A China passou a tratar a inteligência artificial (IA) como base de uma nova etapa de desenvolvimento econômico. O relatório de trabalho do governo apresentado nas “duas sessões” de 2026 propõe, pela primeira vez, o desenvolvimento de uma “economia inteligente”, conceito que orienta a aplicação da tecnologia em larga escala na indústria, nos serviços e na infraestrutura digital do país.
O documento também prevê ampliar a aplicação comercial da IA em setores estratégicos, fortalecer a infraestrutura de computação e incentivar novos modelos de negócios baseados na tecnologia. Além disso, o governo pretende aprimorar a governança da IA e ampliar a cooperação internacional no setor.
IA passa a integrar a estrutura da economia
A nova formulação amplia a estratégia lançada em 2024 com a iniciativa “IA Plus”, voltada à aplicação da tecnologia em diferentes setores. Agora, o relatório posiciona a inteligência artificial como elemento estrutural da economia.
Segundo Zhou Li’an, membro do 14º Comitê Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês e professor da Escola de Administração Guanghua da Universidade de Pequim, o conceito indica uma mudança no papel da tecnologia.
“A ideia de economia inteligente sugere que a IA se torna um elemento fundamental do sistema econômico, influenciando a alocação de recursos, a organização das indústrias e a prestação de serviços”, afirmou.
Para implementar essa estratégia, o governo propõe acelerar a adoção de terminais inteligentes e agentes de IA, ampliar o uso da tecnologia em setores-chave e fortalecer ecossistemas de código aberto, serviços de nuvem pública e a coordenação nacional da capacidade de computação.
Aplicação industrial e infraestrutura
A estratégia também prioriza a aplicação da IA na economia real, especialmente na indústria. O relatório destaca a necessidade de ampliar a comercialização da tecnologia e acelerar sua implantação em larga escala.
Qian Gang, presidente do conselho do CITIC Pacific Special Steel Group, afirmou que a empresa desenvolveu mais de 100 modelos de IA para apoiar a manufatura inteligente. Segundo ele, a tecnologia ajudou a transformar uma das fábricas da companhia em uma “fábrica farol”, centro industrial que utiliza tecnologias avançadas em grande escala.
A expansão da inteligência artificial também depende de infraestrutura computacional. Por isso, o relatório prioriza a construção de clusters de computação inteligente e a coordenação entre sistemas de energia e centros de dados.
Ma Kui, gerente-geral da filial da China Mobile na província de Sichuan, afirmou que regiões do sudoeste do país podem assumir papel relevante nesse processo, dentro da estratégia nacional conhecida como “Dados do Leste, Computação do Oeste”.
Governança e cooperação internacional
O relatório também destaca o fortalecimento da governança da IA, com foco em segurança de dados, proteção da privacidade e supervisão de algoritmos. O esboço do 15º Plano Quinquenal (2026–2030) inclui avanços em sistemas multimodais, agentes de IA e inteligência coletiva.
Segundo o ministro da Indústria e Tecnologia da Informação da China, Li Lecheng, a indústria central de inteligência artificial do país superou 1,2 trilhão de yuans (cerca de US$174 bilhões) em 2025 e reúne mais de 6.200 empresas.
De acordo com o ministro, a tecnologia deve “servir às pessoas, beneficiar as pessoas e permanecer sob controle humano”, com potencial para atuar como um bem público global.
Fonte: gmw.cn


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