1 de agosto de 2025
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou nesta quinta-feira (1º) que os Estados Unidos continuam a representar a principal ameaça cibernética à China. A declaração foi dada durante coletiva de imprensa, após a divulgação de um relatório da Associação Chinesa de Segurança no Ciberespaço . O documento aponta que, em 2024, grupos estrangeiros de Ameaça Persistente Avançada (APT), com apoio estatal, realizaram mais de 600 ataques cibernéticos contra instituições chinesas. As ações miraram infraestruturas críticas e sistemas de informação sensíveis. Segundo o levantamento, os EUA utilizaram países como Alemanha, Coreia do Sul, Singapura e Países Baixos como intermediários para viabilizar os acessos. Guo afirmou que o relatório traz novas evidências de que o governo norte-americano conduz operações cibernéticas ofensivas contra a China. Ele criticou o que chamou de “hipocrisia dos EUA” ao acusar outros países de práticas que também adota. “A China continuará a tomar as medidas necessárias para salvaguardar sua própria segurança cibernética”, declarou o porta-voz, ao reforçar que o país prioriza a proteção de sua infraestrutura digital. Ele também destacou que os ataques ocorreram com o envolvimento de aliados estratégicos dos EUA, tanto na Europa quanto na Ásia. Para Guo, a segurança cibernética deve ser tratada como uma responsabilidade coletiva, baseada em diálogo e cooperação internacional, e não usada como instrumento de confronto geopolítico. O episódio se soma a uma série de disputas que envolvem não apenas questões digitais, mas também políticas comerciais e estratégias de influência global. Em julho de 2025, o governo dos Estados Unidos anunciou novas tarifas sobre produtos brasileiros, especialmente do setor agrícola, sob a justificativa de proteger sua indústria interna. A medida gerou reação contrária de parceiros comerciais, inclusive da China, que tem fortalecido laços comerciais com o Brasil. Fonte: The Paper
21 de maio de 2025
O governo chinês criticou a decisão do Departamento de Comércio dos Estados Unidos de publicar novas diretrizes que visam restringir o uso global de chips chineses de computação avançada. Entre os alvos estão determinados modelos da linha Ascend, da Huawei. Segundo Pequim, a medida se baseia em alegações unilaterais sobre violações às regras norte-americanas de controle de exportações. As autoridades chinesas afirmaram que a ação dos EUA interfere nas cadeias globais de produção e fornecimento da indústria de semicondutores. Além disso, afirmam que a restrição impede outros países de desenvolverem tecnologias avançadas, como chips de alto desempenho e aplicações em inteligência artificial . Para a China, os EUA utilizam os mecanismos de controle de exportação como ferramenta para conter o avanço tecnológico chinês. Segundo o governo chinês, essa conduta viola o direito internacional e compromete os princípios básicos das relações entre países, afetando os direitos de empresas chinesas e o desenvolvimento nacional. Pequim também classificou as diretrizes norte-americanas como restrições discriminatórias contra empresas chinesas. Afirmou ainda que organizações ou indivíduos que executarem ou colaborarem com essas ações poderão infringir leis da China, como a Lei Anti-Sanções Estrangeiras, e serão responsabilizados conforme a legislação local. O governo chinês defendeu a inovação e a cooperação internacional como caminhos essenciais para o desenvolvimento tecnológico. Solicitou que os EUA suspendam as restrições, respeitem as normas do comércio internacional e garantam o direito de todos os países ao progresso científico. A China afirmou que continuará monitorando a implementação das medidas dos EUA e adotará respostas necessárias para proteger seus interesses econômicos e tecnológicos. Fonte: news.southcn.com
7 de março de 2024
O ministro chinês Wang Yi, membro do Comitê Político do Comitê Central do Partido Comunista da China e Ministro das Relações Exteriores, afirmou que as relações sino-americanas dizem respeito ao bem-estar dos povos dos dois países e ao futuro da humanidade e do mundo. Ele disse que, independentemente das mudanças na situação internacional, a China sempre mantém a estabilidade e a continuidade de sua política em relação aos EUA, tratando as relações sino-americanas com responsabilidade histórica, responsabilidade para com o povo e o mundo. Segundo o ministro, a posição da China é baseada nos três princípios propostos pelo presidente Xi Jinping: respeito mútuo, coexistência pacífica e benefício mútuo. Estes princípios resumem não apenas mais de meio século de experiência e lições aprendidas nas relações sino-americanas, mas também a compreensão das leis que regem as interações entre grandes potências, devendo ser seguidos e buscados em conjunto pelas duas partes. Wang Yi afirmou que o respeito mútuo é fundamental, pois os sistemas sociais e políticos dos dois países são diferentes, e apenas respeitando e reconhecendo as diferenças é que a interação entre os dois países pode ser sustentada. A coexistência pacífica é a linha de base, uma vez que para países tão grandes como a China e os EUA, as consequências de um conflito seriam impensáveis. O benefício mútuo é o objetivo, pois a cooperação entre a China e os EUA pode realizar muitas grandes coisas que beneficiam ambos os países e o mundo. Wang Yi afirmou que em novembro do ano passado, os líderes dos dois países realizaram uma histórica reunião em São Francisco, chegando a um consenso sobre a estabilização e a recuperação das relações sino-americanas e sobre a direção a seguir. O Presidente Xi Jinping explicou de forma abrangente a política básica e a posição principiológica da China em relação às relações sino-americanas. O Presidente Biden reiterou que os EUA não buscam uma nova Guerra Fria, não buscam mudar o sistema da China, não buscam se opor à China fortalecendo alianças, não apoiam a “independência de Taiwan”, e afirmou que os EUA se alegram com o desenvolvimento e a prosperidade da China, não buscam reprimir ou conter o desenvolvimento da China, e não buscam desacoplar-se da China. Wang Yi disse que desde a reunião em São Francisco, houve avanços reais na melhoria das relações sino-americanas, o que está de acordo com os interesses e desejos dos povos dos dois países e do mundo. No entanto, é preciso apontar que a compreensão errônea dos EUA em relação à China continua, e as promessas feitas não foram verdadeiramente cumpridas. As táticas de repressão à China continuam a se renovar, as listas de sanções unilaterais continuam a se prolongar, e as acusações contra a China chegam a um ponto absurdo. “Onde está a credibilidade de uma grande potência se ela fala uma coisa e faz outra? Onde está a confiança de uma grande potência se ela fica nervosa e ansiosa sempre que ouve as palavras “China”? Onde está a justiça internacional se uma grande potência insiste em manter sua própria prosperidade, sem permitir o desenvolvimento legítimo de outros países? Onde está a competição justa se uma grande potência insiste em monopolizar a extremidade superior das cadeias de valor, deixando a China presa na extremidade inferior? Os desafios enfrentados pelos EUA estão em si mesmos, não na China. Se os EUA continuarem a reprimir a China, acabarão prejudicando a si mesmos. Instamos o lado dos EUA a compreender a tendência histórica, a ver o desenvolvimento da China de forma objetiva e racional, e a realizar ativamente interações com a China de maneira pragmática e coerente com suas palavras. Juntamente com a China, promover o desenvolvimento estável, saudável e sustentável das relações sino-americanas”, disse o ministro chinês. Wang Yi afirmou que este ano marca o 45º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre a China e os EUA. O Presidente Xi Jinping apontou que as relações sino-americanas devem estar enraizadas nas pessoas, ter como base a sociedade civil, ter o futuro nas mãos dos jovens e ser impulsionadas pela vitalidade local. Estamos sempre dispostos a fortalecer o diálogo e a comunicação com os EUA, promover intercâmbios amigáveis entre pessoas de todos os setores, construir mais pontes de mútuo entendimento e eliminar mal-entendidos e preconceitos desnecessários. Acreditamos que ambas as partes podem encontrar um caminho para a convivência correta entre duas grandes nações diferentes neste mundo. Fonte: fmprc.gov.cn Imagem principal: Issaronow/ Adobe Stock
23 de maio de 2023
Por: Zhuohua Liang Em uma coletiva de imprensa realizada após a cúpula do G7, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, expressou sua expectativa de que as relações entre Washington e Pequim possam descongelar em um futuro próximo. Ele insinuou a possibilidade de um diálogo com o presidente chinês, Xi Jinping, em breve. Além disso, Biden destacou que os países do G7 chegaram a um consenso em relação à sua postura em relação à China, deixando claro que não tem a intenção de "desacoplar" o país asiático, mas sim de gerenciar os riscos envolvidos nessa relação. As declarações de Biden refletem os esforços recentes dos Estados Unidos em retomar o contato substancial com a China. Já haviam sido sugeridas várias vezes visitas oficiais de autoridades americanas à China, incluindo o secretário de Estado, Blinken. No entanto, essas visitas foram adiadas devido ao incidente envolvendo um balão suspeito de transportar dispositivos de espionagem chineses que sobrevoou o território dos Estados Unidos em fevereiro deste ano e foi abatido pela Força Aérea Americana. O governo dos Estados Unidos, segundo informações divulgadas recentemente, está considerando a organização de uma série de visitas de alto nível à China nos próximos meses como parte de seus esforços para restabelecer os contatos significativos entre os dois países. Entre os possíveis candidatos para essas visitas estão o secretário de Estado, Blinken, a secretária do Tesouro, Yellen, o secretário do Comércio, Raimondo, e o enviado especial para questões climáticas, Kerry. No entanto, a ordem das visitas e os detalhes específicos ainda não foram definidos. A resposta da China em relação aos esforços dos Estados Unidos para aumentar o contato entre os dois países também é relevante. Em uma coletiva de imprensa realizada pelo Ministério das Relações Exteriores chinês no dia 11 de maio, um repórter questionou como a China vê esses esforços americanos. Alguns argumentaram que a reação da China não tem sido suficientemente calorosa. Em resposta, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Wang Wenbin, afirmou que há uma comunicação contínua entre a China e os Estados Unidos, mas ressaltou que os EUA não podem falar sobre comunicação enquanto continuam a pressionar e conter a China. Ele enfatizou a importância de os Estados Unidos terem uma visão correta da China, respeitando suas linhas vermelhas e interesses soberanos, e promovendo uma relação saudável e estável entre os dois países. Desde o final de 2018, a guerra comercial entre a China e os Estados Unidos tem resultado em um agravamento constante nas relações bilaterais. Enquanto a China tem obtido significativos ganhos na balança comercial com os EUA ao longo dos anos, o déficit comercial americano com a China aumentou de US$ 353,5 bilhões em 2021 para US$ 382,9 bilhões em 2022, de acordo com estatísticas do Departamento de Comércio dos EUA. Por outro lado, os Estados Unidos são uma importante fonte de investimento estrangeiro para a China. No contexto dessas tensões, o processo de revisão de segurança cibernética da China em relação à empresa americana de semicondutores Micron Technology foi concluído. O Escritório de Ciberespaço da China havia ordenado que as empresas chinesas interrompessem a compra de produtos da Micron, citando preocupações de segurança cibernética. A Micron Technology , que teve uma receita de US$ 30,758 bilhões em 2022, sendo US$ 3,311 bilhões provenientes da China continental, representando 11% de seu segundo maior mercado, viu essa revisão como uma possível resposta ao embargo imposto pelos EUA à indústria de semicondutores chinesa em outubro do ano passado, conforme reportado por alguns meios de comunicação. No entanto, no dia seguinte, em 22 de maio, o ministro do Comércio da China, Wang Wentao, liderou uma mesa redonda em Xangai para estabilizar a confiança dos investidores estrangeiros. Nessa reunião, representantes de empresas americanas, incluindo Johnson & Johnson, 3M, Dow, Merck e Honeywell, juntamente com a Câmara de Comércio Americana em Xangai, apresentaram relatórios sobre suas operações na China, compartilharam suas opiniões e sugestões para a melhoria contínua do ambiente de negócios no país. O ministro Wang enfatizou a importância de atrair investimentos estrangeiros e reiterou o compromisso da China em acolher o desenvolvimento de empresas americanas no país. É notável que o ministro do Comércio da China, Wang Wentao, esteja planejando visitar os Estados Unidos nesta semana para se reunir com a secretária de Comércio dos EUA, Gina Raimondo, e a representante de Comércio dos EUA, Katherine Tai. Essa iniciativa é vista como uma oportunidade para aliviar as tensões existentes entre a China e os Estados Unidos. Tradução: Mei Zhen Li Imagem principal: Li Xueren/ Xinhua.net
18 de janeiro de 2023
A reabertura da China beneficiará as companhias as linhas aéreas americanas e europeias, porém as aprovações de rotas, as novas regras de testes Covid-19 e o número insuficiente de aeronaves de grande porte continuam sendo barreiras ao aumento das vendas, dizem analistas e autoridades do setor. O país flexibilizou as quarentenas obrigatórias em 8 de janeiro. As tarifas aéreas da China são agora 160% mais altas do que antes da pandemia, mostram os dados da empresa de viagens ForwardKeys, devido à oferta limitada. Além disso, o período do Ano Novo chinês, que se aproxima, também é um fator de encarecimento das passagens. O advogado Jinying Zhan, 50 anos, baseado em Iowa, disse ter pago US$ 1.600 por uma passagem de ida em dezembro para voar via Chicago e Dubai para Guangzhou. “Não visito minha família há três anos, então irei ao festival da primavera com minhas irmãs”, disse ele. “Os voos foram muito caros”. Antes da pandemia, ele costumava pagar de US$ 1.000 a US$ 1.500 por um voo direto de ida e volta de Chicago. Uma tarifa de ida e volta de São Francisco para Xangai na United Airlines para uma viagem de uma semana no início de março custa US$3.852 em classe econômica e US$ 18.369 em classe executiva, de acordo com uma pesquisa da Reuters no site da companhia aérea. As linhas aéreas globais estão operando apenas 11% dos níveis de capacidade de 2019 de e para a China em janeiro, mostram os dados do Cirium, mas espera-se que o número atinja 25% em abril. O site de reservas Expedia disse que viu as buscas EUA-China e Europa-China dobrarem após o anúncio de reabertura. As companhias aéreas chinesas, com amplo pessoal e aviões largos, e uma vantagem de custo e tempo de aproximadamente duas horas de vôo de uma rota mais direta utilizando o espaço aéreo russo, devem ser as primeiras a ganhar. Mas as companhias aéreas americanas e européias, que tradicionalmente se concentram no forte mercado de viagens de negócios para a China, e muitas vezes atendem mais às preferências dos passageiros ocidentais, estão preparadas para se beneficiar de companhias dispostas a pagar um prêmio para reacender os laços cara-a-cara. As viagens à China “já estão nos livros para muitas empresas e viajantes enquanto iniciam um novo ano comercial”, disse Suzanne Neufang, CEO da Global Business Travel Association . Aprovações necessárias A reabertura da China vem à medida que as crescentes infecções por Covid levaram os Estados Unidos, Japão e outros a exigir testes coronavírus negativos das chegadas chinesas, desencorajando as viagens. Uma vez que a aprovação regulamentar de ambos os países é necessária para acrescentar voos, em uma época de tensões comerciais entre EUA e China, a capacidade a curto prazo poderia ser limitada, disseram fontes do setor. A United, que tinha 584 voos de e para a China em janeiro de 2019, segundo o Cirium, agora pode voar quatro vezes por semana dos Estados Unidos para a China continental. A United disse que poderia acrescentar serviços pendentes de autorização do governo. Desde 4 de janeiro, a Air China, a Hainan Airlines e a China Southern Airlines apresentaram seus horários ao Departamento de Transportes dos EUA propondo aumentar os voos para o mesmo número de voos diários em algumas rotas. As companhias de linhas aéreas estrangeiras que querem acrescentar voos para a China precisam de aprovação da Administração de Aviação Civil da China, que não respondeu a um pedido de comentários. A American Airlines disse esta semana que voaria sem escalas de Dallas para Xangai duas vezes por semana a partir de março, fazendo uma parada atual em Seul. Entretanto, outros voos foram pausados ao avaliar a demanda do mercado e as regulamentações governamentais. A Delta Air Lines espera cautelosamente “reconstruir a capacidade para a China de acordo com a demanda a partir do final deste ano”, disse o presidente Glen Hauenstein quando a empresa informou os resultados trimestrais. A China, que foi responsável por cerca de 5% a 6% das viagens de longo curso da Europa em 2019, também é um mercado chave para algumas companhias aéreas europeias, incluindo a Lufthansa da Alemanha, disse o analista da Bernstein Alex Irving. Mas as transportadoras europeias e americanas podem priorizar seus aviões para viagens transatlânticas lucrativas neste verão, deixando-os esticados para acomodar a nova demanda pela China, disse George Dimitroff, um analista da Cirium. Fonte: The Paper