Com o preço internacional do ouro em níveis elevados e sujeito a fortes oscilações, bancos chineses começaram a reforçar o controle de risco em produtos ligados ao metal precioso. Instituições como o China Construction Bank e o Industrial and Commercial Bank of China adotaram novas regras para limitar operações e reduzir a especulação no mercado.
No início de março, o China Construction Bank anunciou que passaria a aplicar limites dinâmicos de negociação no produto CCB Gold, que inclui o plano de acumulação Yi Cun Jin. Pelo novo modelo, o banco define diariamente um volume máximo de compras. Quando o limite é atingido, novas aquisições são bloqueadas, embora as vendas continuem permitidas. A instituição também ampliou para 10 a 15 dias úteis o prazo de entrega de ouro físico devido ao aumento da demanda.
Medidas semelhantes já haviam sido adotadas pelo Industrial and Commercial Bank of China, que passou a aplicar limites diários e por transação em dias sem negociação na Shanghai Gold Exchange. Ao mesmo tempo, vários bancos elevaram o valor mínimo para investimentos em planos de acumulação de ouro.
Dados divulgados por instituições financeiras indicam que, desde 2025, o valor mínimo para esse tipo de aplicação foi reajustado diversas vezes. O ICBC, por exemplo, elevou o limite inicial de 650 yuans para 1.300 yuans, enquanto o Bank of China aumentou de 650 para 1.200 yuans. O China Construction Bank também elevou o valor mínimo de seu plano periódico para 1.500 yuans.
Alguns bancos foram além. O Zheshang Bank informou que pode suspender temporariamente operações de compra e venda de produtos de ouro acumulado caso ocorram flutuações anormais de preços ou falta de liquidez no mercado.
Analistas apontam que as mudanças refletem a crescente volatilidade do mercado. O objetivo é reduzir operações especulativas de curto prazo e reposicionar esses produtos como instrumentos de alocação de longo prazo, e não como alternativas simples de poupança.
A preocupação das instituições financeiras também está ligada ao comportamento de parte dos investidores. Com a alta do ouro, alguns passaram a utilizar empréstimos de consumo e limite de cartão de crédito para financiar aplicações no metal. Quando os preços recuam, as perdas podem se ampliar rapidamente, especialmente para quem opera com recursos emprestados.
Especialistas alertam que, nesse cenário, investidores devem tratar o ouro como parte da diversificação de patrimônio e evitar operações alavancadas. Para os bancos, a tendência é de controle de risco cada vez mais rigoroso, com limites mais flexíveis, critérios de acesso mais altos e maior monitoramento das transações.
Fonte: cctv.com


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