
6 de maio de 2026
China2Brazil
A Feira de Cantão, conhecida como a “Primeira Grande Feira da China”, é considerada um indicador de tendências do comércio exterior chinês. Desde a retomada completa das atividades presenciais na 133ª edição da feira, em 2023, uma série de dados mostra que os produtos exibidos vêm evoluindo continuamente em direção à inovação, sustentabilidade e inteligência, enquanto o comércio exterior da China segue liberando novas forças de crescimento. Na 133ª edição, a feira inaugurou pela primeira vez o pavilhão D, ampliando a área de exposição de 1,08 milhão para 1,5 milhão de metros quadrados. Na 134ª edição, após ajustes na estrutura, a área chegou a 1,55 milhão de metros quadrados. Desde então, a escala geral da feira — incluindo área expositiva e número de setores — permaneceu basicamente estável. Três crescimentos significativos O primeiro deles está relacionado à qualidade das empresas expositoras. Dados mostram que o número de empresas de alta qualidade — incluindo empresas nacionais de alta tecnologia, “pequenos gigantes” especializados e fabricantes campeões em nichos industriais — passou de cerca de 4.500 na 133ª para 11 mil empresas na 139ª edição, um aumento superior a 140%. Segundo Ding Shuang, vice-diretor do escritório de operações da Feira de Cantão, as empresas de alta qualidade representam 35% dos expositores desta edição. Essas companhias estão expandindo mercados por meio de modelos baseados em alta tecnologia, alta eficiência e alta qualidade, acelerando a internacionalização de produtos, marcas, soluções e das próprias companhias. O segundo crescimento significativo aparece no número de produtos expostos. Nesta edição, a feira reúne 4,65 milhões de produtos, volume 1,55 vez maior que o registrado na 133ª edição. Entre eles, cresce continuamente a participação de produtos “verdes e de baixo carbono” e de “manufatura inteligente”. Ding Shuang afirmou que os produtos novos, ecológicos e com propriedade intelectual própria já representam mais de 20% do total. Segundo ele, as empresas estão acelerando a inovação digital e de baixo carbono, promovendo a transformação do “Fabricado na China” para o “Criado na China” e avançando para segmentos de maior valor agregado na cadeia industrial global. Produtos de qualidade naturalmente atraem compradores globais. Dados dos últimos quatro anos mostram recordes sucessivos no número de compradores presentes, grandes empresas multinacionais participantes e delegações empresariais organizadas. Somente nas duas primeiras fases desta edição, o número de compradores presentes chegou a 245 mil. O número de delegações empresariais e instituições comerciais atingiu 140 grupos, enquanto 344 grandes multinacionais participaram do evento — ambos com crescimento significativo em relação aos anos anteriores. Ding Shuang destacou que houve forte aumento na participação de compradores da América do Norte, enquanto os países participantes da iniciativa “Cinturão e Rota” mantiveram presença estável. Segundo ele, muitas grandes empresas compradoras do Oriente Médio também participaram presencialmente desta edição, demonstrando confiança no mercado chinês. Um dos destaques mais marcantes desta edição foi a criação, pela primeira vez, de nove áreas temáticas especiais, incluindo “dispositivos vestíveis inteligentes” e “drones para consumo”. Fonte: news.cctv.com

4 de maio de 2026
China2Brazil
A edição de 2026 do Salão Internacional do Automóvel de Pequim bateu recorde de público. O evento recebeu cerca de 65 mil visitantes estrangeiros, evidenciando o crescente interesse global pela indústria automotiva “Made in China”. Além dos carros futuristas que atraíram multidões, as áreas dedicadas à cadeia de suprimentos e à tecnologia inteligente também estiveram lotadas de compradores estrangeiros. O interesse não se restringiu ao hardware, mas incluiu soluções de cabine inteligente, sistemas multilíngues de interação por IA e serviços integrados de mobilidade automotiva. “Hoje, quase metade da nossa receita vem do exterior”, afirmou o diretor técnico de uma empresa chinesa especializada em inteligência automotiva durante o evento. Ao mesmo tempo, o ecossistema digital de mobilidade também vem sendo exportado. Em diversas cidades ao redor do mundo, aplicativos de transporte já oferecem experiências semelhantes às da China, com algoritmos inteligentes, tradução simultânea por IA, suporte a pagamentos internacionais e atendimento multilíngue. Na prática, isso representa a transferência para o exterior dos resultados de mais de uma década de integração profunda entre internet móvel e mobilidade desenvolvida na China. Tecnologias como reconhecimento de voz e processamento de linguagem natural também têm origem no país. “A indústria automobilística chinesa possui um nível de inteligência extremamente avançado, talvez líder mundial”, comentou um profissional do setor automotivo de Hyderabad, na Índia. Hoje, mesmo fora da China, é muito provável que as pessoas utilizem softwares chineses e circulem em carros chineses. Isso já não significa apenas “exportar produtos”, mas sim “exportar um sistema completo”. A China está exportando um ecossistema inteiro de mobilidade automotiva. Por trás disso estão fatores decisivos como excelente relação custo-benefício, baixos custos operacionais e um ecossistema industrial completo. Em um cenário global marcado por crescimento econômico fraco e instabilidade geopolítica, estabilidade e custo-benefício tornaram-se necessidades universais. Enquanto consumidores do mundo inteiro buscam soluções mais eficientes, a indústria chinesa tem aproveitado essa janela de oportunidade. O equilíbrio entre preço competitivo e inteligência tecnológica tornou as soluções chinesas uma escolha racional para usuários globais. Mais do que simplesmente exportar produtos, a exportação de ecossistemas completos abre um espaço muito mais amplo para a China no mercado global. Quando a expressão “Made in China” deixa de ser apenas uma etiqueta de produto e passa a representar um estilo de vida de mobilidade mais prático, inteligente e econômico, a resposta do mundo já pode ser vista em cada carro chinês que circula pelas ruas do planeta. Fonte: chinanews.com.cn

4 de maio de 2026
China2Brazil
Nos últimos dias, a indústria automobilística chinesa testemunhou uma série de acontecimentos simbólicos. Em 31 de março, o último Land Rover Range Rover Evoque a combustão saiu da linha de produção da fábrica da Chery Jaguar Land Rover, dando lugar ao nascimento da nova marca global de veículos elétricos “FREELANDER”. O modelo lembra fortemente a estratégia adotada pela Audi dois anos antes, ao lançar a nova marca AUDI. Quase ao mesmo tempo, o primeiro veículo desenvolvido de forma conjunta pela Volkswagen e pela XPeng saiu da linha de montagem; a Mercedes-Benz anunciou que seu centro de P&D em Xangai foi elevado de unidade regional para centro global de inovação; e executivos da BMW visitaram a Great Wall Motors para discutir cooperação tecnológica aprofundada. Essa sucessão de movimentos mostra que o mapa global da inovação automotiva está se deslocando para o Oriente, enquanto a lógica tradicional de joint ventures baseada em “mercado em troca de tecnologia”, que marcou as últimas quatro décadas, está sendo completamente reformulada. A ascensão: tecnologia automotiva chinesa sai dos bastidores para o protagonismo Voltando a setembro de 2016, quando a direção autônoma ainda era um conceito restrito a círculos tecnológicos, Cao Xudong, então funcionário da empresa de inteligência artificial SenseTime, fundou em Pequim a Momenta ao lado de engenheiros da Universidade de Tsinghua e do Microsoft Research Asia. O objetivo era desenvolver tecnologias de direção autônoma e condução inteligente voltadas à produção em massa. Na mesma época, Yu Kai, ex-pesquisador do Instituto de Deep Learning da Baidu, criou a Horizon Robotics em Zhongguancun, Pequim, apostando no então embrionário setor de inteligência automotiva. Na fase inicial, essas empresas atuavam como fornecedoras secundárias, oferecendo algoritmos, chips e sensores nos bastidores das montadoras. Enquanto isso, Volkswagen, Toyota e Mercedes-Benz ainda dominavam o mercado global, e as joint ventures chinesas permaneciam focadas principalmente na manufatura. O ponto de virada veio em 2019, quando empresas chinesas de tecnologia automotiva iniciaram uma mudança estratégica e estreitaram suas relações com montadoras. Em maio daquele ano, a Huawei criou oficialmente sua divisão de Soluções Inteligentes para Automóveis (Car BU), entrando de forma independente no setor automotivo. As operações passaram a abranger direção inteligente, cabine inteligente, eletrificação, conectividade e nuvem automotiva. Em 2021, Lei Jun, fundador da Xiaomi, anunciou sua entrada na indústria automobilística, com um investimento inicial de RMB 10 bilhões. No mesmo ano, a Huawei lançou o modelo “Huawei Smart Selection”, mantendo sua estratégia de não fabricar veículos próprios — o que deu origem à parceria com a Seres e à futura marca Aito. Paralelamente, montadoras multinacionais começaram a perceber a transformação do mercado chinês. Em 2021, a Momenta captou mais de US$ 1 bilhão em uma rodada Série C — a maior do setor de direção autônoma na China naquele ano — atraindo investidores como SAIC, Toyota, General Motors, Mercedes-Benz e Bosch. A tecnologia chinesa de direção inteligente passou, então, a ser levada a sério pelas gigantes globais. Da fabricação à exportação de tecnologia Após anos de desenvolvimento, as empresas chinesas passaram dos bastidores ao centro do palco. Em janeiro de 2024, a Huawei transferiu seus ativos de soluções automotivas para a nova empresa Yinwang Intelligent Technology, que passou a operar como fornecedora independente. O ecossistema Harmony Intelligent Mobility Alliance cresceu para cinco marcas: Aito, Luxeed, Stelato, Maextro e SAIC Shangjie. Hoje, o sistema de direção inteligente “Qiankun”, da Huawei, já atende desde veículos abaixo de RMB 200 mil até modelos de luxo. A Momenta consolidou-se como uma espécie de “campeã invisível” do setor. Seu sistema NOA (Navigation on Autopilot) saltou de apenas um modelo em produção em 2022 para mais de 160 atualmente. A Audi foi a primeira marca premium a adotar sua solução, seguida por Mercedes-Benz e BMW. Já a Horizon Robotics abriu capital na Bolsa de Hong Kong em outubro de 2024, consolidando-se como uma das líderes chinesas em plataformas de computação inteligente automotiva, fornecendo chips para marcas como Chery, Changan e Volkswagen. Com isso, tecnologias chinesas de direção inteligente passaram a ser exportadas para Europa e Estados Unidos, transformando a China em um centro global de tecnologia automotiva. Ao contrário do modelo tradicional de joint venture, a nova onda de “joint ventures reversas” posiciona empresas chinesas como fornecedoras de tecnologia, com maior influência sobre a definição de produtos e inovação. A transformação: montadoras globais entram na era “na China, para o mundo” A mudança estratégica das montadoras multinacionais é vista pelo setor como a “segunda entrada na China”. Em 1983, quando o primeiro Santana saiu da linha de produção em Anting, Xangai, iniciou-se uma longa fase de aprendizado da indústria automobilística chinesa. As montadoras estrangeiras trouxeram linhas modernas de produção e tecnologia industrial — era a fase do “mercado em troca de tecnologia”. Quarenta anos depois, essa lógica mudou. Em maio de 2024, Audi e SAIC assinaram um acordo para desenvolver conjuntamente a “ADP Smart Digital Platform”. Meses depois, nasceu a marca elétrica premium AUDI. Seu primeiro modelo, o E5 Sportback, combina tração inteligente, assistente de voz baseado no modelo de IA Doubao e direção inteligente desenvolvida com a Momenta. Em março de 2026, o veículo já figurava entre os três mais vendidos do segmento. O CEO global da Audi, Gernot Döllner, afirmou que este é “o primeiro caso desse tipo no mercado premium”. Na sede da Audi, na Alemanha, o E5 Sportback já divide espaço com carros de Fórmula 1 e conceitos futuristas, evidenciando o papel central da tecnologia chinesa na transformação da marca. Em junho de 2024, Jaguar Land Rover e Chery firmaram parceria estratégica para ressuscitar a marca FREELANDER. Em março de 2026, o último Evoque a combustão saiu da fábrica de Changshu, marcando a transição definitiva para a era elétrica. O CEO da marca FREELANDER, Wen Fei, declarou: “Vamos usar uma nova marca e um novo modelo para travar uma nova batalha.” Esses casos mostram que a segunda fase da “entrada na China” das montadoras multinacionais já mudou seu eixo central: antes era “fabricar na China e adaptar para a China”; agora é “desenvolver na China e cocriar com a China”. Fonte: news.cn

4 de maio de 2026
China2Brazil
O Banco de Desenvolvimento da China (CDB, na sigla em inglês) informou que, no primeiro trimestre deste ano, concedeu RMB 28,54 bilhões em empréstimos especiais de repasse voltados à estabilização do comércio exterior, beneficiando mais de 6.500 pequenas empresas exportadoras. A taxa média ponderada de juros aplicada aos tomadores ficou abaixo da taxa média nacional dos novos empréstimos inclusivos para pequenas empresas no mesmo período, ajudando efetivamente essas empresas a aliviar a pressão financeira, manter pedidos, expandir mercados e preservar empregos. Segundo informações divulgadas, os empréstimos de repasse consistem em um modelo no qual instituições financeiras de caráter político fornecem recursos a bancos de médio e pequeno porte, que posteriormente realizam o crédito às pequenas empresas. Esse modelo combina as vantagens políticas e financeiras das instituições de fomento com a rede de atendimento e os recursos humanos dos bancos comerciais, ampliando os canais de financiamento e reduzindo os custos para pequenas empresas. O banco informou ainda que criou uma força-tarefa dedicada à estabilização do comércio exterior e estabeleceu mecanismos especiais de trabalho, utilizando os empréstimos de repasse como uma das principais ferramentas de apoio às pequenas empresas exportadoras. Com base em suas características institucionais, o CDB coordenou recursos específicos, ampliou parcerias interbancárias, fortaleceu a gestão de conformidade operacional e buscou oferecer serviços financeiros de qualidade para ajudar a reduzir as dificuldades e os altos custos de financiamento enfrentados por essas empresas. Além disso, o Banco de Desenvolvimento da China também criou linhas de crédito direto para ampliar o apoio a áreas prioritárias relacionadas à estabilização do comércio exterior e do investimento estrangeiro. Segundo um responsável pelo departamento de negócios sociais e de desenvolvimento humano do banco, o próximo passo será implementar com precisão as políticas nacionais de apoio às empresas, continuar utilizando os empréstimos de repasse como instrumento importante para servir às estratégias nacionais e fortalecer as finanças inclusivas, concentrando esforços no apoio à economia real. O banco também pretende incentivar os bancos parceiros a ampliar o suporte financeiro às pequenas empresas dos setores de comércio exterior e manufatura, melhorando a adequação e a acessibilidade dos serviços financeiros e contribuindo para o crescimento sustentável dessas empresas. Fonte: news.cn

4 de maio de 2026
China2Brazil
A entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia , em 1º de maio de 2026, representa um dos movimentos mais relevantes do comércio internacional para o agronegócio brasileiro nas últimas décadas. Após mais de vinte anos de negociações, o entendimento conecta dois grandes blocos econômicos, reúne cerca de 700 milhões de consumidores e cria uma nova etapa de integração comercial entre América do Sul e Europa. Para o Brasil, principal país agroexportador do Mercosul, o acordo abre uma nova fronteira internacional baseada em acesso ampliado a mercados, redução tarifária gradual e maior diversificação de destinos estratégicos para seus produtos. Segundo informações oficiais do Governo do Brasil e da União Europeia, o acordo estabelece cronogramas progressivos de desgravação tarifária, além de avanços em áreas como facilitação de comércio, investimentos, compras públicas, medidas sanitárias e fitossanitárias e cooperação regulatória. Na prática, isso significa melhores condições de competitividade para diversos setores do agro brasileiro, especialmente aqueles em que o país já possui escala produtiva, eficiência logística crescente e forte reputação internacional em abastecimento. Para um país que já lidera exportações globais de soja, café, açúcar, suco de laranja, carne bovina e carne de frango, o novo ambiente comercial reforça o protagonismo do Brasil no fornecimento global de alimentos. Entre os segmentos mais impactados está a proteína animal. O mercado europeu historicamente impõe elevados padrões sanitários e barreiras tarifárias relevantes , o que sempre limitou parte do potencial exportador sul-americano. Com o novo acordo, foram definidos mecanismos de acesso preferencial e cotas específicas para determinados produtos, criando oportunidades concretas para expansão gradual das vendas brasileiras de carne bovina e de aves. Ainda que volumes estejam sujeitos a controles e exigências rígidas, a simples abertura institucionalizada desse canal comercial já altera a percepção estratégica sobre o futuro do setor. No caso da carne bovina, a criação de quotas tarifárias com alíquota reduzida é interpretada por analistas europeus como uma das áreas mais sensíveis do tratado, justamente pela competitividade do Brasil. Já no segmento avícola, onde o país ocupa posição global de liderança, o acesso ampliado tende a favorecer exportadores com histórico consolidado em biossegurança, produtividade e escala industrial. Outro grupo altamente beneficiado envolve açúcar, etanol e produtos agroindustriais. O Brasil reúne vantagens naturais e industriais difíceis de replicar: clima favorável, grande disponibilidade de terras agricultáveis, tecnologia tropical consolidada e matriz energética competitiva. No açúcar e no etanol, o acordo reforça a posição brasileira em um momento em que a Europa amplia o debate sobre segurança energética, transição verde e redução de emissões. O etanol de cana, em particular, passa a ganhar importância não apenas como commodity, mas como solução energética de baixo carbono. Frutas frescas, sucos e alimentos processados também devem encontrar ambiente favorável. O consumidor europeu valoriza rastreabilidade, qualidade, sustentabilidade e regularidade de entrega, atributos que cadeias exportadoras brasileiras vêm fortalecendo nos últimos anos. Itens como limão, melão, manga, uva, abacate, café especial e derivados vegetais podem ampliar presença em nichos premium, agregando valor à pauta exportadora nacional. I mpacto além da exportação direta O acordo reposiciona o Brasil como plataforma internacional de produção agroindustrial. Empresas globais que buscam abastecer diferentes mercados passam a enxergar o país não apenas como fornecedor de matéria-prima, mas como base estratégica para processamento, industrialização e distribuição. Para investidores estrangeiros, inclusive chineses, esse fator merece atenção especial. A China continuará sendo o principal parceiro comercial do agronegócio brasileiro em diversas cadeias, especialmente soja, carne bovina e celulose. No entanto, a abertura simultânea de uma nova frente robusta na Europa aumenta o valor geopolítico do Brasil. Em outras palavras, o país passa a atender com ainda mais relevância os dois maiores polos consumidores do mundo: Ásia e Europa. Isso fortalece a posição negociadora brasileira, amplia alternativas comerciais e reduz dependência excessiva de destinos específicos. Para grupos chineses com interesse em alimentos, logística, armazenagem, proteína animal, fertilizantes, biocombustíveis e infraestrutura portuária, o momento exige leitura estratégica. Investir no Brasil deixa de significar apenas acesso ao mercado local ou fornecimento à China. Passa a significar presença em uma plataforma capaz de abastecer múltiplos continentes sob diferentes regimes comerciais. Trata-se de uma mudança estrutural no mapa global de investimentos ligados ao agro. Naturalmente, o acordo não elimina desafios. O mercado europeu continuará exigindo padrões elevados de conformidade sanitária, rastreabilidade, sustentabilidade ambiental, bem-estar animal e governança corporativa. Portanto, o ganho brasileiro não será automático. As empresas mais preparadas tecnicamente, mais eficientes logisticamente e mais aderentes a padrões ESG serão as principais beneficiadas. Ainda assim, a mensagem central é clara: o agronegócio brasileiro entra em uma nova fase. Em um cenário global marcado por tensões geopolíticas, preocupação com segurança alimentar e busca por fornecedores confiáveis, o Brasil amplia mercados exatamente no momento em que o mundo mais precisa de estabilidade no abastecimento. O acordo Mercosul-União Europeia não substitui a importância da China para o campo brasileiro, nem reduz o protagonismo asiático. Ao contrário: ele confirma que o Brasil se consolida como eixo estratégico da segurança alimentar mundial. Para quem observa o comércio internacional com visão de longo prazo, a conclusão é objetiva: o agro brasileiro acaba de ganhar uma nova fronteira internacional. Autor: João Luiz Filho

30 de abril de 2026
China2Brazil
A Administração do Ciberespaço da China lançou uma campanha nacional de quatro meses para fiscalizar serviços e aplicações de inteligência artificial. A iniciativa busca impor regras ao setor, corrigir falhas operacionais e o uso da IA na produção de conteúdo ilegal. Segundo o órgão regulador, a ação será dividida em duas etapas. A primeira mira irregularidades técnicas e de conformidade em plataformas de IA . Já a segunda foca no uso dessas ferramentas para produzir e disseminar conteúdo ilegal ou enganoso. Na fase inicial, a autoridade identifica falhas recorrentes. Entre elas, empresas que operam modelos de grande escala sem registro obrigatório, em desacordo com as regras vigentes. Também aparecem problemas na filtragem de conteúdo, que permitem a geração ou armazenamento de material ilegal. Além disso, há falhas na origem dos dados usados no treinamento dos modelos, com uso de conteúdos não autorizados ou sem verificação adequada. Outro ponto envolve o chamado “envenenamento de dados”, quando agentes manipulam bases de treinamento ou informações públicas para distorcer respostas de sistemas de IA. A ausência de checagem de fontes e de alertas de risco agrava esse cenário. O regulador também aponta descumprimento das normas de identificação de conteúdo sintético, o que dificulta distinguir textos, imagens e vídeos gerados por IA. A lista inclui ainda o uso indevido dessas tecnologias em atividades ilegais. Casos relatados envolvem ataques cibernéticos, clonagem de voz e imagem sem autorização e uso de avatares digitais para oferecer serviços como consultoria financeira ou médica sem validação. Plataformas de código aberto também entram no radar por falta de controle sobre dados e modelos disponibilizados. Na segunda fase, o foco muda para o conteúdo gerado. O órgão cita a produção em massa de material considerado “lixo digital”, com erros factuais ou distorções culturais. Também há preocupação com a criação de notícias falsas sobre políticas públicas, crises e relações internacionais, muitas vezes com uso de identidade visual de instituições oficiais para dar aparência de legitimidade. Outro problema recorrente envolve a geração de conteúdo em áreas sensíveis, como saúde, direito e finanças, sem base verificável. A prática de se passar por terceiros com uso de IA, por meio de troca de rosto ou voz, também aparece como prioridade, sobretudo quando envolve figuras públicas ou uso indevido de imagens, inclusive de pessoas falecidas. A campanha também prevê punição para conteúdos violentos, sexualizados ou inadequados, além de casos que envolvam menores, como cyberbullying ou produção de material impróprio. O uso de sistemas automatizados para operar contas falsas, inflar engajamento e manipular debates públicos completa a lista de alvos. A autoridade aponta irregularidades comerciais, como aplicativos falsos de IA, serviços ilegais e cursos que ensinam práticas proibidas. Plataformas que descumprirem as regras poderão sofrer sanções, assim como contas e redes de distribuição envolvidas. O órgão orienta administrações locais a reforçar a fiscalização, exigir auditorias internas das plataformas e corrigir falhas identificadas. A meta é estabelecer mecanismos permanentes de controle e reduzir riscos associados ao uso de inteligência artificial no ambiente digital chinês. Fonte: stdaily

30 de abril de 2026
China2Brazil
O Ministério dos Recursos Naturais da China informou que o país lidera 31 indicadores globais ligados a recursos minerais e mantém a maior reserva mundial de 14 desses insumos. Além disso, a China ocupou a primeira posição na produção de 17 minerais em 2025. Os dados refletem os efeitos da estratégia nacional de prospecção mineral iniciada em 2021, que elevou o volume de reservas e ampliou a capacidade de oferta interna. Entre os minerais com maior reserva no país estão terras raras , tungstênio, estanho, molibdênio, antimônio, gálio, germânio, índio, fluorita e grafite. Ao mesmo tempo, a produção chinesa lidera mercados como carvão, vanádio, titânio, zinco, ouro, fósforo e telúrio, além de manter presença dominante em minerais considerados estratégicos para a indústria. Segundo Xiong Zili, diretor do Departamento de Gestão de Exploração Geológica do ministério, a expansão da prospecção aumentou a capacidade doméstica de suprimento e sustentou a criação de 198 bases energéticas e minerais. De acordo com ele, o avanço também ampliou a participação da mineração chinesa na cadeia industrial global. Para o próximo ciclo de planejamento, o 15º Plano Quinquenal, o governo prevê a integração das etapas de exploração, produção, armazenamento e comercialização de minerais estratégicos. Também planeja ampliar o monitoramento de riscos e adotar tecnologias orientadas por dados na prospecção geológica. A política mineral prioriza recursos considerados críticos, como cobre, ferro, lítio, cobalto e níquel. Ao mesmo tempo, o país busca manter a liderança em terras raras, tungstênio e estanho. A meta oficial é liberar novas áreas para exploração até 2030, com rápida conversão em capacidade produtiva. Petróleo e gás avançam com novos campos e aumento de reservas O ministério também detalhou os impactos da estratégia sobre petróleo e gás, setores tratados como prioridade, com investimentos de cerca de RMB 450 bilhões. Durante o 14º Plano Quinquenal, a China identificou 225 campos médios e grandes de petróleo e gás. Desse total, 13 possuem reservas superiores a 100 milhões de toneladas de petróleo, enquanto 26 campos de gás superam 100 bilhões de metros cúbicos. As reservas comprovadas cresceram em relação ao plano anterior: petróleo avançou 51,7% e gás natural, 44,2%. No caso do gás metano em camadas profundas de carvão, o volume ultrapassou 1 trilhão de metros cúbicos, acima do total histórico registrado em camadas rasas. Segundo Niu Li, vice-diretor do departamento, o aumento das reservas sustentou a produção anual de petróleo acima de 200 milhões de toneladas ao longo do período. Em 2025, a produção atingiu 216 milhões de toneladas, o maior nível já registrado. Já a produção de gás natural superou 260 bilhões de metros cúbicos, com crescimento anual contínuo nos últimos nove anos. Além disso, a produção combinada de petróleo e gás alcançou 420 milhões de toneladas equivalentes em 2025. A expansão inclui fontes como petróleo e gás de xisto e o avanço da exploração em áreas profundas e marítimas, o que amplia o potencial de novas descobertas e reforça a estratégia de segurança energética do país. Fonte: cctv

30 de abril de 2026
China2Brazil
A China anunciou que aplicará tarifa zero a produtos de 20 países africanos entre 1º de maio de 2026 e 30 de abril de 2028. A medida, divulgada em 28 de abril pela Comissão de Tarifas Aduaneiras do Conselho de Estado, integra a política de tarifas preferenciais e alcança países que mantêm relações diplomáticas com Pequim e não fazem parte do grupo dos Países Menos Desenvolvidos (PMDs). Segundo o comunicado, produtos sujeitos a cotas tarifárias terão tarifa zerada apenas dentro do limite estabelecido. As quantidades que excederem a cota continuarão sujeitas às tarifas vigentes. Além disso, o governo chinês informou que, ao longo do período de dois anos, manterá negociações para firmar Acordos de Parceria Econômica para o Desenvolvimento Compartilhado com os países africanos incluídos na medida. No caso dos 33 países africanos classificados como menos desenvolvidos e com relações diplomáticas com a China, já está em vigor, desde 1º de dezembro de 2024, a isenção tarifária para 100% das linhas de produtos. Com a ampliação da política, a partir de maio de 2026 a China passará a conceder tratamento de tarifa zero, de forma unilateral, a todos os países africanos com os quais mantém relações diplomáticas , além de abranger os países menos desenvolvidos neste grupo. De acordo com o Ministério do Comércio, a decisão busca ampliar a abertura econômica e avançar na política comercial do país. A pasta também relaciona a medida aos compromissos firmados no Fórum de Cooperação China-África. O ministério avalia que a iniciativa tende a ampliar o fluxo de comércio e investimentos entre China e África e a apoiar o crescimento econômico dos países africanos. O governo chinês informou que seguirá com a implementação da política em coordenação com outros órgãos e dará continuidade às negociações dos acordos econômicos, com base em princípios de consulta e benefícios recíprocos. O ano de 2026 marca 70 anos do início das relações diplomáticas entre China e países africanos. Fonte: news.cn

30 de abril de 2026
China2Brazil
A economia digital da China ultrapassou 10,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, impulsionada pela expansão da infraestrutura tecnológica, pelo avanço da inteligência artificial e pela ampliação dos serviços públicos digitais. Os dados constam no Relatório sobre o Desenvolvimento da China Digital (2025), divulgado durante a 9ª Cúpula de Construção da China Digital. O relatório indica que o país ampliou suas bases no campo digital ao estruturar novos sistemas institucionais, incorporar tecnologias emergentes e expandir o uso de dados em diferentes setores. Ao mesmo tempo, a formação de profissionais qualificados e a construção de infraestrutura voltada à inteligência artificial avançaram em escala nacional. O projeto Leste-Oeste de Dados e Computação entrou em operação, enquanto a rede integrada de capacidade computacional segue em expansão. Com isso, a China passou a concentrar cerca de 60% das patentes globais de inteligência artificial. As aplicações também evoluíram para modelos baseados em agentes, o que elevou o consumo de tokens. O documento também registra a ampliação do uso de tecnologias digitais em áreas como serviços governamentais, cultura e inclusão social. O programa “Resolver eficientemente um assunto de uma só vez” ampliou sua cobertura, ao passo que grandes modelos de inteligência artificial avançaram na oferta de serviços públicos. A plataforma nacional inteligente ultrapassou 178 milhões de usuários e alcançou mais de 200 países e regiões. Já os serviços médicos online somaram 411 milhões de usuários, o equivalente a 36,5% dos internautas do país. De acordo com Yu Ying, a capacidade de financiamento, os mecanismos de segurança e a governança digital continuam em expansão, acompanhados pelo avanço da cooperação internacional. O Fundo Nacional de Orientação para Capital de Risco foi lançado em 2025 para apoiar o setor. No mesmo período, o investimento em ativos fixos de serviços de alta tecnologia cresceu 3,5% em relação ao ano anterior, enquanto o setor de serviços de informação registrou alta de 28,4%. Fonte: gmw

29 de abril de 2026
China2Brazil
A China produziu 52,26 zettabytes (ZB) de dados em 2025, alta de 27,28% em relação ao ano anterior, segundo o “Relatório Nacional de Pesquisa de Recursos de Dados (2025)”, divulgado na 9ª Cúpula de Construção da China Digital. O volume representa cerca de 27,44% da produção global e equivale a uma escala superior à capacidade de armazenamento digital disponível atualmente no mundo. O relatório indica que a geração de dados no país mantém crescimento acelerado pelo terceiro ano consecutivo. De acordo com Jiang Mingtao, diretor do Centro Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento de Segurança da Informação Industrial, taxas acima de 10% já caracterizam expansão acelerada, enquanto o avanço de 27,28% em 2025 tem origem principalmente em dados corporativos. No campo da inteligência artificial, o uso de dados também avançou. Segundo o Departamento Nacional de Ciência e Tecnologia de Dados, o volume total destinado a treinamento e inferência de IA atingiu 199,48 exabytes (EB), alta de 42,86% em um ano. Nesse recorte, a inferência superou o treinamento pela primeira vez, alcançando 101,34 EB, o que indica maior uso operacional dos modelos em relação ao desenvolvimento. Além disso, a estrutura de geração de dados passou por mudanças. Em 2025, o volume produzido por softwares de sistema e aplicações de inteligência artificial chegou a 26,92 zettabytes (ZB) e ultrapassou, pela primeira vez, os dados gerados por sensores de Internet das Coisas (IoT), que tradicionalmente lideravam essa categoria. Os dados também apontam pressão crescente sobre infraestrutura computacional. As estimativas indicam que a demanda por poder de processamento para inferência pode alcançar proporção de 3 para 1 em relação ao treinamento nos próximos ciclos. Nesse contexto, a Administração Nacional de Dados prevê redistribuição de recursos computacionais em ambientes urbanos com base em critérios de baixa latência, confiabilidade e segurança. Os indicadores operacionais reforçam a expansão do uso de dados em escala industrial. Segundo levantamento da IT Home, as chamadas de elementos de palavras na China passaram de mais de 1 trilhão por dia no início de 2025 para cerca de 100 trilhões no fim do ano. O total anual chegou a aproximadamente 211 trilhões, com crescimento contínuo ao longo do período. Fonte: It Home