
3 de setembro de 2024
Daiane Mendes
Na China, uma nova forma de entretenimento está transformando os hábitos digitais e criando um mercado bilionário: os microdramas. Também conhecidas como "short dramas”, têm episódios que variam entre 1 a 5 minutos, e são projetados especificamente para o consumo em dispositivos móveis. Esse formato ganhou popularidade em plataformas de mídia social como Douyin (o TikTok) e Kuaishou (o Kwai), onde o público jovem busca entretenimento rápido e de fácil acesso. Em 2018, quando os microdramas começaram a ganhar popularidade, o uso de smartphones já era quase universal na China. A combinação de conveniência e conteúdo de fácil acesso levou a uma explosão de demanda. Segundo a Tencent, em 2023, essa indústria movimentou US$5,2 bilhões, um salto impressionante de 268% em relação ao ano anterior. A popularidade desses vídeos curtos se manifesta no número de novos microdramas lançados: no terceiro trimestre de 2023, quase o dobro de produções foram ao ar em comparação com todo o ano de 2022. O crescimento dessa indústria está diretamente relacionado ao aumento do uso de smartphones e ao estilo de vida acelerado da população urbana chinesa. Os microdramas atendem à demanda por conteúdo de entretenimento que possa ser consumido em qualquer lugar e a qualquer hora, preenchendo pequenas lacunas de tempo, como durante o transporte público ou intervalos de trabalho. Esses dramas costumam abordar temas cotidianos, histórias de amor, comédia e suspense, e são criados com orçamentos relativamente baixos, permitindo que novos criadores entrem no mercado com mais facilidade. A interatividade também é um aspecto importante, já que muitos desses microdramas envolvem o público com enquetes, escolhas interativas e finais alternativos. Para as plataformas, os microdramas se tornaram uma fonte de receita. Modelos de monetização que combinam assinaturas, publicidade e taxas de visualização por episódio têm demonstrado resultados positivos. Isso atraiu não apenas startups, mas também redes multicanais (MCNs), que enxergam nesse formato uma oportunidade de crescimento. A internacionalização dos microdramas chineses O sucesso dos microdramas na China não passou despercebido no exterior. Plataformas como a ReelShort conseguiram expandir sua base de usuários globalmente, chegando a superar o TikTok em popularidade nas paradas de entretenimento do iOS nos Estados Unidos em 2023. A capacidade dos microdramas de ressoar com públicos de diferentes culturas e línguas é um indicativo do seu potencial de mercado além da China. Com previsões de que o mercado de microdramas alcance US$14 bilhões até 2027, de acordo com a Tencent , a tendência é que esse formato continue a evoluir. A integração de novas tecnologias, como inteligência artificial e realidade aumentada, pode oferecer experiências ainda mais imersivas para o público. Enquanto isso, as plataformas e produtores estão atentos às oportunidades de expansão para novos mercados, tornando os microdramas um fenômeno global. Além disso, empresas estão explorando o uso de microdramas como uma ferramenta de marketing, inserindo produtos e serviços diretamente nas histórias, o que reforça a integração do entretenimento com o comércio eletrônico. Isso gera uma nova forma de publicidade nativa que é bem recebida pelo público, já que o conteúdo é muitas vezes envolvente e relevante para seus interesses.

27 de agosto de 2024
Daiane Mendes
O RPG chinês "Black Myth: Wukong" ganhou destaque recentemente, mas já vinha gerando expectativas há algum tempo. O jogo conta com gráficos de alta qualidade e uma narrativa inspirada na lenda do Rei Macaco — a mesma que influenciou o famoso anime Dragon Ball Z. O jogo não é apenas um sucesso momentâneo, mas um fenômeno que tem atraído a atenção de investidores e empresários em todo o mundo. Seus gráficos criados com a Unreal Engine 5, uma das ferramentas de criação 3D em tempo real mais avançadas do mundo, estão sendo muito elogiados por sua fiel recriação da mitologia chinesa e pela atualização da lenda de Wukong para um público moderno. O título também tem sido aclamado pela crítica e pelos jogadores, com uma taxa de aprovação de 95,57% no Steam, uma das maiores e mais populares plataformas para jogadores e desenvolvedores. Desde seu lançamento, o RPG chinês se tornou um verdadeiro fenômeno, vendendo 10 milhões de cópias em apenas três dias e alcançando um pico de 3 milhões de jogadores simultâneos. Estima-se que o jogo tenha gerado US$450 milhões em receita bruta nos primeiros três dias. Esses números fazem de Black Myth: Wukong um dos maiores lançamentos da história dos videogames na China, além de contribuir para o fortalecimento da indústria de jogos do país, que já vale mais de US$40 bilhões. A chegada de Black Myth: Wukong marca o surgimento de um novo padrão para a produção de jogos Triple-A. Esses títulos, conhecidos por seu alto orçamento e grande nível de produção e marketing, são caracterizados por gráficos e detalhes excepcionais. Em Wukong, o investimento substancial reflete-se em cenários inspirados em paisagens e locais lendários da China antiga. Os gráficos detalhados recriam florestas encantadas, montanhas majestosas e templos antigos com uma precisão impressionante. Essa atenção aos detalhes além de aprimorar a experiência visual, também intensifica a atmosfera mágica e épica do jogo. Locais históricos da China que serviram de inspiração para os cenários do jogo estão ganhando popularidade no turismo. A província de Shanxi, por exemplo, que abriga muitos dos locais retratados no jogo, lançou a campanha "Travel Shanxi with Wukong" (Viaje por Shanxi com Wukong), que oferece itinerários temáticos, produtos culturais e eventos vinculados ao jogo. A inspiração para o jogo Desenvolvido pelo estúdio Game Science, o jogo coloca os jogadores no controle de Sun Wukong, também conhecido como Rei Macaco, uma figura lendária da cultura chinesa. A história é inspirada na obra literária clássica Jornada ao Oeste (Xi You Ji, em chinês), uma das quatro grandes novelas clássicas da literatura chinesa, escrita por Wu Cheng'en no século XVI. A obra é amplamente considerada uma das maiores e mais influentes da literatura chinesa. A história segue a jornada épica do monge Xuánzàng (Tang Seng) em sua busca para trazer sutras budistas da Índia para a China. Ele é acompanhado por três discípulos, cada um com habilidades especiais e características únicas. O mais famoso desses discípulos é Sun Wukong, o Rei Macaco, que possui poderes sobrenaturais, como a capacidade de se transformar em diferentes formas, força sobre-humana e a habilidade de utilizar o bastão Ruyi Jingu Bang, uma arma mágica que pode mudar de tamanho e peso conforme sua vontade. A narrativa é uma mistura de mitologia, folclore e fantasia, e é conhecida por sua rica simbologia e profundidade filosófica. Explora temas de redenção, busca espiritual e a luta entre o bem e o mal, enquanto proporciona uma rica trama de aventuras e personagens lendários.

16 de agosto de 2024
Daiane Mendes
A imigração chinesa no Brasil, comemorada em 15 de agosto, teve início no final do século XIX, com a chegada de trabalhadores atraídos pela expansão agrícola e pela construção de infraestrutura, como ferrovias. Os primeiros imigrantes se estabeleceram principalmente no Sudeste, em especial em São Paulo e Rio de Janeiro, dedicando-se a atividades comerciais e agrícolas. Um dos marcos iniciais dessa imigração foi a chegada de um pequeno grupo de chineses em 1814, trazidos para trabalhar no cultivo de chá, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Nas décadas seguintes, a comunidade chinesa no Brasil expandiu sua presença e diversificou suas atividades. Muitos imigrantes se voltaram para o comércio de produtos importados, especialmente em bairros centrais de grandes cidades, como o Brás e a 25 de Março, que se tornaram símbolos do comércio popular em São Paulo. O Brás, reconhecido como um polo de moda e vestuário, atrai diariamente milhares de compradores e vendedores de todo o país. Recentemente, o bairro também se destacou como um importante centro de comércio chinês, refletindo a crescente influência da comunidade chinesa na economia local. Outro exemplo é o bairro da Liberdade, em São Paulo, que se tornou um centro cultural e comercial da comunidade asiática, especialmente chinesa e japonesa. A Liberdade é hoje conhecida por sua rica oferta de produtos típicos da Ásia, restaurantes e eventos culturais, como o festival do Ano Novo Chinês. Essa trajetória de mais de dois séculos de presença chinesa no Brasil é repleta de histórias de adaptação, resiliência e contribuições significativas para a cultura e economia do país. Para celebrar essa data tão importante, o blog China2Brazil preparou uma semana cheia de conteúdos exclusivos que destacam a rica história, cultura e as contribuições da China para o mundo e, especialmente, para o Brasil. Destaques da Semana China e sustentabilidade: exploramos como a China tem se tornado uma potência sustentável, investindo em tecnologias verdes e se comprometendo com a preservação ambiental. Confira aqui: O FUTURO DA CHINA: Tecnologia Verde e Cidades Inteligentes | China2Brazil Festival Qixi: no dia 10 de agosto, é celebrado o "Dia dos Namorados" chinês, o Festival Qixi. Compartilhamos curiosidades e a história por trás dessa tradição milenar que encanta casais há séculos. E você pode conferir neste vídeo: FESTIVAL QIXI: Dia dos namorados da China | China2Brazil Patrimônios da humanidade: uma jornada pelos Patrimônios Mundiais na China, o país é o mais visitado da Ásia e o quarto destino turístico mais popular do mundo. Acesse o vídeo aqui: Patrimônios da Humanidade na China | China2Brazil Podcast especial: tivemos o prazer de conversar com Tian Bin, CEO e fundador da IEST Group, Reinaldo Ma, advogado e sócio da IEST Group, e In Hsieh, um dos precursores do mercado brasileiro de e-commerce, para discutir as relações entre Brasil e China, os desafios e as oportunidades dessa parceria que só tende a crescer. Clique no link para assistir: ESPECIAL Imigração Chinesa e 50 anos de Relações Diplomáticas Brasil-China | China para o Brasil #16 Para ver todos esses conteúdos e muito mais, convidamos você a explorar nosso canal no Youtube e a se aprofundar no universo cultural e econômico que conecta Brasil e China.

6 de agosto de 2024
Daiane Mendes
As civilizações ao redor do mundo têm suas próprias datas comemorativas, muitas das quais compartilham semelhanças entre diferentes culturas. Essas datas, frequentemente refletem tradições locais, mas possuem uma base comum de reconhecimento e festividade. O Dia dos Namorados, por exemplo, é uma data especial em muitas culturas, mas a forma como é celebrado pode variar. No Brasil, o Dia dos Namorados é comemorado em 12 de junho , enquanto em países como os Estados Unidos e na Europa, a celebração acontece em 14 de fevereiro. A China, por sua vez, celebra essa data de maneira distinta, seguindo o calendário lunar. Este ano, o Dia dos Namorados chinês será celebrado no dia 10 de agosto, que corresponde ao 7º dia do 7º mês lunar. Essa data na China é conhecida como Festival Qixi, também chamado de Festival da Sétima Noite ou Noite dos Sete. Mais do que uma simples celebração do romance, o festival é uma homenagem à persistência e à devoção de dois amantes separados pelas forças celestiais. A lenda da Tecelã e do Vaqueiro O Festival Qixi é baseado na antiga lenda chinesa dos amantes Zhinü, uma deusa tecelã, que desceu do céu e se apaixonou por Niulang, um vaqueiro humano. Desafiando as regras celestiais, eles se casaram e tiveram filhos. Porém, a Rainha Mãe Céu descobriu a união de sua filha com o mortal e ficou furiosa. Como punição, ela ordenou que Zhinü voltasse ao céu, separando-a de Niulang. Para impedir que ele a seguisse, a Rainha Mãe criou um rio celestial (conhecido como Via Láctea) entre eles. Comovidos pela devoção e pelo amor eterno do casal, aves formaram uma ponte sobre o rio celestial, permitindo que Zhinü e Niulang se encontrassem uma vez por ano, no sétimo dia do sétimo mês lunar. Este evento anual é comemorado como o Festival Qixi, simbolizando a reunião dos amantes e tornando-se uma celebração do amor e da devoção. Tradições e celebrações do Festival Qixi Durante o Festival, casais em toda a China trocam presentes, fazem oferendas e expressam seu amor de maneiras únicas e criativas. Pequenos altares são montados com oferendas de frutas, flores e incenso, simbolizando desejos de felicidade e harmonia no amor. É comum ver mulheres jovens exibindo suas habilidades artesanais, como bordado e tecelagem, em homenagem a Zhinü. Além das oferendas, comidas especiais marcam a celebração. Uma delas é o “qiaoguo”, uma espécie de biscoito doce feito de farinha, mel e nozes, que simboliza a habilidade e o talento artesanal. As crianças também participam, aprendendo sobre a história e os costumes que envolvem o festival. O Qixi na cultura moderna Embora enraizado na tradição, o Festival Qixi também se modernizou. Hoje, ele é visto como uma oportunidade de marketing para empresas, com promoções e campanhas voltadas para casais. Restaurantes oferecem jantares temáticos, e lojas vendem presentes especiais para a data. Além disso, as redes sociais ficam repletas de declarações de amor e celebrações do Qixi. O Festival Qixi também inspira muitas expressões artísticas e culturais, incluindo peças de teatro, filmes e obras literárias que retratam a lenda dos amantes e o significado do festival. Assim, o Qixi não é apenas um momento de celebração romântica, mas serve como um lembrete da importância da dedicação e da perseverança no amor, inspirando muitos a valorizar e cultivar suas próprias relações pessoais.

23 de julho de 2024
Daiane Mendes
O Shanghai Port Football Club é um dos maiores clubes do futebol chinês atualmente. Fundado em 2005 por Xu Genbao, ex-jogador da seleção chinesa, o clube teve uma ascensão rápida desde sua criação. Originalmente chamado Shanghai East Asia, o clube chegou à primeira divisão em 2013 e, desde então, vem ganhando prestígio e sendo cada vez mais respeitado no cenário do futebol chinês e internacional . Nomes conhecidos do futebol brasileiro vestiram a camisa vermelha do Shanghai Port, como Hulk e Elkeson. Ainda fazem parte do elenco Oscar, o meia Matheus Jussa e o atacante Gustagol. O Shanghai Port vem se destacando por suas conquistas em campo, incluindo os títulos da Super Liga Chinesa em 2018 e 2023, e por sua filosofia de desenvolvimento de talentos. A Genbao Football Base, estabelecida por Xu Genbao em 2000, no distrito de Chongming, em Xangai, tem sido determinante para a formação de jovens jogadores locais. Atualmente, o Shanghai Port joga no moderno Pudong Football Stadium, também chamado de SAIC Motor Pudong Arena, com capacidade para 37.000 espectadores. O clube tem se beneficiado de uma gestão eficiente e investimentos contínuos em infraestrutura e desenvolvimento de jovens talentos. No cenário continental, o Shanghai Port visa conquistar a Liga dos Campeões da Ásia. Em 2018, com a contribuição dos brasileiros Elkeson, Hulk e Oscar, a equipe conquistou seu primeiro título da Superliga, algo histórico para o clube. Além disso, a participação nas semifinais da competição em 2021 demonstraram suas ambições de se destacar no futebol asiático. Desempenho na temporada atual Nos últimos jogos, o Shanghai Port se posicionou entre os principais concorrentes da Superliga Chinesa (CSL) nesta temporada. Com uma série de vitórias, o Shanghai Port têm demonstrado um equilíbrio entre sua defesa e ataque para manter uma posição de destaque na tabela. Principais jogadores em campo: Oscar (meia) O brasileiro é um dos principais criadores de jogadas do time, conhecido por sua habilidade técnica e visão de jogo, possui uma posição decisiva na distribuição de passes e na construção de jogadas ofensivas. Wu Lei (atacante) Um dos atacantes mais importantes do time, Wu Lei traz velocidade e precisão na frente de ataque. Ele é uma ameaça constante para as defesas adversárias. Yan Junling (goleiro) O goleiro titular do Shanghai Port, Yan Junling, tem sido fundamental para o sucesso recente da equipe, minimizando os gols sofridos e ajudando o Shanghai Port a conquistar importantes resultados positivos. Para os fãs de futebol, o Shanghai Port representa uma história inspiradora de crescimento e sucesso. O time está demonstrando um desempenho positivo em casa com as recentes vitórias e está bem posicionado para continuar na luta pelo topo da tabela. A equipe terá uma série de jogos importantes nas próximas semanas, que serão cruciais para determinar seu posicionamento final na temporada. A consistência nas atuações e a capacidade de vencer jogos fora de casa serão determinantes para suas ambições de conquistar um título e garantir uma vaga em competições internacionais.

16 de julho de 2024
Daiane Mendes
A China guarda não apenas uma das Sete Maravilhas do Mundo, a Muralha da China , mas também diversos ícones culturais e históricos registrados como patrimônios mundiais. Um deles é o Exército de Terracota, uma coleção de esculturas de soldados e cavalos que foram enterradas com Qin Shi Huang, o primeiro imperador da China, que unificou o país em 210-209 a.C. Com mais de 2 mil anos de história, essas esculturas se tornaram uma atração turística relativamente recente, apesar de sua longa história. Considerado uma das maiores descobertas arqueológicas do século XX, os também conhecidos como Guerreiros de Terracota, tornaram-se Patrimônio Mundial da UNESCO em 1987. Sua descoberta levou a uma das maiores escavações arqueológicas da história, revelando um complexo de aproximadamente 56 quilômetros quadrados. A tumba do imperador Qin Shi Huang ainda não foi escavada completamente, e acredita-se que possa conter mais segredos e tesouros. O exército de esculturas conta com mais de 8.000 soldados, 130 carruagens e 520 cavalos, sendo 150 de cavalaria. Embora muitos ainda estejam enterrados, cada figura é única, com expressões faciais e detalhes individuais, variando em altura, uniformes e penteados de acordo com sua classificação militar. As esculturas foram descobertas por acaso, em 1974, por agricultores que cavavam um poço na região de Xi'an, na província de Shaanxi. O nome “Terracota” refere-se a um tipo de cerâmica feita de argila que é moldada e, em seguida, cozida em fornos a altas temperaturas. “Terracota” vem do italiano "terra cotta", que significa "terra cozida". Originalmente, as estátuas eram pintadas com cores vibrantes, que desbotaram ou descascaram por efeito do tempo e exposição ao ar. As esculturas estavam armadas com armas reais, como espadas, lanças e arcos, e muitas dessas armas foram removidas ao longo dos séculos. A altura das figuras varia conforme a hierarquia militar, com generais medindo aproximadamente 1,95 metro e soldados de infantaria cerca de 1,70 metro. Os artesãos usaram técnicas avançadas para a época, incluindo fornos de alta temperatura para endurecer a argila e a aplicação de uma camada de laca antes da pintura. [caption id="attachment_21093" align="alignnone" width="1500"] Fonte da imagem: Dbrnjhrj/ Adobe Stock[/caption] O Exército de Terracota faz parte do complexo do mausoléu do imperador Qin Shi Huang, e foi criado para proteger o imperador na vida após a morte, representando o exército que ele liderou para unificar a China. A construção do exército e do complexo do mausoléu demonstrou avanços em técnicas de construção, organização e o planejamento logístico necessário para criar e enterrar milhares de esculturas. O Exército de Terracota fornece uma visão sobre a China antiga, a organização militar da dinastia Qin e a arte da escultura da época. Desde a sua descoberta, o governo chinês tem trabalhado para preservar as esculturas e o sítio arqueológico, com esforços constantes para estabilizar e restaurar as esculturas danificadas. O Exército de Terracota tem inspirado inúmeras obras de arte, filmes e literatura ao redor do mundo, frequentemente citado como um exemplo da antiga civilização chinesa.

2 de julho de 2024
Daiane Mendes
A notícia da retirada total das APIs (Interface de programação de aplicação) do ChatGPT na China pode ser vista como uma oportunidade para o fortalecimento das soluções nacionais. A reação do mercado de ações à notícia foi imediata, com o índice de Inteligência Artificial (IA) da China alcançando 3,7%, demonstrando a confiança dos investidores na capacidade das empresas chinesas de preencher rapidamente a lacuna deixada pela saída da OpenAI e outras soluções estrangeiras. A competição acirrada entre gigantes chinesas como Alibaba, Baidu, Zhipu AI e iFLYTEK, que já era intensa, promete se intensificar com a ausência de concorrentes internacionais. A maior competição interna será um fator decisivo para que essas empresas despontem na frente, impulsionadas pela necessidade de se destacar em um mercado agora exclusivamente dominado por soluções nacionais. A história recente mostra que as empresas chinesas são capazes de se adaptar e prosperar em um ambiente competitivo. Exemplos incluem a ascensão do Alibaba em relação ao eBay e o sucesso das plataformas de mídia social Douyin e TikTok em relação ao Instagram. Ernie Bot e a nova era dos Chatbots de IA na China O Ernie Bot, lançado pela Baidu em 2023, em pouco tempo, após o seu lançamento, alcançou mais de 100 milhões de usuários, destacando-se como uma alternativa poderosa no cenário de chatbots de IA da China. Construído sobre o modelo de linguagem ERNIE (Enhanced Representation through Knowledge Integration), que está em desenvolvimento desde 2019, o Ernie Bot é capaz de conversar com usuários, responder perguntas e auxiliar na criação de conteúdo. Assim como o ChatGPT, sua capacidade de integrar conhecimento de várias fontes permite fornecer respostas mais precisas e lógicas, além de gerar texto e imagens a partir de prompts de texto. A inovação no mercado de IA na China não se limita apenas ao Ernie Bot. Empresas como Alibaba e Tencent estão investindo fortemente em pesquisa e desenvolvimento de IA, com projetos que abrangem desde assistentes virtuais a tecnologias de reconhecimento de imagem e voz. A Zhipu AI e a iFLYTEK, por exemplo, estão desenvolvendo suas próprias soluções de modelos de linguagem de grande escala. Além disso, a retirada do ChatGPT tende a acelerar a colaboração entre empresas chinesas e instituições de pesquisa locais, fomentando um ecossistema de inovação ainda mais dinâmico. A ausência de concorrência internacional direta pode levar a uma maior experimentação e desenvolvimento de tecnologias adaptadas especificamente às necessidades e preferências do mercado chinês. Em um contexto global, essa mudança pode redefinir o equilíbrio de poder na tecnologia de IA, com a China se estabelecendo como um líder emergente. À medida que as empresas chinesas expandem sua presença e influência, o mundo poderá testemunhar um cenário de IA mais diversificado e competitivo.

18 de junho de 2024
Daiane Mendes
A crescente pressão para atender aos padrões de beleza promovidos nas redes sociais tem contribuído para um aumento na realização de cirurgias estéticas na China, especialmente entre os jovens. Os ideais de perfeição física postados nas redes sociais, aumentam o sentimento de inadequação. Com isso, muitos jovens recorrem à cirurgia plástica como uma solução rápida para suas inseguranças, alimentando o crescimento dessa indústria que, de acordo com a iResearch, poderá chegar a RMB 410,8 bilhões, em 2025, na China. Em 2021, o mercado alcançou um valor de RMB 217,9 bilhões. A demanda por procedimentos estéticos tem incentivado o surgimento de clínicas e profissionais sem a devida qualificação. Existem aproximadamente 13.000 instituições legais de cirurgia plástica, segundo dados da So Young, enquanto mais de 80.000 não possuem as qualificações necessárias, representando 86% de todas as instituições. A disseminação de conteúdos em rápida velocidade e em tempo real, tem aumentado a autoavaliação e comparação. Um estudo do Mob Research Institute, de 2021, revelou que aproximadamente 80% dos jovens chineses nascidos após 1995 sentem-se ansiosos com sua aparência, e 4,5% consideram a cirurgia estética essencial para se sentirem atraentes. Na cultura chinesa, certos padrões de beleza e aparência afetam especialmente as mulheres. Atributos como pele clara e semelhante à porcelana, que simbolizam pureza e elegância, são apreciados pelos chineses. Consequentemente, os procedimentos e produtos de clareamento da pele são bastante procurados. Na Xiaohongshu (Little Red Book, em inglês), plataforma de mídia social e comércio eletrônico onde os usuários compartilham vídeos curtos e fotos relacionadas a moda, beleza, comida e viagens, havia mais de 4,9 milhões de postagens relacionadas a como obter uma pele pálida (美白) até abril de 2024. A busca pela perfeição estética pode levar a um ciclo vicioso de insatisfação e levanta preocupações significativas sobre a saúde mental e física dos jovens. A pressão para se encaixar em um ideal de beleza muitas vezes inatingível pode acentuar problemas de autoimagem e autoestima, contribuindo para uma série de distúrbios psicológicos, como depressão e transtornos alimentares . Dietas Ao mesmo tempo em que a influência das mídias sociais está contribuindo para um aumento expressivo na realização de cirurgias estéticas na China, surgem novas tendências na alimentação, especialmente entre os jovens. Um estudo da Daxue Consulting aponta que as dietas mais adotadas no país são o jejum intermitente (29,1%), a alimentação orgânica (27,8%) e as dietas de baixa caloria (7,1%). Além disso, há um crescente interesse por dietas específicas como a cetogênica e a baseada em carne, que estão se popularizando nas redes sociais graças ao impulso de influenciadores digitais e celebridades. No entanto, a adoção dessas dietas nem sempre vem acompanhada de orientação adequada, o que pode levar a desequilíbrios nutricionais e outros problemas de saúde.

4 de junho de 2024
Daiane Mendes
Na China, o exame para ingresso nas universidades é unificado e todos os anos recebe milhares de inscritos. O Gaokao (em chinês: 高考), é o exame final do sistema escolar da China e é aplicado neste formato desde 1952. Semelhante ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) , a aplicação da prova mobiliza toda a sociedade e é considerado o vestibular com a maior quantidade de participantes do mundo. Este ano, o número de inscrições foi de 13,4 milhões. O Gaokao é o único meio para entrar em uma universidade no país e é considerado um dos vestibulares mais difíceis do mundo, devido ao alto número de concorrentes. A pontuação obtida na prova é extremamente importante para os estudantes, pois a aprovação em uma universidade chinesa de alta qualidade é considerada por muitos como a garantia de um bom emprego após a graduação. Quem tira as melhores notas, é direcionado para as melhores instituições de ensino. O exame é aplicado no final do primeiro semestre de cada ano, no mês de junho e dura aproximadamente nove horas, realizado ao longo de dois ou três dias, dependendo das regiões administrativas provinciais onde é aplicado. Todos os estudantes devem fazer provas de Mandarim e Matemática. Além disso, os candidatos podem escolher uma disciplina entre Inglês, Francês, Japonês, Russo, Alemão ou Espanhol para a parte de língua estrangeira do exame, sendo que a maioria opta pelo Inglês. Os estudantes também devem escolher entre a área de Artes (com testes em História, Ciência Política e Geografia) ou a área de Ciências (com testes em Física, Química e Biologia). A nota final do aluno é uma soma ponderada das notas obtidas em cada disciplina. A pontuação máxima possível varia de ano para ano e de província para província, mas geralmente é de 750 pontos. Os estudantes enfrentam longas jornadas de preparação para o exame, um processo que tradicionalmente envolve também as famílias dos candidatos e setores da sociedade. Para garantir que a aplicação da prova seja segura e acessível, o Ministério da Educação, em conjunto com as unidades membros da Reunião Interministerial do Trabalho do Vestibular Nacional Unificado da Educação Nacional, escolhe os locais de aplicação da prova e organiza cuidadosamente os exames e os serviços aos candidatos. Isso inclui a cooperação com os departamentos relevantes para oferecer serviços de transporte, alimentação, hospedagem, atendimento médico e controle de ruído. O Ministério da Educação da China também se dedica a garantir que o exame seja acessível a grupos especiais com dificuldades de locomoção. Isso inclui pessoas com deficiência física. Para os candidatos com deficiência visual, são preparados questionários adaptados em 11 províncias (distritos). Todos os locais de aplicação da prova são preparados para atender às necessidades desses candidatos, assegurando que todos tenham a oportunidade de realizar o exame em condições justas e equitativas.

22 de maio de 2024
Daiane Mendes
Diversas empresas chinesas se mobilizaram para oferecer ajuda ao Rio Grande do Sul. Segundo a Embaixada da China no Brasil, em uma postagem no X (antigo Twitter) as empresas chinesas atuantes no Brasil doaram até o momento R$8,8 milhões. A Embaixada também informou que a Cruz Vermelha da China oferecerá US$100 mil em doações às pessoas afetadas pelas enchentes, e que a comunidade chinesa no Rio de Janeiro doou 636 cestas básicas, alimentos e produtos de higiene. Na última sexta-feira, 17 de maio, representantes do Consulado-Geral da China e membros da Associação Brasileira de Empresas Chinesas (ABEC), participaram de uma cerimônia híbrida para a entrega das doações. A ocasião também serviu para lembrar os 50 anos das relações diplomáticas entre Brasil e China , com o presidente da ABEC, Zhang Guanghua, enfatizando o crescimento e os frutos da comunidade chinesa no Brasil, bem como seu desejo de retribuir a hospitalidade brasileira. O vice-governador do estado, Gabriel Souza, expressou gratidão pelo apoio chinês. A plataforma de vídeos chinesa Kwai, junto com a banda gaúcha Fresno e o podcast Podpah, arrecadaram mais de R$2 milhões. Chen Daobiao, presidente do conselho da CPFL Energia, detalhou o acionamento do plano de contingência da empresa, incluindo a organização de 897 grupos técnicos para restaurar as linhas de transmissão de energia e a coleta de materiais no valor de R$3 milhões já a caminho do estado. A AliExpress também doou 120 toneladas de alimentos e cobertores, por meio da Central Única das Favelas (Cufa). Para ajudar as equipes de resgate no monitoramento, a empresa doou 10 drones através do Instituto Cultural Floresta.