 4%. De acordo com estatísticas da ICANN, a China possui apenas cinco domínios de topo de marca, o mesmo número da Índia, país que conta com apenas oito empresas na lista Fortune Global 500. O número fica muito abaixo de países como Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido e França, que somam 98 domínios de topo de marca. Segundo Feng Shuo, chefe do Grupo de Promoção de Inovação e Desenvolvimento de Marcas Digitais do Comitê de Recursos Básicos da Internet da Associação Chinesa da Internet, a IA acelerou esse tipo de infração. “A inteligência artificial levou as infrações de domínios à era da produção em massa”, afirmou. Ele explica que infratores usam IA para gerar variações semelhantes de domínios, criar sites falsificados com alto grau de fidelidade visual e explorar diferenças legais entre países para evitar responsabilização. Segundo Feng, os litígios internacionais envolvendo domínios aumentam ano a ano, e mesmo quando a defesa é bem-sucedida, o prejuízo já ocorreu. Domínios de topo como ferramenta de proteção em múltiplas camadas Entrevistas com a equipe de pesquisa do ZDNS e com empresas chinesas atuantes no mercado internacional indicam três funções centrais dos domínios de topo de marca na proteção transfronteiriça da propriedade intelectual. A primeira é o controle direto do ambiente digital. Ao operar um domínio de topo próprio, a empresa define as regras de registro e controla os domínios de segundo nível, o que reduz o risco de apropriação indevida. O grupo CITIC, por exemplo, estruturou sua presença digital com o domínio “.citic”, criando endereços como “group.citic” e “citicbank.citic”. A segunda função é facilitar a expansão internacional. Atualmente, existem 1.443 domínios de topo no mundo, muitos com exigências regulatórias específicas. O domínio “.eu” exige documentação por meio de registradores locais; o “.au” requer presença física ou parceria na Austrália; e o “.br” exige registro formal de empresa no Brasil. Um domínio de topo de marca próprio permite contornar essas limitações e criar um ecossistema digital exclusivo. A terceira função é a centralização dos ativos de marca. Segundo o responsável de TI de uma grande empresa chinesa de e-commerce transfronteiriço, gerenciar múltiplas marcas e operações em vários países sempre foi um desafio. A adoção de um domínio de topo próprio permite manter uma entrada digital unificada, com adaptações locais, preservando a consistência da marca e fortalecendo a confiança do consumidor. Janela de 2026 reacende disputa por domínios de topo A ICANN abrirá a segunda rodada de pedidos de novos domínios genéricos de topo em abril de 2026, a primeira desde 2012. “Essa é uma oportunidade para que marcas globais solicitem e operem seus próprios domínios de topo”, afirmou Zhang Jianchuan. Segundo informações do setor, empresas estrangeiras e registradores como Unstoppable Domains, Freename e Nova já anunciaram planos para solicitar centenas de domínios. Ainda não há confirmação se alguns desses identificadores coincidem com marcas chinesas. Para Feng Shuo, a proteção de domínios deve ser tratada como parte da infraestrutura básica da propriedade intelectual internacional. Ele recomenda que empresas chinesas adotem quatro medidas: monitorar riscos de interrupção de serviços de domínios, priorizar domínios geridos pela China, avaliar a solicitação de domínios de topo de marca e investir em sistemas de backup e DNS resilientes para garantir a continuidade das operações. Fonte: gmw.cn