24 de junho de 2025
A China passou de fábrica do mundo a protagonista na corrida por inovação tecnológica. A mudança, segundo o economista e professor da Fundação Getúlio Vargas, Paulo Gala, se dá não apenas pela inovação em si, mas pela capacidade de produzi-la internamente. “O que desenvolve um país de verdade não é usar tecnologia, é produzir. Quem produz tecnologia consegue pagar salários mais altos, ter margens maiores e empregar engenharia sofisticada,” afirmou. Com forte presença estatal, estímulos diretos ao setor privado e avanços em energia, carros elétricos e inteligência artificial, a China já rivaliza com os Estados Unidos em áreas estratégicas da nova economia digital. Esse modelo é baseado em uma articulação estratégica entre Estado e mercado, que permitiu ao país escalar inovações com rapidez. Para o economista, a China conseguiu transformar inovação em um projeto econômico de longo prazo. “O governo chinês promoveu estímulos diretos à iniciativa privada, direcionou os empresários e fez investimentos em inovação para limpar o planeta.” Esse movimento representa uma virada histórica na geopolítica global. “Pela primeira vez, os Estados Unidos estão sendo enfrentados por alguém à altura.” Nos últimos anos, o governo chinês ampliou os investimentos em fontes renováveis, construiu usinas e passou a dominar tecnologias como painéis solares e baterias de lítio. “Eles realmente estão investindo há três décadas nisso. Estão com uma geração monumental de energia e se movendo rapidamente com um sistema eletrificado”, observa Gala. “Em algumas cidades chinesas, nem existe mais carro a combustão. Os ônibus, os táxis, os carros, são todos elétricos.” Corrida por IA e a demanda energética global A infraestrutura energética , muitas vezes ignorada nos debates sobre tecnologia, aparece como uma das bases dessa transformação. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), a China já ultrapassou os Estados Unidos em geração elétrica. Hoje, sua demanda anual é de 10.498 TWh, mais que o dobro do consumo americano, de 4.475 TWh. Gala destaca que, com essa capacidade, o país não apenas sustenta seu avanço industrial, como também disputa a liderança em inovação. “A China já produz quatro vezes mais energia elétrica que os EUA, e tem uma indústria com o dobro do tamanho da americana. Em várias áreas, a China já disputa com os Estados Unidos a fronteira tecnológica, a fronteira do conhecimento,” afirma. Segundo dados da IEA, desde 2020, a demanda de energia da China cresce mais rápido do que a própria economia. O crescimento é impulsionado por fatores como a expansão da indústria de tecnologias de energia limpa, o aumento da posse de condicionadores de ar, a maior penetração de veículos elétricos e a rápida disseminação de data centers e da infraestrutura 5G. Atualmente, cerca de 60% da eletricidade consumida na China vai para a indústria, proporção muito superior à média de 32% nos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Entre 2022 e 2024, quase metade (48%) do aumento no consumo elétrico chinês veio do setor industrial. Esse cenário ganha ainda mais relevância com o avanço da inteligência artificial. O crescimento da IA tem deslocado o foco da disputa tecnológica para a infraestrutura que a sustenta. A questão já não é apenas quem lidera em algoritmos ou aplicações, mas quem terá energia suficiente para manter o ritmo de crescimento dessas ferramentas, usadas por bilhões de pessoas diariamente. Além da eletricidade, essas tecnologias demandam grandes volumes de água para resfriar servidores. Enquanto laboratórios dos Estados Unidos alertam para os riscos de escassez de energia até 2026, a China opera datacenters dedicados à IA com um suprimento elétrico compatível com a demanda digital em expansão. “A inteligência artificial exige muita energia. Os data centers, que são as fábricas do futuro, demandam uma quantidade absurda de energia. E os países que não tiverem energia limpa, confiável e barata vão ficar para trás nessa corrida”, diz Gala. Na visão do economista, a vantagem chinesa não se limita à escala. O país tem atuado para dominar também as estruturas mais sensíveis do setor tecnológico. “A China tem seu próprio sistema de GPS, o Baidu. São mais de 30, 40, 50 satélites lançados por foguetes chineses, com uma rede de transmissão de dados também chinesa.” Mesmo a dependência de chips avançados, considerada uma fragilidade do sistema tecnológico chinês, está sendo enfrentada com rapidez. “Desde que os Estados Unidos impuseram sanções, cortando o fornecimento da TSMC e da ASML, a China começou a investir fortemente no desenvolvimento de microchips ultrapequenos.” Essa movimentação ganhou ainda mais destaque com o crescimento da inteligência artificial. “A China chocou o mundo. Quando começaram a surgir as IAs chinesas, como o DeepSeek, foi um baque para o Ocidente perceber que essas ferramentas eram tão boas quanto as americanas, e bem mais baratas.” Questionado sobre o que o Brasil pode aprender com o modelo chinês, Gala defende uma maior articulação entre Estado e mercado. “O modelo chinês mostra como é importante essa interação entre Estado e empresas.” E completa: “Não se trata de estatizar tudo, nem de deixar tudo para o setor privado. É como fazer uma limonada: precisa da dose certa de água e de limão. A China é um belo exemplo disso.”
20 de janeiro de 2025
A UBS, provedora de serviços financeiros, prevê um crescimento de 10% na capacidade instalada de energia fotovoltaica na China em 2025, alcançando entre 260 e 280 gigawatts. Esse aumento será impulsionado principalmente por projetos em terra, conduzidos por empresas estatais. “Este ano marca o encerramento do 14º Plano Quinquenal da China (2021-2025) . Muitas empresas estatais ainda estão de 30% a 40% distantes de suas metas para 2025, o que pode levar a um aumento nas instalações fotovoltaicas, especialmente em projetos de grande escala,” disse Yan Yishu, analista de utilidades da UBS Securities. Yan destacou que os desafios de rentabilidade no setor, causados pelo desequilíbrio entre oferta e demanda, devem diminuir com uma série de políticas favoráveis introduzidas no final de 2024. “O setor está acelerando em direção ao reequilíbrio, com melhorias perceptíveis nas dinâmicas de oferta e demanda já previstas para o segundo trimestre de 2025. Um equilíbrio mais consistente pode ser alcançado entre 2026 e 2027,” ela explicou. Políticas governamentais e eficiência energética A Conferência Central de Trabalho Econômico, realizada em dezembro, enfatizou a necessidade de evitar uma competição descontrolada baseada em preços em setores específicos e promover um crescimento sustentável. Em resposta, o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) elevou os padrões de consumo de energia para projetos de produção de silício policristalino. Capacidades existentes agora devem operar com consumo inferior a 60 kWh por quilograma, enquanto novos projetos precisam atender ao limite de 53 kWh por quilograma. Yan elogiou a iniciativa do MIIT como essencial para promover práticas energéticas eficientes, eliminar capacidades ultrapassadas e elevar os padrões de novos projetos. Segundo ela, cerca de 20% da capacidade de produção existente pode ser afetada, resultando em restrições operacionais. Adaptação do mercado Empresas e associações do setor estão defendendo cortes autônomos de produção e cotas para reduzir as taxas operacionais para menos de 50%. Embora detalhes ainda estejam sendo definidos, essas medidas prometem reformular o setor. Em resposta, empresas líderes como Tongwei Co Ltd e Daqo Energy anunciaram cortes de produção. A Tongwei reduzirá gradualmente a produção em quatro fábricas de silício cristalino de alta pureza, enquanto a Daqo ajustará suas linhas de produção de polissilício nas regiões de Xinjiang e Mongólia Interior. Desafios para os fabricantes Tan Youru, analista da BloombergNEF, destacou o dilema enfrentado pelos fabricantes: vender produtos abaixo do custo e esgotar reservas de caixa ou reduzir a produção e aumentar o custo por unidade. Ele acredita que esse desafio persistirá por pelo menos mais um ano. “Há um excedente estimado de 300 a 350 mil toneladas de materiais de silício, suficiente para produzir mais de 150 GW de módulos, equivalente a três meses de demanda do mercado. Se os preços subirem para restaurar a rentabilidade, muitas fábricas inativas poderão ser reativadas, dificultando uma recuperação significativa dos preços,” explicou. Perspectivas do setor Dados da Associação da Indústria Fotovoltaica da China mostram que, apesar do crescimento superior a 20% na produção de componentes como silício policristalino, wafers, células e módulos nos primeiros 10 meses de 2024, os preços caíram drasticamente. O silício policristalino teve redução superior a 35%, os wafers caíram mais de 45%, e as células e módulos mais de 25%. O valor de produção do setor fotovoltaico caiu 43,17% ano a ano, totalizando cerca de 781,1 bilhões de yuans (US$ 106,5 bilhões). Apesar disso, sinais de recuperação começaram a surgir, com preços de compra se estabilizando desde meados de outubro e uma tendência recente de estabilidade ao longo da cadeia industrial. Para Yan, a diversificação da cadeia de suprimentos será crucial para as empresas chinesas nos próximos cinco a dez anos, ajudando a mitigar riscos geopolíticos. Tradução: Mei Zhen Li Fonte: China Daily
17 de dezembro de 2024
Dados recentes da Administração Nacional de Energia indicam que a China alcançou a liderança global na operação e construção de usinas nucleares, consolidando sua posição como o maior país nesse setor. Até 2024, 11 unidades pertencentes a cinco projetos, incluindo o projeto de Xuwei, na província de Jiangsu, foram aprovadas. Atualmente, a China possui 102 unidades de usinas nucleares em operação ou em construção, com uma capacidade instalada total de 113 milhões de quilowatts. Para 2025, a China planeja aprovar novos projetos de usinas nucleares costeiras que estejam prontos para implementação, enquanto avança de forma constante com os projetos já em andamento. Um dos principais marcos previstos para o próximo ano é a conclusão da unidade piloto “Guohe-1”, um modelo de reator nuclear de terceira geração desenvolvido no país. A expectativa é que, até o final de 2025, a capacidade instalada das usinas nucleares em operação atinja 65 milhões de quilowatts, reforçando a liderança chinesa no setor de energia nuclear global. Fonte: people.com.cn
31 de outubro de 2024
A China Three Gorges Renewables anunciou na noite de 30 de outubro que pretende investir na construção do projeto de base de novas energias do deserto de Taclamacã, no sul do Xinjiang, província no noroeste da China. O valor do investimento dinâmico do projeto é de cerca de RMB 71,8 bilhões (cerca de US$10 bilhões). O investidor do projeto é a Three Gorges Bazhou Ruoqiang, cujos acionistas são a China Three Gorges Renewables, a China Yangtze Power, a Three Gorges Capital Holdings e a Yangtze River Three Gorges Investment Management, com proporções de participação de 34%, 33%, 16,5% e 16,5%, respectivamente. O capital do projeto representa 25% do valor do investimento e é contribuído pelos acionistas de acordo com a proporção de participação, de acordo com a estrutura atual de participação. O restante dos fundos necessários para a construção do projeto é resolvido através de empréstimos bancários, leasing financeiro, empréstimos fiduciários, etc. O anúncio afirma que o projeto integra energia eólica , solar, térmica e armazenamento para exportar para outras regiões da China. Espera-se que a construção geral do projeto leve de 3 a 4 anos, durante os quais a construção de novos projetos de energia e armazenamento será ajustada de acordo com o progresso da construção do projeto de carvão térmico e do canal de transmissão, garantindo a construção e operação simultâneas do “tripé”. O projeto de base do sul do Xinjiang é o primeiro projeto de grande base “desértica, planície e montanha” na região do sul do Xinjiang. Segundo dados públicos, as reservas de novas energias no sul do Xinjiang são grandes, de alta qualidade e boas condições de desenvolvimento, e as fontes limpas de energia, como energia eólica, solar e hidráulica, representam mais de 66%. Após a conclusão do projeto, espera-se que forneça cerca de 36 bilhões de quilowatts-hora de energia ao Sichuan e Chongqing anualmente, aliviando ainda mais a contradição entre a distribuição geográfica desigual dos recursos naturais e da carga elétrica na China e promovendo o desenvolvimento coordenado regional. A China Three Gorges Renewables afirma que os projetos de novas energias do projeto de base do sul do Xinjiang já obtiveram indicadores de construção e estão em pleno andamento da preparação dos procedimentos de aprovação (registro) prévia. O projeto de carvão térmico foi aprovado e os procedimentos de avaliação ambiental, avaliação de economia de energia e verificação de espaço aéreo livre do aeroporto foram concluídos. Atualmente, esses projetos ainda precisam realizar os procedimentos iniciais de uso do solo, e os procedimentos iniciais de cada fonte de energia estão sendo promovidos e concluídos de forma ordenada. Fonte: thepaper.cn
8 de agosto de 2024
Uma equipe de cientistas chineses fez um avanço significativo na tecnologia de chips ao desenvolver “wafers dielétricos” feitos de safira artificial. A pesquisa, considerada inovadora na área, foi publicada na revista Nature nesta quarta-feira, 7, e estabelece uma base crucial para o desenvolvimento de chips mais eficientes em termos de consumo de energia. À medida que os dispositivos eletrônicos continuam a encolher e a demandar um desempenho superior, a miniaturização dos transistores tem apresentado desafios, especialmente no campo dos materiais dielétricos. Esses materiais normalmente atuam como isolantes em chips, mas sua eficácia diminui em escala nanométrica – uma das razões pelas quais nossos smartphones tendem a esquentar e ter uma vida útil curta da bateria. Para resolver esse problema, os pesquisadores do Instituto de Microsistemas e Tecnologia da Informação de Xangai, da Academia Chinesa de Ciências, criaram wafers dielétricos de safira artificial usando um novo processo de oxidação por intercalação. "O óxido de alumínio que criamos é essencialmente safira artificial, idêntica à safira natural em termos de estrutura cristalina, propriedades dielétricas e características de isolamento", disse Tian Zi'ao, um dos pesquisadores envolvidos no projeto. "Utilizando a tecnologia de oxidação por intercalação em alumínio monocristalino, conseguimos produzir este material dielétrico de óxido de alumínio monocristalino", explicou o pesquisador Di Zengfeng. "Ao contrário dos materiais dielétricos amorfos tradicionais, nossa safira cristalina pode alcançar um vazamento excepcionalmente baixo em apenas um nível de um nanômetro." Esse avanço pode ajudar na criação de dispositivos mais eficientes em termos de energia, com maior vida útil da bateria. Chips criados com essa nova tecnologia podem ser cruciais para o avanço das aplicações de inteligência artificial e Internet das Coisas (IoT) . Tradução: Mei Zhen Li Fonte: Yicai Global
7 de junho de 2024
O Comitê Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China e outros cinco departamentos emitiram o “Plano de Ação Específico para a Economia de Energia e Redução de Carbono na Indústria de Refinaria”. Uma das metas é que, até o final de 2025, a capacidade inicial de processamento nacional de petróleo bruto seja controlada dentro de 1 bilhão de toneladas. Além disso, espera-se que a eficiência na utilização de energia e recursos na indústria de refino seja melhorada, a proporção da capacidade acima do nível padrão de referência de energia exceda 30%, e a capacidade abaixo do nível padrão de referência de energia conclua a transformação tecnológica, caso contrário, será excluída. De 2024 a 2025, através da implementação da reforma de economia de energia e redução de carbono na indústria de refino e da atualização de equipamentos energéticos, formarão cerca de 2 milhões de toneladas padrão de energia economizada e cerca de 5 milhões de toneladas de dióxido de carbono reduzidas. Até o final de 2030, a disposição da indústria de refino será ainda mais otimizada, a proporção da eficiência energética acima do nível padrão de referência de energia continuará a aumentar, e a eficiência básica dos principais equipamentos energéticos atingirá o nível avançado. A eficiência na utilização de energia e recursos na indústria de refino atingirá o nível avançado internacional, e a proporção do consumo de energia elétrica verde e hidrogênio verde no processo de produção aumentará significativamente, conseguindo resultados notáveis no desenvolvimento verde e de baixa carbono na indústria de refino. O projeto prevê ainda otimizar a estrutura e disposição industrial, além de controlar rigorosamente a escala da capacidade de refino, proibindo novos projetos de expansão indireta da capacidade de refino sob o pretexto de utilização integral de petróleo pesado, pré-tratamento de matérias-primas, unidades de asfalto. O texto também inclui uma regra de aplicação rigorosa dos requisitos de entrada de energia eficiente para novos projetos, implementar o sistema de avaliação do impacto ambiental de projetos de construção, garantir que novos projetos e projetos de expansão e reforma atinjam o nível padrão de referência de energia eficiente e o nível A de desempenho ambiental, e que os principais equipamentos energéticos atinjam o nível avançado de eficiência energética. Fonte: yicai.com Imagem principal: Hajarah Nalwadda/Xinhua
8 de abril de 2024
Um grupo de pesquisadores chineses desenvolveu fibras que podem emitir luz e gerar eletricidade sem precisar serem conectadas com energia elétrica. O grupo de pesquisa em materiais avançados da Escola de Ciência e Engenharia de Materiais da Universidade Donghua publicou o estudo na revista “Science”. A pesquisa propõe uma nova fibra inteligente que integra funções como coleta de energia sem fio, percepção de informações e transmissão. Os tecidos inteligentes feitos com essa fibra não precisam de chips ou baterias para realizar funções de interação humano-máquina, como exibição de luz e controle por toque. Este avanço abre novas possibilidades para a interação inteligente entre humanos e o ambiente, com amplas perspectivas de aplicação. Os dispositivos inteligentes vestíveis estão se tornando parte da vida das pessoas. Atualmente, o desenvolvimento de fibras inteligentes é frequentemente baseado na “arquitetura de von Neumann”, o que significa que os tecidos inteligentes ainda dependem de chips e baterias. Isso torna os produtos volumosos, pesados e rígidos, dificultando a satisfação simultânea das necessidades de funcionalidade e conforto dos tecidos. A equipe de pesquisa da Universidade Donghua propôs de forma inovadora uma nova arquitetura de fibra inteligente que não segue a “arquitetura de von Neumann”, simplificando efetivamente a estrutura de hardware de dispositivos vestíveis e tecidos inteligentes, otimizando sua usabilidade. Esta pesquisa integrou funções como coleta de energia, percepção de informações e transmissão de sinais em uma única fibra e criou tecidos inteligentes que não dependem de chips e baterias. Mas afinal, qual é o mistério por trás das fibras que podem emitir luz e gerar eletricidade sem precisar serem conectadas à energia elétrica? Como a energia eletromagnética dispersa no ambiente é “transferida” para as fibras? Esta pesquisa propõe o corpo humano como veículo de interação de energia, abrindo um caminho conveniente para a transferência de energia. A energia eletromagnética que normalmente se dissipa na atmosfera entra primeiro em um circuito formado por fibras, corpos humanos e a terra, seguindo o princípio “cotidiano e imperceptível” que promove o novo mecanismo de interação de energia “acoplamento com o corpo humano”. Após a adição de materiais funcionais específicos, basta um simples toque no corpo humano para que essa nova fibra demonstre o “milagre” de emitir luz e gerar eletricidade. “Esta nova fibra possui uma estrutura de três camadas, todas feitas de materiais comuns no mercado. A camada central é uma fibra de antena indutiva para campos eletromagnéticos alternados (fibra de nylon prateada), a camada intermediária é um dielétrico que aumenta a capacidade de acoplamento de energia eletromagnética, e a camada externa é uma camada luminosa sensível ao campo elétrico. Os custos dos materiais são baixos, e o processamento das fibras e tecidos pode ser realizado com tecnologias maduras, o que já permite a produção em massa”, disse Yang Weifeng, doutorando da Escola de Ciência e Engenharia de Materiais da Universidade Donghua e primeiro autor do artigo. Esta pesquisa também demonstrou várias aplicações desta fibra inteligente baseada no princípio de acoplamento com o corpo humano: sem o uso de chips e baterias, ela possibilita funções como toque luminoso, exibição de tecidos e transmissão de comandos sem fio. Hou Chengyi, pesquisador do Laboratório Estadual de Modificação de Materiais Fibrosos da Universidade Donghua, explicou: “Esta nova fibra pode ser aplicada em tecidos comuns, como roupas e decorações têxteis. Quando em contato com o corpo humano, ela pode realizar funções de sensorização visual, interação e iluminação brilhante através da emissão de luz, além de gerar sinais sem fio com base nos diferentes movimentos e posturas corporais, permitindo o controle remoto de eletrodomésticos inteligentes e outros produtos eletrônicos. Essas funções inovadoras têm o potencial de expandir os cenários de aplicação de produtos eletrônicos e até mesmo mudar a forma como as pessoas vivem de maneira inteligente.” O professor Wang Hongzhi, líder do grupo de pesquisa, declarou que no futuro eles irão aprofundar a pesquisa sobre como tornar essa nova fibra capaz de coletar energia de forma mais eficiente do ambiente e utilizá-la para impulsionar mais funções, incluindo exibição, deformação, processamento e inteligência artificial. Fonte: finance.people.com.cn Imagem principal: Volff/ Xinhua
8 de abril de 2024
Segundo informações da State Grid Corporation of China, a subsidiária da State Grid no Brasil, State Grid Brazil Holding, assinou em 3 de abril, em Brasília, um acordo de concessão com Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica ) para o projeto de transmissão de corrente contínua de alta tensão de ±800 kV de nova energia no nordeste do Brasil. Este é o maior projeto de concessão de transmissão da história do Brasil e o maior projeto de infraestrutura do país nos últimos anos. A State Grid venceu a licitação independente em um leilão em 15 de dezembro de 2023. Este é o terceiro projeto de transmissão de corrente contínua de alta tensão no exterior conquistado pela State Grid, após os projetos de transmissão de corrente contínua de alta tensão da Belo Monte no Brasil. O projeto inclui a construção de uma linha de transmissão de corrente contínua de alta tensão de ±800 kV com extensão de 1468 km, duas estações conversoras nas extremidades, compensadores síncronos e projetos de engenharia relacionados à corrente alternada. A capacidade de transmissão nominal é de 5 milhões de quilowatts. O projeto irá reunir e transmitir energia limpa, como energia eólica, solar e hidrelétrica, das regiões nordeste e norte do Brasil, passando pelos estados do Maranhão, Tocantins e Goiás. A energia gerada irá atender às necessidades do uso de eletricidade de aproximadamente 12 milhões de pessoas nas áreas centrais, incluindo o Distrito Federal. Está previsto para entrar em operação em 2029, com um prazo de concessão de 30 anos. Este projeto irá desempenhar um papel importante na melhoria do nível de operação segura e estável da rede elétrica do Brasil , na promoção da integração da energia eólica e solar no nordeste do Brasil, e apoiará o desenvolvimento socioeconômico baseado em geração de energia limpa e de baixo carbono no Brasil. Fonte: sasac.gov.cn Imagem principal: Liu Bin/ Xinhua
5 de março de 2024
A China reafirmou seu compromisso em impulsionar novas forças produtivas de qualidade durante seu processo de modernização. O governo delineou uma série de medidas para alcançar esse objetivo, incluindo aprimorar e modernizar as cadeias industriais e de suprimentos, além de fomentar indústrias emergentes e orientadas para o futuro, como energia de hidrogênio , novos materiais, biomanufatura, voos espaciais comerciais, tecnologia quântica e ciências da vida. Além disso, a China estabeleceu uma meta de crescimento econômico em torno de 5% para 2024, com um foco claro na promoção de um desenvolvimento de alta qualidade. Os esforços para impulsionar a China através da ciência e da educação são enfatizados, juntamente com a consolidação das bases para tal desenvolvimento. Isso inclui a aceleração na formação de especialistas em áreas estratégicas e o apoio à formação de mais cientistas e equipes de inovação de classe mundial. Respondendo à filosofia de desenvolvimento centrada nas pessoas, a China busca garantir e aprimorar o bem-estar da população, além de promover novos e melhores métodos de governança social. Em 2023, observou-se um aumento de 6,1% na renda disponível per capita dos residentes, e mais de 66 milhões de contribuintes foram beneficiados com aumentos nas deduções fiscais para despesas com crianças, educação e cuidados com idosos. Para 2024, espera-se a criação de mais de 12 milhões de empregos urbanos, mantendo a taxa de desemprego urbano em torno de 5,5%. Além disso, a China intensificará os esforços de conservação ecológica, promovendo o desenvolvimento verde e de baixo carbono. Isso inclui medidas abrangentes para melhorar o meio ambiente e impulsionar a economia sustentável. Em 2023, a capacidade de energia renovável da China superou a de energia térmica pela primeira vez na história, representando mais da metade da capacidade global de energia renovável recém-instalada. O país também se compromete a avançar na revolução energética, visando o pico das emissões de dióxido de carbono e a neutralidade de carbono , conforme detalhado no relatório. Tradução: Mei Zhen Li Fonte: Diário do Povo Imagem principal: Liu Weibing/ Xinhua
2 de fevereiro de 2024
Num desenvolvimento significativo, a Engenharia Offshore, braço de engenharia da China National Offshore Oil, conquistou com sucesso um substancial contrato de engenharia, aquisição e construção (EPC) no valor de US$ 900 milhões para um projeto crucial no Catar. A empresa sediada em Tianjin está encarregada da tarefa de projetar, construir e instalar 38 dutos submarinos de petróleo e gás, juntamente com nove cabos submarinos compostos e as instalações associadas. O empreendimento marca um passo significativo para a Engenharia Offshore, destacando suas capacidades de contratação EPC agora reconhecidas no Oriente Médio. O projeto, referente à exploração do campo de petróleo AI-Shaheen no Catar, é operado pela North Oil. O período de construção está previsto para ser de cinco anos e quatro meses, sinalizando um compromisso a longo prazo e uma contribuição substancial para o setor. O campo petrolífero Al-Shaheen, o maior do Catar, está avançando para a próxima fase de desenvolvimento sob a gestão da Qatar Energy. A North Oil, uma joint venture entre Qatar Energy e Total Energies com uma participação de 70/30, destaca a colaboração internacional neste projeto ambicioso. Este contrato substancial não apenas impulsiona o crescimento da Engenharia Offshore no cenário internacional, mas também destaca a crescente presença chinesa no setor global de energia , consolidando parcerias estratégicas no Oriente Médio. Tradução: Mei Zhen Li Fonte: Ofweek Imagem principal: JT Jeeraphun/Adobe Stock