31 de agosto de 2026
O mercado brasileiro de caminhões de baixa emissão entrou em uma nova fase. Em agosto de 2026, dois movimentos chamaram a atenção: a GWM realizou em São Paulo o primeiro transporte de carga com seu caminhão movido a célula a combustível de hidrogênio, enquanto a BYD avançou na preparação de um cavalo mecânico 100% elétrico para composições de até 60 toneladas. À primeira vista, os anúncios podem parecer lançamentos isolados. Não são. Eles fazem parte de uma disputa mais ampla, na qual fabricantes chinesas estão trazendo ao Brasil diferentes soluções para descarbonizar o transporte de cargas: baterias de grande capacidade, troca rápida de baterias, recarga em bases operacionais e geração de eletricidade a bordo por meio do hidrogênio. Além de GWM e BYD , JAC Motors, Foton, XCMG, Sany e Farizon já possuem veículos, testes, lançamentos ou operações no país. A competição, portanto, não se limita ao caminhão. Ela envolve também infraestrutura energética, financiamento, manutenção, peças, assistência técnica, capacidade de adaptação às condições brasileiras e, futuramente, produção nacional. Parte das reportagens sobre o novo caminhão da BYD apresenta o veículo como capaz de transportar “60 toneladas de carga”. Tecnicamente, essa interpretação exige cautela. O número divulgado se refere ao peso total admitido para a composição, tratado nas notícias como Peso Bruto Total (PBT) e, conforme a configuração formada pelo cavalo mecânico e semirreboque, mais precisamente relacionado ao Peso Bruto Total Combinado, o PBTC. Esse total inclui o próprio caminhão, o implemento rodoviário e a mercadoria. Portanto, a carga útil líquida será significativamente inferior a 60 toneladas. Essa distinção é essencial, porque a análise econômica de um caminhão elétrico deve considerar não apenas o custo por quilômetro, mas o custo por tonelada efetivamente transportada. O peso das baterias, dos tanques ou dos demais componentes do sistema de propulsão afeta diretamente essa conta. Em 25 de agosto de 2026, a GWM realizou no Brasil o primeiro transporte demonstrativo de carga com um caminhão movido a célula a combustível de hidrogênio na América Latina. O veículo tracionou uma carreta cegonheira carregada com automóveis eletrificados da marca, partindo do Laboratório de Hidrogênio do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, o IPT, na Cidade Universitária da USP, até o Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Segundo a GWM, o caminhão possui potência de até 400 kW, equivalente a 544 cv, torque de 2.700 Nm, bateria de 105 kWh e cilindros de fibra de carbono capazes de armazenar até 40 kg de hidrogênio a 350 bar. A autonomia declarada pode chegar a 500 quilômetros, com reabastecimento realizado em poucos minutos. O modelo possui PBT informado de 49 toneladas e peso vazio de 10,8 toneladas. O veículo é tecnicamente um caminhão elétrico do tipo FCEV. O hidrogênio armazenado nos cilindros reage com o oxigênio do ar na célula a combustível, produzindo eletricidade para alimentar o motor. O caminhão também recupera energia durante frenagens e desacelerações, característica importante em operações com desníveis, como descidas de serra. A parceria com o IPT permite que a GWM utilize uma estação de abastecimento de 350 bar destinada a veículos pesados e conduza estudos de segurança, desempenho e viabilidade. O teste representa um avanço concreto: o caminhão está fisicamente no Brasil, foi abastecido e realizou um deslocamento com carga. Entretanto, isso ainda não significa que exista uma operação comercial em escala. Até o momento, não foram publicamente confirmados o preço do caminhão, a data de início das vendas regulares, o volume de importações, uma eventual produção nacional ou uma rede comercial de abastecimento. Também faltam informações consolidadas sobre custo por quilômetro e preço do hidrogênio entregue ao transportador. A célula a combustível emite apenas vapor d’água durante a operação do veículo. Por isso, o caminhão pode ser corretamente classificado como de emissão zero no conceito “tanque à roda”. Contudo, o resultado ambiental completo depende da origem do hidrogênio. Se ele for produzido por eletrólise alimentada por fontes renováveis, a redução de emissões poderá ser elevada. Se vier do gás natural sem captura de carbono, o veículo não emitirá CO2 pelo escapamento, mas haverá emissões relevantes na fabricação do combustível. Assim, a viabilidade ambiental e econômica do caminhão da GWM depende não somente de sua tecnologia embarcada, mas da implantação de uma cadeia de produção, transporte, armazenamento e abastecimento de hidrogênio de baixo carbono. A BYD está preparando para o mercado brasileiro um cavalo mecânico 100% elétrico destinado a composições de até 60 toneladas. O veículo poderá ser apresentado durante a Fenatran 2026, em novembro, embora sua participação no evento ainda não estivesse confirmada quando as primeiras informações foram divulgadas. A montadora já vinha avaliando aproximadamente dez cavalos mecânicos elétricos 6×2 em sua operação na Bahia. A mudança agora é estratégica: o projeto deixa de ser apenas uma avaliação interna e passa a ser preparado como produto destinado ao mercado brasileiro de pesados. A empresa pretende iniciar operações portuárias e rotas curtas e previsíveis. Um exemplo seria a ligação entre uma base logística e um porto, com retorno ao ponto de origem. Nesse modelo, a distância diária é conhecida, os horários podem ser planejados e os carregadores são instalados em locais controlados. A proposta é desenvolver cada operação junto ao cliente, de forma personalizada. Essa estratégia reduz a dependência de uma rede pública nacional de recarga, que ainda é insuficiente para sustentar o transporte rodoviário pesado de longa distância. O caminhão deverá utilizar a tecnologia de baterias Blade, baseada em células de fosfato de ferro-lítio, ou LFP. Entre suas vantagens estão a estabilidade térmica, a vida útil elevada e o melhor aproveitamento estrutural do pacote de baterias. Por outro lado, ainda não foram divulgados de maneira definitiva a capacidade da bateria, a autonomia com carga máxima, o tempo e a potência de recarga, o peso do veículo, a carga líquida, o preço e o cronograma de entregas. Dessa maneira, o pesado da BYD deve ser tratado como um lançamento em preparação, e não como um produto já disponível em escala comercial. Em abril de 2026, o mercado brasileiro já reunia ao menos seis marcas chinesas com atuação anunciada no segmento de caminhões elétricos: BYD, JAC Motors, Foton, XCMG, Sany e Farizon. A GWM amplia esse movimento com uma rota tecnológica diferente, baseada no hidrogênio. O avanço ocorre de maneira desigual. Nos comerciais leves e caminhões urbanos, já existem produtos vendidos e operando. Nos pesados, predominam operações dedicadas, importações de lotes menores, projetos-piloto e testes com clientes. Também existe uma diferença industrial importante: a maior parte dos caminhões chineses chegam importados. No segmento elétrico, a Volkswagen Caminhões e Ônibus, com o e-Delivery, permanece como a principal referência de produção local. Essa diferença influencia impostos, financiamento, disponibilidade de peças e acesso a linhas que exigem fabricação nacional. A Sany apresentou no Brasil um portfólio que vai de caminhões urbanos a composições extra pesadas. Para a distribuição nas cidades, a empresa oferece um veículo de 6 toneladas de PBT, bateria de 106 kWh e autonomia declarada de até 300 quilômetros. Nos pesados, foram anunciadas versões com baterias de 437 kWh e 588 kWh, autonomia declarada entre 350 e 500 quilômetros e configurações para PBTC de 60 mil a 120 mil quilos, conforme o modelo e a aplicação. O caminhão de 588 kWh está previsto nas configurações Standard, Composite e Super, destinadas, respectivamente, a diferentes níveis de exigência operacional. A versão Super chega a 120 toneladas de PBTC e mira atividades como mineração, transporte canavieiro, madeira, celulose e operações industriais de grande porte. A Sany também apresentou estrutura própria de financiamento e declarou intenção de instalar uma fábrica no Brasil. Caso a nacionalização avance, a empresa poderá obter uma vantagem importante em financiamento, assistência técnica e adaptação de seus produtos às operações brasileiras. A XCMG é uma das fabricantes chinesas mais avançadas em termos de operação efetiva no Brasil. Seu portfólio inclui veículos urbanos, semipesados e cavalos mecânicos elétricos. O E3-10T possui bateria de 107 kWh, potência de 270 cv e autonomia declarada de até 250 quilômetros. O E7-18T utiliza bateria de 279 kWh, entrega 285 cv e autonomia teórica de aproximadamente 270 quilômetros. Entre os pesados, o E7-49T foi apresentado para composições de até 49 toneladas e autonomia de aproximadamente 150 quilômetros. Dez unidades desse modelo foram entregues à Reiter Log. Um de seus diferenciais é a possibilidade de substituir o pacote de baterias, reduzindo a necessidade de manter o veículo parado durante toda a recarga. O E7-80T possui bateria de 400 kWh, potência de 747 cv, torque de 2.800 Nm, capacidade máxima de tração de 80 toneladas e autonomia declarada de aproximadamente 150 quilômetros. O modelo foi anunciado por cerca de R$1,5 milhão e está voltado principalmente para portos, terminais logísticos e rotas curtas. Os dados da XCMG demonstram que capacidade de tração e autonomia não são a mesma coisa. Um caminhão elétrico pode movimentar uma composição muito pesada, mas ainda depender de uma rota curta, repetitiva e dotada de infraestrutura própria. Nos segmentos leves e semipesados, a transição está mais adiantada porque as rotas urbanas são menores e os veículos normalmente retornam à base ao final da jornada. O Foton iBlue possui PBT de 6 toneladas, capacidade útil declarada próxima de 3,6 toneladas e autonomia de aproximadamente 200 quilômetros. O modelo utiliza duas baterias CATL de 81 kWh e foi desenvolvido para distribuição urbana, varejo, comércio eletrônico e operações de curta distância. A JAC Motors possui caminhões elétricos de diferentes capacidades. O E-JT 12,5, apresentado em 2022, conta com PBT de 12,5 toneladas, carga útil declarada de 8,6 toneladas e autonomia de aproximadamente 150 quilômetros com carga máxima. Seu preço de lançamento foi de R$ 699,9 mil. A marca também oferece o semipesado E-JT18. Em 2026, foi atribuída à JAC participação de 57,39% no mercado brasileiro de caminhões elétricos. O dado demonstra sua relevância no nicho, mas precisa ser interpretado ao lado do número absoluto de unidades, pois o mercado ainda possui uma base reduzida. A Farizon, divisão de veículos comerciais do grupo Geely, iniciou sua entrada no país com vans elétricas e avançou para um caminhão semileve de 3,5 toneladas. A empresa informou previsão de embarcar entre 20 e 30 unidades mensais, principalmente para entregas urbanas e comércio eletrônico. No curto prazo, a maior viabilidade está nas operações em que a empresa controla o veículo, a rota e a infraestrutura energética. Entre as aplicações mais promissoras encontram-se: Transporte dentro de portos e terminais; Ligação entre portos, centros de distribuição e retroáreas; Mineração; Movimentação interna em plantas industriais; Usinas de açúcar e etanol; Transporte de cana-de-açúcar em rotas dedicadas; Operações de madeira e celulose; Distribuição urbana; Comércio eletrônico; Coleta de resíduos; Transporte entre dois pontos fixos; Frotas com garagem e carregamento próprios. No agronegócio, as primeiras aplicações provavelmente estarão menos ligadas ao transporte aberto e imprevisível de grãos por milhares de quilômetros e mais concentradas em circuitos controlados: usina–lavoura, floresta–fábrica, mina–terminal, armazém–indústria e porto–retroárea. O agronegócio brasileiro oferece condições particularmente favoráveis para testar caminhões elétricos pesados. Grandes grupos, cooperativas, usinas, frigoríficos e indústrias de celulose operam frotas em trajetos repetitivos, com pontos fixos de origem e destino e, em muitos casos, infraestrutura própria de energia e manutenção. As aplicações mais imediatas não estão necessariamente no transporte de soja e milho por milhares de quilômetros, onde autonomia, tempo de recarga e ausência de infraestrutura ainda representam obstáculos importantes. A oportunidade inicial encontra-se em circuitos controlados: canavial–usina, floresta–fábrica, armazém–indústria, frigorífico–centro de distribuição e terminal–porto. O setor também dispõe de uma vantagem energética. Usinas sucroenergéticas produzem eletricidade a partir do bagaço da cana e podem ampliar o uso de biometano produzido com resíduos agroindustriais. Empresas agrícolas e agroindústrias também avançam na geração solar e no aproveitamento energético de resíduos. Essa estrutura permite avaliar caminhões elétricos, a hidrogênio e a biometano dentro de sistemas integrados de produção e consumo de energia. Por isso, o agronegócio não deve ser visto apenas como comprador desses veículos. Ele pode se tornar fornecedor da energia, operador das primeiras frotas em escala e ambiente de validação das tecnologias chinesas nas condições severas do Brasil. Um veículo pesado com bateria de 400 a 600 kWh exige carregadores de alta potência. Quando uma empresa pretende eletrificar dezenas de caminhões, a demanda deixa de ser apenas automotiva e passa a ser um projeto energético. A operação poderá exigir nova subestação, reforço da conexão com a distribuidora, gerenciamento dos horários de recarga, sistemas de armazenamento, contratação adequada da demanda e integração entre a escala logística e a disponibilidade de energia. Esse investimento deve ser incluído no cálculo do custo total de propriedade. Comparar somente o preço do diesel com o preço da eletricidade não é suficiente. O caminhão a hidrogênio apresenta vantagens potenciais para operações que precisam de maior autonomia e abastecimento rápido. Entretanto, a infraestrutura brasileira ainda é embrionária. O IPT possui uma estação experimental de abastecimento para veículos pesados, mas o país ainda não dispõe de uma rede comercial capaz de atender frotas rodoviárias em escala. Para que a tecnologia avance, será necessário coordenar produção de hidrogênio de baixo carbono, transporte, armazenamento, estações de abastecimento, normas de segurança e contratos de fornecimento de longo prazo. Na prática, o principal desafio da GWM no Brasil talvez não seja demonstrar que o caminhão funciona, mas construir uma operação em que o combustível esteja disponível, a um preço competitivo e com garantia de fornecimento. Os caminhões elétricos importados podem custar muito mais do que um modelo equivalente a diesel. O investimento inicial, porém, não determina sozinho a viabilidade. A análise precisa incorporar: Custo da energia por quilômetro; Toneladas efetivamente transportadas; Manutenção preventiva e corretiva; Vida útil e garantia das baterias; Tempo de recarga ou abastecimento; Disponibilidade diária do veículo; Investimento na infraestrutura energética; Seguro; Estoque e prazo de reposição de peças; Capacitação de oficinas e motoristas; Valor residual; Condições de financiamento; Eventual remuneração adicional por logística de baixo carbono. Em determinadas operações, o caminhão elétrico poderá compensar o preço de compra por meio do menor gasto energético e de manutenção. Em outras, o peso das baterias, a perda de carga útil ou o tempo de recarga poderão eliminar parte da vantagem. Por isso, não existe uma única resposta. Cada rota deverá ser analisada como um projeto operacional e energético completo. O BNDES possui uma linha Finem destinada à aquisição e produção de ônibus e caminhões elétricos, híbridos, a gás natural e a biometano. Empresas, cooperativas, associações e entes públicos podem buscar apoio, observadas as regras de habilitação e análise do banco. Já o Finame Baixo Carbono exige, como regra, que o equipamento seja novo, fabricado no Brasil e credenciado no sistema do BNDES. Essa condição limita o acesso dos veículos integralmente importados a determinadas condições financeiras e cria um incentivo para que os fabricantes avancem da importação para a montagem ou produção local. O Programa Mobilidade Verde e Inovação, o Mover, também reforça a importância da eficiência energética, da inovação e da descarbonização da indústria automotiva. Com o tempo, a política industrial, o imposto de importação, o conteúdo local e o acesso ao crédito poderão ser tão importantes quanto a tecnologia do veículo. A movimentação das fabricantes chinesas mostra que não há uma única rota definida para a descarbonização do transporte pesado brasileiro. A bateria elétrica já possui maior maturidade para logística urbana, portos e trajetos controlados. A troca rápida de baterias pode reduzir o tempo de parada em operações repetitivas. As baterias de grande capacidade começam a alcançar mineração, cana-de-açúcar, madeira e celulose. O hidrogênio procura oferecer maior autonomia e abastecimento mais rápido, mas depende de uma infraestrutura ainda inexistente em escala comercial. As fabricantes tradicionais instaladas no Brasil possuem vantagens relevantes: rede de concessionárias, oficinas, peças, relacionamento com transportadores e produção nacional consolidada. As chinesas chegam, por sua vez, com ampla experiência em eletrificação, escala industrial e velocidade de desenvolvimento. Esse confronto poderá acelerar a inovação no mercado brasileiro, pressionar preços e ampliar as opções dos transportadores. Mas também exigirá atenção à assistência técnica, à reposição de peças, ao valor residual dos veículos e à continuidade das operações das novas marcas no país. A entrada dos caminhões chineses de energia limpa no Brasil já começou, mas continua em diferentes estágios. A GWM passou da apresentação para um transporte demonstrativo com carga. A BYD prepara sua entrada nos cavalos mecânicos pesados. A Sany anunciou veículos para aplicações de até 120 toneladas de PBTC. A XCMG já entregou caminhões pesados a clientes. Foton, JAC e Farizon avançam principalmente na logística urbana. O próximo passo será transformar testes, pequenos lotes e operações controladas em negócios economicamente sustentáveis. O vencedor dessa disputa não será necessariamente quem apresentar o caminhão mais potente, a maior bateria ou a autonomia mais elevada. Será quem conseguir oferecer ao transportador brasileiro uma solução completa: veículo adequado à rota, energia disponível, financiamento competitivo, manutenção, peças, garantia, assistência técnica e alta disponibilidade operacional. No transporte pesado, a transição energética não será decidida apenas na estrada. Ela será decidida na infraestrutura, no contrato de energia, na oficina, no crédito e na capacidade de manter o caminhão trabalhando. No Brasil, essa transformação poderá começar menos nas rodovias de longa distância e mais dentro dos portos, das minas, das usinas, das florestas plantadas e dos grandes complexos agroindustriais. A China traz tecnologias e escala industrial; o agronegócio brasileiro pode oferecer as primeiras operações economicamente viáveis e, em determinados projetos, parte da própria energia necessária para movimentá-las.
10 de março de 2026
A China anunciou que ampliará a digitalização e reduzirá as emissões no setor de transportes durante o 15º Plano Quinquenal (2026-2030). A informação foi divulgada na segunda-feira pelo ministro dos Transportes, Liu Wei, à margem da sessão anual da Assembleia Popular Nacional da China. Segundo Liu, o governo pretende ampliar o uso de inteligência artificial em sistemas de transporte e acelerar a construção de rodovias, portos e rotas marítimas com infraestrutura digital. O plano integra a estratégia do país para modernizar a logística e reduzir as emissões no setor. Além disso, o governo planeja desenvolver corredores e estações de transporte com emissão zero de carbono. A medida inclui a ampliação do uso de equipamentos movidos a energia limpa, como veículos e embarcações de nova energia. Atualmente, 98,8% das áreas de serviço das rodovias chinesas contam com instalações de recarga para veículos elétricos. De acordo com Liu, o país pretende ampliar a capacidade de carregadores de alta potência ainda neste ano. O objetivo é reduzir o tempo de espera e facilitar o acesso a pontos de recarga nas estradas. Durante o período do plano, o governo também pretende melhorar a mobilidade entre cidades em regiões metropolitanas. Para isso, a meta é ampliar a parcela da população que consegue realizar deslocamentos de até uma hora dentro dessas áreas. O ministro destacou ainda a dimensão logística do sistema de transportes chinês. Segundo ele, cerca de 550 milhões de encomendas são processadas todos os dias no país, o que representa aproximadamente três pacotes por pessoa por semana. Esse volume reflete a expansão do comércio eletrônico e a pressão por redes de transporte mais eficientes. Fonte: Xinhua
2 de janeiro de 2026
A China Three Gorges Corporation anunciou em, 2 de janeiro, a entrada em operação plena da Usina de Armazenamento de Energia por Baterias de Fluxo Redox de Vanádio de Xinjiang Jimsar. O projeto, localizado no condado de Jimsar, na prefeitura de Changji, na Região Autônoma Uigur de Xinjiang, é o maior do tipo em funcionamento na China e marca um avanço na aplicação de tecnologias de armazenamento de energia de grande escala e longa duração no país. A usina tem potência instalada de 200 mil quilowatts e capacidade de armazenamento de 1 milhão de quilowatts-hora. Integrada a um complexo fotovoltaico, a estrutura armazena o excedente de energia solar gerado durante o dia, quando a produção supera a capacidade de absorção imediata da rede, e devolve essa eletricidade à noite ou nos horários de maior demanda. Segundo a empresa, o sistema deve elevar em mais de 10% ao ano a taxa de utilização da usina solar associada ao projeto e gerar cerca de 230 milhões de quilowatts-hora adicionais de energia limpa . As baterias de fluxo redox de vanádio armazenam e liberam energia por meio de reações químicas entre íons de vanádio em diferentes estados de oxidação. Nesse modelo, a eletricidade é convertida em energia química em uma solução líquida e, posteriormente, reconvertida em energia elétrica de forma controlada. De acordo com Deng Fubin, gerente do Projeto Integrado de Armazenamento Fotovoltaico de Fluxo de Vanádio de Jimsar, da filial de Xinjiang da China Three Gorges, a usina reúne unidades de armazenamento, conversão de energia e sistemas de controle. No processo de carga, a eletricidade provoca reações químicas que armazenam energia no eletrólito. Na descarga, o sistema reverte o processo e fornece eletricidade de forma estável à rede. “A tecnologia de baterias de fluxo redox de vanádio apresenta longa vida útil, alto nível de segurança e possibilidade de expansão, o que favorece aplicações de armazenamento de energia em larga escala e por longos períodos”, afirmou Deng. A usina opera no Deserto de Gobi, onde as temperaturas variam entre -30 °C e 40 °C. Para garantir o funcionamento em condições extremas, a China Three Gorges adotou um modelo de construção com estruturas pré-fabricadas de aço e equipamentos instalados em ambientes fechados. A empresa informa que o sistema de controle térmico do edifício e dos equipamentos reduz riscos associados ao frio intenso, ao calor elevado e a tempestades de areia. Segundo Ma Zongren, responsável pelo projeto Jimsar na Divisão de Gestão de Construção de Novas Energias da empresa, a iniciativa é a primeira no país a utilizar estruturas de aço fechadas para abrigar sistemas de armazenamento de energia, o que amplia a estabilidade operacional da usina ao longo do ano. Dados do setor indicam que a China é o maior produtor mundial de vanádio, com cerca de 72% da capacidade global de produção de produtos derivados do metal. Baseado em tecnologia desenvolvida internamente e com direitos de propriedade intelectual próprios, o projeto contribui para o fortalecimento da cadeia industrial das baterias de fluxo redox de vanádio, incluindo fabricação de equipamentos, integração de sistemas e fornecimento de materiais. Segundo a empresa, o modelo pode servir de referência para a expansão nacional de soluções de armazenamento de energia de longa duração. Fonte: stdaily
4 de novembro de 2025
Após 168 horas de testes em plena carga, a unidade 9 da Usina Termelétrica de Beilun, em Ningbo, província de Zhejiang, entrou oficialmente em operação, segundo a China Energy Investment Corporation (Grupo de Energia da China). A nova unidade tem capacidade de 1 milhão de quilowatts e eleva a potência total instalada da usina para 7,34 milhões de quilowatts. A previsão é que a geração anual ultrapasse 40 bilhões de quilowatts-hora, consolidando Beilun como a maior termelétrica da China em capacidade instalada. O projeto faz parte do programa nacional de modernização das usinas a carvão, que busca aumentar a eficiência e reduzir emissões. A unidade 9 é a segunda etapa da primeira fase de modernização da Usina de Beilun, iniciada em 2023. Durante os testes, as emissões médias de material particulado, dióxido de enxofre e óxidos de nitrogênio ficaram entre as mais baixas do país para unidades do mesmo tipo. Além da expansão termelétrica, Beilun tornou-se a principal fornecedora de calor em um raio de 50 quilômetros. A usina também desenvolve projetos complementares de energia eólica, solar e de armazenamento, com o objetivo de ampliar o fornecimento de energia limpa . Durante o 14º Plano Quinquenal, a China intensificou o uso eficiente e limpo do carvão. Segundo a Administração Nacional de Energia, o 15º Plano Quinquenal prevê ampliar a flexibilidade das usinas termelétricas, atualizar as tecnologias de geração a carvão e aprimorar a capacidade de regulação das unidades. Fonte: gmw.cn
24 de outubro de 2025
O protecionismo comercial e o unilateralismo têm avançado globalmente, afetando também o setor energético, onde alguns países buscam proteger fontes tradicionais e atrasadas. Apesar disso, a China mantém a determinação de desenvolver energia limpa , promover a transição energética e fortalecer a cooperação internacional, segundo Long Yongtu, ex-vice-ministro do antigo Ministério do Comércio Exterior e Cooperação Econômica da China. Ele fez a declaração durante o Seminário Internacional sobre Cooperação em Hidrogênio da Iniciativa “Cinturão e Rota”, realizado na Conferência da Indústria de Hidrogênio da China 2025. Long destacou que a China tem oportunidades de cooperação internacional em pesquisa e aplicação de tecnologias de hidrogênio, fornecimento de equipamentos, certificação de padrões e participação na formulação de regras de comércio transfronteiriço. Chen Wenling, ex-economista-chefe do Centro Chinês de Intercâmbio Econômico Internacional, observou que a oposição de alguns países às energias renováveis e à economia verde representa uma das manifestações mais claras da “desglobalização”. Segundo ela, o desenvolvimento energético global enfrenta uma encruzilhada, e a China tornou-se referência internacional, contribuindo de forma significativa para o avanço do hidrogênio e de outras fontes limpas. O setor recebeu marco regulatório com o “Plano de Desenvolvimento da Indústria de Hidrogênio a Médio e Longo Prazo (2021–2035)”, publicado em 2022, e com a inclusão do hidrogênio na Lei de Energia da China em 2024. Até o fim de 2024, mais de 560 políticas específicas sobre hidrogênio foram lançadas em todo o país, com medidas adaptadas às realidades regionais. Segundo Cheng Yibing, membro da Academia de Engenharia da Austrália e cientista estratégico do Laboratório Xianhu de Foshan, as tecnologias chinesas de hidrogênio, da produção ao transporte e uso, saíram do laboratório e estão em aplicação industrial, colocando o país à frente do padrão global em abrangência e nível tecnológico. Zhang Yinguang, gerente-geral da State Power Investment Group Hydrogen Energy Technology Development, afirmou que a China possui a cadeia industrial de hidrogênio mais completa do mundo, incluindo produção, armazenamento, transporte e uso. Ele acrescentou que o transporte é o setor-chave para a comercialização em larga escala. Políticas e programas de cidades-piloto criaram um ecossistema maduro para o uso do hidrogênio. Ao mesmo tempo, esforços conjuntos de fabricantes de células a combustível reduziram significativamente os custos. Zhang Weidong, representante assistente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) na China, citou que o custo de um ônibus de 12 metros movido a célula de combustível caiu de US$ 1,8 milhão em 2003 para menos de US$ 500 mil, graças à experiência chinesa e ao apoio internacional. Chen Wenling concluiu que o futuro do hidrogênio na China será guiado pelos cenários de aplicação. O país não apenas lidera a produção global, mas também se torna força motriz do desenvolvimento do setor, contribuindo para a transição energética mundial e para as metas de neutralidade de carbono. Fonte: chinanews.com
15 de outubro de 2025
A China ampliou de forma significativa o uso de energia eólica no país e mantém posição de liderança global no setor. Dados oficiais e entrevistas com empresas mostram que, ao contrário da percepção de que o país apenas fabrica equipamentos para exportação, ele integra suas turbinas de forma ampla na matriz energética. No primeiro semestre de 2025, a Administração Nacional de Energia (NEA) registrou 51,39 gigawatts (GW) de nova capacidade eólica conectada à rede. Até junho, a capacidade eólica instalada acumulada atingiu 573 GW, um aumento de 22,7% em relação ao ano anterior. A geração de energia eólica chegou a 588 bilhões de quilowatts-hora, 15,6% acima de 2024, com taxa média de utilização de 93,2%. No mercado financeiro, o setor eólico da bolsa de ações A da China registrou forte valorização em outubro, impulsionando os preços das ações de fabricantes de turbinas eólicas e refletindo a expansão do setor. Da produção interna ao avanço tecnológico No Porto de Zhuangyuan’ao, em Wenzhou, província de Zhejiang, empresas constroem um cluster industrial offshore que integrará toda a cadeia produtiva de energia eólica. A Windey Energy Technology Group Co., líder neste segmento, lançou a maior turbina terrestre do mundo e uma plataforma flutuante de turbina offshore, ampliando a capacidade tecnológica nacional. Segundo Luo Yongshui, gerente geral assistente da Windey Energy Technology, “sem inovação independente, não haveria energia eólica na China como existe hoje”. Em 2024, o país adicionou 79,8 GW de nova capacidade eólica, equivalente a 68,2% do total global. Testes extremos e expansão offshore O supertufão Ragasa testou a resiliência das turbinas eólicas chinesas offshore. As 1.345 turbinas do Mingyang Smart Energy Group no Mar da China Meridional mantiveram operação estável. Ye Fan, vice-presidente da empresa, afirma que, embora o desenvolvimento costeiro tenha potencial relevante, as áreas em águas profundas oferecem capacidade três a quatro vezes maior. Expansão internacional e cadeia global As empresas chinesas também atuam globalmente. O Envision Group fechou acordo com a mineradora australiana Fortescue para fornecer 132 MW de turbinas e uma solução completa em Pilbara, oeste da Austrália. Lou Yimin, vice-presidente sênior do Envision Group, destaca que a tecnologia chinesa contribui para a transição energética em outros países. Desde 2010, a China mantém o primeiro lugar mundial em capacidade anual de energia eólica instalada e possui a cadeia de suprimentos mais completa do setor. Suas turbinas já foram exportadas para mais de 40 países, apoiando a expansão global da energia eólica. Fonte: stdaily
21 de julho de 2025
No dia 20 de julho, repórteres do Science and Technology Daily visitaram a área de exposição da Cadeia de Energia Limpa na 3ª Exposição Internacional da Cadeia de Suprimentos da China (CISCE, na sigla em inglês). Eles observaram a exibição completa da indústria de energia limpa, desde o fornecimento até o consumo. O desenvolvimento verde e de baixo carbono tornou-se objetivo comum em toda a cadeia. Segundo Yu Jianlong, vice-presidente do Conselho Chinês para a Promoção do Comércio Internacional (CCPIT), a China é o maior mercado de energia limpa do mundo e tem papel central no desenvolvimento global do setor. Em 2024, o país investiu US$ 625 bilhões em energia limpa, um terço do total global, consolidando-se como estabilizador da cadeia mundial de fornecimento e produção. A unidade geradora hidrelétrica de um milhão de quilowatts da Usina Baihetan, no rio Jinsha, em Sichuan, produz 1 milhão de kWh por hora. O Pavilhão Inteligente Zero Carbono utiliza tecnologias de baixo carbono, como bomba de calor com fonte de ar, energia solar e climatização de baixo consumo, alcançando uma redução de carbono de 100%. Carros solares carregam diretamente com luz solar e têm autonomia de até 20 km. Dados da Administração Nacional de Energia indicam que, até o final de maio, a capacidade instalada total de energia eólica e solar superou a de termelétricas, chegando a 1,65 bilhão de kW. A capacidade instalada de usinas nucleares em operação e construção somou 125 milhões de kW, a maior do mundo. Lu Junling, economista-chefe da Administração Nacional de Energia, afirmou que a China avançou em inovação tecnológica e desenvolvimento integrado da indústria de energia limpa. O país construiu a maior e mais completa cadeia industrial de novas energias do mundo. A capacidade unitária das turbinas eólicas e a eficiência dos módulos fotovoltaicos lideram globalmente, com 80% dos módulos fotovoltaicos e 70% das peças-chave das turbinas eólicas fabricadas no país. As cadeias industriais de energia hidrelétrica e nuclear estão completas e apresentam nível tecnológico de liderança mundial. A China domina tecnologias avançadas, como os reatores de terceira geração e os reatores a gás de alta temperatura de quarta geração “Hualong 1” e “Guohe 1”. A Dongfang Electric Corporation, líder na fabricação de equipamentos do setor, apresentou na Chain Expo tecnologias e produtos como: turbina a gás pesada de 50 MW, com mais de 9.000 horas de operação em dois projetos piloto; maior turbina eólica offshore do mundo, com 26 MW, já testada em solo e integrada à rede; maior sistema de combustão por cadeia química de 5 MW, que reduziu custos em dois terços comparado às tecnologias tradicionais de captura de carbono; e sonda de perfuração inteligente para poços ultra profundos de 12.000 metros, que superou desafios técnicos como alta rotação e acionamento com um clique. Zhang Shaofeng, diretor da Dongfang Electric, afirmou que os avanços técnicos nos equipamentos de energia determinam a velocidade e a qualidade da transição energética. Segundo ele, essas tecnologias atendem à estrutura energética da China e às necessidades de diversos países, oferecendo opções para a transição energética global. A Dongfang Electric lidera a internacionalização de 17 mil empresas chinesas da cadeia de suprimentos e coopera com cerca de 1.000 fornecedores estrangeiros, promovendo o desenvolvimento global da energia limpa e a transição verde. Atualmente, os princípios de baixo carbono, digitalização e desenvolvimento sustentável avançam como consensos globais. Lu Junling recomenda aumentar o desenvolvimento de novas tecnologias, promover cooperação técnica em áreas como hidrogênio verde, armazenamento avançado, nova geração de energia nuclear, captura e utilização de carbono. Ele também destaca a importância de ampliar a colaboração internacional, impulsionar o comércio do setor e acelerar a integração das tecnologias da informação com a indústria energética para melhorar a eficiência, digitalização e inteligência da cadeia de energia limpa. Fonte: finance.people.com.cn
24 de março de 2025
A Apple anunciou, no dia 24 de março, um novo investimento de RMB 720 milhões para a segunda fase do Fundo de Energia Limpa da China, conforme informou a Agência de Notícias da China. O objetivo é expandir a capacidade de produção de energia limpa no país, alinhando-se ao compromisso da empresa de tornar sua cadeia de suprimentos 100% renovável até 2030. O fundo visa adicionar aproximadamente 550.000 megawatts-hora de capacidade de geração de energia eólica e solar à rede elétrica chinesa anualmente, com a expectativa de que esse número aumente à medida que mais investidores se unam ao projeto. Lançado em 2018, o Fundo de Energia Limpa da China tem como foco a colaboração entre a Apple e seus fornecedores. Jeff Williams, diretor de operações da Apple, destacou: “Nossos fornecedores na China estão impulsionando avanços na produção inteligente e na fabricação sustentável ”. Com a segunda fase do fundo, a empresa pretende aprofundar a cooperação, promover a inovação e criar novas oportunidades no setor. Fonte: chinanews.com.cn
29 de janeiro de 2025
A China acelerou a transição energética em 2024, expandindo significativamente sua capacidade de geração de energia renovável. Segundo a Agência Nacional de Energia, o país adicionou 373 milhões de quilowatts à sua capacidade instalada de fontes renováveis, um aumento de 23% em relação a 2023. Esse crescimento representou 86% da nova capacidade instalada no setor elétrico, consolidando o avanço da energia limpa na matriz energética chinesa. Crescimento expressivo na capacidade instalada Ao final de 2024, a capacidade instalada total de energias renováveis no país atingiu 1,889 bilhão de quilowatts, um aumento de 25% em relação ao ano anterior. Essa expansão fez com que as fontes renováveis representassem cerca de 56% da capacidade total instalada da China. Os destaques foram a energia solar fotovoltaica, que chegou a 887 milhões de quilowatts, e a energia eólica, com 521 milhões de quilowatts. A hidrelétrica e a biomassa também apresentaram avanços, atingindo 436 milhões e 46 milhões de quilowatts, respectivamente. Produção de energia limpa em alta A geração de energia renovável atingiu 3,46 trilhões de quilowatts-hora, um aumento de 19% em relação ao ano anterior, respondendo por aproximadamente 35% da produção total de eletricidade do país. Somente a geração combinada de energia solar e eólica alcançou 1,83 trilhão de quilowatts-hora, um crescimento de 27%, volume equivalente ao consumo do setor terciário chinês no período. A maior parte do crescimento no consumo de eletricidade da China em 2024 foi suprida pelas fontes renováveis. Do total de 541,9 bilhões de quilowatts-hora adicionados ao consumo nacional, 86% vieram de energia limpa. Hidrelétrica: estabilidade e segurança energética A China ampliou em 13,78 milhões de quilowatts a capacidade instalada de hidrelétricas em 2024, sendo 6,25 milhões de quilowatts provenientes de hidrelétricas convencionais e 7,53 milhões de quilowatts de usinas de bombeamento. Ao final do ano, a capacidade total do setor atingiu 436 milhões de quilowatts. A geração hidrelétrica alcançou 1,42 trilhão de quilowatts-hora, com um tempo médio de utilização das grandes usinas de 3.349 horas ao longo do ano. Energia eólica: avanço contínuo A capacidade instalada de energia eólica cresceu 79,82 milhões de quilowatts em 2024, um aumento de 6% em relação ao ano anterior. A energia eólica terrestre continua sendo predominante, respondendo por 75,79 milhões de quilowatts da nova capacidade, enquanto a offshore adicionou 4,04 milhões de quilowatts. A geração total do setor atingiu 991,6 bilhões de quilowatts-hora, um crescimento de 16%, com uma taxa de utilização de 95,9%. Energia solar: expansão acelerada O setor fotovoltaico registrou um crescimento de 278 milhões de quilowatts em nova capacidade instalada, um aumento de 28% em relação a 2023. A energia solar centralizada respondeu por 159 milhões de quilowatts, enquanto a distribuída somou 118 milhões de quilowatts. Com isso, a capacidade total de energia solar atingiu 886 milhões de quilowatts até o final do ano, um salto de 45%. A geração solar alcançou 834,1 bilhões de quilowatts-hora, com um crescimento de 44% e uma taxa média de utilização de 96,8%. Energia de biomassa: crescimento moderado A capacidade instalada de energia de biomassa aumentou em 1,85 milhão de quilowatts em 2024, atingindo um total de 45,99 milhões de quilowatts no final do ano, um crescimento de 4%. A geração desse segmento somou 208,3 bilhões de quilowatts-hora, um avanço de 5% em relação a 2023. O avanço da China na transição energética reflete o compromisso do país com a descarbonização e a segurança energética. Com investimentos contínuos em infraestrutura renovável e políticas de incentivo à sustentabilidade, a China consolida sua posição como líder global na produção e uso de energias limpas, preparando-se para um futuro de baixo carbono e maior eficiência energética. Fonte: mwind.in-en.com
19 de junho de 2024
A China concluiu a operação do primeiro dispositivo tokamak supercondutor de alta temperatura, chamado HH70. Dispositivos tokamak são frequentemente chamados de "sóis artificiais". O anúncio foi feito na terça-feira, 18, em Xangai, marcando um avanço significativo no desenvolvimento global da tecnologia de fusão para energia limpa, segundo informações do jornal chinês Yicai Global. Dispositivos tokamak são tradicionalmente grandes e caros. No entanto, o HH70, projetado e construído por uma empresa comercial chinesa, a Energy Singularity, é menor e tem um custo de produção mais baixo, o que abre caminho para reatores de fusão mais viáveis comercialmente no futuro, de acordo com Guo Houyang, cofundador e CTO da Energy Singularity. O HH70 possui um sistema magnético construído a partir de materiais supercondutores de alta temperatura. A Energy Singularity alcançou esse feito em dois anos, estabelecendo um recorde mundial para o desenvolvimento e construção mais rápidos de um dispositivo tokamak supercondutor. A operação bem-sucedida do HH70 é considerada um marco para a China. Isso significa um grande passo na verificação da viabilidade de engenharia de tokamaks supercondutores de alta temperatura, abrindo caminho para um futuro energético limpo e sustentável. De acordo com o World Energy Outlook, se os combustíveis fósseis como petróleo , gás natural e carvão saírem gradualmente do mercado global, a humanidade enfrentará uma escassez de energia de mais de 10% até 2050. Esta é uma grande oportunidade e um desafio para dominar a energia de fusão nuclear controlada. Nos últimos anos, avanços em materiais supercondutores de alta temperatura e outras tecnologias tornaram possível desenvolver um tokamak economicamente viável, segundo Guo. O tokamak é uma máquina experimental projetada para aproveitar a energia da fusão. A fusão nuclear controlada oferece uma solução energética limpa e sustentável que pode ajudar a combater a mudança climática e o esgotamento dos recursos, disse Gao. A Energy Singularity pretende, até 2027, construir um tokamak de próxima geração, um modelo de campo magnético alto, estado estacionário e supercondutor de alta temperatura. Este projeto estabelecerá as bases para a aquisição de energia de fusão comercialmente viável, com o objetivo final de uma usina de demonstração até 2030, acrescentou Guo. Tradução: Mei Zhen Li Fonte: Yicai Global