9 de setembro de 2026
O mercado de brinquedos da China está mudando de perfil. Além dos produtos infantis tradicionais, ganham espaço itens colecionáveis, produtos ligados a hobbies e compras motivadas por identificação emocional, principalmente entre jovens e adultos. A mudança também favorece personagens e franquias desenvolvidos no próprio país. Em vez de depender apenas de marcas internacionais, empresas chinesas começam a investir em propriedades intelectuais próprias e em lojas pensadas como espaços de entretenimento. A Miniso é um dos exemplos dessa estratégia. No primeiro semestre de 2026, a empresa registrou receita de 11,5 bilhões de yuans, cerca de US$1,7 bilhão, alta de 22,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Na China continental, a receita cresceu 26,2%, enquanto o número de lojas aumentou 8%, indicando crescimento das vendas também nas unidades já existentes. Parte desse desempenho está ligada aos formatos maiores de loja e aos produtos baseados em personagens. Na nova unidade Miniso Land inaugurada em Chengdu, mais de 80% dos cerca de 5 mil produtos estão associados a propriedades intelectuais. A empresa também tenta reduzir a dependência de personagens licenciados de grupos como Disney, Sanrio e Marvel. No primeiro semestre, as despesas com licenciamento cresceram 48%, para 356 milhões de yuans. Um dos principais testes dessa nova estratégia é Yoyo, personagem criado pela própria Miniso. Lançado há cerca de um ano, ele gerou quase 500 milhões de yuans em vendas no primeiro semestre e já foi levado a 53 países e regiões. A companhia também criou outros personagens próprios e pretende usar sua rede de mais de 8,6 mil lojas para apresentá-los diretamente aos consumidores. A estratégia difere da adotada por empresas como a Pop Mart, que construiu comunidades de colecionadores em torno de personagens como Labubu antes de ampliar sua presença no varejo. A Miniso aposta no caminho inverso: primeiro utiliza sua rede de lojas para alcançar consumidores e, depois, tenta transformar essas compras em comunidades de fãs. Fonte: China Daily
30 de julho de 2025
Nos últimos anos, personagens com aparência “feio-fofa” ganharam espaço entre os jovens chineses. O caso mais recente é o do IP LABUBU , que viralizou nas redes e passou a ser comparado a personagens como o Banguela, de Como Treinar o Seu Dragão, Nezha e Stitch . Apesar das diferenças, todos compartilham traços que rompem com o ideal tradicional de beleza. Esse padrão visual exagera imperfeições, olhos assimétricos, dentes pontiagudos, formas desproporcionais, mas atrai por oferecer uma alternativa à estética dominante. Para parte da juventude, essa é uma forma de se afastar da simetria artificial e dos filtros que dominam o ambiente digital. Reação à saturação estética Em junho de 2025, um boneco LABUBU na cor menta, originalmente vendido por algumas centenas de yuans, foi leiloado por 1,08 milhão de RMB, aproximadamente US$148 mil. O episódio levou o público a apelidar o item de “Moutai dos jovens”. Outros sinais desse movimento também se espalharam: o “Concurso das Cofrefeices” (sigla para “feios que merecem ser amados”) viralizou, e um grupo no Douban, plataforma social voltada a cultura, crítica e comunidades, reuniu quase 250 mil pessoas que compartilhavam a ideia de que a feiura também deve ser acolhida. [caption id="attachment_24930" align="alignnone" width="1575"] Fonte da imagem: Li Ying/ Xinhua[/caption] As redes sociais chinesas têm exibido sinais claros de fadiga visual. A repetição de rostos editados e padrões idealizados vem gerando rejeição. Comentários populares no Douban criticam a homogeneidade: “É sempre o mesmo padrão repetido, é entediante demais”. Nesse contexto, personagens “feio-fofos” aparecem como contraponto. Traços considerados desagradáveis ou estranhos ganham afeto justamente por expressarem autenticidade. O “feio” passa a ser visto como linguagem de verdade, diferença e liberdade visual e simboliza vulnerabilidade como forma de romper com a idealização da imagem. Cores vibrantes como linguagem emocional Além dos traços visuais, os “feio-fofos” se destacam por cores vibrantes e contrastantes. Verde-fluorescente, rosa, azul intenso e amarelo dominam embalagens, roupas e objetos decorativos. Essa paleta atua como estratégia visual de alívio, oferece estímulo sensorial e reforça uma espécie de “autoajuda visual” diante do cotidiano cinza das grandes cidades. O uso consciente dessas cores se espalhou também para vídeos, ambientes e marcas voltadas ao público jovem. Em vez de prometer soluções, essas escolhas visuais oferecem um respiro simbólico. Fonte: news.china
11 de junho de 2025
Multidões fazem filas que duram horas para comprar o boneco Labubu, que custa US$30 e pode chegar a valer US$7 mil no mercado secundário. Criado em 2015 pelo artista Kasing Lung, o brinquedo se tornou o mais procurado de 2025 e movimenta milhões de dólares em plataformas de revenda como eBay e StockX. No Reino Unido, o fabricante retirou temporariamente os produtos das lojas após confrontos entre clientes. Ao mesmo tempo, autoridades chinesas intensificam a fiscalização para coibir o contrabando. A popularidade do Labubu também despertou interesse fora do mercado de colecionáveis. Na China, autoridades proibiram um banco local de oferecer bonecos da marca como incentivo para captação de depósitos, em meio à queda nas margens de juros e à intensificação da competição entre instituições financeiras. A medida foi direcionada a uma promoção do Ping An Bank, que oferecia as figuras em troca de depósitos de 50.000 yuans por três meses, promoção considerada inadequada pelas autoridades financeiras. De vídeos no TikTok a leilões milionários A Pop Mart , empresa chinesa de brinquedos responsável pela distribuição, usa a estratégia das "caixas surpresa" para criar engajamento entre consumidores. Usuários do TikTok publicam vídeos mostrando a abertura das caixas, aumentando a expectativa sobre qual personagem vão encontrar. O “Labubu secreto” é o prêmio mais raro, com chance de uma em 72 caixas, o que transforma a compra em uma aposta de alto risco e potencial alto retorno. No eBay, transações de edições limitadas ultrapassam US$ 7 mil. No StockX, plataforma especializada em leilões de produtos exclusivos, a colaboração entre Labubu e a marca Vans atinge preços superiores a US$3 mil por unidade. Origem nórdica e sucesso na Ásia Kasing Lung criou Labubu como parte da série “The Monsters”, inspirando-se na mitologia nórdica, o que contraria a percepção de que o personagem representa apenas a cultura chinesa. Pop Mart adquiriu os direitos do boneco e desenvolveu a estratégia comercial que o tornou um fenômeno global. A empresa chinesa foca em brinquedos colecionáveis e ampliou sua atuação para mercados internacionais com essa fórmula. As ações da Pop Mart alcançaram HK$ 244,80 em 6 de junho, acumulando valorização de 544,32% em 12 meses. O modelo de negócios explora a incerteza do consumidor. Os compradores não sabem qual personagem receberão, gerando comportamento semelhante ao de jogos de azar. Segundo pesquisa do China Youth Daily, em parceria com a Mídia Estudantil Nacional, o principal atrativo das caixas-surpresa é a emoção ao abri-las, apontada por 69,78% dos participantes. Revendedores profissionais compram centenas de caixas para encontrar versões raras e vendem esses itens por até 350 vezes o preço original. Impacto no mercado de colecionáveis O sucesso do Labubu mostra como produtos de nicho podem gerar economias paralelas significativas. Investidores tratam esses bonecos como ativos financeiros, acompanhando a variação de preços e as tendências do mercado. O fenômeno incentiva outras empresas a adotarem estratégias similares, expandindo o setor de brinquedos colecionáveis. Especialistas apontam que esse movimento pode transformar a indústria de entretenimento infantil.