A idade das estrelas da Via Láctea não diminui de forma contínua do centro para as regiões mais distantes da galáxia, como indicavam modelos anteriores. Um estudo publicado na revista *Nature Astronomy* mostrou que a distribuição etária das estrelas segue um padrão em forma de “U”: elas se tornam mais jovens à medida que se afastam do centro galáctico, mas voltam a apresentar idades mais elevadas nas áreas mais externas.
A descoberta foi feita por uma equipe de pesquisadores chineses. Segundo o primeiro autor do estudo, o professor Lian Jianhui, a idade média das estrelas diminui gradualmente entre o centro da Via Láctea e uma região localizada a cerca de 36 mil anos-luz de distância. Nesse trecho, quanto mais longe do núcleo galáctico, mais jovens tendem a ser as estrelas.
No entanto, o padrão muda além desse limite. A partir de aproximadamente 36 mil anos-luz, a idade média das estrelas volta a aumentar. Nas áreas mais afastadas da galáxia, a cerca de 45 mil anos-luz do centro, a idade estelar se estabiliza em torno de 5 bilhões de anos.
De acordo com os pesquisadores, a curva que representa a distribuição das idades das estrelas ao longo do disco galáctico se assemelha à letra “U”. O resultado indica que a estrutura etária da Via Láctea segue uma sequência de “velho-jovem-velho”, em vez de um simples gradiente de rejuvenescimento em direção à periferia.
A equipe atribui o fenômeno à chamada migração radial das estrelas. Nesse processo, estrelas formadas em regiões internas da galáxia alteram suas órbitas ao longo do tempo devido a interações gravitacionais com estruturas como os braços espirais e a barra central da Via Láctea.
Os pesquisadores observaram que a formação de novas estrelas ocorre principalmente até cerca de 36 mil anos-luz do centro galáctico. Já nas regiões mais externas, esse processo é limitado. Como resultado, muitas das estrelas antigas encontradas nessas áreas nasceram originalmente em regiões internas e migraram para a periferia ao longo de bilhões de anos.
Segundo o estudo, as observações fornecem evidências diretas da migração estelar e permitem estimar a velocidade desse deslocamento. Os resultados são compatíveis com medições obtidas anteriormente por outros métodos.
Além de ampliar a compreensão sobre a formação e a evolução da Via Láctea, a metodologia desenvolvida poderá ser aplicada ao estudo de galáxias mais distantes. Os pesquisadores afirmam que a técnica pode ajudar a medir a migração de estrelas em outros sistemas galácticos e contribuir para o entendimento dos processos que moldam a evolução das galáxias no Universo.
Fonte: news.cn

