Empreendedorismo

Com investimentos recordes, China supera Estados Unidos em pesquisa e desenvolvimento

investimentos recordes
Imagem: Ren Long/ Xinhua

A China superou os Estados Unidos em investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) em 2024, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgados em março de 2026. Os gastos chineses chegaram a aproximadamente US$ 1,03 trilhão, considerando a paridade do poder de compra, método que ajusta os valores às diferenças de preços entre os países.

O resultado faz parte de uma transformação de longo prazo na ciência chinesa. Nas últimas três décadas, o investimento do país em pesquisa e desenvolvimento aumentou cerca de 100 vezes. Uma análise publicada recentemente pela revista científica britânica Nature aponta que essa expansão ajudou a consolidar a China como uma das principais potências científicas e tecnológicas do mundo.

Um dos exemplos mais recentes está na inteligência artificial. No início de 2025, a empresa chinesa DeepSeek lançou um modelo de linguagem com desempenho comparável ao de ferramentas desenvolvidas por empresas líderes dos Estados Unidos, mas com custo menor. Segundo a Nature, o episódio também demonstra a crescente participação de empresas privadas no desenvolvimento tecnológico chinês.

A exploração espacial é outra área de destaque. Em 2019, a China tornou-se o primeiro país a realizar um pouso controlado no lado oculto da Lua. Três anos depois, concluiu a construção da estação espacial Tiangong. Entre os próximos objetivos anunciados estão o envio de astronautas à Lua antes de 2030 e uma missão de coleta de amostras de Marte, prevista para 2028, com retorno do material à Terra três anos depois.

Além das aplicações tecnológicas, o país também busca fortalecer a pesquisa básica, voltada à produção de conhecimento científico sem necessidade de aplicação comercial imediata. Em 2018, o governo chinês estabeleceu a meta de ampliar sua influência nessa área até 2035 e transformar o país em um dos principais centros científicos mundiais até meados deste século.

A expansão também aparece nas redes internacionais de pesquisa. Uma análise realizada em 2025, com quase seis milhões de artigos científicos, identificou um crescimento na participação de pesquisadores chineses na liderança de projetos de colaboração internacional. Segundo Caroline Wagner, especialista em políticas científicas da Universidade Estadual de Ohio, a China deixou de ocupar uma posição periférica nessas redes e passou a atuar como um importante centro de conexão entre pesquisadores.

O fortalecimento da ciência chinesa também inclui medidas de apoio a novos talentos. A Fundação Nacional de Ciências Naturais da China anunciou que financiará mais 12 mil projetos de pesquisa a partir de 2026, com foco na ampliação das oportunidades para jovens cientistas.

Para especialistas ouvidos pela Nature, a continuidade dos investimentos e do planejamento de longo prazo é um dos fatores que explicam essa transformação. A professora Zhang Lin, da Universidade de Wuhan, destaca o apoio sustentado a áreas estratégicas, como as comunicações quânticas. Já Hao Bin, da Universidade Xi’an Jiaotong-Liverpool, avalia que a competitividade chinesa passou a depender cada vez mais de suas capacidades tecnológicas e do desenvolvimento de tecnologias próprias.

Fonte: stdaily.com