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Brasil projeta safra recorde de grão, 360,1 milhões de toneladas, com crescimento concentrado na soja

Brasil safra recorde de grão

A produção brasileira de grãos na safra 2025/2026 está estimada em 360,1 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB. O volume representa crescimento de 2,2% em relação ao ciclo anterior e confirma um novo recorde para o agronegócio brasileiro.

A área cultivada deverá alcançar 83,5 milhões de hectares, também com expansão de 2,2%. Já a produtividade média nacional permanece praticamente estável, em cerca de 4.311 quilos por hectare. Isso mostra que o aumento da produção foi sustentado principalmente pela ampliação da área plantada.

A soja é a principal responsável pelo resultado. A produção está estimada em 180,6 milhões de toneladas, alta de 5,3%. O crescimento da oleaginosa foi suficiente para compensar as reduções registradas em culturas como arroz, feijão e trigo.

A Conab projeta ainda exportações de aproximadamente 116,3 milhões de toneladas de soja. Para a China, maior compradora do produto brasileiro, o recorde representa maior segurança no abastecimento das cadeias de óleo vegetal, rações e proteína animal.

A produção de milho deverá atingir 141,7 milhões de toneladas, mantendo-se próxima ao volume registrado no ciclo anterior. A primeira safra apresentou recuperação, enquanto a segunda safra sofreu impactos climáticos em áreas de Goiás, Minas Gerais e Piauí.

Apesar do recorde total, o desempenho não é uniforme. A produção de arroz deverá cair 13,1%, o feijão recuar 1,4% e o trigo apresentar redução de 23,5%. Isso demonstra que o crescimento está concentrado principalmente nas grandes commodities agrícolas.

O resultado também varia entre as regiões. Enquanto estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná apresentam desempenho mais favorável, Goiás deverá registrar redução de produção, mesmo com aumento da área cultivada, devido à queda de produtividade.

Uma safra recorde também não garante maior rentabilidade para todos os produtores. Os resultados econômicos continuam dependentes dos preços internacionais, da taxa de câmbio, dos custos de produção, da capacidade de armazenagem e da infraestrutura de transporte.

A estimativa de 360,1 milhões de toneladas confirma a força produtiva do agronegócio brasileiro. No entanto, o resultado também revela que o próximo salto de competitividade dependerá menos da simples expansão da área e mais da capacidade de elevar a produtividade, reduzir perdas e industrializar uma parcela maior da produção.

O Brasil já demonstrou que possui capacidade para produzir grãos em grande escala. O desafio agora é garantir que essa produção seja armazenada, transportada, processada e comercializada com eficiência.

A safra recorde, portanto, não representa apenas um aumento da oferta agrícola. Ela amplia a importância estratégica do Brasil para a segurança alimentar chinesa e cria novas possibilidades de investimentos conjuntos ao longo de toda a cadeia do agronegócio.

Para as empresas chinesas, o avanço da produção brasileira amplia oportunidades que vão além da compra de grãos. O país demanda capital, tecnologia e infraestrutura para armazenar, transportar e industrializar uma parcela maior de sua produção.

O novo recorde confirma a importância estratégica do Brasil para a segurança alimentar chinesa. O próximo desafio brasileiro será transformar o crescimento da produção em maior produtividade, eficiência logística e agregação de valor dentro do próprio país.