Desde o início deste ano, muitos internautas estrangeiros começaram a publicar vídeos praticando hábitos chineses, como beber água quente ou fazer tai chi, dando origem a uma onda conhecida como “Become Chinese” (“Tornar-se chinês”). E essa tendência cultural também começou a impactar o consumo. Segundo representantes da Administração Geral das Alfândegas da China, no primeiro trimestre deste ano as exportações chinesas de garrafas térmicas, chá, chaleiras elétricas e goji berries registraram crescimento em relação ao mesmo período do ano passado.
Uma identificação cultural nascida nas redes sociais acabou gerando aumento real no comércio exterior — e se transformou em mais um exemplo de como as marcas chinesas estão exportando não apenas produtos, mas também estilos de vida.
Tendências nas redes sociais criam novos hábitos de consumo
“Antes eu achava estranho beber água quente, mas agora tomo uma xícara de água morna todas as manhãs para relaxar o corpo”, diz Daniel Perez, um americano de 25 anos. Há cerca de seis meses, seguindo a recomendação de amigos chineses, ele começou a frequentar uma clínica de medicina tradicional chinesa em Los Angeles para tratar problemas estomacais crônicos. O médico sugeriu abandonar temporariamente bebidas geladas e passar a beber água morna.
“No começo foi difícil me acostumar, mas meu problema de estômago realmente melhorou. Hoje, quando viajo, levo sempre minha garrafa térmica comigo”, disse Daniel.
Nas redes sociais estrangeiras, cada vez mais pessoas compartilham o cotidiano após “entrar no mundo” dos produtos chineses voltados ao bem-estar. Em plataformas de vídeos curtos, é fácil encontrar conteúdos com a hashtag “Become Chinese”. Em um desses vídeos, um internauta britânico mostra sua mesa de trabalho: uma chaleira elétrica branca, uma garrafa térmica e uma lata de chá verde de marca chinesa. Nos comentários, outros usuários dizem que também começaram a “ferver água quente” e a preparar infusões de goji berry para cuidar da saúde.
A nova demanda rapidamente chegou às empresas. O responsável por uma exportadora de garrafas térmicas de Yiwu, na província chinesa de Zhejiang, afirmou que, até pouco tempo atrás, os estrangeiros compravam garrafas térmicas principalmente para levar água gelada em atividades ao ar livre ou café para o trabalho.
“Nos últimos meses percebemos uma mudança clara: clientes da Europa e dos Estados Unidos já não perguntam apenas sobre conservação de bebidas frias, mas também sobre a capacidade de manter líquidos quentes”, explicou.
Segundo ele, muitos jovens estrangeiros começaram a usar garrafas térmicas para beber água quente simplesmente por curiosidade em experimentar novos hábitos chineses. Depois de testar, parte deles realmente incorporou esse costume ao dia a dia, criando novas preferências de consumo e impulsionando as vendas do setor.
Por trás dessas experiências individuais está justamente a popularização da tendência “Become Chinese” nas redes sociais globais. Wang Jun, vice-diretor da Administração Geral das Alfândegas da China, afirmou recentemente que muitos estrangeiros demonstram grande interesse pela cultura chinesa ao experimentar hábitos como beber água quente, usar chinelos acolchoados e praticar exercícios tradicionais chineses.
Segundo Wang, essa febre cultural virtual também se refletiu diretamente na demanda por produtos chineses.
“Somente no primeiro trimestre, as exportações de garrafas térmicas e chá atingiram respectivamente RMB 5 bilhões e RMB 2,7 bilhões. Produtos relacionados, como chaleiras elétricas e goji berries, também exportaram cerca de RMB 200 milhões cada, todos com crescimento anual”, afirmou.
Ele destacou ainda que esses produtos típicos do cotidiano chinês já são exportados para mais de 200 países e regiões, tornando-se símbolos concretos da praticidade dos produtos chineses e da expansão da cultura chinesa pelo mundo.
O interesse por bem-estar e medicina oriental continua crescendo
Além da água morna, consumidores estrangeiros começaram a demonstrar curiosidade sobre outros hábitos ligados ao bem-estar chinês.
A americana Beck Green, que mora em Nova York, é um exemplo disso. Depois de assistir a vídeos sobre o movimento “Become Chinese” no TikTok, ela começou a beber água quente.
“Depois disso, meu estilo de vida ficou cada vez mais chinês. Passei a me interessar por roupas tradicionais chinesas, comprei qipaos e saias mamian. Mais recentemente comecei a aprender gua sha (escoriações de raspagem), usando a placa facial todas as manhãs para melhorar minha aparência”, contou.
A placa de gua sha usada por Beck foi comprada em uma plataforma de e-commerce internacional. Nela, os preços variam entre US$ 5 e US$ 50, e alguns vendedores já ultrapassaram dezenas de milhares de vendas mensais.
Lin Shihua, dona de uma loja online especializada nesses produtos, explica que muitos consumidores ocidentais se interessam pela ideia de “beleza chinesa”.
“Na China, o gua sha é associado à desintoxicação do corpo. Mas no exterior promovemos mais o conceito de estética e cuidados faciais”, afirmou.
Ela contou que percebeu o potencial do mercado depois que amigos americanos acharam curioso assistir a vídeos de gua sha e ventosaterapia. Mais tarde, influenciadores digitais começaram a publicar vídeos de massagens faciais com gua sha, fazendo o produto viralizar entre consumidoras.
Lin também explica que muitas clientes utilizam o acessório principalmente para reduzir inchaço facial. Por isso, em sua loja, ela inclui instruções de uso e explicações sobre pontos de acupuntura do rosto para ajudar os consumidores a entender melhor o produto.
Fonte: chinanews.com

