25 de março de 2026
A Pop Mart divulgou em 25 de março de 2026 seus resultados financeiros de 2025, com receita de RMB 37,12 bilhões, alta de 184,7% na comparação anual. O lucro líquido ajustado alcançou RMB 13,08 bilhões, avanço de 284,5%, segundo dados apresentados pela companhia. Entre os principais motores de receita, a linha Labubu superou pela primeira vez RMB 10 bilhões em faturamento. Além disso, seis propriedades intelectuais (IPs) da empresa geraram mais de RMB 2 bilhões cada, enquanto outras 17 ultrapassaram RMB 100 milhões no período. Durante a apresentação, a empresa destacou uma versão especial do personagem Labubu em colaboração com a FIFA. No ano anterior, o fundador Wang Ning havia apresentado ao público uma versão mini do personagem, indicando a estratégia de expansão do portfólio. Na véspera do anúncio, em 24 de março, a companhia informou que lançará a série “THE MONSTERS × FIFA”, fruto de uma parceria com a entidade do futebol. A nova linha traz brinquedos colecionáveis inspirados na Copa do Mundo FIFA. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram o Labubu caracterizado como jogador de futebol, segurando o troféu do torneio. A empresa também avalia lançar produtos derivados com temática do Mundial, ampliando a exploração comercial da franquia. Fonte: sina.com.cn
9 de fevereiro de 2026
A Pop Mart levou personagens de suas principais linhas de colecionáveis ao Festival das Lanternas do Jardim Yuyuan, em Xangai, ao integrar propriedades intelectuais como Labubu, Molly, Skullpanda, Hirono e Twinkle Twinkle às celebrações do Ano Novo Chinês. A ação ocorreu em parceria com o Bund Finance Center e ampliou o alcance do festival para novas áreas da cidade. Labubu, criação do artista Kasing Lung, participou pela primeira vez do Festival das Lanternas do Jardim Yuyuan, em 1º de fevereiro. O personagem integrou um conjunto de instalações luminosas que marcam o período do Ano Novo Chinês em Xangai. Outras propriedades intelectuais da Pop Mart também apareceram em versões de lanternas, como Twinkle Twinkle, Molly, Skullpanda e Hirono. Em 2026, o festival ampliou o perímetro de exposição para além do Jardim Yuyuan. Em cartaz até 3 de março, o evento ocupou o Parque Gucheng, a Middle Fangbang Road, a Fuyou Road e o Bund. As instalações do Jardim Yuyuan seguiram temas da cultura tradicional chinesa. Já as de outras áreas adotaram uma estética contemporânea. Em parceria com a Pop Mart, o Bund Finance Center inaugurou em 1º de fevereiro a Feira de Jardim do Ano Novo Chinês, com programação até 15 de março. Na Praça Norte, o centro instalou uma lanterna em formato de carrossel palaciano com 12 propriedades intelectuais da Pop Mart, além de uma instalação do Labubu. O Twinkle Twinkle ocupou o Sky Garden, ao lado de uma instalação dedicada à celebração da primavera, integrada ao horizonte do rio Huangpu. A Molly apareceu na entrada do shopping da ala sul, com apresentação de dança de tambores. Skullpanda, Baby Molly e Hirono ficaram distribuídos pelos diferentes andares do centro comercial. No térreo, a loja pop-up temática Golden Gallop recebeu grande fluxo de moradores e turistas após a abertura. Em visita de negócios à China, o holandês Frans-Jan van Meer, gerente de cadeia de suprimentos, comprou caixas-surpresa para as filhas, de 5 e 10 anos. Ele afirmou reconhecer o Labubu por já conhecer a marca na Europa. “A Pop Mart também existe na Europa, e minha filha tem um Labubu em casa. Quando vi a loja, decidi comprar presentes para elas”, disse. Van Meer adquiriu produtos da linha Labubu e da nova série Golden Gallop. Segundo ele, a coleção apresenta referências culturais chinesas pouco comuns no mercado europeu. Popularidade e resultados A Pop Mart registrou crescimento de receita em 2025. No primeiro semestre, a empresa reportou alta de 204,4% e faturamento de RMB 13,88 bilhões (US$2 bilhões). A linha Monsters, que inclui o Labubu, somou RMB 4,81 bilhões em vendas no período, com crescimento anual de 668%, o que representou cerca de 35% da receita total da empresa. Além da presença de colecionáveis, o festival funcionou como vitrine cultural para visitantes estrangeiros durante o Ano Novo Chinês, ao combinar elementos tradicionais com marcas da cultura pop chinesa. Fonte: China Daily
6 de janeiro de 2026
Empresas têxteis da província de Zhejiang, na China, passaram a investir na produção de roupas para bonecos, um segmento que cresce junto ao mercado de designer toys e ao avanço da chamada economia emocional. O movimento ocorre em meio à popularização de personagens como o LABUBU e à expansão do consumo jovem ligado a vínculos afetivos e identidade cultural. Essas empresas aplicam técnicas tradicionais de confecção, como o brocado Song (Songjin) e o tecido azul estampado, na produção de roupas em miniatura. Com isso, transferem o artesanato têxtil para um novo nicho de mercado e ampliam o alcance do estilo “guochao” , que valoriza elementos da estética chinesa contemporânea. Parte dessa produção já alcança consumidores no exterior. Segundo Hu Mingyi, diretor-geral da Haining Qianshu Textile Technology, as vendas mensais de roupas para bonecos e produtos relacionados já superam RMB 100 milhões apenas nas plataformas de comércio eletrônico. Na fábrica, tecidos como o brocado Song e a seda xiangyunsha são usados na confecção de peças voltadas a colecionadores. A empresa controla toda a cadeia produtiva, do design à fabricação, e utiliza exclusivamente seda natural. Hu afirma que a combinação de design próprio e materiais tradicionais atraiu compradores estrangeiros, que buscaram parcerias diretamente com a companhia. A Haining Qianshu passa por um processo de atualização tecnológica e planeja ampliar sua atuação, do fornecimento de tecidos à produção de artigos de moda finalizados. Em Tongxiang, também em Zhejiang, a Jiayu Fashion direcionou parte de sua operação ao mercado de designer toys. Com mais de 20 anos de atuação no setor de malharia, a empresa produz roupas em miniatura, como suéteres com padrões Fair Isle e vestidos de renda. De acordo com Shen Yue, gerente do departamento de produtos culturais da Jiayu Fashion, a empresa trata o segmento como uma estratégia de longo prazo voltada ao público jovem. Atualmente, os pedidos mensais somam cerca de mil peças, e a produção anual deve superar 10 mil unidades. Além das empresas tradicionais, jovens empreendedores também impulsionam o setor. Em Puyuan, distrito de Tongxiang, Fu Zhenzhe, colecionadora de LABUBU nascida nos anos 1990, iniciou em maio de 2025 a produção de roupas de malha para bonecos, utilizando a estrutura da fábrica de sua família. Após divulgar as peças nas redes sociais, passou a receber pedidos em escala. O trabalho levou Fu a ser convidada para criar duas edições especiais de roupas — “cowboy cyberpunk” e “tecido azul estampado” — para o boneco exclusivo Matata, lançado durante o Carnaval de Ciência e Tecnologia Juvenil de Wuzhen. As peças foram distribuídas em larga escala e associaram o evento à identidade cultural local. Especialistas avaliam que o crescimento do mercado de designer toys reflete a consolidação do consumo emocional na China. Com base industrial sólida, empresas de Zhejiang passaram a integrar cultura, moda e produtos colecionáveis como forma de diversificar receitas. Dados do setor indicam que o mercado chinês de designer toys movimentou cerca de RMB 60 bilhões em 2023. A projeção aponta que esse valor deve alcançar RMB 110,1 bilhões até 2026, com crescimento médio anual acima de 20%. Fonte: chinanews.com
29 de outubro de 2025
Ye Guofu, fundador da Miniso, anunciou recentemente que a empresa passará por uma transformação estratégica. A Miniso vai reduzir a proporção de produtos de estilo de vida e concentrar-se em criar suas próprias marcas e personagens. O objetivo é desenvolver o “novo Labubu”, um personagem de sucesso capaz de gerar valor cultural e comercial, inspirado no fenômeno da Pop Mart . Desde 2024, o lucro líquido da Miniso apresenta sinais de fragilidade. Após mais de uma década de expansão acelerada no mercado interno, a margem de lucro da empresa vem caindo. A receita do primeiro semestre de 2025 foi de 9,393 bilhões de yuans, alta de 21,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto o lucro líquido caiu 22,6%, totalizando 906 milhões de yuans. O número de lojas na China continental apresentou queda líquida de 81 unidades. O GMV (volume bruto de mercadorias) das mesmas lojas também diminuiu, reforçando a necessidade de novos motores de crescimento. O investimento em produtos culturais e criativos é a estratégia definida pela Miniso para ampliar o valor médio dos pedidos. Nas lojas físicas, o ticket médio gira em torno de 40 yuans, enquanto nas unidades Miniso Land, onde mais de 80% dos produtos têm relação com propriedades intelectuais, o valor médio chega a 100 yuans. A Miniso Land da Rua Nanjing, em Xangai, registrou vendas superiores a 100 milhões de yuans em nove meses, recebendo dezenas de milhares de clientes diariamente. A mudança segue uma tendência global do varejo, o valor emocional associado a produtos de conteúdo supera o valor funcional oferecido por varejo de estilo de vida. Ye Guofu destaca que, para competir, a Miniso precisa criar suas próprias propriedades intelectuais, apoiando-se na experiência adquirida com licenciamento e com a submarca de brinquedos TOP TOY. Atualmente, a empresa mantém uma equipe dedicada à operação de propriedades intelectuais. A Miniso já assinou contratos com 17 artistas para desenvolvimento de IPs originais, incluindo Zhu Jianqiang, Youyoujiang, KUMARU e Mochi Pengpeng. A expectativa é expandir a atuação nos próximos três a cinco anos,criando novos produtos e competindo diretamente com empresas como a Pop Mart. A estratégia consiste em contratar os direitos de personagens, desenvolver produtos, vender em lojas físicas e testar o desempenho antes de ampliar o investimento em marketing. O custo de abertura de uma loja padrão varia entre 1 e 2 milhões de yuans, enquanto as unidades Miniso Land podem chegar a 10 milhões de yuans. A empresa projeta que, apesar do aumento do investimento e do prazo de retorno mais longo, as margens de lucro e a valorização da marca serão maiores devido ao foco em propriedades intelectuais. Ye Guofu relaciona a transformação da Miniso ao potencial de crescimento do consumo cultural na China, destacando exemplos de sucesso como LABUBU, o jogo "Black Myth: Wukong" e o filme "Ne Zha". Segundo ele, a viralização de produtos e personagens na era digital permite que novas IPs alcancem popularidade global rapidamente, sem depender de mídias tradicionais. Fonte: 36kr
21 de agosto de 2025
Em 20 de agosto, as ações da Pop Mart International Group Limited fecharam em HK$ 316, elevando o valor de mercado da empresa para HK$ 424,37 bilhões. Durante o pregão, período de negociações na bolsa de valores, as ações chegaram a superar HK$ 300. Segundo balanço da companhia, a receita no período alcançou RMB 13,88 bilhões, alta anual de 204,4%. O lucro líquido ajustado somou RMB 4,71 bilhões, crescimento de 362,8% em relação ao mesmo período de 2024. Ambos os indicadores já superam os números registrados em todo o ano passado. Pela primeira vez, a Pop Mart apresentou resultados detalhados por região: China, Ásia-Pacífico (exceto China), Américas, Europa e outros mercados. Todos mostraram expansão, com destaque para as Américas, que cresceram mais de dez vezes. Durante a coletiva de resultados, a diretoria afirmou que as prioridades da empresa incluem o desenvolvimento equilibrado dos IPs, a aceleração dos mercados internacionais e investimentos na cadeia produtiva. O presidente e CEO, Wang Ning, projetou receita anual mínima de RMB 30 bilhões até o final de 2025. LABUBU impulsiona vendas, mas diretoria afasta risco de dependência O personagem LABUBU, do universo THE MONSTERS , tornou-se fenômeno no segundo trimestre e levou a Pop Mart aos trending topics. Apesar da expectativa de dependência excessiva, a companhia informou que o IP THE MONSTERS gerou RMB 4,81 bilhões no semestre, o equivalente a menos de 35% da receita total. Outras franquias também cresceram: MOLLY avançou 73,5% na comparação anual; SKULLPANDA, CRYBABY e DIMOO mais que dobraram as vendas; Hirono quase triplicou o faturamento; e o recém-lançado Twinkle Twinkle destacou-se entre os novos produtos. [caption id="attachment_25191" align="alignnone" width="1575"] Fonte da imagem: Xinhua[/caption] Cinco IPs superaram RMB 1 bilhão em vendas, enquanto 13 ultrapassaram RMB 100 milhões. Wang Ning afirmou que a estratégia é diversificar os universos criativos.“A participação do LABUBU nas vendas está em um nível saudável. Nosso foco é ampliar a plataforma de IPs e garantir crescimento equilibrado entre os personagens.” O pesquisador Yang Huaiyu, da Shanghai Xiazhi Consulting, avaliou que o LABUBU já se consolidou como um super IP global, com grande potencial comercial a explorar. Apesar do crescimento, a empresa evitou expansão acelerada no varejo físico. No semestre, o número de lojas na China permaneceu estável, e a previsão para 2025 é de menos de dez novas unidades no país. Estratégia internacional amplia presença em mercados emergentes A Pop Mart informou que a expansão internacional deve avançar em ritmo superior ao doméstico. Atualmente, a companhia opera 140 lojas fora da China e espera superar 200 até o fim de 2025. Os próximos focos serão Oriente Médio, Sul da Ásia, América Latina e Rússia. A empresa também investe em lojas icônicas em capitais como Paris, Sydney, Milão e Nova Iorque. A primeira unidade no Oriente Médio será aberta no aeroporto de Doha, no Catar. O co-CEO Wen Deyi afirmou que o crescimento global busca ampliar o alcance da marca em diferentes perfis de consumo. Já o COO Si De destacou o potencial dos Estados Unidos. “O país reúne consumidores com alto poder aquisitivo, varejo desenvolvido e forte demanda por design de IPs”, disse. Na produção, a empresa aumentou a capacidade mensal para o equivalente a um ano inteiro de fabricação em períodos anteriores. Segundo Yuan Junjie, presidente do Centro de Cadeia de Suprimentos, a linha de pelúcias alcançou mais de 30 milhões de unidades em agosto após crescimento de dez vezes na capacidade. A companhia também investe em novos materiais e processos industriais. Para Zhang Yi, CEO da iiMedia Research, a expansão internacional da Pop Mart confirma o potencial de marcas chinesas no mercado global. Segundo ele, a presença no exterior tende a fortalecer a base doméstica e a impulsionar o setor de colecionáveis e designer toys na China. Fonte: finance.sina.com.cn
30 de julho de 2025
Nos últimos anos, personagens com aparência “feio-fofa” ganharam espaço entre os jovens chineses. O caso mais recente é o do IP LABUBU , que viralizou nas redes e passou a ser comparado a personagens como o Banguela, de Como Treinar o Seu Dragão, Nezha e Stitch . Apesar das diferenças, todos compartilham traços que rompem com o ideal tradicional de beleza. Esse padrão visual exagera imperfeições, olhos assimétricos, dentes pontiagudos, formas desproporcionais, mas atrai por oferecer uma alternativa à estética dominante. Para parte da juventude, essa é uma forma de se afastar da simetria artificial e dos filtros que dominam o ambiente digital. Reação à saturação estética Em junho de 2025, um boneco LABUBU na cor menta, originalmente vendido por algumas centenas de yuans, foi leiloado por 1,08 milhão de RMB, aproximadamente US$148 mil. O episódio levou o público a apelidar o item de “Moutai dos jovens”. Outros sinais desse movimento também se espalharam: o “Concurso das Cofrefeices” (sigla para “feios que merecem ser amados”) viralizou, e um grupo no Douban, plataforma social voltada a cultura, crítica e comunidades, reuniu quase 250 mil pessoas que compartilhavam a ideia de que a feiura também deve ser acolhida. [caption id="attachment_24930" align="alignnone" width="1575"] Fonte da imagem: Li Ying/ Xinhua[/caption] As redes sociais chinesas têm exibido sinais claros de fadiga visual. A repetição de rostos editados e padrões idealizados vem gerando rejeição. Comentários populares no Douban criticam a homogeneidade: “É sempre o mesmo padrão repetido, é entediante demais”. Nesse contexto, personagens “feio-fofos” aparecem como contraponto. Traços considerados desagradáveis ou estranhos ganham afeto justamente por expressarem autenticidade. O “feio” passa a ser visto como linguagem de verdade, diferença e liberdade visual e simboliza vulnerabilidade como forma de romper com a idealização da imagem. Cores vibrantes como linguagem emocional Além dos traços visuais, os “feio-fofos” se destacam por cores vibrantes e contrastantes. Verde-fluorescente, rosa, azul intenso e amarelo dominam embalagens, roupas e objetos decorativos. Essa paleta atua como estratégia visual de alívio, oferece estímulo sensorial e reforça uma espécie de “autoajuda visual” diante do cotidiano cinza das grandes cidades. O uso consciente dessas cores se espalhou também para vídeos, ambientes e marcas voltadas ao público jovem. Em vez de prometer soluções, essas escolhas visuais oferecem um respiro simbólico. Fonte: news.china
11 de junho de 2025
Multidões fazem filas que duram horas para comprar o boneco Labubu, que custa US$30 e pode chegar a valer US$7 mil no mercado secundário. Criado em 2015 pelo artista Kasing Lung, o brinquedo se tornou o mais procurado de 2025 e movimenta milhões de dólares em plataformas de revenda como eBay e StockX. No Reino Unido, o fabricante retirou temporariamente os produtos das lojas após confrontos entre clientes. Ao mesmo tempo, autoridades chinesas intensificam a fiscalização para coibir o contrabando. A popularidade do Labubu também despertou interesse fora do mercado de colecionáveis. Na China, autoridades proibiram um banco local de oferecer bonecos da marca como incentivo para captação de depósitos, em meio à queda nas margens de juros e à intensificação da competição entre instituições financeiras. A medida foi direcionada a uma promoção do Ping An Bank, que oferecia as figuras em troca de depósitos de 50.000 yuans por três meses, promoção considerada inadequada pelas autoridades financeiras. De vídeos no TikTok a leilões milionários A Pop Mart , empresa chinesa de brinquedos responsável pela distribuição, usa a estratégia das "caixas surpresa" para criar engajamento entre consumidores. Usuários do TikTok publicam vídeos mostrando a abertura das caixas, aumentando a expectativa sobre qual personagem vão encontrar. O “Labubu secreto” é o prêmio mais raro, com chance de uma em 72 caixas, o que transforma a compra em uma aposta de alto risco e potencial alto retorno. No eBay, transações de edições limitadas ultrapassam US$ 7 mil. No StockX, plataforma especializada em leilões de produtos exclusivos, a colaboração entre Labubu e a marca Vans atinge preços superiores a US$3 mil por unidade. Origem nórdica e sucesso na Ásia Kasing Lung criou Labubu como parte da série “The Monsters”, inspirando-se na mitologia nórdica, o que contraria a percepção de que o personagem representa apenas a cultura chinesa. Pop Mart adquiriu os direitos do boneco e desenvolveu a estratégia comercial que o tornou um fenômeno global. A empresa chinesa foca em brinquedos colecionáveis e ampliou sua atuação para mercados internacionais com essa fórmula. As ações da Pop Mart alcançaram HK$ 244,80 em 6 de junho, acumulando valorização de 544,32% em 12 meses. O modelo de negócios explora a incerteza do consumidor. Os compradores não sabem qual personagem receberão, gerando comportamento semelhante ao de jogos de azar. Segundo pesquisa do China Youth Daily, em parceria com a Mídia Estudantil Nacional, o principal atrativo das caixas-surpresa é a emoção ao abri-las, apontada por 69,78% dos participantes. Revendedores profissionais compram centenas de caixas para encontrar versões raras e vendem esses itens por até 350 vezes o preço original. Impacto no mercado de colecionáveis O sucesso do Labubu mostra como produtos de nicho podem gerar economias paralelas significativas. Investidores tratam esses bonecos como ativos financeiros, acompanhando a variação de preços e as tendências do mercado. O fenômeno incentiva outras empresas a adotarem estratégias similares, expandindo o setor de brinquedos colecionáveis. Especialistas apontam que esse movimento pode transformar a indústria de entretenimento infantil.
11 de junho de 2025
A primeira geração do LABUBU, um boneco colecionável que já foi vendido em leilão por até RMB 1,08 milhão (cerca de R$750 mil), virou um dos itens mais desejados entre os jovens na China. Atualmente, o LABUBU está em falta e difícil de encontrar. As versões mais procuradas só são vendidas com preços muito acima do original, por cambistas ou em sites de revenda. Agora, o boneco também virou uma ferramenta de marketing para bancos. Recentemente, o Banco Ping An lançou uma campanha nacional: quem depositar RMB 50 mil ganha um “blind box” do LABUBU. A ação se espalhou rapidamente por várias cidades e muitos consumidores acharam a promoção vantajosa, diante da escassez do produto. No entanto, reguladores manifestaram preocupação. Algumas regiões emitiram notificações proibindo bancos de usar brindes físicos para captar depósitos. A proibição levanta a questão sobre os limites das estratégias de marketing bancário. Estratégia para atrair depósitos em ambiente competitivo Usuários nas redes sociais relataram que agências do Banco Ping An distribuíram blind boxes do LABUBU a clientes que depositaram valores mínimos de RMB 50 mil em poupança com prazo de três meses. Em Xi’an, funcionários confirmaram que novos clientes podiam participar da promoção, recebendo versões da série LABUBU 1.0, 2.0 e, ao solicitar cartão de crédito, também da série 3.0. A distribuição ocorre até o fim dos estoques. As taxas de juros oferecidas variaram de 1% a 1,3% ao ano, acima das praticadas pelos quatro maiores bancos chineses. O preço original dos bonecos é RMB 99, mas no mercado paralelo os valores vão de RMB 200 a mais de milhares, conforme a raridade. O banco argumenta que a campanha faz parte do programa “Bom Vizinho Ping An”, focado no público jovem. Segundo Liu Feipeng, pesquisador do Postal Savings Bank of China, a ação é uma tentativa de atrair depósitos diante da concorrência e do ambiente de juros baixos. A campanha ocorreu em agências selecionadas de cidades como Xi’an, Pequim, Shenzhen, Shijiazhuang e Wuhan. Em outras agências de Pequim, funcionários negaram a promoção, indicando que se trata de iniciativa limitada a algumas filiais. Pressão por metas e competição acirrada A oferta de brindes para atrair depósitos não é novidade. Desde prêmios como arroz e óleo vegetal até blind boxes, o objetivo permanece o mesmo: conquistar clientes com incentivos desejados. Gerentes de banco informaram que filiais enfrentam metas específicas de captação. Com queda das taxas de juros, clientes migram para títulos públicos e fundos, tornando mais difícil a atração de depósitos tradicionais. No primeiro trimestre de 2025, o Banco Ping An registrou receita operacional de RMB 33,709 bilhões, queda de 13,1% em relação ao ano anterior, e lucro líquido de RMB 14,096 bilhões, redução de 5,6%. Lu Minfeng, pesquisador do Instituto de Finanças e Tecnologia de Xangai, destacou que a captação de depósitos é desafiadora, principalmente porque o sistema tradicional de avaliação ainda prioriza o volume de depósitos como principal indicador de desempenho. Muitos gerentes de produtos financeiros têm cerca de 60% da avaliação ligada a esses indicadores. Segundo Lu, a promoção do LABUBU por depósitos de RMB 50 mil representa um “sprint pontual” diante da pressão por cumprir metas até junho de 2025, quando ocorrem avaliações de desempenho. Restrição regulatória à oferta de brindes físicos Fontes internas revelaram que reguladores locais proibiram instituições financeiras de atrair depósitos oferecendo brindes físicos ou benefícios por meio de plataformas digitais. Documentos indicam que essas práticas devem ser suspensas imediatamente, com retirada de materiais promocionais e encerramento ordenado dos negócios relacionados até o fim de 2025. Lu Minfeng explicou que o uso em larga escala de brindes físicos pode gerar riscos regulatórios e aumentar custos operacionais. Em 2018, a antiga Comissão Reguladora de Bancos e Seguros da China proibiu bancos de atrair depósitos com retornos indevidos, incluindo a distribuição de bens materiais. Apesar disso, a linha entre estratégia de marketing e violação das regras é controversa. Oferecer LABUBU não fere diretamente limites de juros, mas o valor do brinde pode equivaler a um aumento implícito na remuneração do depósito. O Banco Central apontou no “Relatório de Execução da Política Monetária da China no Terceiro Trimestre de 2024” que a competição entre bancos levou à queda rápida das taxas de juros para empréstimos e à dificuldade de redução nas taxas de depósitos, afetando a eficácia da política monetária . Além disso, Lu alertou para uma “competição de brindes”, em que bancos menores precisam oferecer prêmios de maior valor para competir, elevando os custos do setor e prejudicando a concorrência baseada em qualidade de serviço. Segundo o pesquisador, substituir remuneração por brindes físicos ultrapassa o mecanismo de precificação da reforma da liberalização das taxas de juros, pode aumentar a tolerância ao risco dos bancos e afrouxar os padrões de crédito. Caminhos para crescimento sustentável Liu Feipeng defende que os bancos devem focar na melhoria do atendimento e oferta de serviços financeiros integrados para aumentar a fidelidade dos clientes e, assim, captar depósitos de forma sustentável. Lu Minfeng sugere romper com a avaliação baseada apenas no volume de depósitos e incluir indicadores como “taxa de crescimento do patrimônio do cliente” e “taxa de posse cruzada de produtos”. Ele recomenda transitar da captação de depósitos de alto custo presencial para operações digitais de menor custo. Fonte: news.china
10 de junho de 2025
A febre do personagem Labubu , vendido pela chinesa Pop Mart , sinalizou uma mudança no setor de brinquedos da China. Com a popularização de propriedades intelectuais originais (IPs), versões similares como Lafufu, Lababa e Labobo também se espalharam globalmente. O fenômeno revelou o novo posicionamento das empresas chinesas, que tentam deixar de atuar apenas como fábricas terceirizadas e buscar valor por meio de marcas e propriedades intelectuais próprias. Em 2024, 65,51% das exportações de brinquedos com marca própria ocorreram por meio de comércio geral, segundo dados oficiais. A cifra representa um avanço na construção de marcas. No entanto, a maioria das fábricas ainda opera como fornecedora OEM, com foco na montagem sob encomenda. Essas empresas enfrentam baixa margem de lucro e pouca capacidade de negociação. A combinação de escala com baixa autonomia pressiona o setor por mudanças. “Não queremos mais ser apenas fábricas de montagem para outros. Queremos criar nossas marcas e IPs”, afirmou um empreendedor do setor de design em Shenzhen. Queda nas exportações e desafios externos Em setembro de 2022, a China registrou a primeira queda nas exportações de brinquedos após 26 meses de alta. A desaceleração econômica global e os ajustes nas cadeias de suprimento expuseram os limites do modelo baseado em montagem. Mesmo com a percepção de que o modelo OEM é insustentável, o setor segue dependente dessa estrutura. Após dois anos consecutivos de retração, 2025 manteve o cenário adverso, com tarifas elevadas afetando exportações. Zheng Lin, dona de uma fábrica OEM em Zhanjiang que produzia para a americana Mattel, afirmou que precisou fechar linhas de produção com a vigência das novas tarifas. “Os distribuidores disseram que agora nem conseguem fazer pedidos”, contou. Ainda em 2024, empresas identificaram uma recuperação parcial nos pedidos dos Estados Unidos, com tíquete médio maior. Os EUA seguem como principal destino das exportações chinesas de brinquedos, com US$ 10,55 bilhões em compras, alta de 4,24% ante o ano anterior. O país representou 26,46% das exportações totais do setor. Estima-se que cerca de 75% dos brinquedos vendidos nos EUA, como bonecos, triciclos e patinetes, venham da China. Mattel e Hasbro indicam que cerca de 40% dos produtos no mercado americano são fabricados no país asiático. A Associação Americana de Brinquedos segue contrária às tarifas desde o governo Trump, alegando dependência estrutural da produção chinesa. Apesar da leve retomada, empresas que dependem de volume continuam com margens reduzidas. Uma empresa ODM relatou aumento nos custos de produção, enquanto clientes insistem em descontos, inclusive distribuidores europeus e americanos. Diversificação de mercados Com a instabilidade nas relações comerciais com os EUA, empresas chinesas passaram a buscar mercados emergentes. “Percebemos que não podemos concentrar tudo em um único mercado. É preciso diversificar”, disse Xiao Juan (nome fictício), exportadora de brinquedos de Yiwu. Xiao produz bonecas em várias línguas, vendidas principalmente na Rússia, Paquistão, Tajiquistão e América do Sul. Ela afirmou que investe mais em mercados com resposta positiva e ambiente político estável, reduzindo atuação onde há riscos geopolíticos. A liderança chinesa nas cadeias globais favoreceu o aumento da demanda de países do Oriente Médio. Na Feira de Cantão e na Expo de Brinquedos de Hong Kong, em 2024, fabricantes relataram crescimento no número de compradores da região. Arábia Saudita, Emirados Árabes, Turquia, Iraque e Israel importaram mais de US$ 100 milhões em brinquedos chineses em 2024. Além do Oriente Médio, o avanço da classe média no Sudeste Asiático aumentou o consumo. Na Europa, canais estáveis tornam o mercado estratégico na diversificação. No mercado doméstico, o crescimento dos brinquedos colecionáveis e da cultura anime atraiu fábricas antes voltadas à exportação. Em Guangzhou, uma empresa afirmou: “Antes só olhávamos para fora. Agora vemos o potencial do mercado interno.” Dados da Associação de Brinquedos de Guangdong apontam que o mercado tradicional no país deve alcançar RMB 77,42 bilhões em 2024, alta de 4,6%. Já o mercado de brinquedos colecionáveis deve somar RMB 72,7 bilhões, crescimento de 26%. A empresa Sums Model, especializada em modelos colecionáveis, mantém foco no consumo interno. “A demanda ainda não foi atendida. Novas marcas surgem, sustentando as fábricas da região”, disse Liu Xueshen, presidente da companhia. Em 2023, os IPs originais de Dongguan e Chenghai superaram os produtos terceirizados, com 53% do valor total de produção. IPs e valor agregado O avanço dos brinquedos colecionáveis e produtos derivados de IP representa nova fase do setor, com foco em valor agregado e diferenciação. Wang Tingting (nome fictício), executiva de marketing de uma empresa de design de brinquedos em Shenzhen, informou que os EUA respondem por 7% a 8% das vendas, concentradas em lojas especializadas. A meta é alcançar 10% em 2025. Wang destacou que IPs funcionam como soluções finais, o que permite repassar custos ao consumidor final. Durante a alta das tarifas, a empresa elevou o preço ao varejista de US$ 5 para US$ 9-10, com preço final ao consumidor entre US$ 24 e US$ 25. A margem cresceu com base na exclusividade do produto. Por outro lado, o setor enfrenta dificuldades para adaptar IPs ao gosto de públicos internacionais. Zhou Ting (nome fictício), responsável por uma empresa em Chenghai, contou que um IP baseado em símbolos chineses não teve aceitação nos EUA. “Investimos, mas os resultados ficaram abaixo do esperado. Vamos desacelerar a expansão”, disse. A indústria também aposta em produtos artesanais com apelo artístico. Na Hobby Expo China, em maio de 2025, um modelo veicular em miniatura chamou atenção com preço superior a RMB 6.000. O fabricante informou que modelos semelhantes no exterior podem custar até US$ 1.000 e esgotam rapidamente. O avanço de plataformas de e-commerce e personalização direta ampliou o alcance de estúdios chineses no exterior. “Antes, só estúdios europeus, americanos e japoneses atuavam nesse mercado. Agora, recebemos muitos pedidos também”, afirmou o responsável por um ateliê de Dongguan. Segundo ele, esse tipo de produto não compete por preço, mas por exclusividade. “Hoje, não fizemos apenas brinquedos de plástico baratos. Trabalhamos com valor criativo e artístico.” Após anos atuando como fornecedoras terceirizadas para marcas internacionais, fabricantes chinesas de brinquedos têm investido em marcas próprias e propriedades intelectuais (IPs) para aumentar a margem de lucro e reduzir a dependência do modelo OEM. Em 2024, 65,5% das exportações de brinquedos com marca própria foram realizadas via comércio geral, segundo dados alfandegários chineses, um salto em relação ao histórico de exportações como OEM. Ainda assim, o setor permanece dominado por fábricas de montagem, com baixa margem e pouca autonomia sobre preços. “Ainda somos mão de obra barata para multinacionais. Queremos mudar isso com IPs próprios”, disse um empreendedor da área de design em Shenzhen. Exportações caem e pressionam modelo tradicional O setor enfrenta pressão desde 2022, quando as exportações de brinquedos caíram pela primeira vez em mais de dois anos. Tarifas comerciais e enfraquecimento da demanda global agravaram a situação. Fábricas com foco exclusivo nos EUA enfrentam cortes de pedidos. “A Mattel parou de comprar. Não consigo mais sustentar as linhas”, afirmou a dona de uma fábrica OEM em Guangdong. Apesar disso, os EUA ainda responderam por US$10,55 bilhões em exportações em 2024, cerca de 26% do total. Estima-se que 75% dos brinquedos vendidos no país sejam fabricados na China. Mercado interno e IPs ganham força O mercado doméstico também atrai empresas. Estima-se que o setor tradicional movimente RMB 77,4 bilhões em 2024, enquanto o de brinquedos colecionáveis deve atingir RMB 72,7 bilhões, com crescimento de 26%. A Pop Mart lidera esse movimento, com personagens como o Labubu. A expansão dos IPs também levou empresas a reajustarem preços. Uma marca de Shenzhen afirmou que elevou o preço de revenda de US$ 5 para US$ 9 sem queda na demanda. “O consumidor compra porque quer aquele personagem. O valor está no design, não no plástico”, disse uma executiva de marketing. No entanto, nem todos os IPs funcionam fora da China. Empresas de Chenghai relataram dificuldade em adaptar personagens locais ao gosto dos consumidores ocidentais. Fonte: 36kr.com