
15 de julho de 2026
Daiane Mendes
A China é o maior investidor mundial em infraestrutura e concentra algumas das maiores obras de engenharia do planeta. Em 2025 o país destinou 800 bilhões de yuans (cerca de US$112 bilhões) ao programa conhecido como "Two Major", voltado para obras de infraestrutura e segurança estratégica. Já no início do 15º Plano Quinquenal (2026–2030), o governo aprovou outros 295 bilhões de yuans (cerca de US$ 42 bilhões) para uma primeira etapa com 954 projetos, dos quais 281 estão ligados à infraestrutura, incluindo transporte, redes subterrâneas e obras de segurança hídrica. Coordenados pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC), os projetos fazem parte da estratégia chinesa de ampliar a capacidade do país em setores considerados estratégicos. A seguir, confira 10 megaprojetos que refletem os novos investimentos e desafios da infraestrutura da China. 1. Estação de Chongqing East [caption id="attachment_29489" align="alignnone" width="900"] Imagem: Wang Quanchao/ Xinhua[/caption] Inaugurada em junho de 2025, a Estação Ferroviária Leste de Chongqing é um dos maiores centros de transporte da China. O complexo ocupa cerca de 1,23 milhão de metros quadrados, enquanto o edifício principal possui quatro andares e aproximadamente 120 mil metros quadrados de área construída. O terminal conta com 15 plataformas e 29 linhas férreas, integrando trens de alta velocidade, metrô, ônibus e outros meios de transporte. Segundo o governo de Chongqing, os passageiros podem fazer a transferência entre diferentes sistemas ferroviários em até cinco minutos. 2. Usina Termossolar de Amdo Tuosuo [caption id="attachment_29490" align="alignnone" width="900"] Imagem: Jigme Dorje/ Xinhua[/caption] A Usina Termossolar de Amdo Tuo suo, na Região Autônoma de Xizang (Tibete), será a usina solar de torre mais alta do mundo. O projeto concluiu a instalação de 15.927 espelhos refletores móveis que direcionam a luz do sol para uma torre central. O calor gerado aquece sais fundidos, permitindo armazenar energia e produzir eletricidade mesmo após o pôr do sol. Com capacidade de 100 megawatts, a usina deve gerar cerca de 255 milhões de kWh por ano. 3. Canal de Pinglu [caption id="attachment_29491" align="alignnone" width="900"] Imagem: Xinhua[/caption] Com 134,2 quilômetros de extensão, o Canal de Pinglu será a primeira grande hidrovia construída pela China desde a fundação da República Popular, em 1949. A obra liga Nanning, capital da Região Autônoma de Guangxi, ao Golfo de Beibu, criando uma nova rota de transporte entre o interior do país e o litoral. O canal foi projetado para reduzir a distância percorrida por embarcações de carga, diminuir os custos logísticos e facilitar o escoamento da produção do oeste chinês para os mercados internacionais. A expectativa é que a nova ligação fortaleça o comércio com os países do Sudeste Asiático e amplie a integração da região à Iniciativa do Cinturão e Rota. A obra entrou na fase final de construção e deve iniciar as operações de teste em setembro. 4. Usina Hidrelétrica de Shuangjiangkou [caption id="attachment_29492" align="alignnone" width="900"] Imagem: Xinhua[/caption] Em construção na província de Sichuan, a Usina Hidrelétrica de Shuangjiangkou terá a barragem mais alta do mundo, com 315 metros de altura. O reservatório terá capacidade para armazenar cerca de 2,9 bilhões de metros cúbicos de água, o que permitirá regular o fluxo dos rios, aumentar a geração de energia nas usinas e aumentar a capacidade de controle de enchentes na bacia hidrográfica. O projeto foi aprovado em 2015 e, após 11 anos de obras, concluiu a segunda etapa do enchimento do reservatório e colocou em operação sua primeira unidade geradora em junho deste ano. Quando estiver totalmente em funcionamento, a usina deverá economizar cerca de 17 milhões de toneladas de carvão padrão por ano e reduzir as emissões de 46 milhões de toneladas de dióxido de carbono, segundo autoridades chinesas. 5. Projeto de Desvio de Água Sul-Norte – Fase Oeste [caption id="attachment_29493" align="alignnone" width="900"] Imagem: Feng Dapeng/ Xinhua[/caption] Considerado o maior sistema de transferência de água do mundo, o Projeto de Desvio de Água Sul-Norte foi criado para levar água das regiões mais úmidas do sul às áreas mais secas do norte da China. Atualmente, as rotas Leste e Central já abastecem cidades como Pequim e Tianjin, enquanto a Fase Oeste ainda está em fase de planejamento e deverá entrar em operação apenas nas próximas décadas. A Fase Oeste prevê a transferência de água da parte superior do rio Yangtzé para a bacia do Rio Amarelo, ampliando a disponibilidade hídrica em regiões do norte e noroeste da China. O projeto faz parte da estratégia chinesa para enfrentar a escassez hídrica em uma região que concentra grande parte da população e da atividade econômica do país, mas dispõe de uma parcela reduzida dos recursos hídricos nacionais. 6. Megacentro de Dados Guizhou–Anshun [caption id="attachment_29494" align="alignnone" width="900"] Imagem: Xinhua[/caption] A China transformou cavernas naturais na província de Guizhou, no sudoeste do país, em centros para armazenamento de dados. A estrutura aproveita as características do ambiente subterrâneo para ajudar no controle de temperatura dos servidores e reduzir o consumo de energia. O projeto faz parte da iniciativa “East Data, West Computing”, que leva parte da capacidade de processamento das regiões costeiras para o interior da China. Guizhou se tornou um dos principais polos de computação do país, com data centers voltados para inteligência artificial, computação em nuvem e armazenamento de grandes volumes de informações. 7. Plataforma eólica flutuante de Lufeng [caption id="attachment_29495" align="alignnone" width="900"] Imagem: Lin Shanchuan/ Xinhua[/caption] A China lançou ao mar a primeira plataforma eólica flutuante do mundo equipada com uma turbina de 16 megawatts e sistema de ancoragem por cabos tensionados. A estrutura, construída em Zhuhai, na província de Guangdong, será instalada na região dos campos petrolíferos de Lufeng, no Mar do Sul da China. Com mais de 307 metros de altura e cerca de 8 mil toneladas, a plataforma deve gerar aproximadamente 54 milhões de kWh por ano. A eletricidade produzida será enviada por cabos submarinos para as instalações de petróleo e gás da região, reduzindo o uso de combustíveis fósseis nas operações marítimas. 8. Ponte Shiziyang [caption id="attachment_29496" align="alignnone" width="900"] Imagem: Deng Hua/ Xinhua[/caption] Em construção na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, a Ponte Shiziyang será a maior ponte suspensa de dois níveis do mundo quando for concluída. Parte do projeto Shiziyang Link, a estrutura terá um vão principal de 2.180 metros e ligará Guangzhou a Dongguan, na província de Guangdong. Com 16 faixas de tráfego em dois níveis e torres principais de 342 metros de altura, a ponte foi projetada para ampliar a conexão entre as cidades da região e melhorar o fluxo de transporte na área do Rio das Pérolas. O projeto deve estabelecer recordes em cinco categorias de pontes suspensas de dois níveis, incluindo comprimento do vão principal, altura das torres e número de faixas. 9. Ferrovia Sichuan-Tibete [caption id="attachment_29497" align="alignnone" width="900"] Imagem: Wang Xi/ Xinhua[/caption] A Ferrovia Sichuan-Tibete é um dos maiores projetos ferroviários em andamento na China. Com cerca de 1.550 quilômetros de extensão, a linha conectará Chengdu, capital da província de Sichuan, a Lhasa, capital da Região Autônoma de Xizang (Tibete), atravessando uma das regiões montanhosas mais desafiadoras do país. A ferrovia exige a construção de uma extensa rede de túneis e pontes para superar o relevo da região. A obra busca ampliar a conexão do Tibete com outras áreas do país, facilitando o transporte de passageiros e cargas. Trechos da linha já estão em operação, enquanto outras partes seguem em construção. 10. Linhas de ultra-alta tensão (UHV) [caption id="attachment_29498" align="alignnone" width="900"] Imagem: Ding Lei[/caption] A China construiu uma das maiores redes de transmissão de ultra-alta tensão (UHV) do mundo para transportar eletricidade por milhares de quilômetros, conectando regiões produtoras de energia a grandes centros consumidores. A tecnologia permite levar eletricidade gerada por fontes eólicas, solares fotovoltaicas e solares térmicas no oeste e norte do país para áreas industriais do leste. Entre os projetos recentes está a linha Hami-Chongqing, que entrou em operação em 2025. Com cerca de 2.260 quilômetros de extensão e capacidade instalada de 14,2 milhões de quilowatts, a estrutura transporta energia produzida em Xinjiang, região com grande potencial solar e eólico, até Chongqing, um dos principais centros urbanos da China. O projeto mostra como a rede de ultra-alta tensão permite conectar áreas produtoras de energia a regiões com maior demanda.

8 de julho de 2026
Daiane Mendes
O número de trabalhadores em regime flexível, sem contrato fixo de longo prazo, poderá chegar a 320 milhões na China em 2026, segundo estimativa do Centro de Pesquisa sobre Novas Formas de Emprego da China. O volume representa cerca de 44% da força de trabalho do país e se aproxima da população dos Estados Unidos. A popularização da chamada gig economy (economia de bicos) ocorre em meio à entrada de um número recorde de novos graduados no mercado de trabalho e à disputa das empresas por profissionais especializados. Instituições de ensino projetam a formação de 12,7 milhões de estudantes em 2026, o maior número já registrado no país. O aumento da oferta de mão de obra, porém, não reduziu a dificuldade de contratação em setores ligados à inteligência artificial (IA), semicondutores e desenvolvimento de software. Enquanto cresce a concorrência por vagas em áreas tradicionais, empresas disputam especialistas com habilidades técnicas específicas. Recorde de graduados não resolve falta de talentos específicos A China forma cerca de 5 milhões de graduados por ano em áreas STEM ( ciência, tecnologia, engenharia e matemática), o maior volume do mundo, segundo a revista The Diplomat. Ainda assim, empresas relatam dificuldade para preencher vagas em setores de alta tecnologia e na indústria avançada. Muitos jovens preferem disputar empregos de escritório, considerados mais prestigiados, enquanto fábricas e empresas voltadas à automação enfrentam falta de profissionais qualificados. A procura por especialistas aumentou com a expansão da inteligência artificial. Grandes empresas de tecnologia ampliaram programas de recrutamento para engenheiros, pesquisadores e cientistas de dados responsáveis pelo desenvolvimento de modelos de IA. Em muitos casos, estudantes recebem propostas de emprego antes mesmo da conclusão da graduação. Trabalho flexível cresce além dos aplicativos A gig economy já não reúne apenas entregadores e motoristas de aplicativos. O modelo passou a atrair consultores, desenvolvedores, designers, especialistas em dados e outros profissionais ligados à economia digital. A busca por maior flexibilidade e a dificuldade de ingressar no mercado formal levaram parte desses trabalhadores a optar por contratos temporários, projetos independentes e prestação de serviços. Embora a gig economy ajude a criar alternativas de renda para milhões de pessoas, trabalhadores desse segmento costumam ter menos acesso a benefícios vinculados ao emprego formal, como previdência e garantias trabalhistas. O crescimento desse formato levou autoridades chinesas a discutir formas de ampliar a proteção social para essa parcela da população. Para os jovens graduados, porém, a gig economy representa uma alternativa em um mercado mais seletivo. O aumento do número de formandos não significa, necessariamente, mais oportunidades nas áreas desejadas, já que a formação universitária nem sempre corresponde às habilidades procuradas pelas empresas. A diferença entre qualificação acadêmica e demanda profissional se tornou um dos principais desafios do emprego na China.

2 de julho de 2026
Daiane Mendes
Shenzhen concentra algumas das maiores empresas de tecnologia da China , tornando-se um dos principais polos de inovação do mundo. O protagonismo da cidade é resultado de uma estratégia iniciada há mais de 45 anos, quando o governo chinês escolheu a então pequena cidade fronteiriça para sediar a primeira Zona Econômica Especial (ZEE) do país, dando início a um experimento econômico que mudaria o rumo da economia chinesa. Até o fim da década de 1970, Shenzhen tinha uma economia baseada principalmente na pesca e em atividades agrícolas. A proximidade com Hong Kong levou o governo chinês a escolher a cidade para testar políticas de abertura econômica voltadas à atração de investimentos estrangeiros e ao desenvolvimento industrial, experiência que marcou o início das reformas econômicas do país. A criação da Zona Econômica Especial permitiu à cidade adotar políticas mais flexíveis para atrair investimentos, ampliar a participação do capital estrangeiro e estimular a instalação de indústrias voltadas à exportação. A industrialização acelerada transformou o perfil da cidade nas décadas seguintes, consolidando Shenzhen como um dos principais centros manufatureiros da China. A partir dos anos 2000, o governo passou a direcionar investimentos para pesquisa e desenvolvimento (P&D), inovação e setores de maior valor agregado, incentivando a transição para uma economia baseada em tecnologia. Além dos investimentos públicos e privados em setores como inteligência artificial, robótica, semicondutores, biotecnologia e energia limpa, Shenzhen integra um dos principais ecossistemas globais de inovação. Segundo o Relatório do Índice Global de Inovação 2025, da Organização Mundial da Propriedade Intelectual, a aglomeração Shenzhen–Hong Kong–Guangzhou ocupa o 1º lugar entre os 100 principais polos de ciência e tecnologia do mundo. O relatório também identificou 24 aglomerações chinesas entre os 100 principais polos globais de inovação, o maior número registrado entre os países avaliados. O levantamento destaca que esses polos concentram empresas, universidades e institutos de pesquisa, criando um ambiente que favorece a circulação de talentos, capital e conhecimento. A integração entre Hong Kong, Macau e Guangdong Esse ecossistema de inovação reforça o papel de Shenzhen como núcleo da estratégia da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, iniciativa lançada pelo governo chinês para integrar Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong. Segundo o portal oficial da Grande Baía, a região reúne mais de 87 milhões de habitantes e responde por cerca de 11% do Produto Interno Bruto (PIB) da China. A proposta busca fortalecer a integração entre indústria, infraestrutura, logística, pesquisa e serviços financeiros, ampliando a competitividade internacional do sul do país. Segundo o Departamento Provincial de Estatísticas de Guangdong, Shenzhen registrou um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente 3,9 trilhões de yuans em 2025, mantendo-se entre as maiores economias municipais da China. Atualmente, Shenzhen concentra empresas como Huawei, Tencent, BYD, DJI, Mindray e UBTech, que atuam em áreas como telecomunicações, inteligência artificial, veículos elétricos, equipamentos médicos, drones e robótica. Essas empresas emergem diretamente do ecossistema de inovação formado ao longo das últimas décadas, marcado pela integração entre pesquisa, produção industrial e desenvolvimento tecnológico em escala urbana. Mesmo em um cenário de retração dos nascimentos e desaceleração do crescimento populacional na China, Shenzhen continua atraindo novos moradores. O desempenho acompanha a expansão econômica e tecnológica da cidade. O Comunicado Estatístico sobre o Desenvolvimento Econômico e Social de Shenzhen em 2025 informa que a cidade ganhou cerca de 259 mil novos residentes permanentes no último ano, alcançando 18,25 milhões de habitantes. Guangzhou, Dongguan, Foshan e Huizhou também registraram crescimento populacional, enquanto Guangdong incorporou aproximadamente 790 mil moradores em 2025, segundo o Departamento Provincial de Estatísticas de Guangdong.

23 de junho de 2026
Daiane Mendes
A marca canadense Lululemon, especializada em roupas e acessórios para yoga, corrida e outras atividades esportivas, encontrou na China um de seus principais mercados de crescimento global. Em 2025, a receita da empresa no país cresceu 29%, ritmo quase seis vezes superior ao crescimento global da companhia, de 5%. O desempenho acompanha o fortalecimento da economia do bem-estar na China, marcada pelo aumento dos investimentos dos consumidores em saúde, atividade física e qualidade de vida. A trajetória da marca acompanha uma mudança que vem ganhando força entre as gerações mais jovens da China. Se durante anos o consumo aspiracional esteve associado principalmente a bens de luxo e símbolos de status, hoje uma parcela crescente dos consumidores direciona seus gastos para experiências e produtos ligados ao bem-estar físico e mental. Segundo a consultoria Moojing Global, o mercado online de saúde e bem-estar da China movimentou 304,4 bilhões de yuans em 2025, alta de 15,8% em relação ao ano anterior. O levantamento aponta que categorias relacionadas a exercícios físicos, nutrição, saúde preventiva e autocuidado continuam entre as que registram maior expansão no país. A mudança também aparece em pesquisas sobre comportamento do consumidor . Segundo o China-Britain Business Council (CBBC), a China já possui o segundo maior mercado de saúde e bem-estar do mundo e deve alcançar US$1,6 trilhão até 2030. O avanço é impulsionado principalmente por millennials e integrantes da Geração Z, que passaram a adotar uma visão mais ampla sobre o conceito de saúde. Para esses consumidores, o bem-estar não está restrito à prática de exercícios físicos ou à prevenção de doenças. O conceito passou a incluir saúde mental, qualidade do sono, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, alimentação saudável e até a combinação entre práticas da medicina tradicional chinesa e soluções modernas de saúde. Essa mudança tem influenciado decisões de compra em setores que vão de alimentos e suplementos a academias, vestuário esportivo e experiências ligadas ao autocuidado. A aposta da Lululemon no mercado chinês A Lululemon entrou no mercado chinês em 2013, quando a prática de atividades como yoga e corrida ainda ocupava um espaço relativamente pequeno no país. Desde então, a empresa expandiu sua presença de forma gradual e encerrou 2025 com mais de 170 lojas na China. Além da venda de produtos, a marca estruturou sua atuação em torno de uma estratégia centrada em comunidade, com eventos de corrida, aulas de yoga, treinos coletivos e programas conduzidos por embaixadores locais. Diferentemente de marcas esportivas que concentram sua atuação na venda de equipamentos, a Lululemon opera com um modelo que combina varejo e experiência. As lojas funcionam como pontos de encontro para atividades físicas e convivência, enquanto instrutores e embaixadores locais ajudam a sustentar uma rede de prática esportiva que reforça a presença da marca no cotidiano dos consumidores. O produto, nesse caso, atua como extensão de um estilo de vida já praticado dentro dessas comunidades. Essa estratégia reduz a dependência de publicidade tradicional e desloca o foco da comunicação para a construção de vínculos recorrentes com consumidores urbanos. Com isso, a empresa aposta em microcomunidades ligadas a modalidades específicas, como corrida de rua, yoga e treinamento funcional, especialmente em grandes centros urbanos chineses. O crescimento da operação chinesa tem sido particularmente relevante para a companhia em um momento de desaceleração internacional. No primeiro trimestre de 2026, a receita da Lululemon na China aumentou 23% em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pela Reuters. O resultado contrastou com um cenário mais desafiador enfrentado pela empresa em outras regiões. Para 2026, a expectativa divulgada pela empresa é de crescimento próximo a 20% no país, percentual superior ao projetado para o restante de suas operações globais.

18 de junho de 2026
Daiane Mendes
A China não está entre as 48 seleções que disputam a Copa do Mundo de 2026 . Eliminada nas Eliminatórias Asiáticas, a seleção masculina ficou fora do Mundial. Ainda assim, o país participa da competição por meio da arbitragem, de empresas parceiras da FIFA, de tecnologias utilizadas na operação do torneio e da fabricação de produtos oficiais comercializados durante o evento. Por que a China ficou fora da Copa? A eliminação da seleção chinesa foi confirmada na terceira fase das Eliminatórias da Confederação Asiática de Futebol (AFC), após a derrota por 1 a 0 para a Indonésia, em junho de 2025. Mesmo com a ampliação da Copa do Mundo de 32 para 48 seleções e o aumento do número de vagas destinadas à Ásia, a campanha do país foi insuficiente para garantir a classificação. No Grupo C, a equipe enfrentou adversários como Japão, Austrália, Arábia Saudita, Bahrein e Indonésia. A China terminou na 5ª posição do grupo, sem alcançar as vagas diretas obtidas pelos líderes do grupo, nem a pontuação necessária para avançar à quarta fase de repescagem. A ausência prolonga um jejum que dura mais de duas décadas. A única participação da seleção masculina chinesa em uma Copa do Mundo ocorreu em 2002, no torneio sediado por Japão e Coreia do Sul. Desde então, o país não retornou ao campeonato. Presença chinesa continua nos bastidores Embora a seleção esteja fora do Mundial, a China continua representada em diferentes áreas da organização da competição. Na arbitragem, o país conta com Ma Ning, que participa de sua segunda Copa do Mundo após integrar o corpo de arbitragem no Catar, em 2022. Credenciado pela FIFA desde 2011, ele é acompanhado pelos assistentes Zhou Fei e Fu Ming, formando o trio chinês escalado para o torneio. A participação dos árbitros teve ampla repercussão nas redes sociais chinesas. Ma Ning, conhecido no país pelo apelido de "Mestre dos Cartões", acumulou milhões de visualizações em plataformas como Weibo e RedNote durante o início da competição. A tecnologia chinesa também desempenha um papel importante na infraestrutura do torneio. Parceira oficial de tecnologia da FIFA, a Lenovo fornece servidores, computadores, tablets e soluções de inteligência artificial que apoiam a operação digital da Copa do Mundo de 2026. Entre as inovações está o Football AI Pro, sistema desenvolvido pela empresa para auxiliar treinadores e comissões técnicas na análise de desempenho, permitindo acessar estatísticas detalhadas e gerar insights táticos a partir de grandes volumes de dados. A companhia também participa do desenvolvimento de recursos como o Referee View, que utiliza inteligência artificial para oferecer novos ângulos de câmera e ampliar a experiência das transmissões, além de tecnologias voltadas ao processamento de dados e à infraestrutura que sustenta as operações do torneio. Outra empresa do país presente é a Hisense, patrocinadora oficial da Copa do Mundo de 2026. A companhia de eletroeletrônicos fornece telas e tecnologia de exibição para as operações da competição, incluindo o suporte técnico às transmissões e ao sistema de Árbitro Assistente de Vídeo (VAR), além de exibir sua marca nos painéis dos estádios. Da indústria chinesa para torcedores de todo o mundo A participação da China também passa pela indústria de manufatura. Empresas chinesas produzem parte dos brinquedos, mascotes, artigos promocionais e outros produtos licenciados vendidos durante a Copa do Mundo. Fabricantes da província de Anhui ampliaram a produção de itens licenciados para atender à demanda internacional gerada pelo torneio. Já as empresas de Yiwu, um dos principais polos chineses de pequenas mercadorias, seguem fornecendo uma ampla variedade de produtos relacionados à Copa para mercados em diferentes países. A presença chinesa também ganhou espaço na cerimônia de abertura. O personagem Labubu , da franquia The Monsters da Pop Mart, participou do evento realizado no Estádio Azteca, tornando-se a primeira propriedade intelectual (IP) chinesa a integrar a abertura de uma Copa do Mundo. A participação ocorreu após a empresa lançar uma coleção especial do personagem inspirada no futebol, em parceria com a FIFA, reforçando a estratégia de internacionalização da marca.

16 de junho de 2026
Daiane Mendes
Uma delegação formada por cerca de 15 empresas chinesas de tecnologia avançada desembarcou no Brasil para uma agenda de prospecção de negócios, investimentos e parcerias estratégicas. O objetivo da missão foi compreender o ambiente de negócios brasileiro e avaliar possibilidades de atuação tanto no mercado nacional quanto em outros países da América Latina. A comitiva foi organizada pelo Centro de Serviços Econômicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa e Espanhola (CECPS). Criada em Hengqin, região vizinha a Macau, a plataforma é voltada à internacionalização de empresas e oferece suporte em áreas como inteligência de mercado, estruturação jurídica, planejamento tributário e conexão com parceiros locais. O projeto surge em um momento de crescente interesse de companhias chinesas pela América Latina. Além do fortalecimento das relações comerciais entre Brasil e China nos últimos anos, empresas ligadas à economia digital têm buscado ampliar sua presença internacional e identificar novas oportunidades de expansão. Durante o Web Summit Rio, representantes da delegação participaram de reuniões com investidores, startups e organizações do mercado de inovação latino-americano. O grupo também promoveu encontros voltados à discussão de oportunidades de cooperação tecnológica entre China e América Latina. Na sequência, a delegação seguiu para São Paulo, onde cumpriu uma série de agendas. Entre elas estiveram o BRChinaTech 2026, realizado em parceria com o inovabra, que reuniu empresas e investidores dos dois países, e uma imersão no Cubo Itaú, com debates sobre expansão de negócios, tendências e oportunidades de cooperação tecnológica. Participaram da missão companhias como Lark, Anygen AI, Datablau, XTransfer e Dymind Biotechnology, além de outras representantes do polo de inovação da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, que atuam em segmentos como inteligência artificial, softwares empresariais, saúde digital e comércio eletrônico. A aposta do CECPS no mercado brasileiro O CECPS também está ampliando sua presença no Brasil. Como parte dessa estratégia, a entidade anunciou a abertura de um escritório em São Paulo e firmou uma joint venture com o IEST Group para apoiar empresas interessadas em desenvolver operações entre os mercados brasileiro e chinês. Segundo a organização, mais de 250 empresas já foram conectadas à sua plataforma com interesse em expandir negócios para mercados de língua portuguesa e espanhola. A proposta é transformar o Brasil em um dos principais pontos de conexão para empresas chinesas que buscam oportunidades na América Latina e, ao mesmo tempo, ampliar o acesso de empresas brasileiras ao mercado chinês. Como parte da expansão na região, o CECPS prevê contratar 30 profissionais no Brasil no primeiro ano de operação e ampliar esse número para 50 colaboradores no segundo ano. A expectativa é transformar o escritório de São Paulo em um centro de apoio para empresas interessadas em desenvolver operações entre a China e os mercados latino-americanos.

9 de junho de 2026
Daiane Mendes
A liderança da China no mercado de veículos elétricos provou a capacidade do país de transformar indústrias inteiras em tempo recorde. Porém, a nova fase de inovação do país vai muito além do setor automotivo. Universidades, startups e empresas avançam em áreas menos conhecidas, que vão da economia de baixa altitude às interfaces cérebro-computador. Parte dessas tecnologias já começa a chegar ao mercado, enquanto outras ainda estão em fase de testes, mas já influenciam setores como mobilidade, saúde, indústria e comunicação da nova geração tecnológica. A seguir, cinco tecnologias emergentes que vêm ganhando espaço na China. 1. Economia de baixa altitude [caption id="attachment_29049" align="alignnone" width="900"] Imagem: Mao Siqian/ Xinhua[/caption] Enquanto boa parte do mundo ainda associa drones a entregas pontuais ou filmagens aéreas, a China tenta transformar o espaço aéreo de baixa altitude em uma nova frente de crescimento econômico. Segundo estimativas da Administração de Aviação Civil da China, a economia de baixa altitude movimentou cerca de 1,5 trilhão de yuans em 2025 e pode ultrapassar 3,5 trilhões de yuans até 2035. A estratégia reúne atividades realizadas geralmente abaixo de mil metros de altitude, incluindo drones de logística, monitoramento agrícola, inspeção de infraestrutura, resposta a emergências e futuras aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL), frequentemente chamadas de táxis aéreos. Em 2024, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC) criou um departamento dedicado à economia de baixa altitude. Já em 2026, o segmento foi elevado à categoria de cluster industrial emergente estratégico no 15º Plano Quinquenal (2026-2030), ao lado de áreas como semicondutores, biomedicina e robôs inteligentes. 2. Interfaces cérebro-computador [caption id="attachment_29048" align="alignnone" width="900"] Imagem: Universidade de Tsinghua, via Xinhua[/caption] A China tornou-se o primeiro país a autorizar a comercialização de uma interface cérebro-computador implantável para uso médico. O dispositivo, chamado Neural Electronic Opportunity (NEO), permite que pacientes com paralisia grave controlem equipamentos externos por meio da atividade cerebral e representa um novo passo para uma tecnologia que até então permanecia restrita a laboratórios e ensaios clínicos. As interfaces cérebro-computador criam uma conexão direta entre o cérebro e dispositivos eletrônicos. Os sinais neurais captados pelo sistema são convertidos em comandos para computadores, próteses, cadeiras de rodas e outros equipamentos. Atualmente, as principais aplicações estão concentradas na reabilitação de pacientes que perderam movimentos em decorrência de lesões na medula, doenças neurodegenerativas ou acidentes vasculares cerebrais. 3. Chips em fibra e eletrônica vestível [caption id="attachment_29047" align="alignnone" width="900"] Imagem: Liu Ying/ Xinhua[/caption] Diferentemente dos chips convencionais, fabricados em superfícies rígidas, pesquisadores da Universidade Fudan desenvolveram um dispositivo em formato de fibra têxtil, fino como um fio de cabelo, que pode ser incorporado diretamente a tecidos sem perder capacidade de processamento. O avanço se insere no campo da eletrônica vestível, área que busca integrar sensores e sistemas computacionais a roupas e outros materiais flexíveis. Além do vestuário, os pesquisadores indicam aplicações em dispositivos médicos implantáveis e futuras interfaces cérebro-computador, onde a flexibilidade dos materiais é essencial para se adaptar ao corpo humano. 4. Sol artificial [caption id="attachment_29046" align="alignnone" width="900"] Imagem: CNNC Southwestern Institute of Physics/ via Xinhua[/caption] Conhecida como uma das apostas para a próxima geração de energia limpa, a fusão nuclear busca reproduzir na Terra o mesmo processo que ocorre no Sol. Na China, o Experimental Advanced Superconducting Tokamak (EAST), apelidado de "sol artificial", tem sido um dos principais projetos dessa área. Em janeiro de 2025, o reator chinês estabeleceu um recorde mundial ao manter plasma em estado de confinamento de alta eficiência por 1.066 segundos, superando a marca anterior de 403 segundos registrada pelo próprio equipamento. A descoberta representa mais um passo na corrida global para transformar a fusão em uma fonte de energia do futuro, com potencial de gerar grandes quantidades de energia com baixas emissões de carbono. 5. Trens de levitação magnética [caption id="attachment_29045" align="alignnone" width="900"] Imagem: Li Ziheng/ Xinhua[/caption] Os trens de levitação magnética, conhecidos como maglev, utilizam campos magnéticos para eliminar o contato com os trilhos, reduzindo o atrito e permitindo velocidades muito superiores às dos sistemas ferroviários convencionais. Em dezembro de 2025, pesquisadores chineses aceleraram um veículo experimental de uma tonelada a 700 km/h em apenas dois segundos em uma pista de testes de 400 metros, estabelecendo um novo recorde mundial para sistemas de levitação magnética supercondutora. Segundo os pesquisadores, o experimento envolveu desafios como propulsão eletromagnética de alta velocidade, controle de levitação e armazenamento de energia de alta potência. O resultado contribui para pesquisas sobre sistemas de transporte ultrarrápido e conceitos de deslocamento em tubos de baixa pressão.

2 de junho de 2026
Daiane Mendes
Quatro das cinco maiores Ofertas Públicas Iniciais (IPO) do mundo no primeiro trimestre de 2026, em valor captado, foram de empresas chinesas de inteligência artificial em Hong Kong. Segundo o relatório Global Unicorn Tracker Q1 2026, da PitchBook, as operações somaram mais de US$22 bilhões em valor de saída (exit value). O interesse dos investidores por empresas chinesas de inteligência artificial ganhou força após o chamado "momento DeepSeek". No início de 2025, a startup chamou a atenção do mercado ao apresentar modelos de IA desenvolvidos com custos inferiores aos observados entre concorrentes ocidentais. Além disso, o endurecimento dos controles de exportação dos Estados Unidos sobre chips avançados e outras tecnologias estratégicas levou investidores e empresas a direcionarem mais recursos para o ecossistema chinês. Hong Kong também se beneficiou da flexibilização das regras de listagem por meio do Chapter 18C, mecanismo criado para permitir que empresas de tecnologia especializada acessem o mercado de capitais antes de atingir os critérios tradicionais de lucratividade. Entre as empresas que chegaram ao mercado estão a desenvolvedora de modelos de linguagem Z.ai, a MiniMax Group, a fabricante de processadores gráficos Biren Technology e a designer de chips Iluvatar CoreX Semiconductor. Segundo a PitchBook, as companhias figuraram entre as maiores estreias do trimestre. A MiniMax captou cerca de US$619 milhões em sua oferta pública, enquanto a Biren Technology levantou aproximadamente US$624 milhões para ampliar sua capacidade de produção de chips voltados à inteligência artificial. As ações também registraram forte valorização após a estreia. Até abril, a Z.ai acumulava alta de 569,2% desde a listagem. No mesmo período, a Iluvatar CoreX Semiconductor avançou 171,7%, a MiniMax registrou ganho de 164,2% e a Biren Technology subiu 42,2%. O volume das ofertas indica que o interesse dos investidores não está restrito aos desenvolvedores de modelos de IA. Fabricantes de chips, fornecedores de infraestrutura computacional e empresas ligadas à cadeia tecnológica também têm atraído capital à medida que a demanda por inteligência artificial cresce.

26 de maio de 2026
Daiane Mendes
A transformação tecnológica da China deixou de se concentrar em poucos polos e passou a se distribuir por diferentes regiões, com cidades assumindo especializações em áreas como inteligência artificial, semicondutores, mobilidade elétrica e economia digital. O movimento reflete uma transição do modelo industrial baseado em escala para uma estrutura mais orientada por inovação, dados e integração entre pesquisa e produção. O estudo “The spatial distribution and synergistic effect of different innovation activities in Chinese cities” (2025), que analisou 296 cidades chinesas, aponta que a inovação no país se organiza em três dimensões principais: tecnologia (patentes), design industrial e mercado (marcas registradas). O levantamento indica concentração ainda relevante em grandes centros urbanos, mas também crescimento gradual de cidades médias, especialmente em atividades ligadas à aplicação e comercialização de tecnologia. Diante desse processo, diferentes cidades passaram a ocupar posições estratégicas dentro do ecossistema de inovação chinês, combinando indústria, pesquisa e políticas públicas de desenvolvimento tecnológico. A seguir, veja 10 cidades que se destacam pela relevância em inovação e tecnologia na China, considerando indicadores como produção industrial avançada, presença de empresas do setor, investimentos em pesquisa e desenvolvimento e estrutura de políticas industriais. 1 - Shenzhen [caption id="attachment_28619" align="alignnone" width="1575"] Imagem: Wavie Hu/ Unsplash[/caption] Shenzhen concentra parte relevante do ecossistema tecnológico chinês e abriga empresas como Huawei, Tencent e BYD. A cidade se destaca pelo alto volume de registros de patentes e pelo investimento consistente em pesquisa e desenvolvimento em relação ao PIB. O perfil industrial combina manufatura avançada, hardware e desenvolvimento de software. 2 - Pequim [caption id="attachment_28620" align="alignnone" width="1575"] Imagem: Henry Chen/ Unsplash[/caption] A capital reúne universidades, centros de pesquisa e empresas de tecnologia, com forte presença no setor de inteligência artificial.O distrito de Zhongguancun concentra startups e institutos de inovação, com atuação de grupos como Baidu e ByteDance. 3 - Xangai [caption id="attachment_28618" align="alignnone" width="1575"] Imagem: Henry Chen/ Unsplash [/caption] Principal centro financeiro do país, Xangai ampliou sua atuação em setores como semicondutores, biotecnologia e veículos elétricos. A cidade também abriga a Gigafábrica da Tesla, uma das maiores unidades de produção da empresa fora dos Estados Unidos, e adota políticas locais de incentivo à indústria de chips e IA aplicada. 4 - Hangzhou [caption id="attachment_28621" align="alignnone" width="1575"] Imagem: Huang Zongzhi/Xinhua [/caption] Sede do Alibaba, Hangzhou se consolidou como polo de comércio eletrônico, computação em nuvem e serviços financeiros digitais. A cidade também aplica soluções baseadas em dados na gestão urbana e na oferta de serviços públicos digitais. 5 - Guangzhou [caption id="attachment_28622" align="alignnone" width="1575"] Imagem: Liu Dawei/ Xinhua[/caption] Tradicional base industrial do sul da China, Guangzhou vem ampliando sua atuação em tecnologias aplicadas à mobilidade, automação e biotecnologia. A cidade atrai centros de pesquisa e empresas voltadas à mobilidade inteligente. 6 - Chengdu [caption id="attachment_28623" align="alignnone" width="1575"] Imagem: Zhang Yan/ Xinhua[/caption] Localizada no oeste da China, Chengdu tem ampliado sua participação no ecossistema tecnológico chinês, com crescimento em desenvolvimento de software, games e semicondutores. A cidade também atrai centros de P&D devido a custos operacionais mais baixos e incentivos locais. 7 - Nanjing [caption id="attachment_28624" align="alignnone" width="1575"] Imagem: Yang Lei/ Xinhua[/caption] Com forte base acadêmica, Nanjing se destaca em pesquisa científica e desenvolvimento de semicondutores. A cidade integra universidades e indústria, com foco em telecomunicações e engenharia eletrônica. 8 - Wuhan [caption id="attachment_28625" align="alignnone" width="1575"] Imagem: Wu Zhizun/ Xinhua[/caption] Wuhan concentra instituições de ensino e pesquisa voltadas à óptica, engenharia e ciência dos materiais. A cidade abriga um dos principais polos globais de produção de fibras ópticas e amplia investimentos em automação industrial e inteligência artificial. 9 - Xi'an [caption id="attachment_28626" align="alignnone" width="1575"] Imagem: Liu Xiao/ Xinhua[/caption] Xi’an ganhou espaço em setores como semicondutores e tecnologia aeroespacial. A cidade abriga empresas e institutos ligados à indústria de chips e defesa tecnológica, apoiados por políticas industriais específicas. 10 - Suzhou [caption id="attachment_28627" align="alignnone" width="1575"] Imagem: Li Bo/ Xinhua[/caption] Vizinha de Xangai, Suzhou combina manufatura avançada com tecnologia de precisão. A cidade atrai investimentos estrangeiros e se especializa em robótica, nanotecnologia e equipamentos industriais de alta performance.

19 de maio de 2026
Daiane Mendes
A China levou menos de uma década para fazer um movimento que outros países não conseguiram em meio século: sair de uma posição secundária na indústria automotiva e assumir a liderança global justamente no segmento que deve definir o futuro do setor. Em 2025, o país respondeu por cerca de 60% das vendas globais de veículos elétricos, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), e superou o Japão como maior exportador de automóveis do mundo. O resultado reflete uma estratégia industrial iniciada ainda nos anos 2000 e ampliada ao longo das duas décadas seguintes. Ao invés de competir diretamente no motor a combustão, segmento em que Estados Unidos, Alemanha e Japão já tinham vantagem consolidada, a China priorizou o desenvolvimento de veículos elétricos em estágio inicial de mercado. Essa decisão reduziu a defasagem tecnológica em relação aos líderes tradicionais e permitiu a entrada das fabricantes locais em um segmento ainda em formação, apoiadas por políticas públicas e um ambiente doméstico protegido. Uma estratégia industrial de longo prazo A eletrificação passou a integrar o planejamento do governo chinês ainda nos anos 2000 e ganhou escala a partir de 2009, com a adoção de subsídios diretos e incentivos fiscais. A segurança energética teve papel relevante nesse movimento, já que o país é o maior importador global de petróleo. Além disso, fatores como poluição urbana, desenvolvimento industrial e posicionamento tecnológico também influenciaram a estratégia. Entre 2009 e 2022, os incentivos diretos ao setor somaram pelo menos US$29 bilhões, segundo estimativas da MIT Technology Review. Quando se consideram subsídios locais, crédito subsidiado e políticas de compras públicas, o volume total de apoio é significativamente maior, de acordo com diferentes análises do setor. O mercado doméstico funcionou como uma alavanca de escala. Como maior mercado automotivo do mundo, a China gerou demanda suficiente para acelerar a produção, reduzir custos e encurtar o ciclo de aprendizado industrial. Empresas como BYD e Geely cresceram nesse ambiente, combinando apoio estatal com forte competição interna. Ao longo do tempo, a política industrial foi sendo ajustada conforme o mercado amadurecia. Baterias no centro da disputa global Um dos pontos mais relevantes dessa trajetória está na cadeia de baterias. A China concentra mais de 70% da capacidade global de produção de baterias de íons de lítio, segundo a IEA, e abriga a maior fabricante do mundo, a CATL , com cerca de um terço do mercado global. O país lidera etapas críticas de processamento e refino de minerais como lítio, cobalto e níquel, mesmo quando a extração ocorre em outros países. Essa posição mantém uma dependência relevante da indústria global de veículos elétricos em relação à cadeia chinesa. A liderança nas baterias tem impacto direto no custo. Esses componentes representam entre 30% e 40% do valor de um veículo elétrico. Ao concentrar produção e processamento, a China reduziu preços em ritmo mais acelerado que concorrentes, o que já se reflete na competitividade internacional de suas montadoras. Em alguns mercados, veículos elétricos chineses chegam com preços próximos ou inferiores aos modelos a combustão. Reação internacional e disputa industrial O avanço da China no setor já provoca respostas em outras economias. Estados Unidos e União Europeia ampliaram subsídios e impuseram tarifas a veículos elétricos chineses, com o objetivo de proteger suas indústrias e reduzir dependências externas. Ainda assim, a diferença de escala e custo permanece relevante. Montadoras ocidentais enfrentam o desafio de competir em um segmento no qual a China não apenas lidera em volume, mas opera com uma cadeia produtiva integrada. A disputa, nesse contexto, ultrapassa o setor automotivo e passa a envolver política industrial, segurança energética e reorganização das cadeias globais de produção.