A China tem uma região vinícola que já acumula mais de 1.800 vinhos premiados internacionalmente. Localizada no noroeste do país, Ningxia reúne 130 vinícolas e comercializa seus produtos em mais de 40 países e regiões. O reconhecimento da produção local também tem despertado o interesse de especialistas e representantes de países tradicionalmente ligados ao setor, como Brasil e Uruguai.
A região concentra sua produção principalmente no sopé oriental das montanhas Helan, onde a área destinada ao cultivo de uvas para vinho ultrapassava 40 mil hectares até o final de 2025. Reconhecida pelas condições favoráveis ao cultivo, Ningxia foi incluída em 2013 no World Atlas of Wine, publicação de referência sobre regiões produtoras de vinho.
O desenvolvimento da produção chinesa foi um dos destaques do 47º Congresso Mundial da Vinha e do Vinho, realizado na semana passada em Yinchuan, capital de Ningxia. Foi a primeira vez que o evento, criado em 1924, aconteceu na Ásia. O encontro reuniu representantes do setor para discutir inovação, pesquisa e oportunidades de cooperação internacional.
Entre os países interessados em estreitar relações com Ningxia está o Uruguai, que já realizou intercâmbios de delegações com a região chinesa. As iniciativas exploraram possibilidades de cooperação no melhoramento de variedades de uva, nas técnicas de produção de vinho e no desenvolvimento do turismo ligado ao setor. Os vinhos uruguaios também vêm conquistando espaço no mercado chinês.
O Brasil também esteve representado no congresso pela especialista em vinhos e professora da Universidade de Brasília (UnB) Tainá Bacellar Zaneti. Após visitar vinícolas de Ningxia, ela destacou a qualidade dos produtos chineses e avaliou que os avanços tecnológicos do país podem contribuir para melhorar a produção mundial de vinhos e abrir novas oportunidades de cooperação.
O congresso aconteceu em paralelo à Assembleia Geral da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), entidade científica e técnica cujos membros respondem por 90% da produção mundial de vinho e 85% da área de vinhedos. A China ingressou na organização em 2025, tornando-se seu 51º Estado-membro, ao lado de países como Brasil, Argentina, Chile e Uruguai.
Durante o encontro, a região de Ningxia apresentou uma iniciativa de cooperação com outras regiões produtoras do mundo. A proposta prevê o incentivo a práticas sustentáveis de cultivo, à inovação tecnológica, ao aprimoramento dos padrões de produção e ao fortalecimento dos mercados.
Para a presidente da OIV, Yvette van der Merwe, um dos principais destaques da produção chinesa é o surgimento de vinhos de qualidade que expressam as características de suas regiões de origem. Segundo ela, a experiência de Ningxia pode contribuir para o intercâmbio de conhecimentos e para o desenvolvimento do setor vitivinícola internacional.
Fonte: Xinhua

