O setor de inteligência artificial (IA) da China deve crescer mais de 30% em 2026, segundo estimativa da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China (NDRC). A projeção foi apresentada nesta terça-feira durante uma coletiva de imprensa de preparação para a Conferência Mundial de Inteligência Artificial (WAIC) 2026. Na ocasião, o governo também informou que a indústria de IA ultrapassou RMB 1 trilhão em valor econômico em 2025.
Segundo a NDRC, a expansão é impulsionada pelo avanço da adoção da inteligência artificial em diferentes setores da economia e pelo aumento da demanda por produtos e serviços baseados na tecnologia.
Atualmente, a taxa média de adoção de inteligência artificial nos principais setores econômicos da China supera 80%. Em 2025, as vendas de smartphones e computadores com recursos de IA ultrapassaram 100 milhões de unidades. A expectativa é que, em 2026, esses dispositivos superem, pela primeira vez, as vendas de equipamentos convencionais.
Outro indicador apresentado pela comissão mostra que agentes inteligentes voltados à produtividade e ao ambiente corporativo registram mais de 20 milhões de acessos mensais no país. Além disso, o volume diário de processamento alcança centenas de trilhões de tokens.
A NDRC também informou que já implantou mais de 30 bases nacionais para testes e validação de aplicações de inteligência artificial. Empresas estatais e grandes grupos públicos, por sua vez, abriram mais de mil cenários para adoção da tecnologia em diferentes áreas da economia.
Durante a coletiva, o vice-diretor do Departamento de Inovação e Desenvolvimento de Alta Tecnologia da NDRC, Wang Ruomeng, anunciou que o governo apresentará dois documentos durante a WAIC 2026, marcada para 17 a 19 de julho, em Xangai.
O primeiro é a coletânea “China Inteligente, Benefícios para o Mundo”, que reúne casos de aplicação de inteligência artificial em mais de 20 países da Ásia, África e América Latina, incluindo iniciativas nas áreas de agricultura, indústria, energia e pesquisa científica.
O segundo é o Plano de Ação para o Desenvolvimento Cooperativo da Inteligência Artificial, que reúne oito frentes de atuação. Entre elas estão a ampliação do acesso à capacidade computacional, o compartilhamento de ecossistemas de código aberto, o incentivo às aplicações industriais da inteligência artificial e a cooperação internacional em governança e segurança. O objetivo é ampliar a colaboração entre países em inovação tecnológica, regulamentação e desenvolvimento de projetos conjuntos.
China prepara nova fase para o desenvolvimento da inteligência artificial
Segundo Wang Ruomeng, o 15º Plano Quinquenal (2026–2030) terá como prioridade fortalecer o desenvolvimento de tecnologias consideradas estratégicas para a inteligência artificial. Os investimentos devem se concentrar em modelos fundamentais, infraestrutura computacional, bases de dados e pesquisa básica.
O governo também pretende ampliar a aplicação da IA em setores de maior impacto econômico, incentivar a criação de novas profissões ligadas à tecnologia e ampliar o uso da inteligência artificial em atividades perigosas, repetitivas ou de maior esforço físico.
No cenário internacional, a China pretende ampliar o compartilhamento de tecnologias, apoiar o desenvolvimento da inteligência artificial em países do Sul Global e participar da construção de mecanismos internacionais de governança para o setor.
Além disso, o país informou que acelera os estudos para criar uma legislação específica sobre inteligência artificial. A proposta busca estabelecer regras para reduzir riscos relacionados ao uso de dados, deepfakes, vazamentos de privacidade e outras aplicações da tecnologia, mantendo o desenvolvimento da IA sob supervisão humana.
Fonte: southcn.com

