14 de outubro de 2025
Em 14 de outubro, o porta-voz do Ministério do Comércio da China (MOFCOM) criticou as novas tarifas e restrições impostas pelos Estados Unidos a produtos chineses. Segundo ele, “os EUA não podem propor negociações e, ao mesmo tempo, recorrer a ameaças ou medidas coercitivas — esse não é o modo correto de lidar com a China”. Pequim pediu que Washington corrija suas ações, demonstre sinceridade e colabore para um diálogo construtivo. Em resposta a uma pergunta sobre alegações de que a China teria adiado uma conversa telefônica solicitada pelos EUA após o anúncio de controles de exportação sobre terras raras, o MOFCOM afirmou que “tomou nota da situação” e reiterou sua posição. O porta-voz destacou que as medidas de controle seguem a legislação chinesa e têm como objetivo aperfeiçoar o sistema nacional de exportações. De acordo com o ministério, as restrições não configuram uma proibição. Pedidos que atendam aos requisitos continuarão a ser aprovados, com o objetivo de manter a estabilidade das cadeias globais de produção e fornecimento. Pequim informou que notificou Washington sobre as medidas antes de sua implementação, por meio do mecanismo bilateral de diálogo sobre controle de exportações . O governo chinês acusou os Estados Unidos de ampliar de forma abusiva o conceito de “segurança nacional” e de aplicar controles de exportação de maneira discriminatória. Desde a reunião econômico-comercial entre os dois países, realizada em Madri, os EUA anunciaram novas restrições que, segundo Pequim, prejudicam os interesses chineses e o ambiente das negociações bilaterais. Fonte: gmw.cn
25 de abril de 2025
Desde março de 2025, autoridades das principais cidades chinesas com forte participação no comércio exterior intensificaram agendas internacionais. Os líderes locais têm realizado visitas a outros países, encontros com empresários e visitas técnicas a empresas com capital estrangeiro. O objetivo dessas ações é diversificar mercados e reduzir a dependência dos Estados Unidos, em resposta ao avanço do protecionismo e das tarifas unilaterais impostas por Washington. Shenzhen, Xangai, Pequim, Suzhou, Ningbo, Dongguan, Guangzhou, Xiamen, Qingdao e Jinhua lideraram o volume de importação e exportação da China em 2024. Segundo o jornal Yicai, nos últimos dois meses, as autoridades dessas cidades intensificaram a agenda externa. Em 2023, Xangai alcançou RMB 4,27 trilhões em comércio exterior, registrando o maior valor da série histórica pelo nono ano seguido. Em abril, após a proposta dos EUA de adotar “ tarifas recíprocas ”, autoridades locais de Xangai visitaram empresas estrangeiras e do setor de comércio exterior para reforçar a confiança das companhias. No dia 15 de abril, o secretário do Comitê Municipal do Partido, Chen Jining, e o prefeito Gong Zheng visitaram empresas como Baolong Technology, Siemens Healthineers, Otis e Orient International. Chen defendeu a melhoria do ambiente de negócios e o fortalecimento da capacidade estratégica das empresas. Desde o início do ano, o governo municipal de Xangai realizou pelo menos cinco reuniões para tratar de medidas de estabilização do comércio exterior. Em 14 de abril, propôs-se a redução de custos operacionais, o apoio ao e-commerce transfronteiriço e a ampliação da presença em mercados emergentes. Em 21 de abril, a cidade reforçou a necessidade de antecipar riscos externos e manter a estabilidade no comércio e consumo interno. De 19 a 23 de abril, o prefeito de Shenzhen, Qin Weizhong, liderou uma delegação ao Egito, onde participou de um fórum econômico com o Cairo. A missão incluiu visitas a operações de empresas como Huawei, ZTE, Honor, Skyworth, Transsion e Mindray. Qin já havia visitado a Libéria em missão semelhante. Shenzhen lidera as exportações chinesas para os EUA, com RMB 422,3 bilhões em 2024, o equivalente a 15% do total da cidade. Em 10 de abril, o Comitê do Partido em Shenzhen realizou uma reunião para definir medidas de apoio às empresas e incentivo à diversificação de mercados. Em março, a cidade promoveu dois encontros com foco no comércio exterior. Nos últimos anos, Shenzhen tem ampliado a cooperação com regiões do Oriente Médio, Sudeste Asiático, Ásia Central, África e América Latina. Durante o encontro com empresários no Egito, Qin afirmou que Shenzhen irá acelerar a construção de uma economia aberta e melhorar os serviços às empresas com atuação internacional. Entre 31 de março e 3 de abril, o prefeito de Guangzhou, Sun Zhiyang, liderou uma delegação a Singapura, onde participou do Fórum Econômico Guangzhou-Singapura. No evento, as autoridades firmaram 13 acordos em áreas como direção autônoma, saúde, energia e cidades inteligentes. No plano provincial, Guangdong também avançou em frentes internacionais. De 6 a 11 de abril, o diretor do Departamento de Comércio, Zhang Jinsong, liderou uma delegação ao Vietnã e à Malásia. Em Hanói e Kuala Lumpur, a equipe firmou 27 acordos comerciais. Em 2024, Guangdong prevê mais de 300 feiras “Guangdong Trade Global”, 30 a mais que no ano anterior, com foco na ASEAN, Oriente Médio, Ásia Central, América Latina e África. Em 3 de abril, Jinhua realizou uma conferência de cooperação econômica com o Cazaquistão, em Almaty. O secretário do Partido, Zhu Zhonglie, propôs aprofundar a cooperação em logística ferroviária, comércio e intercâmbio cultural. De 5 a 8 de abril, Zhu e o prefeito de Yiwu, Wen Jianfei, visitaram o Uzbequistão para negociar novos projetos ligados à ferrovia China-Europa. Em Suzhou, em 10 de abril, o prefeito Wu Qingwen se reuniu com Yang Jie, presidente da Samsung Electronics China. A empresa foi uma das primeiras multinacionais a investir no parque industrial da cidade. Wu reafirmou o compromisso com a proteção aos investimentos e à propriedade intelectual. No dia 21 de abril, o secretário do Comitê Municipal do Partido em Qingdao, Zeng Zanrong, visitou empresas locais com foco em exportações e capital estrangeiro. Zeng defendeu a ampliação da abertura econômica, o apoio a novos modelos de negócios como o e-commerce transfronteiriço e a diversificação dos mercados, com foco nos países da Iniciativa “Cinturão e Rota”. Especialistas observam que a China tem priorizado a expansão para mercados emergentes como forma de fortalecer as exportações e reduzir a exposição a barreiras tarifárias. No primeiro trimestre de 2024, as cidades com maior crescimento nas exportações são aquelas menos dependentes do mercado dos EUA. Dongguan liderou o crescimento entre as dez maiores cidades exportadoras. Segundo a Alfândega de Huangpu, o valor total do comércio exterior da cidade atingiu RMB 356,35 bilhões no primeiro trimestre, alta de 21,2%. As trocas com os países da Iniciativa “Cinturão e Rota” cresceram 30,1%. O comércio com a ASEAN subiu 46,6% e com a Ásia Central aumentou 48,9%. Jinhua também registrou expansão. O comércio exterior da cidade somou RMB 216,92 bilhões no trimestre, alta de 12,4%. As transações com países da Iniciativa “Cinturão e Rota” somaram RMB 133,69 bilhões, 61,6% do total. A cidade registrou alta nas trocas com a UE (+14,8%), ASEAN (+15,9%), América Latina (+15,4%), África (+3,5%) e Oriente Médio (+13,7%). Suzhou totalizou RMB 632,52 bilhões em comércio exterior no período, com alta de 7,3%. As exportações cresceram 11,5%, alcançando RMB 403,17 bilhões. O comércio com países da Iniciativa “Cinturão e Rota” somou RMB 269,32 bilhões, 14,3% a mais que no ano anterior. ASEAN, Índia, África e Austrália registraram altas de 29,5%, 59,5%, 29,8% e 26,9%, respectivamente. No cenário nacional, o comércio exterior da China atingiu RMB 10,3 trilhões no primeiro trimestre, crescimento de 1,3% em relação a 2023. As trocas com países da Iniciativa “Cinturão e Rota” chegaram a RMB 5,26 trilhões, alta de 2,2%, representando 51,1% do total. O comércio com a ASEAN somou RMB 1,71 trilhão, com crescimento de 7,1%. Alemanha, Espanha e Reino Unido também apresentaram aumento nas trocas com a China. Segundo Wang Lingjun, vice-diretor da Administração Geral das Alfândegas, a China se consolidou como principal parceiro comercial de mais de 150 países e regiões. O país segue ampliando sua rede global de parcerias no comércio exterior. Fonte: yicai.com
25 de abril de 2025
Em coletiva de imprensa realizada em 24 de abril, o Ministério do Comércio da China negou a existência de negociações comerciais com os Estados Unidos. A declaração veio após questionamentos sobre falas recentes de autoridades americanas, incluindo o secretário do Tesouro, que classificou a guerra comercial como “insustentável”, e do ex-presidente Donald Trump, que afirmou não adotar uma postura dura em relação à China. O porta-voz do ministério, He Yadong, afirmou que não há qualquer negociação em andamento entre os dois países. Segundo ele, "qualquer declaração sobre progresso nas negociações sino-americanas é especulativa e não tem base nos fatos". He reforçou que a posição da China continua a mesma: o país está disposto a manter consultas e diálogos, desde que ocorram com respeito mútuo e em condições de igualdade. Ele também criticou o comportamento dos Estados Unidos . “A China não inicia conflitos, mas também não os evita. Pressão, ameaças ou chantagens não são formas adequadas de lidar com a China”, disse o porta-voz. He também ressaltou que a guerra comercial foi iniciada unilateralmente pelos EUA e pediu que o país corrija seus erros. “Se os Estados Unidos quiserem negociar, devem demonstrar sinceridade e retomar o caminho do diálogo em igualdade”, concluiu. Fonte: news.southcn.com
17 de abril de 2025
O Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 5,4% no primeiro trimestre de 2025, acima das previsões de bancos de investimento e instituições financeiras internacionais. O desempenho reforçou a posição do país nas cadeias globais de suprimento, mesmo em meio às tensões comerciais provocadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. Analistas de diferentes instituições financeiras afirmam que, diante do cenário externo adverso, a China mantém resiliência econômica e segue como elo central nas redes de produção e fornecimento global. A expectativa do mercado é de que o país sustente esse ritmo de crescimento nos próximos trimestres. A gestora de investimentos Invesco, com sede nos Estados Unidos, avaliou que os principais indicadores econômicos da China avançaram no primeiro trimestre, com destaque para exportações e manufatura industrial. “As exportações e a manufatura industrial registraram crescimento expressivo. Os investimentos em infraestrutura permaneceram estáveis. O consumo, baseado nas vendas no varejo, mostrou sinais de estabilização. Mesmo com o aumento dos riscos externos, a perspectiva para 2025 segue positiva”, disse Zhao Yaoting, estrategista-chefe da Invesco para a Ásia-Pacífico , com exceção do Japão. O Barclays Bank também revisou suas projeções após o desempenho do consumo no início do ano. Além disso, a instituição destacou os efeitos das medidas de estímulo adotadas pelo governo chinês. “Os dados superaram nossas estimativas. Relatos do mercado confirmam esse avanço. As políticas de incentivo do governo geraram impacto direto nas vendas”, afirmou Chang Jian, economista-chefe do banco para a China. Já Xing Ziqiang, economista-chefe do Morgan Stanley na China, apontou que o país preserva posição estratégica em setores industriais considerados essenciais. “A China ocupa posição central nas cadeias globais de suprimento. Essa estrutura permite ao país responder com mais eficiência às restrições comerciais e consolidar sua presença na próxima fase da revolução industrial”, declarou. Fonte: jingjiribao.cn
14 de abril de 2025
A China ultrapassou 25 bilhões de yuans em receita de bilheteira neste início de 2025 e assumiu a liderança no ranking global de arrecadação do cinema. O volume inclui pré-vendas e confirma a força do mercado chinês no setor audiovisual. Entre os títulos em destaque, Ne Zha 2 entrou na lista das cinco maiores bilheterias da história mundial. Com mais de 90 mil salas de exibição e mais de 1 bilhão de ingressos vendidos em 2024, a China consolidou sua posição como principal mercado para grandes produções. A expectativa é de novo crescimento com os lançamentos programados para o Festival Qingming e o feriado de 1º de maio. A resposta de Pequim às recentes tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos impactou o setor. O Escritório Nacional de Cinema da China anunciou a redução moderada na importação de filmes americanos. A medida, segundo o órgão, visa proteger o interesse do público e responde à política tarifária de Washington. Hollywood reage à medida chinesa A decisão gerou reação imediata no mercado. Segundo a agência Reuters, “Hollywood está mais nervosa do que nunca” diante da possibilidade de perder acesso ao mercado chinês. Produtores e executivos criticaram o presidente Donald Trump, apontado como responsável por políticas que prejudicam a própria indústria americana. As ações de grandes estúdios caíram após o anúncio. Em 10 de abril, a Disney recuou 6,79% e a Warner Bros Discovery perdeu 12,53%. O movimento reforça a dependência de Hollywood em relação ao público chinês. Estúdios adaptam produções ao gosto chinês Para manter espaço no mercado asiático, estúdios americanos vêm adaptando roteiros, locações e elencos. A Warner Bros escalou protagonistas chineses para Megatubarão 2. A Paramount inseriu marcas locais nos filmes da franquia Transformers. A prática tornou-se comum em grandes produções. As bilheteiras confirmam a relevância do público chinês. Transformers arrecadou mais de 70,8 bilhões de yuans no país. Vingadores superou 86,7 bilhões. Velozes e Furiosos passou de 96 bilhões. O desempenho de produções locais também segue em alta, com títulos que competem com blockbusters internacionais. China amplia cooperação com outros países Enquanto restringe filmes dos Estados Unidos, a China avança em acordos com outros mercados. Em 11 de abril, durante visita do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, os dois países assinaram em Pequim um memorando de entendimento para cooperação no setor cinematográfico. Pequim também busca parcerias com países da Europa, da Ásia e de outros continentes. O objetivo é ampliar o intercâmbio cultural e estimular a produção audiovisual fora do eixo Hollywood. Cinema chinês impulsiona consumo e turismo O sucesso de bilheteira reflete em outros setores. Filmes como Ne Zha e A Longa Jornada de Trinta Mil Milhas movimentam vendas de produtos licenciados, eventos temáticos e turismo cultural. Exposições, lojas temporárias e roteiros turísticos em cidades como Xangai, Pequim e Chengdu ampliam o impacto econômico do setor. A indústria local fortalece marcas e propriedades intelectuais que se tornaram símbolos da cultura contemporânea chinesa. Parques temáticos como a Disney em Xangai e o Universal Studios em Pequim também aproveitam esse movimento. Mercado estratégico para o futuro do cinema O presidente da IMAX, Richard Gelfond, afirmou à CNBC que é impossível discutir o futuro do cinema sem considerar a China. Segundo ele, o país se tornou peça-chave no quebra-cabeça global do setor audiovisual. A limitação à entrada de filmes americanos busca reforçar a produção nacional e responde à demanda do público por narrativas locais. O movimento reflete um mercado mais maduro e competitivo. A China mantém canais abertos para colaborações internacionais, mas impõe seus próprios termos. Se os Estados Unidos insistirem em políticas comerciais restritivas, o impacto para Hollywood pode ir além das finanças, e afetar também sua influência cultural. Tradução: Mei Zhen Li Fonte: Southcn
3 de abril de 2025
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou que guerras comerciais e tarifas não trazem benefícios e defendeu o diálogo para resolver disputas econômicas. A declaração ocorreu em 3 de abril, durante uma coletiva de imprensa. Questionado por um repórter da Bloomberg sobre a possibilidade de negociações entre China e Estados Unidos antes de 9 de abril, Guo reforçou que Washington precisa corrigir seus erros e buscar soluções com base em igualdade, respeito e reciprocidade. O jornalista também questionou se as últimas ações do presidente Trump indicam que a China é o alvo principal e se a China vê isso como uma oportunidade de se aproximar de outras economias, como a ASEAN ou a União Europeia. O porta-voz também criticou a imposição unilateral de tarifas pelos EUA, alegando que a medida viola regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e prejudica interesses globais. "Cada vez mais países se opõem às tarifas unilaterais e ao comportamento de intimidação dos EUA", afirmou. Fonte: thepaper.cn
13 de março de 2025
A China voltou a criticar as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre aço e alumínio. Em coletiva de imprensa nesta quarta-feira, 12, a porta-voz do Ministério do Comércio, He Yongqian, afirmou que as tarifas de 25%, aplicadas sobre as importações de aço e alumínio, são medidas unilaterais e protecionistas impostas em nome da “segurança nacional”. “A China, junto com outros países, se opõe firmemente a essas tarifas e exige que os EUA as revoguem rapidamente”, disse He. Segundo ela, tanto as tarifas da Seção 232 quanto as da Seção 301 já foram definidas pela Organização Mundial do Comércio (OMC) como evidentes das regras do comércio internacional. Para a China, as tarifas não fortalecem a segurança dos EUA nem protegem seus setores, mas reforçam o unilateralismo e o protecionismo. Apesar disso, He Yongqian afirmou que Pequim mantém diálogo com Washington e defende a cooperação para resolver disputas comerciais. “A comunicação deve ser baseada no respeito mútuo e no benefício recíproco. Ameaças e coerção só terão o efeito oposto”, afirmou a porta-voz. Ela concluiu pedindo que os EUA "retomem o caminho correto" e priorizem o diálogo para solucionar as divergências. Fonte: xinhuanet.com