Durante o Festival Qingming e com o verão se aproximando, jovens solteiros de Xangai passaram a organizar passeios em grupo para colher vegetais selvagens. A atividade, inicialmente voltada ao lazer, passou a funcionar como alternativa aos encontros arranjados, criando um novo formato de socialização voltado ao namoro.
Os participantes utilizam trilhas, caminhadas e jogos presenciais e online para se conhecer. A proposta é substituir os modelos tradicionais por interações mais espontâneas, com base em afinidades.
Uma pesquisa realizada pelo China Youth Daily entrevistou 1.339 pessoas e revelou que 73,9% dos entrevistados relataram que os jovens ao seu redor já tentaram atividades interativas baseadas em interesses para encontros amorosos.
Na rede social RedNote, usuários publicam convites para formar grupos de socialização. Uma usuária identificada como “Wangwangdebeijingdanshenshe” declarou ter intermediado o encontro de 78 casais por meio dessas ações.
Zhong Pei, moradora de Changsha, na província de Hunan, disse ao Global Times que deixou de focar na pressão de encontrar um parceiro. Ela prefere formar conexões durante atividades culturais e ao ar livre. Zhong participa de trilhas e festivais de música, onde encontra mais facilidade para conversar com desconhecidos. “Em um festival, consigo iniciar conversas com mais naturalidade,” contou Zhong, que se considera reservada no dia a dia.
A nova forma de conhecer possíveis parceiros reflete mudanças na percepção dos jovens sobre relacionamentos. O casamento já não cumpre apenas um papel social ou econômico. Muitos o veem como uma parceria voltada ao crescimento individual e à afinidade emocional.
Nos passeios para colher vegetais em Xangai, grupos se encontram no campo, sem formalidades. O ambiente permite interações sem exigências relacionadas à renda, aparência ou histórico familiar. A proposta atrai solteiros que priorizam autenticidade.
O presidente da Academia de Ciências Sociais de Nanchang, Dai Qingfeng, afirmou que os jovens buscam formatos que unam entretenimento e socialização. Segundo ele, eventos baseados em afinidades, transmissões ao vivo e dinâmicas leves atendem às necessidades dessa geração. “Encontros tradicionais muitas vezes tratam as pessoas como objetos arranjados. As novas práticas oferecem liberdade e múltiplos benefícios”, disse Dai.
As plataformas de namoro e organizadores de eventos já começam a adaptar suas estratégias. A demanda agora exige formatos flexíveis, conectados com o estilo de vida minimalista e as preferências sociais da geração atual.
Apesar da leveza dessas interações, especialistas alertam que atividades como trilhas ou passeios agrícolas não garantem compatibilidade profunda. Diferenças em valores ou formas de comunicação podem surgir com o tempo. Para Zhong, essas atividades funcionam como ponto de partida, mas não substituem o processo de construção de vínculos mais sólidos.
“Relacionamentos construídos com base em interesses compartilhados também precisam fomentar comunicação honesta, profundidade emocional e apoio mútuo para realmente prosperarem”, ressaltou Zhong, destacando que, para ela, construir uma conexão nessas atividades é apenas o primeiro passo.
Tradução: Mei Zhen Li
Fonte: China Youth Daily