14 de maio de 2026
Segundo dados da Alfândega da cidade de Xiamen, o comércio exterior da província de Fujian com a América Latina — incluindo importações e exportações — atingiu níveis recordes. Tanto as importações quanto as exportações vêm registrando crescimento positivo por 10 meses consecutivos. Entre janeiro e abril, o volume total de comércio de Fujian com a América Latina chegou a RMB 69,2 bilhões, um aumento de 18% em relação ao ano anterior, representando 10,7% do comércio exterior total da província no período. Deste total, as importações somaram RMB 41,81 bilhões, um aumento de 27,4%, representando 15% do total de importações da província. As exportações chegaram a RMB 27,39 bilhões, um crescimento de 6,1%, representando 7,5% do total de exportações. Empresas privadas lideram o comércio As empresas privadas foram responsáveis por cerca de metade do comércio de Fujian com a América Latina. De janeiro a abril, essas empresas movimentaram RMB 40,65 bilhões, um aumento de 31,1%, representando mais de 50% do total. No mesmo período, as empresas estatais registraram RMB 19,07 bilhões em comércio com a região (27,6% do total), enquanto as empresas de capital estrangeiro somaram RMB 9,48 bilhões, com crescimento de 16,8% (13,7% do total). Comércio geral é o principal formato O comércio geral foi o principal tipo de transação. Entre janeiro e abril, esse modelo respondeu por RMB 53,09 bilhões, um aumento de 18,2%, equivalente a 76,7% do total. No mesmo período, Fujian registrou comércio exterior com a América Latina no valor de RMB 9,8 bilhões por meio do comércio de processamento e de RMB 5,99 bilhões por meio de logística sob regime aduaneiro especial, com crescimentos anuais de 23,9% e 25,1%, respectivamente. Juntos, esses dois formatos representaram 22,8% do total do comércio da província com a região. Brasil é o principal parceiro Segundo a Alfândega de Xiamen, o Brasil é o principal mercado da América Latina para Fujian. O comércio bilateral atingiu RMB 22,7 bilhões, um crescimento de 45,1%, representando 32,8% do total do comércio da província com a região e contribuindo com 12 pontos percentuais para o crescimento geral. Produtos industriais lideram exportações As exportações de produtos eletromecânicos foram as mais destacadas. Entre janeiro e abril, Fujian exportou RMB 12,89 bilhões em produtos desse tipo para a América Latina, um aumento de 21,9%, representando 47,1% do total das exportações para a região e contribuindo com 9 pontos percentuais para o crescimento exportador. Fonte: gmw.cn
7 de maio de 2026
No dia 6 de maio, veículos da mídia chinesa informaram que o Fundo Nacional da Indústria de Circuitos Integrados da China (conhecido como “Grande Fundo Nacional”) está negociando para liderar a primeira rodada de financiamento da DeepSeek. A avaliação final da empresa poderá chegar a cerca de US$ 45 bilhões. O jornal Shanghai Securities News apurou a informação junto a diversas fontes consideradas confiáveis. Segundo pessoas próximas às negociações, “as conversas entre as partes realmente estão acontecendo, mas a avaliação da empresa ainda não foi definida”. A mesma fonte revelou que há vários outros potenciais investidores participando das negociações, incluindo gigantes da internet chinesa e outros fundos estatais. Apesar disso, os envolvidos mantêm postura discreta. Em grandes rodadas de financiamento envolvendo empresas altamente promissoras, é comum que as partes adotem cautela antes da conclusão oficial do acordo. Até o momento, a lista definitiva de investidores ainda não foi fechada. Diversos investidores afirmaram que o forte interesse do mercado inevitavelmente elevou a avaliação pretendida da DeepSeek, embora ainda seja difícil determinar o valor exato. “Esse projeto é diferente de outras startups. Apesar de a empresa ainda ter limitada monetização, os investidores enxergam enorme potencial de crescimento. Hoje, são os investidores que estão correndo atrás de Liang Wenfeng para ver quem será escolhido”, comentou um deles. Segundo analistas do setor, “os fundos estatais certamente terão papel central na composição final dos investidores”. Vale destacar que, em 24 de abril, a DeepSeek lançou oficialmente e em código aberto a versão preliminar do DeepSeek-V4. O novo modelo de IA, equipado com um mecanismo inovador de atenção, apresenta capacidade líder mundial em processamento de longos contextos e introduz inovações estruturais que abrem um novo caminho para o desenvolvimento coordenado entre software e hardware, fortalecendo a autonomia tecnológica da indústria chinesa de IA. Especialistas avaliam que o lançamento do V4 não apenas elevou o patamar tecnológico do setor e mudou percepções do mercado, mas também consolidou a posição da DeepSeek como uma das líderes no desenvolvimento de grandes modelos de IA da China, aumentando significativamente o reconhecimento de seu valor pelo mercado financeiro. Há apenas algumas semanas, no início das negociações, a avaliação da empresa girava em torno de US$ 20 bilhões — valor que agora mais do que dobrou. Informações públicas mostram que a DeepSeek foi fundada em julho de 2023, incubada pela gestora quantitativa High-Flyer, e tem como fundador Liang Wenfeng, ex-aluno da Universidade de Zhejiang. Até então, os recursos de pesquisa e desenvolvimento da empresa vinham majoritariamente do apoio interno da High-Flyer. Após o vazamento das informações sobre a rodada de financiamento, a DeepSeek realizou recentemente uma importante reorganização acionária. Registros empresariais mostram que, em 27 de abril de 2026, o capital registrado da empresa aumentou de RMB 10 milhões para RMB 15 milhões. Com o aporte adicional, Liang Wenfeng elevou sua participação direta de 1% para 34%, enquanto a fatia do antigo acionista controlador, a Ningbo Chengen Enterprise Management Consulting Partnership, foi diluída de 99% para 66%. Após a reestruturação, Liang Wenfeng passou a controlar cerca de 84,29% das ações da empresa, somando participações diretas e indiretas, consolidando seu controle absoluto sobre a DeepSeek. Segundo fontes da mídia, Liang também deverá participar da rodada atual de investimento com recursos próprios. Pessoas próximas à empresa afirmam que o principal objetivo da captação é enfrentar a crescente concorrência do setor e os desafios relacionados à retenção de talentos. Os recursos deverão ser usados para expandir a capacidade computacional, aumentar salários e garantir a permanência de profissionais de ponta, além de sustentar futuras pesquisas e a implementação em larga escala dos modelos de IA. Atualmente, o setor chinês de grandes modelos de IA vive intensa competição. De um lado, gigantes como ByteDance, Baidu, Alibaba, Tencent e Xiaomi ampliam investimentos em modelos próprios, aproveitando capital robusto, vastos recursos computacionais e ecossistemas consolidados para acelerar iterações tecnológicas e disputar talentos com altos salários. De outro lado, unicórnios de IA como Moonshot AI, Z.ai, MiniMax, Baichuan Intelligence e ModelBest crescem rapidamente, acelerando tanto o desenvolvimento tecnológico quanto a comercialização de produtos, aumentando a pressão competitiva sobre a DeepSeek. No cenário global, empresas como OpenAI, Anthropic e Google formam a primeira linha da IA mundial, exercendo forte pressão tecnológica, financeira e de talentos sobre concorrentes chineses como a DeepSeek. O Fundo Nacional da Indústria de Circuitos Integrados da China foi criado com base no “Plano de Promoção do Desenvolvimento da Indústria de Circuitos Integrados”, emitido pelo Conselho de Estado chinês em 2014. Operando sob modelo de captação de mercado e gestão profissionalizada, o fundo já lançou três fases de investimento voltadas à cadeia completa da indústria de semicondutores. A primeira fase foi criada em 2014, com escala de RMB 138,72 bilhões; a segunda, em 2019, somou RMB 204,15 bilhões; e a terceira fase, lançada oficialmente em 2024, possui capital registrado de RMB 344 bilhões, tornando-se atualmente o maior fundo industrial estatal da China. Fonte: sina.com.cn
6 de maio de 2026
A China lançará uma nova rodada de injeções de capital em seus maiores bancos comerciais estatais por meio da emissão de títulos especiais do Tesouro, medida que deve aumentar significativamente a capacidade de concessão de crédito dessas instituições e reforçar o apoio à economia real. Segundo o Ministério das Finanças, os leilões de títulos especiais do Tesouro com vencimentos de cinco e sete anos — utilizados para injetar capital em instituições financeiras centrais — estão programados para 22 de maio e 12 de junho, marcando o início da segunda rodada de recapitalização direcionada aos grandes bancos estatais. Nesta etapa, o ministério planeja emitir RMB 300 bilhões (US$ 43,92 bilhões) em títulos especiais do Tesouro para reforçar o capital principal nível 1 (core tier 1) dos bancos. A medida deverá ampliar a expansão do crédito e reforça uma postura fiscal mais ativa. No ano passado, o ministério emitiu o primeiro lote de títulos especiais do Tesouro, totalizando RMB 500 bilhões, para apoiar a recapitalização do Bank of China, China Construction Bank, Bank of Communications e Postal Savings Bank of China. Esses quatro bancos levantaram juntos RMB 520 bilhões, elevando seus índices de adequação de capital principal nível 1 em 0,86, 0,48, 1,28 e 1,51 ponto percentual, respectivamente. O mercado espera, em geral, que o Industrial and Commercial Bank of China (ICBC) e o Agricultural Bank of China (ABC) sejam os principais beneficiários da segunda rodada de injeções de capital. A China International Capital Corp (CICC) estima que a injeção de RMB 300 bilhões poderá alavancar cerca de RMB 4 trilhões em expansão de ativos, aumentando a capacidade de concessão direta de empréstimos e de aquisições dos bancos, além de apoiar fortemente a economia real e ajudar a prevenir riscos financeiros. Segundo a CICC, a medida deverá elevar, em média, os índices de adequação de capital principal nível 1 dos dois bancos em cerca de 0,6 ponto percentual. De acordo com os relatórios do primeiro trimestre de 2026 dos grandes bancos comerciais estatais, até 31 de março, os índices de adequação de capital principal nível 1 do ICBC, CCB, ABC, BOC, BOCOM e PSBC estavam em 13,26%, 14,26%, 10,8%, 12,18%, 11,25% e 10,18%, respectivamente, todos acima das exigências regulatórias. Entre eles, ICBC e ABC registraram quedas de 0,63 e 0,43 ponto percentual em relação ao fim do primeiro trimestre de 2025, enquanto os outros quatro bancos apresentaram aumento. Zeng Gang, especialista-chefe e diretor do Shanghai Institution for Finance and Development, afirmou que o principal objetivo desta rodada de injeção de capital é fortalecer a capacidade de desenvolvimento sustentável de longo prazo dos grandes bancos estatais. Segundo ele, a medida ampliará significativamente a capacidade de empréstimo dessas instituições por meio de efeitos de alavancagem, oferecendo amplo suporte às políticas de estímulo ao crescimento. Wang Qing, principal analista macroeconômico da Orient Golden Credit Rating International, afirmou que, em meio aos ajustes no mercado imobiliário e aos contínuos cortes de juros promovidos pelo banco central chinês, as margens líquidas de juros dos bancos comerciais — especialmente dos grandes bancos estatais — vêm diminuindo rapidamente desde 2023. Isso enfraqueceu a capacidade dessas instituições de recompor capital por meio de lucros retidos, tornando necessárias injeções externas de capital para sustentar operações estáveis. Wang estima que uma injeção total de RMB 800 bilhões poderá sustentar entre RMB 6 trilhões e RMB 7 trilhões em novos empréstimos — equivalente a cerca de 37% a 43% dos novos financiamentos em RMB da China em 2025. Segundo ele, a medida fortalecerá a capacidade dos bancos de absorver riscos e aumentará a resiliência de longo prazo do sistema financeiro. O aumento da capacidade de crédito também reforçará o papel dos grandes bancos como principal fonte de financiamento da economia real, especialmente ao direcionar mais recursos para estratégias nacionais prioritárias, inovação tecnológica, pequenas e microempresas e outros setores prioritários ou mais frágeis da economia. A medida também destaca uma coordenação mais forte entre as políticas fiscal e monetária, sinalizando uma postura fiscal mais ativa e abrindo caminho para novos afrouxamentos monetários, acrescentou Wang. Fonte: chinadaily.com.cn
10 de dezembro de 2025
O Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China informou, em 10 de dezembro, que 2025 será o último ano do período de transição entre a consolidação das conquistas no combate à pobreza e a integração dessas políticas à estratégia de revitalização rural. O governo manterá as atuais medidas de apoio e continuará a assistir as regiões e famílias que superaram a pobreza, com foco em evitar retrocessos em larga escala. Segundo um representante do ministério, o mecanismo de monitoramento e assistência funciona de forma estável e já identificou e apoiou mais de 7 milhões de pessoas em situação de risco. O país consolidou avanços em educação, saúde, moradia e acesso à água. O número de alunos que abandonam a educação obrigatória entre famílias que superaram a pobreza permanece em zero, enquanto a taxa de participação no seguro de saúde básico segue acima de 99%. Programas de reforma de moradias rurais e reforço estrutural avançam de forma contínua, e o abastecimento de água encanada já alcança 94% das áreas rurais . Além disso, o país continua a apoiar o desenvolvimento de indústrias locais. Os 832 municípios que superaram a pobreza cultivaram de duas a três cadeias produtivas com capacidade de ampliar a economia local. Cerca de três quartos da população anteriormente empobrecida participa de mecanismos de compartilhamento de resultados com novas entidades agroindustriais. O emprego segue estável, com mais de 30 milhões de pessoas provenientes dessas famílias inseridas no mercado de trabalho, o que sustenta a renda de mais de dois terços desses lares. A renda também avançou. Nos três primeiros trimestres de 2025, a renda disponível per capita em municípios anteriormente empobrecidos chegou a 13.158 yuans, alta real de 6,5%, acima do crescimento registrado no meio rural em geral. Desde o início do período de transição, o crescimento médio anual real alcançou 7,8%, superando a média nacional rural. A partir de 2025, os departamentos agrícolas e rurais manterão a diretriz de preservar a estabilidade das políticas com ajustes pontuais. O governo seguirá com medidas específicas de apoio, integrará a assistência rotineira à revitalização rural e manterá o foco em evitar o retorno em massa da população à pobreza. Fonte: news.cn
16 de maio de 2025
A Administração Nacional de Dados da China divulgou recentemente o “Plano de Ação para a Construção da China Digital 2025”, que estabelece diretrizes para impulsionar o desenvolvimento da infraestrutura digital e promover a estratégia “Inteligência Artificial +”, segundo informou a agência de notícias Xinhua. O documento define como prioridade a reforma orientada ao mercado na alocação de elementos de dados. A proposta é acelerar a criação de um mercado nacional de dados integrado, estimular uma economia digital baseada em dados como insumo central e adaptar a implementação conforme as características de cada região do país. De acordo com o plano, até o final de 2025, a construção da China Digital deverá alcançar avanços significativos. Entre as metas, estão o crescimento contínuo da nova produtividade digital de alta qualidade, a elevação da qualidade e da eficiência do desenvolvimento econômico digital e o aumento da participação das principais indústrias digitais no Produto Interno Bruto (PIB), com valor agregado superior a 10%. O plano implementa ações importantes em oito áreas, incluindo inovação institucional e de mecanismos, construção de marca local, "inteligência artificial +", melhoria de infraestrutura, cultivo da indústria de dados, cultivo de talentos digitais, otimização do ambiente de desenvolvimento digital e aprimoramento do empoderamento digital. Entende-se que o plano é o primeiro documento emitido pelo National Data Bureau para departamentos locais de gerenciamento de dados para orientar a construção da China Digital. Fonte: Xinhua News
16 de maio de 2025
Durante a 31ª Reunião de Ministros do Comércio do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), realizada nos dias 15 e 16 de maio de 2025 em Jeju, na Coreia do Sul, o porta-voz da China, Li Chenggang, criticou a adoção recente de tarifas de "reciprocidade" por algumas economias, classificando a prática como uma violação clara das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo Li, essas medidas unilaterais têm provocado atritos comerciais e turbulência na economia global, comprometendo o sistema multilateral de comércio. A postura, afirmou, tem gerado forte insatisfação e oposição explícita de diversos parceiros comerciais. Em seu discurso, o representante chinês defendeu que os países membros da APEC devem atuar conjuntamente para preservar a estabilidade da ordem econômica e comercial internacional. Ele ressaltou a importância de praticar o verdadeiro multilateralismo e de se opor firmemente ao unilateralismo e ao protecionismo. Também destacou a necessidade de lidar com os impactos negativos das tarifas unilaterais de forma objetiva, garantindo um fluxo comercial global sem obstáculos dentro do arcabouço da OMC . Li Chenggang enfatizou ainda a urgência de promover mudanças. Entre as medidas propostas, estão o avanço nas discussões sobre desenvolvimento, a busca por resultados concretos na 14ª Conferência Ministerial, a incorporação de acordos de facilitação de investimentos e comércio eletrônico ao sistema jurídico da organização, a retomada do funcionamento do mecanismo de solução de controvérsias, a conclusão de negociações de adesão pendentes e o fortalecimento da representatividade e autoridade da entidade. Fonte: thepaper.cn
6 de maio de 2025
Um mês após os Estados Unidos intensificarem sua política tarifária contra a China, acirrando as incertezas no comércio internacional, a 137ª edição da Feira de Cantão mostrou resiliência e vigor do setor. Considerada a maior plataforma de comércio exterior da China, o evento atraiu quase 290 mil compradores estrangeiros, o que representa um crescimento de 17,3% em relação ao ano anterior. O aumento expressivo na participação internacional reforça a vitalidade do comércio transnacional, mesmo diante do novo ciclo de tensões geoeconômicas. Realizada em três etapas, a feira reafirmou sua importância como termômetro do comércio global e vitrine estratégica para as exportações chinesas. Mais de 4,55 milhões de produtos foram expostos, incluindo mais de 1 milhão de lançamentos. As intenções de negócios registradas no local somaram US$ 25,44 bilhões, com crescimento de 3% em relação à edição anterior. O movimento intenso no pavilhão, do início ao fim, demonstrou a confiança do mundo na economia chinesa. Em vez de se afastarem, compradores internacionais continuaram a firmar contratos com empresas chinesas, contrariando a tentativa dos Estados Unidos de isolar a China por meio de tarifas. A exemplo da primeira edição da feira, em 1957 — quando o país ainda enfrentava bloqueios econômicos e diplomáticos —, a atual edição demonstrou a resiliência do modelo chinês e a disposição do país em se manter aberto ao mundo. Mesmo sob as pressões da guerra tarifária, o “Made in China” continua exercendo forte atração. Desde a véspera da abertura da feira, já havia mais de 200 mil compradores estrangeiros pré-registrados. Durante todo o evento, o número total de visitantes internacionais ultrapassou os 289 mil, estabelecendo um novo recorde. Também aumentou significativamente o número de grandes compradores, associações comerciais e empresas interessadas em parcerias duradouras com fornecedores chineses. O valor das intenções de exportação registradas durante o evento confirmou o otimismo do mercado. A presença da tecnologia foi um dos pontos altos desta edição. Mais de 1.100 empresas participaram das seções voltadas à inovação, com cerca de 320 mil produtos tecnológicos em exibição. A recém-inaugurada área de robótica atraiu visitantes de todos os continentes, que filmavam e tiravam fotos de robôs humanoides, cães-robôs e dispositivos inteligentes, comentando que a ficção científica havia, enfim, se tornado realidade. A empresa Qianxun Technology, de Shenzhen, estreante no evento, conseguiu reunir mais de US$ 20 milhões em intenções de pedidos, com perspectiva concreta de fechar ao menos US$ 5 milhões em contratos. Com produtos de ponta voltados à vigilância e ao monitoramento inteligente, a companhia já mira a participação na Expo 2030 em Riad. Outro destaque foi a valorização da estética chinesa, que tem ganhado espaço global. Empresas como a Guangzhou Textile atraíram compradores com produtos que unem técnicas tradicionais e linguagem contemporânea, transmitindo uma confiança cultural renovada. O sucesso das peças expostas no “Salão do Tesouro”, que reúne os vencedores do Prêmio CF de design, reforçou o papel de Guangdong como centro criativo. Um dos produtos mais comentados foi o robô limpador de fachadas da empresa Lingdu, com visual semelhante ao Homem-Aranha e capacidade de operar em condições extremas. Além disso, a feira apostou em sustentabilidade e soluções verdes, com 880 mil produtos de baixo carbono em exposição. A empresa Guangdong Haomei, por exemplo, apresentou sistemas de isolamento térmico e estruturas para energia solar, atendendo às exigências ambientais de mercados europeus e americanos. Mesmo com a crescente pressão dos EUA, que recentemente elevaram tarifas para até 245% e suspenderam isenções de tributos para encomendas de pequeno porte, as empresas chinesas demonstraram resiliência ao ampliar sua atuação no mercado interno e explorar novas frentes no comércio internacional. Algumas transformaram seus estandes em estúdios de live commerce, como a Guangdong Lingfeng, que passou a promover produtos nacionais com foco em vendas domésticas. Outras, como a Songfa Ceramics e a Obiya Leather, adotaram estratégias de e-commerce e marketing internacional para impulsionar suas marcas próprias em plataformas como Amazon e TikTok. Apesar do fim da feira presencial, a versão online da Feira de Cantão permanece ativa, com mais de 527 mil compradores de 229 países e regiões cadastrados. O aplicativo oficial da feira ultrapassou 320 mil downloads e segue gerando oportunidades de negócios o ano todo. Na turbulência da guerra tarifária, a China mantém sua rota. Por mais de seis décadas, a Feira de Cantão resistiu a bloqueios e crises, e nesta edição, mais uma vez, demonstrou sua capacidade de transformar desafios em oportunidades. Com inovação contínua, abertura e cooperação, o comércio chinês segue navegando em mares globais — e agora, mais do que nunca, com vento a favor. Tradução: Mei Zhen Li Fonte: Southcn
2 de maio de 2025
Mesmo diante de um cenário externo desafiador, as principais províncias e cidades da China voltadas ao comércio exterior mantiveram forte dinamismo no primeiro trimestre de 2025. Segundo dados da Administração Geral das Alfândegas da China, Guangdong, Jiangsu, Zhejiang, Xangai, Pequim, Shandong e Fujian somaram juntas RMB 7,78 trilhões em importações e exportações, o que representa 75% do comércio exterior total do país. O vice-diretor da Administração Geral das Alfândegas, Wang Lingjun, destacou que o desempenho dessas províncias se manifesta de forma contundente em três dimensões: estabilização do comércio, fomento à inovação e reforço das cadeias de suprimentos. Essas regiões se beneficiam de bases industriais consolidadas, localização geográfica estratégica e uma ampla rede de empresas atuantes no cenário internacional. Somente no primeiro trimestre, 422 mil empresas sediadas nessas províncias registraram operações de importação e exportação, o que representa um crescimento de 6,1% em relação ao mesmo período de 2024 e cerca de 80% do total nacional. Além disso, houve uma ampliação das relações comerciais com mais de 150 países e regiões, sendo que 89 deles apresentaram um ritmo de crescimento superior à média global. No que diz respeito à inovação, essas províncias têm sido fundamentais para o avanço de novas forças produtivas de alta qualidade, promovendo a integração entre tecnologia e indústria. Entre janeiro e março, as exportações de produtos de alta tecnologia provenientes dessas regiões totalizaram 783,52 bilhões de yuans, um aumento de 4,5% em comparação com o ano anterior, o que representa 71,3% do total nacional desse segmento. Os principais destaques incluem os produtos de informação eletrônica, com 385,71 bilhões de yuans exportados (+1,6%), equipamentos de ponta, com 236,58 bilhões (+8,9%), e biofármacos, com 30,11 bilhões (+9,9%). Juntas, essas três categorias responderam por 66%, 78,4% e 74,8% das exportações nacionais em suas respectivas áreas. Essas regiões também tiveram papel crucial na manutenção da estabilidade das cadeias de suprimentos. No primeiro trimestre, elas concentraram a maior parte das importações chinesas de bens essenciais à produção e ao consumo interno, como petróleo bruto e minérios metálicos, que representaram, respectivamente, 83,1% e 67,6% do total nacional. As importações de componentes eletrônicos e peças para equipamentos automáticos de processamento de dados corresponderam a 78% e 88,1% do volume nacional, respectivamente. Já as importações de bens de consumo somaram 318,42 bilhões de yuans, ultrapassando a marca de 80% do total do país, reforçando o papel central dessas regiões no suporte à demanda interna e à segurança econômica da China. Fonte: news.cn
28 de abril de 2025
O “Shenzhen”, maior navio transportador de veículos do mundo já em operação e fabricado de forma independente pela China, iniciou sua primeira viagem de exportação na noite de 27 de abril, no horário local. A embarcação, da montadora chinesa BYD, partiu do Porto de Taicang, em Jiangsu, transportando mais de 7.000 veículos elétricos rumo ao Porto de Itajaí, no Brasil. A viagem deve durar pouco mais de 30 dias. A BYD é uma das principais fabricantes chinesas de veículos elétricos. Especialistas afirmam que a partida do "Shenzhen" marca a aceleração da chamada era da “auto-logística” das montadoras chinesas. Construído por um estaleiro do China Merchants Group, o “Shenzhen” possui capacidade para transportar até 9.200 veículos padrão. Este é o quarto navio especializado da BYD, sendo que os três anteriores também foram fabricados na China. Segundo Wang Junbao, gerente geral da Divisão de Negócios Corporativos da BYD, a entrega do “Shenzhen” é um passo estratégico para a expansão internacional da empresa. “Ele não é apenas um navio, mas uma ‘ponte marítima’ que conecta a inteligência da fabricação chinesa ao mercado global, permitindo que consumidores de todo o mundo desfrutem dos avanços tecnológicos da China”, afirmou. De acordo com dados da Administração Geral de Alfândegas da China, em 2024 o volume de exportação de veículos chineses ultrapassou a marca de 6,4 milhões de unidades, consolidando a liderança global do país pelo segundo ano consecutivo. Apesar disso, mais de 700 navios especializados em transporte marítimo de veículos estão atualmente sob controle de empresas da Europa, Japão e Coreia do Sul. A participação chinesa representa apenas 2,63% da capacidade mundial, o que evidencia a defasagem entre o volume de exportação e a infraestrutura logística do país. Nos últimos anos, montadoras chinesas como BYD, Chery e SAIC vêm investindo na formação de suas próprias frotas. Em janeiro de 2023, a Guangzhou Shipyard International anunciou a venda de dois navios movidos a combustível duplo para a BYD. Pouco depois, a Chery também anunciou a criação de sua frota, enquanto a Anji Logistics, subsidiária da SAIC, encomendou diversos navios transportadores de grande porte ao estaleiro Jiangnan Shipyard. No primeiro trimestre de 2025, os navios roll-on/roll-off da BYD transportaram mais de 25.000 veículos elétricos para o exterior. Atualmente, os carros elétricos da BYD estão presentes em mais de 100 países e regiões. Especialistas do setor destacam que o custo do transporte marítimo influencia diretamente o preço final dos veículos. A posse de frotas próprias, apontam, proporciona às montadoras chinesas mais autonomia e poder de negociação. Segundo Xie Xiaowen, membro do Comitê de Especialistas da Associação de Transporte da China, “a corrida das montadoras para adquirir navios e expandir sua presença no exterior é um reflexo do crescimento contínuo e da internacionalização da indústria automobilística chinesa”. Xie ressalta que possuir frotas próprias contribui para a estabilidade das exportações, a redução dos custos de transporte e a garantia de entregas pontuais aos clientes internacionais. Fonte: news.cn
28 de abril de 2025
Na última semana, diversas empresas privadas da China, como a fabricante de autopeças Zhongjie Auto e a empresa de moldes e equipamentos de extrusão de alumínio Jiangshun Technology, conseguiram ingressar no mercado de ações chinês (A-share market). Segundo dados da Wind, até 27 de abril, 57 empresas privadas listadas levantaram, juntas, mais de 45 bilhões de yuans no ano por meio de IPOs, emissões adicionais e emissão de debêntures conversíveis. Focando no apoio à economia real, o mercado de capitais de múltiplos níveis da China vem adotando diversas medidas — com políticas mais precisas, otimização da estrutura de mercado e inovação de produtos — para criar uma verdadeira “pista de ouro” vibrante, inovadora e saudável para o desenvolvimento das empresas privadas. Mercado acionário aquece O mercado vem se organizando de forma segmentada: a ChiNext foca em empresas inovadoras, a STAR Market concentra-se em “hard tech”, a Bolsa de Pequim se posiciona como a base para empresas “especializadas, refinadas, diferenciadas e inovadoras”, e os mercados de ações regionais atuam como incubadoras. Atualmente, cerca de dois terços das companhias listadas na A-share são privadas; no STAR Market, ChiNext e na Bolsa de Pequim, cerca de 80% são privadas, e no mercado OTC (New Third Board), esse número chega a 90%. No exemplo da Bolsa de Shenzhen, nos últimos dois anos, foram apoiadas 166 novas listagens de empresas privadas, com captação de 153,26 bilhões de yuans. Houve também 258 casos de refinanciamento aprovados para empresas privadas, totalizando 222,99 bilhões de yuans, além de 10 aprovações para aquisição de ativos via emissão de ações, movimentando 6,08 bilhões de yuans. Com o suporte do mercado de capitais, as empresas privadas demonstram forte resiliência e dinamismo, com várias alcançando valor de mercado superior a 100 bilhões de yuans, impulsionando a inovação tecnológica e o crescimento econômico do país. Os setores emergentes estratégicos seguem sendo os favoritos dos investidores. Dados da Wind mostram que empresas privadas dos setores de tecnologia da informação e fabricação de equipamentos de ponta representaram 58% dos aumentos de capital. No setor de biotecnologia, o número de reestruturações aumentou 40% em relação ao ano anterior, indicando que o capital está cada vez mais focado na inovação. “A trajetória de crescimento da nossa empresa evidencia o vigor inovador das empresas privadas de tecnologia sob o apoio das políticas nacionais”, afirmou um representante da Zhongkong Technology, destacando o compromisso de ampliar investimentos em pesquisa e explorar aplicações de IA no setor industrial. O mercado também vê o surgimento de novas “forças reservas” no segmento de listagem. O New Third Board, com função de ligação e formação de empresas, tem importância crescente. Atualmente, cerca de 6.080 empresas estão listadas no Sistema Nacional de Transferência de Ações (New Third Board), e existem 35 mercados regionais de ações. A atividade no mercado de fusões e aquisições também aumenta, apoiando a integração e modernização das indústrias privadas. Desde a publicação das “Seis Diretrizes para Fusões e Aquisições”, há 80 reestruturações em andamento na A-share, das quais 51 envolvem empresas privadas, representando mais de 60% do total. Ferramentas de dívida se diversificam para ampliar o financiamento Além do mercado acionário, mais instrumentos de dívida estão sendo disponibilizados para empresas privadas. A Bolsa de Shenzhen ajudou empresas a emitir 35,37 bilhões de yuans em produtos de renda fixa até 2025. Já a Bolsa de Xangai apoiou mais de 100 empresas privadas na captação de mais de 220 bilhões de yuans via debêntures e títulos de ativos securitizados. Para fortalecer a cadeia de serviços, a Bolsa de Xangai também expandiu a lista de emissores qualificados, incluindo gigantes privados como Huawei e Zhejiang Rongsheng, agilizando o processo de emissão de dívida corporativa. Há ainda iniciativas como a promoção de REITs de infraestrutura, dívida corporativa, produtos securitizados e ações para ativar ativos existentes e apoiar o crescimento das empresas privadas. A China Securities Depository and Clearing Corporation (China Clear) anunciou que, a partir de 1º de maio, irá isentar taxas para a emissão de “green bonds” e “bonds de inovação tecnológica”, além de manter a isenção para emissões de empresas privadas. Essas medidas, somadas à recente criação de instrumentos como o mercado de “tech bonds” pelo Banco Central, a CVM e o Ministério da Ciência e Tecnologia, devem expandir ainda mais as emissões de títulos para empresas de inovação privada. Plataformas de apoio fortalecem o impulso para o crescimento As autoridades reguladoras vêm reforçando o compromisso de apoiar a inovação tecnológica e o fortalecimento das empresas privadas através do mercado de capitais. Em reunião recente, o presidente da Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China (CSRC), Wu Qing, destacou a necessidade de respeitar as dinâmicas do mercado e aumentar a transparência e previsibilidade das regras, além de acelerar a construção de um mercado de capitais mais inclusivo. Antes disso, Banco Central, CSRC e outras entidades já haviam realizado reuniões conjuntas para reforçar medidas como as “Oito Diretrizes para a STAR Market” e as “Seis Diretrizes para Fusões e Aquisições”, com foco na expansão do apoio às empresas privadas. No primeiro trimestre de 2025, o investimento privado no país cresceu 0,4% em comparação ao ano anterior. Destaque para os setores de manufatura e infraestrutura, onde o investimento privado cresceu 9,7% e 9,3%, respectivamente — superando a média geral. Para especialistas, a ampliação das vias de financiamento para empresas privadas deve impulsionar ainda mais o dinamismo do investimento privado. Para o professor Han Qian, da Escola de Administração Lingnan da Universidade Sun Yat-sen, é necessário “reduzir o tempo de análise para o ‘uplisting’ de PMEs de qualidade, criar canais verdes para empresas privadas de ‘hard tech’ e permitir que empresas não lucrativas listem com base em patentes tecnológicas.” Já Tian Xuan, diretor do Instituto Nacional de Pesquisa Financeira da Universidade Tsinghua, ressalta: “Precisamos acelerar a reforma da oferta do mercado de capitais, otimizar as condições de listagem, simplificar processos de IPO , estimular listagens de empresas privadas de qualidade e expandir os canais de saída para fundos de venture capital. Também é crucial fortalecer o desenvolvimento do mercado de dívida e de mercados regionais de ações, oferecendo instrumentos financeiros inovadores e promovendo ativamente o mercado de fusões e aquisições.” Tradução: Mei Zhen Li Fonte: Xinhua