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Uso de máquinas chinesas aumenta renda de agricultores no Nordeste

Agricultores no Nordeste
Imagem: Xinhua

Em Apodi, no interior do Rio Grande do Norte, um projeto de cooperação entre Brasil e China introduz mecanização na agricultura familiar e altera a dinâmica de produção no campo. A ação integra a “Residência Tecnológica de Mecanização da Agricultura Familiar Brasil-China”, que conecta estudantes chineses a produtores locais.

Estudantes da Universidade Agrícola da China atuam em Apodi (RN) desde 2024 para implementar máquinas agrícolas de pequeno e médio porte. A iniciativa já beneficiou quase 2 mil famílias, elevou a produtividade de culturas como alface e coentro em até sete vezes e ampliou a renda local.

A iniciativa partiu da professora Yang Minli, da Universidade Agrícola da China, após identificar a limitação de acesso a máquinas no campo brasileiro. Segundo ela, a falta de mecanização impõe restrições à produção e exige esforço físico elevado. A proposta foi adaptar equipamentos chineses de menor porte às condições locais, com custo reduzido e operação simplificada.

Implementação e adesão local

A primeira residência tecnológica foi inaugurada em novembro de 2024. Desde então, produtores locais passaram a testar os equipamentos em atividades como preparo do solo, plantio e colheita. O projeto avançou com apoio de autoridades locais, após rápida adesão dos agricultores.

Até abril de 2026, cinco grupos de estudantes participaram da iniciativa. Ao todo, foram realizadas 15 sessões de treinamento técnico. O programa distribuiu 62 máquinas agrícolas, que passaram a operar em diferentes áreas produtivas da região.

Em Apodi, a produção de hortaliças como alface e coentro registrou aumento de seis a sete vezes. A renda dos agricultores praticamente dobrou.

No Ceará, a adoção de técnicas de plantio de precisão no cultivo de milho reduziu o uso de sementes pela metade e elevou a produtividade em 40%.

Segundo Yang, casos de abandono da atividade por exaustão física começaram a ser revertidos com a redução do trabalho manual. A mecanização encurtou ciclos produtivos e ampliou a capacidade operacional das propriedades.

Cooperação industrial e expansão

O projeto avança para além da transferência de tecnologia. No início de 2026, a estatal chinesa Sinomach firmou acordo com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para construir uma fábrica de tratores no Brasil. A unidade terá capacidade anual de 5 mil máquinas e início das obras previsto para maio.

A estratégia busca estruturar uma cadeia produtiva local, com fabricação, manutenção e adaptação de equipamentos às condições brasileiras. A meta inclui ampliar a presença de empresas chinesas no setor agrícola nacional.

Intercâmbio e continuidade

Além dos resultados produtivos, o programa fortalece o intercâmbio entre brasileiros e chineses. Estudantes que participaram da residência relatam integração com as comunidades locais e continuidade das relações após o término das atividades.

Um novo grupo deve chegar ao Brasil ainda neste mês. A coordenação do projeto prevê, nos próximos dois anos, consolidar modelos técnicos e operacionais voltados à agricultura familiar. Também está prevista a ampliação da participação de estudantes brasileiros nas atividades de cooperação.

Fonte: Xinhua