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Plano “AI+” da China integra inteligência artificial em toda a economia

Plano AI da China
Imagem: Xin Yuewei/ Xinhua

A China iniciou uma estratégia nacional para ampliar o uso de inteligência artificial em diferentes setores da economia, da manufatura aos serviços públicos. A abordagem conhecida como “AI+” (AI Plus) orienta governos locais e empresas a incorporar a tecnologia em larga escala, com foco em ganhos de produtividade, autonomia tecnológica e crescimento econômico até 2035.

As diretrizes, divulgadas pelo Conselho de Estado em 2025, estabelecem como prioridade o uso da IA em ciência e tecnologia, indústria, consumo, bem-estar da população, gestão pública e cooperação internacional. O país busca usar essa tecnologia como o motor das chamadas “novas forças produtivas”, enxergando na IA uma forma de compensar o envelhecimento populacional e garantir a sustentabilidade do PIB.

Metas por etapas

De acordo com o documento oficial, o plano “AI+” está dividido em três prazos com objetivos progressivos. Até 2027, a expectativa é ampliar de forma consistente a aplicação de IA em setores-chave da economia e acelerar o desenvolvimento da chamada economia inteligente, com maior presença da tecnologia na gestão pública e nas atividades industriais.

Até 2030, a IA deverá estar presente em praticamente todos os setores, com a taxa de adoção de terminais inteligentes e agentes de IA superando 90%, fazendo da economia inteligente um dos principais motores do crescimento do país. Até 2035, a China quer estar plenamente inserida em uma nova era de economia e sociedade inteligentes, de acordo com as diretrizes.

Fábricas e indústria no centro do plano

O setor manufatureiro aparece como prioridade operacional da estratégia “AI+”. O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China (MIIT) trabalha em diretrizes para ampliar o uso de inteligência artificial em processos industriais, incluindo a integração de grandes modelos de linguagem a máquinas, veículos e equipamentos.

A proposta inclui o desenvolvimento de novos modelos de negócio baseados no ambiente digital, a aplicação de sistemas inteligentes em diferentes etapas da produção e a modernização de indústrias tradicionais. A meta é ampliar o uso de dados e automação nas fábricas, com sistemas conectados e maior eficiência operacional.

A indústria automotiva é um dos setores onde essa transição avança mais rapidamente. Montadoras chinesas aceleram a adoção de sistemas de IA, como assistentes de voz e funções de condução autônoma, em linha com as diretrizes do governo. Empresas como Huawei e Xiaomi, junto a fabricantes de veículos elétricos, também investem no desenvolvimento de chips e sistemas próprios. O movimento busca reduzir a dependência de tecnologia estrangeira e fortalecer a cadeia produtiva nacional.

Um plano que vai além das fronteiras

O Plano de Ação Global para Governança da IA, divulgado em julho de 2025 durante a Conferência Mundial de IA, convoca os países a explorar novas formas de aplicar o conceito “AI Plus” e a levar a inovação global em IA a um novo nível.

O documento reforça a ideia de cooperação entre nações, onde os países são incentivados a usar a IA em áreas como produção industrial, saúde, educação, agricultura e combate à pobreza, além de avançar em soluções como carros autônomos e cidades inteligentes.

Para o governo chinês, a inteligência artificial é a chave para uma nova fase de crescimento econômico. O plano prevê investimentos para melhorar os modelos de IA, ampliar o acesso a dados de qualidade, aumentar a capacidade de processamento, apoiar o desenvolvimento de tecnologias de código aberto e formar mais profissionais qualificados.