Depois de transformar a água do mar em fonte de abastecimento, a China agora busca nos oceanos uma nova reserva de minerais estratégicos. Em 2025, o país realizou pela primeira vez a extração de urânio em escala de quilogramas em condições reais do ambiente marinho, segundo dados divulgados pelo Ministério dos Recursos Naturais da China no Relatório Nacional sobre a Utilização da Água do Mar 2025.
O avanço reflete uma mudança na estratégia de aproveitamento dos recursos marinhos do país. Além da dessalinização para produção de água potável, a China amplia investimentos em tecnologias voltadas à extração de elementos presentes na água do mar, como urânio, lítio e deutério.
Divulgado no Dia Mundial dos Oceanos, celebrado em 8 de junho, o relatório aponta que a indústria chinesa de dessalinização e utilização integrada da água do mar continua em expansão. O setor registrou avanços na implementação de projetos, no desenvolvimento de tecnologias, na estruturação da cadeia produtiva e na criação de normas regulatórias.
Segundo o documento, institutos de pesquisa, universidades e empresas intensificaram os estudos sobre a recuperação de elementos-traço presentes nos oceanos. A extração de urânio em ambiente marinho representa um dos principais resultados obtidos até agora nesse segmento.
Estimativas do setor indicam que os oceanos contêm cerca de 4,5 bilhões de toneladas de urânio dissolvido, volume superior às reservas terrestres conhecidas. Embora a exploração comercial em larga escala ainda dependa de avanços tecnológicos e redução de custos, especialistas apontam o potencial estratégico desse recurso para o longo prazo.
A expansão da dessalinização continua sendo um dos pilares da política chinesa para os recursos marinhos. De acordo com Xiang Wenxi, diretor do Instituto de Dessalinização e Utilização Integrada da Água do Mar de Tianjin, a China opera atualmente 167 projetos de dessalinização, com capacidade total de produção de 3,077 milhões de toneladas de água por dia.
Além disso, o volume anual de água do mar utilizada para resfriamento industrial alcançou 193,36 bilhões de toneladas, crescimento de 86,4% em relação a 2020. O recurso atende setores como geração de energia, siderurgia e outras atividades industriais localizadas na costa, além de contribuir para o abastecimento de ilhas com escassez hídrica.
As províncias de Tianjin, Hebei e Shandong ampliam o aproveitamento da salmoura concentrada gerada pelas usinas de dessalinização. Projetos de extração de potássio e bromo avançam na região, enquanto pesquisas voltadas à obtenção de lítio, deutério e outros elementos seguem em desenvolvimento.
Em Tianjin, uma parceria entre China e Arábia Saudita também desenvolve tecnologias para extração de magnésio a partir da água do mar e da salmoura concentrada. A iniciativa busca ampliar o aproveitamento econômico dos recursos marinhos e criar novas cadeias industriais ligadas ao setor.
Segundo Xiang, a próxima etapa será ampliar os investimentos em pesquisa, modernização de equipamentos e desenvolvimento tecnológico. Durante o 15º Plano Quinquenal, a China pretende fortalecer as capacidades nacionais para a extração de elementos estratégicos da água do mar, combinando a produção de água dessalinizada com o aproveitamento de recursos minerais presentes nos oceanos.
Fonte: gmw

