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China bate recorde de graduados, mas trabalho sem contrato fixo pode alcançar quase metade da força de trabalho

China Trabalho sem contrato fixo
Imagem: Ji Chunpeng/ Xinhua

O número de trabalhadores em regime flexível, sem contrato fixo de longo prazo, poderá chegar a 320 milhões na China em 2026, segundo estimativa do Centro de Pesquisa sobre Novas Formas de Emprego da China. O volume representa cerca de 44% da força de trabalho do país e se aproxima da população dos Estados Unidos. A popularização da chamada gig economy (economia de bicos) ocorre em meio à entrada de um número recorde de novos graduados no mercado de trabalho e à disputa das empresas por profissionais especializados.

Instituições de ensino projetam a formação de 12,7 milhões de estudantes em 2026, o maior número já registrado no país. O aumento da oferta de mão de obra, porém, não reduziu a dificuldade de contratação em setores ligados à inteligência artificial (IA), semicondutores e desenvolvimento de software. Enquanto cresce a concorrência por vagas em áreas tradicionais, empresas disputam especialistas com habilidades técnicas específicas.

Recorde de graduados não resolve falta de talentos específicos

A China forma cerca de 5 milhões de graduados por ano em áreas STEM ( ciência, tecnologia, engenharia e matemática), o maior volume do mundo, segundo a revista The Diplomat. Ainda assim, empresas relatam dificuldade para preencher vagas em setores de alta tecnologia e na indústria avançada. Muitos jovens preferem disputar empregos de escritório, considerados mais prestigiados, enquanto fábricas e empresas voltadas à automação enfrentam falta de profissionais qualificados.

A procura por especialistas aumentou com a expansão da inteligência artificial. Grandes empresas de tecnologia ampliaram programas de recrutamento para engenheiros, pesquisadores e cientistas de dados responsáveis pelo desenvolvimento de modelos de IA. Em muitos casos, estudantes recebem propostas de emprego antes mesmo da conclusão da graduação.

Trabalho flexível cresce além dos aplicativos

A gig economy já não reúne apenas entregadores e motoristas de aplicativos. O modelo passou a atrair consultores, desenvolvedores, designers, especialistas em dados e outros profissionais ligados à economia digital. A busca por maior flexibilidade e a dificuldade de ingressar no mercado formal levaram parte desses trabalhadores a optar por contratos temporários, projetos independentes e prestação de serviços.

Embora a gig economy ajude a criar alternativas de renda para milhões de pessoas, trabalhadores desse segmento costumam ter menos acesso a benefícios vinculados ao emprego formal, como previdência e garantias trabalhistas. O crescimento desse formato levou autoridades chinesas a discutir formas de ampliar a proteção social para essa parcela da população.

Para os jovens graduados, porém, a gig economy representa uma alternativa em um mercado mais seletivo. O aumento do número de formandos não significa, necessariamente, mais oportunidades nas áreas desejadas, já que a formação universitária nem sempre corresponde às habilidades procuradas pelas empresas. A diferença entre qualificação acadêmica e demanda profissional se tornou um dos principais desafios do emprego na China.