A China bloqueou a aquisição da empresa de inteligência artificial Manus pela Meta e determinou a reversão da operação. A decisão foi anunciada em 27 de abril pelo Escritório do Mecanismo de Revisão de Segurança para Investimentos Estrangeiros, vinculado à Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, com base na legislação nacional que regula investimentos estrangeiros em setores sensíveis.
O caso envolve uma transação estimada em cerca de US$2 bilhões, anunciada pela Meta em dezembro de 2025. A operação se tornaria a terceira maior aquisição da história da companhia. No entanto, desde o início, o negócio gerou questionamentos sobre transferência de tecnologia, uso de dados e deslocamento de equipes técnicas.
A Manus foi lançada em março de 2025 pela empresa Butterfly Effect. A plataforma ganhou visibilidade após a divulgação de um vídeo demonstrativo e passou a circular no mercado com códigos de acesso revendidos por valores elevados. Em seguida, a empresa transferiu sua sede para Singapura, reduziu sua estrutura na China e encerrou operações no país, mantendo apenas parte da equipe técnica.
Esse movimento levantou dúvidas no mercado. Analistas apontaram que a empresa se desenvolveu com base em engenheiros, infraestrutura e dados chineses, mas passou a se desvincular rapidamente desse ecossistema após receber investimento estrangeiro. Além disso, especialistas em direito corporativo nos Estados Unidos indicaram que o principal ativo da operação seria a equipe técnica, caracterizando uma prática comum de “aquisição para retenção de talentos”.
Embora parte do debate tenha sugerido aplicação extraterritorial de normas, o governo chinês considera que o vínculo tecnológico da Manus com o país justifica a intervenção. O ponto central envolve a origem de dados, desenvolvimento de tecnologia e impacto potencial sobre a segurança industrial.
A legislação chinesa exige revisão de segurança em operações que envolvem transferência de tecnologia e investimento estrangeiro em áreas estratégicas. Normas como o Regulamento de Revisão de Segurança para Investimentos Estrangeiros, o Catálogo de Tecnologias Proibidas ou Restritas para Exportação e a Lei de Comércio Exterior estabelecem esse tipo de controle.
Além disso, o bloqueio segue uma tendência internacional. Nos últimos anos, Estados Unidos, União Europeia e Japão ampliaram mecanismos de revisão para investimentos em setores como inteligência artificial, biotecnologia e tecnologia da informação. Essas políticas incluem não apenas aquisições, mas também novos projetos e investimentos diretos.
Nesse cenário, a decisão da China não indica fechamento do mercado. Desde 2024, o país reduziu restrições ao capital estrangeiro e ampliou o acesso em áreas como serviços e manufatura avançada. Ao mesmo tempo, mantém controle sobre setores considerados estratégicos.
A lógica é operacional: maior abertura exige regras mais claras. A definição de limites regulatórios tende a reduzir incertezas e oferecer previsibilidade para investidores que atuam dentro das normas.
A disputa por liderança em inteligência artificial reforça esse movimento. O setor concentra investimentos, desenvolvimento tecnológico e competição global por talentos. A China mantém participação relevante nesse processo, apoiada em mercado interno amplo, cadeia industrial integrada e políticas públicas voltadas à inovação.
Fonte: sina.com.cn

