9 de abril de 2025
Vasos com frases motivacionais, brinquedos sensoriais e serviços de escuta virtual compõem uma nova categoria de consumo que cresce entre os jovens chineses. O chamado “consumo emocional” ganhou espaço no varejo digital e reflete mudanças nos hábitos de compra da nova geração. Segundo o Relatório sobre a Mentalidade dos Jovens na Internet Chinesa (2024), publicado pelo Instituto de Desenvolvimento Fudan, os consumidores passaram a considerar não apenas o custo-benefício, mas também o valor emocional dos produtos. O documento define esse comportamento como “consumo de valor emocional”. Para Hong Yong, pesquisador do Instituto de Comércio Eletrônico da Academia de Pesquisa do Ministério do Comércio da China , o fenômeno decorre da evolução das demandas sociais. Com maior acesso a bens materiais, os consumidores passaram a buscar experiências mais personalizadas e simbólicas. Alívio emocional com itens do cotidiano Produtos populares como blind boxes, brinquedos anti stress, incensos com frases e capas de celular com mensagens ganham destaque entre estudantes e trabalhadores. Esses itens, que custam menos de RMB 20 em plataformas como Taobao, se tornaram uma opção de alívio rápido para o estresse diário. O avanço do consumo emocional impulsionou também o mercado de bens de consumo, produtos derivados de animações, quadrinhos e jogos. Dados da iiMedia Research indicam que o setor movimentou RMB 168,9 bilhões em 2024 e deve alcançar RMB 308,9 bilhões até 2029. Ferramentas baseadas em inteligência artificial passaram a ocupar espaço nesse cenário. O robô “Xiao Zhi”, por exemplo, responde de forma objetiva, mas tenta oferecer acolhimento, segundo Wang Zhichao, blogueiro de tecnologia. A empresa desenvolvedora busca integrar memória emocional ao sistema para personalizar ainda mais as interações. Especialistas alertam para riscos do consumo emocional Apesar do crescimento do setor, pesquisadores apontam riscos como dependência emocional e uso inadequado de dados. Shen Yang, professor da Universidade Tsinghua, defende a criação de padrões de transparência algorítmica e regulamentação de conteúdo. O consumo emocional já influencia o comportamento dos jovens e transforma modelos de negócio. Em paralelo, especialistas recomendam que políticas de proteção ao consumidor e diretrizes de segurança digital acompanhem esse movimento para preservar a privacidade e o bem-estar do público. Fonte: news.china.com.cn
4 de abril de 2025
Durante o Festival Qingming e com o verão se aproximando, jovens solteiros de Xangai passaram a organizar passeios em grupo para colher vegetais selvagens. A atividade, inicialmente voltada ao lazer, passou a funcionar como alternativa aos encontros arranjados, criando um novo formato de socialização voltado ao namoro. Os participantes utilizam trilhas, caminhadas e jogos presenciais e online para se conhecer. A proposta é substituir os modelos tradicionais por interações mais espontâneas, com base em afinidades. Uma pesquisa realizada pelo China Youth Daily entrevistou 1.339 pessoas e revelou que 73,9% dos entrevistados relataram que os jovens ao seu redor já tentaram atividades interativas baseadas em interesses para encontros amorosos. Na rede social RedNote , usuários publicam convites para formar grupos de socialização. Uma usuária identificada como “Wangwangdebeijingdanshenshe” declarou ter intermediado o encontro de 78 casais por meio dessas ações. Zhong Pei, moradora de Changsha, na província de Hunan, disse ao Global Times que deixou de focar na pressão de encontrar um parceiro. Ela prefere formar conexões durante atividades culturais e ao ar livre. Zhong participa de trilhas e festivais de música, onde encontra mais facilidade para conversar com desconhecidos. “Em um festival, consigo iniciar conversas com mais naturalidade,” contou Zhong, que se considera reservada no dia a dia. A nova forma de conhecer possíveis parceiros reflete mudanças na percepção dos jovens sobre relacionamentos. O casamento já não cumpre apenas um papel social ou econômico. Muitos o veem como uma parceria voltada ao crescimento individual e à afinidade emocional. Nos passeios para colher vegetais em Xangai, grupos se encontram no campo, sem formalidades. O ambiente permite interações sem exigências relacionadas à renda, aparência ou histórico familiar. A proposta atrai solteiros que priorizam autenticidade. O presidente da Academia de Ciências Sociais de Nanchang, Dai Qingfeng, afirmou que os jovens buscam formatos que unam entretenimento e socialização. Segundo ele, eventos baseados em afinidades, transmissões ao vivo e dinâmicas leves atendem às necessidades dessa geração. “Encontros tradicionais muitas vezes tratam as pessoas como objetos arranjados. As novas práticas oferecem liberdade e múltiplos benefícios”, disse Dai. As plataformas de namoro e organizadores de eventos já começam a adaptar suas estratégias. A demanda agora exige formatos flexíveis, conectados com o estilo de vida minimalista e as preferências sociais da geração atual. Apesar da leveza dessas interações, especialistas alertam que atividades como trilhas ou passeios agrícolas não garantem compatibilidade profunda. Diferenças em valores ou formas de comunicação podem surgir com o tempo. Para Zhong, essas atividades funcionam como ponto de partida, mas não substituem o processo de construção de vínculos mais sólidos. “Relacionamentos construídos com base em interesses compartilhados também precisam fomentar comunicação honesta, profundidade emocional e apoio mútuo para realmente prosperarem”, ressaltou Zhong, destacando que, para ela, construir uma conexão nessas atividades é apenas o primeiro passo. Tradução: Mei Zhen Li Fonte: China Youth Daily
7 de março de 2023
À medida que a economia digital se desenvolve, novos modelos de negócios expandem os canais para os jovens chineses que optam por um emprego flexível, em detrimento das funções tradicionais. Segundo dados oficiais, a China registrou mais de 200 milhões de trabalhadores em empregos flexíveis em 2021. Graças ao desenvolvimento da Internet, os serviços domésticos on-demand , tais como serviços de chef pessoal e de pet-sitting, tornaram-se cada vez mais populares entre as pessoas que procuram conveniência e eficiência, oferecendo novas escolhas a muitas pessoas que querem fazer trabalhos flexíveis. Um jovem apelidado de Zhenzai era diretor de operações de uma empresa de catering. Durante o período da COVID-19, ele cozinhou para seus amigos e compartilhou sua experiência on-line, atraindo 7.000 seguidores dentro de dois meses. Desde então, ele se tornou um chef pessoal em tempo integral no sul da China, em Guangdong. Ele cobra 198 yuans (US$ 28) por quatro pratos caseiros comuns e um extra por pratos que envolvem preparações complexas, enquanto cobra pelo menos 688 yuans por um banquete familiar. Durante o período mais movimentado, o chef pessoal pode ganhar mais de 10.000 yuans por mês. Outro homem apelidado de Hehe trabalha como vlogger na pequena plataforma de vídeo Douyin, produzindo vídeos sobre seus serviços de chef. Antes disso, ele era professor em uma instituição de treinamento pós-escolar. “Quando eu estava desempregado, aprendi a cozinhar e me voltei para novas mídias”, disse ele. O vlogger pode ganhar 50.000 yuans a 100.000 yuans por mês através da publicidade de produtos na plataforma. Algumas pessoas também trabalham em tempo parcial ou em tempo integral como pet-sitters, fornecendo serviços porta-a-porta, incluindo alimentação, preparando água potável para animais de estimação, descartando seus dejetos e levando os cães para passear. Em 25 de fevereiro, Xangai aprovou um regulamento sobre promoção de emprego, que entrou em vigor em 1º de março. De acordo com o regulamento, a cidade melhorará as políticas flexíveis de apoio ao emprego, ampliará os canais para emprego flexível e abolirá restrições excessivas a este respeito para criar oportunidades de emprego mais flexíveis. O regulamento também enfatiza a necessidade de melhorar os serviços de emprego flexível, promover o treinamento profissional de trabalhadores flexíveis, proteger seus direitos e melhorar as regras do seguro contra acidentes de trabalho. Os dados mostram que quase 90% dos graduados universitários estão dispostos a fazer trabalhos flexíveis. Lin Fan, fundador e CEO da Maimai, uma plataforma de carreira e rede social baseada na China, disse que os empregos flexíveis e as linhas laterais são populares entre os jovens. O desenvolvimento próspero da economia digital está criando cada vez mais novas profissões, de acordo com um relatório da iResearch, uma empresa independente de pesquisa de mercado. Isto traz novas oportunidades para os que buscam empregos flexíveis. Xu Hao, advogado do escritório de advocacia Jingsh em Pequim, disse que os serviços sob demanda ao domicílio economizam o tempo dos consumidores, oferecem conveniência para eles, especialmente os idosos, os doentes, os deficientes físicos e as futuras mães, e criam oportunidades de emprego. Xu sugeriu melhorar a gestão sobre novos modelos de negócios de acordo com o novo desenvolvimento econômico e situações de emprego para proteger os direitos e interesses dos consumidores e garantir as operações legais dos novos modelos de negócios. Fonte: Yicai Global