A integração entre inteligência artificial (IA) e manufatura já altera a dinâmica produtiva na China, com impacto direto na cadeia de suprimentos e no desenvolvimento de novos produtos. Em Shenzhen, o polo eletrônico de Huaqiangbei passou a operar com soluções que conectam criação, prototipagem e produção em escala em prazos reduzidos, apoiadas por dados de mercado e automação.
Conhecida como o principal centro de eletrônicos do país, Huaqiangbei reúne uma cadeia industrial completa, com fornecedores, distribuidores e fabricantes concentrados em poucos quarteirões. Agora, esse ecossistema incorpora sistemas de IA capazes de analisar demandas, sugerir componentes e estruturar projetos com base em dados atualizados de preço e disponibilidade.
Um dos exemplos é a criação de um espaço de serviços personalizados com IA, que promete reduzir o tempo entre a concepção e a produção. A proposta segue uma lógica direta de desenvolver um projeto pela manhã, montar um protótipo no mesmo dia e iniciar a produção em massa em seguida.
Ao solicitar o desenvolvimento de um drone com câmera, a plataforma apresentou em minutos uma lista completa de componentes, incluindo especificações técnicas, fornecedores e custos unitários. Segundo operadores locais, o processo substitui etapas que antes exigiam semanas de trabalho técnico.
Eficiência técnica sob demanda
De acordo com responsáveis pelo centro de aplicações de IA, a base de dados integra informações de cerca de 115 mil comerciantes da região. A ferramenta cruza esses dados para indicar opções viáveis de compra, com base em estoque e variação de preços.
A execução do projeto confirma a redução de etapas. Após a definição dos componentes, a lista é enviada para coleta. Em menos de uma hora, todos os itens necessários, como controladores de voo, motores e baterias, foram adquiridos dentro do próprio complexo comercial.
A montagem ocorre em pequenas oficinas especializadas. Em um dos casos acompanhados, um drone funcional foi montado em cerca de uma hora. Todo o processo, da seleção de peças à finalização, levou menos de duas horas.
Essa mudança altera o perfil de demanda local. Antes focado no atacado, o mercado passou a atender clientes com necessidades específicas, como estudantes, pesquisadores e desenvolvedores independentes. A oferta de componentes também cresceu, com maior participação da produção local.
Além do comércio, Huaqiangbei atrai profissionais estrangeiros interessados em desenvolver produtos. Em edifícios próximos ao centro comercial, surgiram laboratórios independentes e espaços de coworking voltados para hardware.
Criadores utilizam a infraestrutura local para montar protótipos e testar soluções. Em muitos casos, os próprios espaços são equipados com peças adquiridas na região. A proximidade com fornecedores reduz custos e prazos de desenvolvimento.
Um dos coworkings voltados para “makers” recebeu mais de 16 mil usuários internacionais em pouco mais de três anos. A proposta é oferecer acesso direto a ferramentas, componentes e redes de contato da indústria local.
Relatos de usuários indicam que a principal vantagem é a velocidade de execução. Ideias podem ser testadas em poucos dias, com acesso imediato a peças e suporte técnico. Esse ambiente reduz barreiras de entrada para novos produtos.
Fonte: gmw

