Tecnologia

Capital global aposta pesado em robótica chinesa

A indústria chinesa de robôs vive uma migração de capital sem precedentes. Somente em abril, nove empresas do setor concluíram rodadas de financiamento superiores a RMB 1 bilhão. Entre elas, a TARS levantou mais de RMB 3 bilhões em uma única rodada, estabelecendo um novo recorde para o segmento.

O primeiro trimestre foi ainda mais intenso. Segundo dados da IT Juzi, apenas no primeiro trimestre de 2026 foram divulgados mais de 200 eventos de financiamento ligados à robótica, com valor total superior a RMB 30 bilhões. Em média, mais de duas empresas do setor receberam investimentos por dia.

O mercado secundário também acompanhou a euforia. Diversas ações ligadas ao conceito de robótica na bolsa chinesa dispararam no primeiro trimestre. O índice relacionado à Unitree Robotics subiu 31%, enquanto o segmento de robôs humanoides registrou ganhos entre 28% e 30%.

Ao analisar essa onda de investimentos, fica evidente que o capital estrangeiro se tornou uma força central tanto no mercado primário quanto no secundário.

A estrutura dos investimentos internacionais no setor chinês de robótica apresenta um claro formato de “halter”: de um lado, fundos estrangeiros entram cedo em startups privadas para garantir posição em tecnologias-chave; do outro, aumentam exposição em gigantes já listadas, aproveitando o crescimento acelerado da indústria.



Capital estrangeiro amplia apostas na bolsa


Até dois anos atrás, o mapa de investimentos em robótica na China era dominado por capital doméstico. Em 2026, porém, a presença internacional cresceu de forma visível.

Em abril, a D-Robotics anunciou uma rodada Série B2 de US$ 150 milhões. Participaram investidores estrangeiros como o fundo saudita Prosperity7 Ventures, a singapurense LOOK CAPITAL e a Vertex Growth, também de Singapura. A Vertex Growth acompanha a empresa desde a Série A e aumentou participação em todas as rodadas seguintes.

Quase simultaneamente, a gigante americana de private equity Bain Capital anunciou investimento estratégico no grupo chinês Positec, especializado em ferramentas inteligentes e robótica. Segundo a Bain, o aporte visa acelerar a expansão global da empresa, inovação tecnológica e crescimento em segmentos de alta demanda.

Ao longo do primeiro trimestre, o número de investidores estrangeiros cresceu ainda mais:

A rodada estratégica de RMB 1 bilhão da Robot Era contou com Samsung, Woori Capital e Singtel;

A Spirit AI recebeu novo aporte da Prosperity7;

A LimX Dynamics atraiu a Stone Venture, dos Emirados Árabes;

A Noematrix recebeu investimentos da Sea Limited e da Prosperity7.

Segundo a CVSource, entre mais de 200 empresas chinesas de inteligência incorporada (embodied intelligence), ao menos 19 já receberam capital estrangeiro — sem contar fundos de Hong Kong. Entre os investidores mais ativos estão instituições da Coreia do Sul, Sudeste Asiático e, principalmente, do Oriente Médio.

A Prosperity7, vinculada à Saudi Aramco, tornou-se uma das principais investidoras da robótica chinesa. O fundo também possui participações em empresas como Keenon Robotics, Fourier Intelligence e JAKA Robotics.

Outra presença forte é a Stone Venture, sediada em Dubai, focada em hard tech na Ásia, especialmente na China. O fundo investiu em empresas como LimX Dynamics e Neolix, além de aportar três vezes consecutivas na EngineAI.

Essa movimentação não se limita ao mercado privado. Diversas ações ligadas à robótica também passaram a integrar as maiores posições de investidores institucionais estrangeiros na bolsa chinesa.

Com a divulgação dos resultados do primeiro trimestre, tornou-se público o posicionamento atualizado dos QFII (Qualified Foreign Institutional Investors):

O Goldman Sachs mantém forte posição no grupo OmniVision Integrated Circuits Group;

O Barclays incluiu a Huagong Tech Company Limited entre suas principais apostas;

O UBS ampliou exposição em toda a cadeia de IA e robótica, incluindo empresas como Yuanjie Technology, Suzhou TFC Optical Communication e Shenzhen Techwinsemi Technology.

Do mercado primário ao secundário, das startups às gigantes listadas, o capital internacional está aumentando sistematicamente sua exposição à robótica chinesa. Isso reflete uma percepção clara: a China já consolidou vantagens estruturais no setor.

Fonte: tmtpost.com