Empreendedorismo

Salão do Automóvel de Pequim reúne lançamentos globais e avanços em elétricos e IA

Salão do Automóvel de Pequim
Imagem: Ju Huanzong/ Xinhua

A 19ª edição do Salão Internacional do Automóvel de Pequim, realizada em 2026, alcançou 380 mil metros quadrados de área de exposição e apresentou 1.451 veículos, com 181 estreias mundiais e 71 carros-conceito. O evento reuniu executivos de montadoras, fornecedores, parceiros internacionais e compradores profissionais, consolidando-se como um dos principais encontros globais da indústria automotiva.

Além da escala, o salão funcionou como plataforma de articulação do setor. O volume de lançamentos e a presença de empresas internacionais reforçam o peso do mercado chinês na indústria global e indicam o papel do país na transição tecnológica do segmento.

Entre as demonstrações, a BYD exibiu um compartimento a -30 °C no qual um veículo elétrico carregou de 20% a 97% em 12 minutos. Já a Nio apresentou uma interação entre carros e robôs, com o modelo ES9 executando movimentos coordenados por meio de um sistema de suspensão ativa, com respostas em milissegundos.

No dia 26 de abril, primeiro aberto ao público, os pavilhões registraram alta circulação de visitantes. As demonstrações tecnológicas ampliaram a interação direta com os sistemas embarcados e soluções de mobilidade.

Apesar do volume de lançamentos, o foco da indústria indica uma mudança de direção. As montadoras passam a priorizar desempenho e segurança, em vez de concentrar a comunicação em especificações técnicas. Lin Jie, vice-presidente sênior do grupo Geely e responsável pela Zeekr, afirmou que a evolução da dirigibilidade depende de desenvolvimento contínuo e integração de sistemas, com foco em controle e estabilidade em cenários críticos.

A variedade de modelos também evidencia uma estratégia baseada em segmentação. Sedãs, SUVs inteligentes e veículos familiares ampliam a cobertura de perfis de consumo. As empresas buscam diferenciar produtos a partir do uso e da experiência do usuário.

Outro movimento relevante envolve a cadeia produtiva. O salão adotou o formato de exposição conjunta entre montadoras e fornecedores nos mesmos pavilhões. A mudança indica uma transição do modelo tradicional de fornecimento para relações de desenvolvimento compartilhado.

William Li, CEO da Nio, afirmou que a inovação depende da integração entre diferentes etapas da cadeia. Segundo ele, a concorrência tende a ocorrer entre ecossistemas industriais completos, e não mais entre empresas isoladas.

Parcerias anunciadas durante o evento reforçam essa tendência. A Chery e a Bosch iniciaram o desenvolvimento conjunto de uma arquitetura de 48V. Já a Dongfeng e a Huawei apresentaram o modelo Epicland X9, com integração entre sistema elétrico, chassi e dados.

O conceito de “Physical AI” (IA física) ganhou espaço nas apresentações. A aplicação da inteligência artificial em sistemas embarcados amplia a capacidade dos veículos de interpretar o ambiente e tomar decisões em tempo real. Com isso, os automóveis passam a atuar como sistemas de mobilidade com maior autonomia operacional.

Cao Xudong, CEO da Momenta, explicou que modelos baseados em aprendizado por reforço já simulam cenários raros em ambientes virtuais. Segundo ele, o objetivo é superar a capacidade humana em situações extremas, com base em treinamento contínuo e análise de dados.

Fonte: gmw