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Crédito mais barato na China abre alternativa de financiamento para cadeia de suprimentos no Brasil

Crédito mais barato
Imagem: CECPS/ Divulgação

Empresas envolvidas em operações comerciais entre Brasil e China podem encontrar no mercado financeiro chinês uma alternativa ao alto custo do crédito brasileiro. Uma proposta apresentada pelo Centro de Serviços Econômicos entre a China e os Países de Língua Portuguesa (CECPS) prevê estruturas de financiamento transfronteiriço capazes de utilizar recursos captados na China para financiar determinadas operações de cadeias de suprimentos no Brasil.

A diferença entre os dois mercados é significativa. Na China, o custo de referência para empréstimos de capital de giro e financiamento comercial de um ano em RMB varia entre 2% e 4%. No Brasil, o custo do financiamento local é estimado em cerca de 17% ou mais, diante do patamar elevado da Selic e do CDI.

“Como nós temos do lado da China uma taxa de juros mais interessante, o que nós estamos tentando é trazer dinheiro da China para empresas brasileiras”, afirmou Tian Bin, CEO do IEST Group e diretor do Departamento de Serviços Econômicos e Comerciais do CECPS.

Segundo Tian, a oportunidade está principalmente em operações de maior valor, como a importação de equipamentos e o financiamento de projetos, nas quais a diferença entre os custos de crédito dos dois países têm maior impacto sobre a operação.

A proposta é utilizar essa diferença para estruturar operações de financiamento transfronteiriço, aproveitando recursos de menor custo disponíveis na China para financiar determinadas atividades no Brasil.

Subsidiárias brasileiras podem ganhar mais prazo para pagar fornecedores

Uma das estruturas em estágio mais avançado é voltada a grupos chineses que já possuem subsidiárias no Brasil, especialmente em setores como autopeças, equipamentos de energia renovável e máquinas industriais.

Nessas empresas, a operação brasileira pode comprar mercadorias ou equipamentos da matriz chinesa ou de outros fornecedores do próprio grupo. Nesse tipo de operação, o financiamento transfronteiriço pode aumentar o prazo disponível para a empresa brasileira pagar seus fornecedores.

O modelo apresentado pelo CECPS prevê a possibilidade de ampliar um ciclo financeiro de cerca de três meses para até 12 meses. O fornecedor chinês recebe antecipadamente, enquanto a subsidiária brasileira ganha prazo para realizar o pagamento.

Também existem alternativas que utilizam depósitos ou ativos no Brasil como garantia ou colocam a própria matriz chinesa como tomadora do financiamento.

Taxa chinesa não é o custo final da operação

A diferença entre os juros nos dois países é o principal atrativo dessas estruturas, mas os 2% a 4% praticados como referência no mercado chinês não representam necessariamente o custo final para uma operação no Brasil.

Dependendo da estrutura adotada, o financiamento pode exigir seguros, garantias, cartas de crédito e outros instrumentos. Cartas de crédito a prazo e garantias de pagamento, por exemplo, podem acrescentar aproximadamente 1% a 3% ao ano ao custo total.

A existência de uma garantia também não substitui a análise de crédito. O banco precisa aprovar o tomador antes de liberar os recursos.

As condições variam ainda conforme a instituição financeira. Grandes bancos estatais chineses tendem a adotar critérios mais elevados para crédito no exterior, enquanto outros bancos possuem maior flexibilidade para estruturar operações transfronteiriças. Instituições de Hong Kong e Macau também podem conceder crédito diretamente a empresas estrangeiras, e algumas já discutem soluções envolvendo o Brasil.