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Satélite chinês permite acompanhar a umidade do solo em qualquer região do mundo

Umidade do solo

A China desenvolveu um sistema capaz de monitorar diariamente a umidade do solo em escala global, com resolução de um quilômetro. A tecnologia combina dados do satélite meteorológico Fengyun-3 com inteligência artificial e pode contribuir para o planejamento da irrigação agrícola, a emissão de alertas de seca e o estudo das mudanças climáticas.

O sistema permite produzir informações atualizadas sobre a umidade da superfície terrestre, inclusive em regiões que não contam com estações de monitoramento suficientes. É o caso de áreas da África e do Sul da Ásia, onde a falta de observações contínuas dificulta o acompanhamento das condições do solo.

Para realizar esse monitoramento, pesquisadores utilizaram informações do satélite chinês Fengyun-3 e dados sobre as características da superfície terrestre, processados por algoritmos de aprendizado de máquina. Essa técnica de inteligência artificial permite identificar padrões em grandes volumes de informações e utilizá-los para gerar estimativas.

A precisão das estimativas foi avaliada com medições realizadas em 221 estações terrestres espalhadas pelo mundo. Os resultados também foram comparados com conjuntos de dados internacionais semelhantes. Segundo os pesquisadores, o sistema apresentou um desvio médio próximo de zero em suas estimativas de umidade do solo.

A tecnologia integra um conjunto de nove produtos de dados apresentados pelo Centro Internacional de Pesquisa em Big Data para o Desenvolvimento Sustentável nesta segunda-feira (19), durante a Reunião Geral Intermediária do Conselho Internacional de Ciência de 2026 e o Diálogo Científico de Pequim.

Além do monitoramento da umidade do solo, o conjunto reúne informações ambientais com diferentes níveis de detalhamento. Algumas séries históricas abrangem até 38 anos, enquanto determinados dados permitem observar áreas de apenas 10 metros e acompanhar mudanças em intervalos de uma hora.

Esse nível de detalhamento permite estudar tanto transformações ambientais ao longo de décadas quanto elementos menores da paisagem, como áreas de manguezais, planícies de maré e clareiras em florestas. As informações podem auxiliar pesquisas e avaliações relacionadas às metas de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas.

Segundo Guo Huadong, diretor do centro de pesquisa e membro da Academia Chinesa de Ciências, um dos principais desafios atuais não é apenas produzir dados ambientais, mas garantir que diferentes regiões tenham condições de utilizá-los. Ele destacou que o compartilhamento desses conjuntos de informações pode beneficiar especialmente países e regiões com menor capacidade de monitoramento científico.

Fonte: news.cn