Empreendedorismo

BYD e CATL elevam o nível do carregamento ultrarrápido com tecnologias para frio extremo

BYD e CATL
Imagem: Xinhua

A BYD introduziu uma nova tecnologia de carregamento ultrarrápido capaz de operar sob temperaturas de -30 °C, conforme demonstrado durante o Salão do Automóvel de Pequim 2026. A montadora, que desenvolveu também um carregador de 1500 kW por conector, promete elevar a carga da bateria Blade de segunda geração de 5% a 70% em 5 minutos sob temperatura ambiente. Mesmo em condições de frio extremo, a perda de eficiência no carregamento de 20% a 97% resume-se a apenas 3 minutos adicionais.

O movimento da BYD acompanha a estratégia da CATL, que oficializou no mesmo evento a terceira geração da bateria Shenxing Supercharge. Com capacidade de 10C e picos de 15C, o sistema viabiliza recargas de 10% a 80% em menos de 4 minutos. A CATL também destacou sua nova bateria de sódio, projetada para manter a operação estável em temperaturas de até -50 °C, superando a performance de modelos convencionais de fosfato de ferro-lítio (LFP).

Outros fabricantes seguem o mesmo movimento. A Sunwoda já trabalha com tecnologias de até 15C, enquanto a REPT Battero desenvolve soluções com taxa média próxima de 7C, capazes de recarregar de 10% a 80% em cerca de 6 minutos. A produção em massa dessas baterias deve começar entre o fim de 2026 e o início de 2027, com foco em veículos de faixa intermediária.

Desafios de escala e viabilidade econômica

Apesar do avanço, a expansão dessas tecnologias enfrenta limites técnicos e econômicos. O custo ainda restringe a aplicação de sistemas acima de 6C em modelos mais acessíveis. Diante disso, consumidores demonstram preocupação com a degradação das baterias sob carregamento ultrarrápido. Fabricantes reconhecem o desafio de equilibrar velocidade de recarga e vida útil, o que exige ajustes no design das células, nos materiais e nos sistemas de gestão térmica.

Carregadores de alta potência exigem redes capazes de suportar picos de demanda, o que limita a implementação fora de grandes centros. Além disso, avanços no ânodo, componente central para acelerar a movimentação de íons de lítio, ainda elevam custos e permanecem concentrados em poucas empresas.

Soluções que combinam diferentes materiais, como fosfato, níquel ternário e sódio, ganham espaço. Nesse cenário, as baterias de sódio avançam como alternativa de menor custo e maior estabilidade térmica.

A CATL afirma que já superou os principais entraves para produção em larga escala dessa tecnologia e prevê iniciar a fabricação no quarto trimestre de 2026. A competitividade depende do preço do lítio: projeções do setor indicam que, com o carbonato de lítio em torno de RMB 120 mil por tonelada, as baterias de sódio tendem a se tornar mais viáveis economicamente, com potencial de consolidação ainda no segundo semestre de 2026.

Fonte: sina.com.cn