Tecnologia

China testa levar processamento de dados para o espaço com satélites de computação

Satélites de computação

A China estuda levar parte do processamento de dados feito em centros terrestres diretamente para o espaço, com satélites capazes de realizar cálculos e tomar decisões sem depender constantemente de sistemas em solo. A estratégia já começou a ser testada com a constelação Xingsuan, cujo primeiro grupo de 12 satélites de computação foi lançado em maio de 2025.

Os equipamentos possuem sistemas próprios de computação inteligente e comunicação entre satélites. A proposta é permitir que informações coletadas no espaço sejam processadas ainda em órbita, em vez de serem enviadas primeiro para centros terrestres.

Zheng Wen, pesquisador da Academia de Inovação para Microssatélites da Academia Chinesa de Ciências, compara o conceito a colocar um computador no espaço. Com capacidade própria de processamento, o satélite pode analisar os dados que recebe e executar determinadas tarefas em tempo real.

A expectativa dos pesquisadores é conectar diferentes grupos de satélites para compartilhar capacidade de processamento. Em uma etapa posterior, Zheng cita a possibilidade de construir uma estrutura de computação de grandes dimensões no espaço, com até 4 mil metros por 4 mil metros, destinada a oferecer serviços computacionais.

Computação no espaço enfrenta problemas de calor e radiação

Levar centros de processamento para fora da Terra também cria desafios técnicos. Segundo Zheng, o espaço permite utilizar energia solar e oferece condições específicas para o controle de temperatura, mas a dissipação de calor e a radiação de partículas de alta energia ainda estão entre os principais obstáculos à computação espacial em grande escala.

Sem ar, o calor produzido pelos equipamentos precisa ser dissipado por radiação. Por isso, uma instalação de computação no espaço exigiria grandes superfícies destinadas ao controle térmico.

Outro problema está na exposição dos chips a partículas de alta energia. Elas podem interferir nos estados eletrônicos utilizados pelos computadores para representar os números binários 0 e 1 e, com isso, provocar erros no processamento das informações.

IA pode permitir manutenção autônoma de satélites

Para os pesquisadores, porém, colocar capacidade computacional em órbita não é o objetivo final. A tecnologia também pode dar mais autonomia a equipamentos espaciais ao combinar inteligência artificial, processamento de dados e sistemas de satélite.

Uma das possibilidades citadas por Zheng é utilizar essa capacidade no braço robótico da estação espacial chinesa. Com sistemas próprios de processamento e decisão, o equipamento poderia executar parte das operações hoje realizadas por astronautas fora da estação.

A Academia de Inovação para Microssatélites também trabalha no projeto de uma futura espaçonave chamada NEZHA. Segundo Zheng, o equipamento terá braços robóticos e poderá se deslocar de forma autônoma para realizar tarefas de manutenção.

A proposta é que essas espaçonaves possam ser enviadas, por exemplo, para prestar manutenção em satélites danificados ou com problemas de energia. O projeto faz parte das pesquisas chinesas para combinar inteligência artificial, capacidade de processamento e sistemas espaciais com maior nível de autonomia.

Fonte: CCTV