10 de março de 2026
A China passou a tratar a inteligência artificial (IA) como base de uma nova etapa de desenvolvimento econômico. O relatório de trabalho do governo apresentado nas “ duas sessões ” de 2026 propõe, pela primeira vez, o desenvolvimento de uma “economia inteligente”, conceito que orienta a aplicação da tecnologia em larga escala na indústria, nos serviços e na infraestrutura digital do país. O documento também prevê ampliar a aplicação comercial da IA em setores estratégicos, fortalecer a infraestrutura de computação e incentivar novos modelos de negócios baseados na tecnologia. Além disso, o governo pretende aprimorar a governança da IA e ampliar a cooperação internacional no setor. IA passa a integrar a estrutura da economia A nova formulação amplia a estratégia lançada em 2024 com a iniciativa “IA Plus”, voltada à aplicação da tecnologia em diferentes setores. Agora, o relatório posiciona a inteligência artificial como elemento estrutural da economia. Segundo Zhou Li’an, membro do 14º Comitê Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês e professor da Escola de Administração Guanghua da Universidade de Pequim, o conceito indica uma mudança no papel da tecnologia. “A ideia de economia inteligente sugere que a IA se torna um elemento fundamental do sistema econômico, influenciando a alocação de recursos, a organização das indústrias e a prestação de serviços”, afirmou. Para implementar essa estratégia, o governo propõe acelerar a adoção de terminais inteligentes e agentes de IA, ampliar o uso da tecnologia em setores-chave e fortalecer ecossistemas de código aberto, serviços de nuvem pública e a coordenação nacional da capacidade de computação. Aplicação industrial e infraestrutura A estratégia também prioriza a aplicação da IA na economia real, especialmente na indústria. O relatório destaca a necessidade de ampliar a comercialização da tecnologia e acelerar sua implantação em larga escala. Qian Gang, presidente do conselho do CITIC Pacific Special Steel Group, afirmou que a empresa desenvolveu mais de 100 modelos de IA para apoiar a manufatura inteligente. Segundo ele, a tecnologia ajudou a transformar uma das fábricas da companhia em uma “fábrica farol”, centro industrial que utiliza tecnologias avançadas em grande escala. A expansão da inteligência artificial também depende de infraestrutura computacional. Por isso, o relatório prioriza a construção de clusters de computação inteligente e a coordenação entre sistemas de energia e centros de dados. Ma Kui, gerente-geral da filial da China Mobile na província de Sichuan, afirmou que regiões do sudoeste do país podem assumir papel relevante nesse processo, dentro da estratégia nacional conhecida como “Dados do Leste, Computação do Oeste”. Governança e cooperação internacional O relatório também destaca o fortalecimento da governança da IA, com foco em segurança de dados, proteção da privacidade e supervisão de algoritmos. O esboço do 15º Plano Quinquenal (2026–2030) inclui avanços em sistemas multimodais, agentes de IA e inteligência coletiva. Segundo o ministro da Indústria e Tecnologia da Informação da China, Li Lecheng, a indústria central de inteligência artificial do país superou 1,2 trilhão de yuans (cerca de US$174 bilhões) em 2025 e reúne mais de 6.200 empresas. De acordo com o ministro, a tecnologia deve “servir às pessoas, beneficiar as pessoas e permanecer sob controle humano”, com potencial para atuar como um bem público global. Fonte: gmw.cn
5 de março de 2026
A China pretende alcançar crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 4,5% e 5% em 2026. A meta aparece em um relatório do governo apresentado na quinta-feira na abertura da sessão anual da Assembleia Popular Nacional, em Pequim. A reunião marca o início das chamadas “Duas Sessões” , o principal evento político anual do país. O primeiro-ministro Li Qiang afirmou que o objetivo considera o potencial de crescimento da economia chinesa e os planos de desenvolvimento até 2035. Li apresentou o relatório na abertura da quarta sessão da Assembleia. Segundo ele, a meta está alinhada com os objetivos de longo prazo do país e conta com condições favoráveis para execução. O premiê também orientou governos locais a adotar medidas concretas, de acordo com suas próprias condições, para alcançar resultados econômicos. Além disso, Li explicou que as metas para 2026 levam em conta ajustes estruturais, prevenção de riscos e avanço de reformas. O ano marca o início do 15º Plano Quinquenal (2026–2030), período em que o governo pretende consolidar bases para crescimento econômico nos anos seguintes. Analistas afirmam que o intervalo de crescimento reflete a estratégia do governo diante de desafios estruturais e cíclicos da economia. A meta busca manter um ritmo de expansão considerado compatível com o estágio atual de desenvolvimento do país. Sun Xuegong, diretor-geral do departamento de estudos e consultoria de políticas da Academia Chinesa de Pesquisa Macroeconômica, afirmou que a meta é necessária. A instituição é vinculada à Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma. Segundo Sun, para dobrar o PIB per capita em relação ao nível de 2020 até 2035, objetivo ligado ao plano de modernização socialista, a economia chinesa precisa crescer cerca de 4,2% ao ano nos próximos anos. Nesse cenário, a meta definida para 2026 ajudaria a manter a trajetória necessária. Ele também afirmou que políticas macroeconômicas de apoio devem continuar. Esse fator pode sustentar o crescimento do consumo e favorecer uma recuperação do investimento. Economistas destacam que a redução da meta não indica perda dos motores de crescimento da economia chinesa. Alguns setores tradicionais, como o mercado imobiliário, enfrentam desaceleração, e mudanças demográficas afetam o ritmo de expansão. Por outro lado, novos fatores de crescimento surgem. Entre eles estão a expansão do consumo, o aumento da produtividade associado à inovação e o crescimento do setor de serviços. Marshall Mills, representante residente sênior do Fundo Monetário Internacional na China, afirmou que fatores de demanda, oferta e reformas podem impulsionar o crescimento econômico do país durante o 15º Plano Quinquenal. Segundo Mills, do lado da demanda, o alto nível de poupança das famílias chinesas pode fortalecer o consumo privado. Já do lado da oferta, reformas voltadas à melhor alocação de recursos podem ampliar o impacto da inovação e elevar a produtividade em diferentes setores da economia . Fonte: China Daily
19 de março de 2025
Março é tradicionalmente o mês em que o governo chinês discute os principais assuntos da governança do país. As reuniões, conhecidas como “Duas Sessões”, tiveram como pauta principal o crescimento econômico da China. O governo projetou um aumento de 5% no PIB, uma meta mais cautelosa diante da desaceleração econômica global. “Essa previsão de crescimento mostra como a China está ajustando suas expectativas ao cenário atual”, comenta Evandro Menezes de Carvalho, professor de Direito Internacional da FGV e da Universidade Federal Fluminense. As Duas Sessões são eventos anuais que reúnem a Assembleia Popular Nacional (APN) e a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC). Esses encontros têm grande influência nas decisões políticas e econômicas do país, refletindo diretamente nas estratégias tomadas pela China. Impacto global das Duas Sessões O professor, que é também autor do livro China: Tradição e Modernidade na Governança do País, analisa que as decisões tomadas durante as Duas Sessões não se restringem à mudanças apenas na China. Elas moldam as relações econômicas e comerciais do país com o resto do mundo. “O que ocorre nas Duas Sessões afeta diretamente o comércio internacional, as finanças globais e o setor de tecnologia, já que a China é um dos principais atores nesses campos.” Essas decisões políticas moldam, portanto, os rumos da economia global e das relações internacionais. Empresas e governos de todo o mundo acompanham de perto as Duas Sessões, pois as mudanças na China têm repercussões diretas em mercados globais e políticas comerciais. Outros temas discutidos Além da meta de PIB para o ano, as autoridades chinesas determinaram atenção ao consumo interno. O país pretende estimular o fortalecimento do consumo doméstico para reduzir a dependência da China de outros países. O foco será o investimento em inovação para internalizar cadeias de suprimentos de alta tecnologia. Outro tema planejado foi a transição para uma economia mais sustentável e o uso de novas tecnologias. O governo destacou o uso de big data e inteligência artificial para melhorar a governança pública. “A China tem investido em tecnologias para aprimorar a coleta de dados e tornar a governança mais eficiente”, explica Carvalho. Além disso, o governo chinês dedicou atenção à questão do envelhecimento da população, propondo medidas como subsídios e incentivos para estimular o aumento da natalidade. Como funcionam as Duas Sessões Durante as Duas Sessões, são debatidos temas como o orçamento do governo, o planejamento de longo prazo e novas políticas públicas. Carvalho esclarece: “Enquanto a APN toma as decisões formais, a CCPPC auxilia na discussão e formulação dessas políticas.” Ele também destacou uma diferença importante entre a China e o Ocidente: "No modelo chinês, o processo de decisão é contínuo. A população participa ao longo do ano, enquanto no Ocidente, o envolvimento é limitado a votações periódicas." O professor aponta que a China, por meio dessas sessões, consegue alinhar suas necessidades de governança de um país de grande escala e complexidade. "Essas sessões não são apenas reuniões internacionais. Elas são o reflexo de um sistema de governança que busca equilíbrio entre a autoridade central e a participação popular. Mesmo sem o voto direto como no Ocidente, a China tem mecanismos próprios para ouvir e envolver a população nas políticas públicas", afirma Evandro. Segundo ele, a participação popular é uma das características centrais desse sistema, e a tecnologia tem sido uma aliada importante nesse processo. Durante esses encontros, o governo chinês define suas metas e políticas para o ano seguinte. As questões abordadas variam conforme o contexto econômico e político do país. “Este ano, a China focou em um crescimento econômico moderado, refletindo desafios internos e externos”, observa.
17 de março de 2025
O governo chinês revelou, em 16 de março, um plano de medidas especiais para promover o consumo interno e aumentar a capacidade de consumo, com foco no aumento da renda e na redução de encargos. A segunda maior economia do mundo busca tornar a demanda interna o principal motor e estabilizador do crescimento econômico. De acordo com a Agência de Notícias Xinhua e do programa de notícias da CCTV, o Gabinete Geral do Comitê Central do Partido Comunista da China e o Gabinete Geral do Conselho de Estado emitiram recentemente o "Plano de Ação Especial para Revitalizar o Consumo", que apresenta oito áreas de foco e 30 tarefas principais. O plano estabelece medidas específicas em sete grandes ações, como o aumento da renda dos residentes urbanos e rurais, o apoio à capacidade de consumo, a melhoria da qualidade dos serviços de consumo e a reformulação das políticas de apoio. Durante as "Duas Sessões" nacionais deste ano, o governo chinês destacou a necessidade de revitalizar o consumo, aumentar a eficiência dos investimentos e expandir a demanda interna, buscando fazer da demanda doméstica a principal força motriz e âncora de estabilidade para o crescimento econômico. Principais medidas do plano O primeiro ponto do plano é aumentar a renda dos residentes urbanos e rurais. As medidas incluem o crescimento razoável dos salários, a ampliação dos canais de renda patrimonial e ações para aumentar a renda dos agricultores, além de combater o problema de pagamentos atrasados. A segunda ação aborda o apoio à criação de filhos, com o estudo de um sistema de subsídios para a criação de filhos, ampliação de recursos educacionais para crianças de famílias migrantes e aumento dos subsídios financeiros para pensões e seguros médicos básicos. O plano também visa implementar plenamente o sistema de pensão individual. No setor de consumo de grandes itens, o plano propõe estabilizar o mercado imobiliário, reformar vilas urbanas e habitações precárias, e liberar o potencial de demanda por moradias. A proposta também inclui a transformação do consumo de automóveis, focando na gestão de uso, além de atender a famílias sem carro que enfrentam dificuldades para obter uma licença de veículo. Quanto à melhoria do ambiente de consumo, o plano sugere garantir direitos de descanso e férias, incentivando a conexão entre férias remuneradas e feriados curtos, e permitindo férias flexíveis. Também proíbe a extensão ilegal das horas de trabalho. Fonte: zaobao.com.sg
13 de março de 2025
No dia 5 de março, o primeiro-ministro Li Qiang destacou, no relatório de trabalho do governo, a necessidade de fomentar indústrias emergentes, incluindo biomanufatura, tecnologia quântica, redes 6G e inteligência corporificada — termo que aparece pela primeira vez em um documento oficial. O relatório também reforçou o foco em veículos elétricos inteligentes, dispositivos eletrônicos baseados em IA, robôs inteligentes e equipamentos de manufatura avançados. Mercado aquecido Os robôs humanoides estão no centro das atenções da indústria e do mercado financeiro. Empresas especializadas relatam um aumento expressivo na demanda e no interesse por esses dispositivos. Segundo Zhang Miao, cofundador da Beijing HL Robotics Technology (CASBOT 01), desde novembro de 2023 a empresa recebe diariamente consultas de investidores e parceiros. Recentemente, a CASBOT 01 levantou mais de RMB 100 milhões em uma rodada de investimento-anjo, impulsionada pelo lançamento de seu primeiro robô bípede de tamanho real. Zhang Mingdi, executivo da Youibot, relata que a corrida pelos robôs humanoides se intensificou nos últimos meses, com clientes buscando soluções que conciliem capacidade técnica, custo e viabilidade de produção em escala. A evolução do hardware e a redução de preços estão tornando os robôs mais acessíveis. Aplicação crescente Empresas chinesas estão expandindo o uso de robôs humanoides em diversas áreas. Em Pequim, eles participaram da cobertura das reuniões das Duas Sessões vestidos como jornalistas. Em Changsha, província de Hunan, eles trabalham como voluntários, interagindo com a população. Já em Zhejiang, foram empregados no transporte de materiais dentro de fábricas. Durante o Festival da Primavera de 2025, um robô da Unitree Robotics chamou atenção ao se apresentar em um programa de TV. Além do entretenimento, eles já são utilizados em lojas, exposições, restaurantes e até hospitais. Na indústria, a UBTECH Robotics implantou dezenas de robôs humanoides Walker S1 na linha de montagem da Zeekr Intelligent Technology, realizando tarefas de inspeção de qualidade, transporte e montagem. A empresa já iniciou testes em outras fábricas e planeja expandir sua atuação no setor industrial. Especialistas apontam que, além do uso comercial, esses robôs têm potencial para atuar em situações de risco, como resgates, emergências, exploração espacial e segurança. Apoio governamental e investimentos O avanço da inteligência corporificada está alinhado com as estratégias do governo chinês . Províncias como Guangdong, Shandong, Sichuan e Pequim incluíram o setor em seus planos de desenvolvimento para 2025. No fim de fevereiro, Pequim lançou um plano de ação para impulsionar a indústria, com meta de produzir mais de 10 mil robôs e criar um setor avaliado em centenas de bilhões de RMB até 2027. O mercado financeiro também reflete o otimismo. Segundo dados da Hithink RoyalFlush, o setor de robôs humanoides registrou uma valorização de quase 50% no mercado A desde o início de 2024. A Shoucheng Capital já investiu em vários projetos do setor, abrangendo robôs industriais, médicos e de consumo. Para fomentar o setor, a Bolsa de Valores de Xangai realizou um fórum sobre robôs humanoides, reunindo empresas, investidores e instituições financeiras. O evento destacou a necessidade de colaboração entre fabricantes de sistemas integrados e fornecedores de componentes para reduzir custos e ampliar a compatibilidade de peças-chave. Fonte: people.com.cn
6 de março de 2025
A terceira sessão da 14ª Assembleia Popular Nacional da China foi realizada na manhã de 5 de março, no Grande Salão do Povo. Durante o evento, o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, apresentou o relatório de trabalho do governo, destacando a meta de crescimento econômico do país para 2025. O indicador de 5% chamou a atenção da imprensa internacional, que acompanhou o evento com transmissões ao vivo e reportagens em tempo real. A Bloomberg citou Vey-Sern Ling, diretor administrativo do Union Bancaire Privée, que considerou a meta "um impulso muito forte" e destacou que a taxa de déficit planejada de 4% indica a disposição do governo chinês em apoiar a economia, trazendo confiança ao mercado. O jornal de Singapura Straits Times exibiu reportagens sobre as Duas Sessões em destaque na página inicial do site. A publicação ressaltou que a China pretende impulsionar o crescimento econômico por meio de um apoio fiscal mais robusto. O Canal de Notícias da Ásia (CNA), também de Singapura, transmitiu ao vivo a abertura da sessão e publicou diversas análises sobre os desdobramentos do evento. Desde 2023, Pequim tem mantido sua meta de crescimento em torno de 5%, demonstrando confiança na estabilidade econômica, apesar do aumento das tensões comerciais e da incerteza global. A taxa de déficit planejada para 2025, fixada em 4%, sinaliza a estratégia do governo de estimular a demanda interna, melhorar o bem-estar da população e incentivar o consumo como resposta às barreiras tarifárias internacionais. O Lianhe Zaobao, também de Singapura, publicou mais de dez artigos detalhando os principais pontos do relatório governamental. A análise da publicação destacou que a meta de crescimento de 5% para 2025 está alinhada com as projeções do mercado e a estratégia de longo prazo do governo chinês. A BBC noticiou que Pequim adotou uma série de medidas para estimular o consumo, incluindo incentivos para a troca de eletrodomésticos, veículos, celulares e outros produtos eletrônicos. "O objetivo do governo chinês agora é colocar mais dinheiro no bolso dos cidadãos e reduzir a dependência da economia nas exportações e investimentos", destacou a emissora britânica. Já o New Straits Times, da Malásia, enfatizou a relevância das Duas Sessões como um evento chave para entender a direção da política e economia chinesa . A publicação afirmou que, em um contexto de relações internacionais cada vez mais complexas, as decisões do governo chinês não apenas impactam seu próprio crescimento, mas também influenciam significativamente a economia global. Fonte: chinadaily.com.cn
5 de março de 2025
Na primeira coletiva de imprensa do Congresso Nacional da China deste ano, o porta-voz Lou Qinjian abordou questões sobre economia, inteligência artificial e a primeira legislação do país voltada ao apoio da economia privada. Na véspera da abertura da sessão anual do Congresso Nacional do Povo (CNP), Lou demonstrou confiança no futuro econômico da China. Apesar dos desafios externos e das pressões econômicas, ele afirmou que os fundamentos da economia chinesa seguem sólidos, com grande resiliência e potencial de crescimento. “As condições fundamentais e a tendência de desenvolvimento econômico de longo prazo permanecem positivas”, declarou Lou a jornalistas em Pequim. A terceira sessão da 14ª legislatura do CNP começou hoje e está prevista para terminar em 11 de março. O Congresso Nacional do Povo e a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, conhecidos como “Duas Sessões”, se reúnem anualmente em março para avaliar propostas e definir a agenda política e econômica do país. Controle da dívida e regulação da IA Lou destacou que o Comitê Permanente do CNP reforçará a supervisão da gestão da dívida pública de acordo com as leis e regulamentações em vigor. Um dos focos será monitorar o aumento dos limites de endividamento das administrações locais para substituir passivos ocultos, além de atuar na prevenção e mitigação dos riscos da dívida dos governos regionais. Sobre inteligência artificial, Lou ressaltou que os avanços da DeepSeek refletem o crescimento de um grupo de empresas chinesas no setor, impulsionado por profissionais jovens e experientes. Segundo ele, o governo seguirá incentivando o desenvolvimento da IA , ao mesmo tempo em que reforça a prevenção de riscos. Com sede em Hangzhou, a DeepSeek lançou em janeiro seu modelo de linguagem DeepSeek-R1, considerado pelo investidor do Vale do Silício Marc Andreessen como um “momento Sputnik da IA”. Oferecendo desempenho comparável aos principais modelos globais, mas a um custo significativamente menor, a tecnologia vem sendo rapidamente adotada por empresas e governos locais na China. Lou também afirmou que a China protege legalmente a privacidade e a segurança de dados, ao mesmo tempo em que se opõe à ampliação exagerada do conceito de “segurança nacional” e à politização de questões econômicas, comerciais e tecnológicas. “A China busca reduzir a desigualdade tecnológica e evitar que a inovação se torne um privilégio exclusivo de ‘países ricos e indivíduos abastados’”, declarou Lou, acrescentando que o país está disposto a cooperar com outras nações para promover um desenvolvimento responsável da IA, impulsionar o crescimento econômico e melhorar o bem-estar global. Apoio à economia privada Sobre a economia privada, Lou informou que o governo está acelerando a tramitação da Lei de Promoção da Economia Privada. O Conselho de Estado apresentou o projeto ao Comitê Permanente do CNP para uma primeira análise em dezembro e revisou o texto no mês passado. Agora, o próximo passo será aprimorar e finalizar a proposta. Tradução: Mei Zhen Li Fonte: Yicai Global
6 de março de 2024
Por ocasião das Duas Sessões da China, o Relatório de Trabalho do Governo de 2024 propôs fortalecer a estabilidade intrínseca do mercado de capitais. O presidente da Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China, Wu Qing, falou sobre o “fortalecimento da estabilidade intrínseca do mercado de capitais” da China. Ele afirmou que, do ponto de vista do regulador, é necessário fazer um bom trabalho na construção do mecanismo de estabilidade intrínseca do mercado de capitais e na melhoria da resiliência do mercado. A Comissão Reguladora de Valores Mobiliários destacará a abordagem chamada de “duas fortes e duas rigorosas”, ou seja, fortalecer as bases e a supervisão rigorosa. Especialistas e profissionais de mercado acreditam que, com uma direção clara da regulamentação, o mercado de capitais na próxima fase seguirá a direção de mercado e legalização, adotará várias medidas para melhorar a qualidade das empresas listadas e fortalecer a construção dos “cinco pilares”, o que fornecerá suporte para fortalecer a estabilidade intrínseca do mercado de capitais. Especialistas do setor acreditam que a proposta no Relatório de Trabalho do Governo de “fortalecer a estabilidade intrínseca do mercado de capitais” reflete a importância de manter a estabilidade do mercado de capitais para a economia e a sociedade, o que também significa que o mercado de capitais deve ser considerado como uma parte importante da consideração geral das políticas macroeconômicas. Wu Qing afirmou que há muitos fatores que afetam o funcionamento do mercado de capitais, e o mecanismo é bastante complexo. Do ponto de vista do regulador, é necessário aprofundar a pesquisa e fazer um bom trabalho na construção do mecanismo de estabilidade intrínseca do mercado de capitais. Wu Qing também enfatizou que o funcionamento do mercado tem suas próprias leis e, em condições normais, não deve receber interferência. No entanto, uma vez que o mercado se desvincule gravemente dos fundamentos, apresentando oscilações irracionais e extremas, esgotamento da liquidez, pânico de mercado, e séria falta de confiança, é necessário intervir de forma decisiva para corrigir a falha do mercado. Na opinião do representante da Assembleia Popular Nacional e vice-diretor da Escola de Finanças da Universidade Tsinghua, Tian Xuan, melhorar a atratividade das empresas listadas é fundamental para fortalecer a estabilidade intrínseca do mercado de capitais. A qualidade das empresas listadas é o aspecto mais importante do mercado de capitais. Somente com um grupo de empresas listadas de alta qualidade, a base de avaliação das empresas pode ser sólida, o desempenho do mercado de capitais pode ser estável, o retorno para os investidores pode ser maior e o apetite dos investidores pode ser mais forte. Segundo informações obtidas pela imprensa, órgãos relevantes visitaram mais de 130 empresas listadas recentemente, e parte dos problemas coletados durante as visitas foram resolvidos no local pelos governos locais, enquanto os demais estão sendo ativamente estudados para serem resolvidos. Um novo ciclo de visitas será realizado em breve para entender melhor os problemas e dificuldades das empresas listadas e promover o desenvolvimento de alta qualidade das empresas listadas. Wu Qing afirmou que as empresas listadas devem ter uma boa governança, retornos estáveis ou perspectivas de crescimento, e os acionistas majoritários e a administração devem fortalecer a consciência de que as empresas listadas pertencem ao público, concentrando-se em aumentar o valor do investimento. Fonte: news.cnstock.com Imagem principal: Fei Maohua/ Xinhua
6 de março de 2023
A comunidade global voltou mais uma vez seus olhos para a China, para acompanhar os principais temas que deverão ser discutidos nos próximos dias nas Duas Sessões (Two Sessions). O termo refere-se às sessões plenárias anuais do Congresso Nacional do Povo ou dos congressos locais e dos comitês nacionais ou locais da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. A versão deste ano é de especial relevância, pois 2023 marca o primeiro ano para a China implementar plenamente os princípios orientadores do 20º Congresso Nacional do Partido Comunista da China (PCC). Mais importante ainda, como a China terá um bom começo e oferecerá ao mundo novas oportunidades através de seu próprio desenvolvimento tem captado a atenção global. Impulsionando a recuperação global A China é, sem dúvida, a única grande economia que se prevê um crescimento econômico mais rápido este ano, disse Yi David Wang, economista-chefe da China no Credit Suisse Group AG, à Xinhua. Durante o feriado prolongado do Festival da Primavera, a China testemunhou um mercado interno em expansão e a expansão do consumo em vários setores. Instituições internacionais como o Fundo Monetário Internacional elevaram as expectativas de crescimento da China, e as empresas multinacionais aumentaram os investimentos na China. Uma recuperação acelerada da economia chinesa enviou um sinal positivo para o mundo e dá mais razões para os observadores estarem confiantes em uma perspectiva econômica mais forte. Depois que a China otimizou sua resposta à COVID , os movimentos transfronteiriços de pessoal e materiais estão voltando ao normal, o que melhora significativamente as expectativas globais para a estabilidade das cadeias industriais e de fornecimento da China, disse Ding Ke, pesquisador sênior do Institute of Developing Economies of the Japan External Trade Organization, em uma entrevista escrita à Xinhua. O rápido crescimento da economia digital, novas energias e outras indústrias emergentes também trarão maior dinamismo para o desenvolvimento econômico da China, acrescentou ele. Um começo tão bom, decorrente dos fundamentos que sustentam o crescimento econômico estável da China, lança luz sobre a resiliência econômica, o potencial e a vitalidade do país. Dado o fato de que a China é o segundo maior mercado consumidor do mundo e o maior comerciante de bens, a comunidade internacional espera que a China consolide ainda mais seu retorno econômico e continue a injetar confiança, estabilidade e vitalidade na recuperação econômica global. “A China sem dúvida continuará sendo um importante 'motor' para o crescimento econômico mundial”, disse Liang Guoyong, economista sênior da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento. Concentrando-se nas políticas econômicas esperadas nas “duas sessões”, Liang acredita que o uso racional das ferramentas de política macroeconômica desempenha um papel mais ativo na promoção do crescimento econômico da China. Para outras economias, a expansão da demanda de importação da China significa novas oportunidades comerciais, e o aumento das viagens de turistas chineses ao exterior também dará um impulso à indústria global de serviços, disse ele. Khairy Tourk, professor de economia da Stuart School of Business do Illinois Institute of Technology em Chicago, disse que o mercado de consumo em expansão na China implica “uma tremenda demanda por novos produtos, digamos refrigeradores, os bens duráveis, abrigando esse tipo de coisa”. “Minha expectativa a curto prazo é que o mercado imobiliário rejuvenesça gradualmente e que o investimento estrangeiro direto continue, é um crescimento constante”, acrescentou ele. Novos comércios Este ano marca o 45º aniversário da reforma e abertura da China. Como a China continuará a abrir suas portas significa muito para si e para o mundo em geral, particularmente em um momento em que a globalização econômica está sob séria pressão. A reforma e a abertura fizeram com que a economia chinesa crescesse a taxas elevadas durante décadas, com um salto gigantesco na renda per capita e no padrão de vida, disse Lewis M. Ndichu, pesquisador do Instituto de Políticas da África, sediado em Nairóbi, à Xinhua. O especialista acredita que durante as “duas sessões” deste ano, haverá muita deliberação sobre como continuar a expandir a abertura, elevar a confiança do mercado e desestimular os grandes riscos. Observando que o Ministério do Comércio da China se comprometeu a retomar totalmente as feiras comerciais offline e apoiar as empresas chinesas a se tornarem globais, entre outras políticas, Koh Chin Yee, presidente da Sociedade do Mar do Sul de Cingapura, disse que muitas delegações empresariais dos governos locais chineses se dirigiram recentemente a Cingapura em busca de novas oportunidades de comércio e investimento, atestando o compromisso da China em fortalecer ainda mais a cooperação estrangeira. Desde a realização de feiras internacionais como a China International Import Expo e a Feira de Cantão e o avanço de projetos de livre comércio como o Porto Livre de Hainan, até a adesão a mecanismos multilaterais como a Parceria Econômica Integral Regional. A China está abrindo sua porta mais amplamente, expandindo ainda mais a cooperação internacional e compartilhando seus dividendos de desenvolvimento com o resto do mundo. Nicolas Perinetti, gerente de exportação para a Ásia na vinícola argentina Casarena, observou que as categorias de importação da China têm aumentado paralelamente à expansão de sua abertura econômica. Observando que os produtos do comércio agrícola entre a Argentina e a China se estenderam de grãos a frutas, carne, vinho, entre outros, Perinetti acredita que o comércio de mercadorias com maior valor agregado ajudará a impulsionar o desenvolvimento econômico da Argentina. A maior abertura da China na nova era atraiu grande atenção da comunidade internacional, disse Yuri Tavrovsky, professor da Universidade Russa da Amizade dos Povos. Ele acompanha há muito tempo o desenvolvimento da China e publicou em 2017 o livro One Belt, One Road (Um Cinturão, Uma Rota): Viajando para o Oeste. Ao assinalar este ano também o 10º aniversário da iniciativa One Belt and Road Initiative (BRI), Tavrovsky disse que como a iniciativa promoverá o desenvolvimento comum dos países parceiros é também um tópico interessante ao qual ele tem prestado muita atenção. Durante a última década, a China assinou acordos de cooperação “Belt and Road” com 151 países e 32 organizações internacionais nos princípios de ampla consulta, contribuição conjunta e benefícios compartilhados. Tomemos o Uzbequistão, um dos primeiros países a aderir ao BRI. Colaborou com a China em vários projetos importantes, como o Gasoduto China-Ásia Central e o Túnel Qamchiq na linha ferroviária Angren-Pap. A iniciativa atua como um local crucial para consolidar a cooperação através da infraestrutura que liga terra e mar; simultaneamente, está se tornando uma importante plataforma para o crescimento econômico global, disse Azamat Seitov, um estudioso da Universidade de Economia Mundial e Diplomacia do Uzbequistão, que espera que novas medidas a serem declaradas nas “duas sessões” tragam novas oportunidades para expandir a cooperação entre os dois países. Modernização Desde o 20º Congresso Nacional do PCC, o “caminho chinês para a modernização” tem estimulado discussões em todo o mundo. Muitos acreditam que ele ofereceu outra opção aos países em desenvolvimento para se modernizarem e encararem o pensamento chinês sobre a causa da paz e do desenvolvimento da humanidade. As “duas sessões” tornaram-se uma janela importante para que os observadores tenham uma compreensão mais profunda do caminho chinês para a modernização e acompanhem o desenvolvimento futuro da China. “A proposta do caminho chinês para a modernização é um trabalho pioneiro para o desenvolvimento da sociedade humana”, disse Yersultan Zhanseitov, especialista sênior do Instituto de Economia Mundial e Política do Cazaquistão, que acredita que as novas idéias e práticas oferecem novas escolhas, o que mostra que os países podem explorar independentemente seus próprios caminhos de modernização e alcançar o desenvolvimento de salto de qualidade. Joseph Matthews, professor sênior da Universidade Internacional BELTEI em Phnom Penh, disse que a modernização da China é única no sentido de que se baseia no desenvolvimento inclusivo, na prosperidade comum, em políticas amistosas e centradas nas pessoas e em uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade. Como a segunda maior economia do mundo, o esforço de modernização da China trará mudanças positivas para o mundo e promoverá o multilateralismo e a globalização econômica, disse ele à Xinhua, acrescentando que o desenvolvimento econômico da China nas últimas quatro décadas é uma grande inspiração para outros países em desenvolvimento, como o Camboja. Abdoulaye Ba, secretário geral da Associação da Imprensa Estrangeira no Senegal, disse que muitos países africanos, incluindo o Senegal, são beneficiários da modernização da China, que promove o desenvolvimento de alta qualidade no mundo. “Estou muito preocupado com as duas sessões deste ano. Quero saber como a China irá promover e expandir ainda mais a modernização chinesa, e como promover ainda mais o desenvolvimento de alta qualidade no mundo, incluindo os países africanos”. “Sem a menor dúvida, a China é um caso de sucesso que serve de inspiração para todos os países em desenvolvimento que aspiram se tornar mais desenvolvidos”, disse Luis Antonio Paulino, diretor do Instituto Confúcio da Universidade Estadual de São Paulo. Espera-se que as duas próximas sessões não só ajudem a China a avançar em direção a seus objetivos, mas também contribuam para manter uma ordem global justa e equitativa para trazer paz e desenvolvimento para o resto do mundo, disse ele. Fonte: STCN
4 de março de 2022
Nas Duas Sessões desta sexta-feira (4), o evento político anual mais importante da China, o projetista-chefe da Corporação de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China (CASC, sigla em inglês), Jiang Jie, disse o mercado espacial comercial do país está crescendo cada vez mais, e que a nova geração de foguetes da China permitirá que o país realize missões tripuladas à Lua até 2030. Além disso, a corporação informou que precisa de 8 a 10 anos para avançar nos estudos tecnológicos relevantes aos foguetes reutilizáveis. Jiang afirmou que o desenvolvimento de uma nova geração de foguetes de lançamento tripulados está atualmente na fase de superar os desafios em tecnologia e aprofundamento no programa de demonstração. O desenvolvimento do novo foguete irá romper 13 principais desafios tecnológicos. Ela acredita que o desenvolvimento de um sistema de transporte espacial reutilizado irá realizar um grande avanço no transporte espacial da China de uso único para reuso, ter vantagens significativas para resolver a segurança da zona de desembarque, reduzir os custos de lançamento e promover o desenvolvimento tecnológico. No que diz respeito ao veículo de lançamento superpesado, ela afirmou que se trata de um veículo de lançamento que pode aumentar a capacidade de órbita de tonelagem, a órbita de transferência de 50t de capacidade, usado para uma missão espacial e segurança na exploração espacial da china. Tradução: Mei Zhen Li Fonte: IThome