A China prepara uma missão para coletar amostras de Marte, trazê-las à Terra e procurar possíveis vestígios de vida. A Tianwen-3 poderá se tornar a primeira missão da história a completar com sucesso um retorno de amostras do planeta, e deverá ter sua área de pouso definida até o fim de 2026.
A busca por sinais de vida será o principal objetivo científico da missão, segundo Hou Zengqian, cientista-chefe da Tianwen-3 e membro da Academia Chinesa de Ciências.
Marte é considerado um dos planetas rochosos mais semelhantes à Terra e apresentou, no início de sua história, água líquida e condições potencialmente habitáveis. Apesar de décadas de exploração, as missões realizadas até hoje ainda não conseguiram determinar de forma conclusiva se o planeta já abrigou vida.
A Tianwen-3 pretende tentar responder a essa questão trazendo material marciano para análises detalhadas em laboratórios terrestres. Os pesquisadores buscarão possíveis sinais de vida microbiana e outras evidências relacionadas à habitabilidade passada do planeta.
Oito áreas estão sendo avaliadas para o pouso
A China selecionou preliminarmente oito regiões candidatas para a coleta das amostras. A escolha considera fatores como idade geológica, histórico da presença de água, condições de habitabilidade e possibilidade de preservação de sinais de vida.
A previsão é que o local definitivo seja escolhido até o fim deste ano. A missão já entrou na fase de desenvolvimento dos primeiros modelos de teste.
Outro desafio será evitar contaminações. O planejamento prevê medidas para impedir que microrganismos terrestres sejam levados a Marte e, no caminho inverso, garantir o isolamento das amostras quando elas retornarem à Terra.
Os pesquisadores também trabalham em métodos capazes de identificar substâncias relacionadas à vida mesmo quando presentes em quantidades extremamente pequenas.
China prepara novo mapa de Marte
Em paralelo à Tianwen-3, cientistas chineses trabalham em uma nova geração do mapa geológico global de Marte.
O projeto reunirá dados da missão chinesa Tianwen-1 e de outras missões internacionais, incluindo imagens e informações obtidas por espectros, radares e medições de gravidade. Técnicas de inteligência artificial também serão utilizadas na interpretação dos dados.
A primeira versão do mapa, em escala 1:5 milhões, está prevista para ser concluída até o fim de 2028.
Mesmo que nenhum vestígio de vida seja encontrado, as amostras poderão ser analisadas em laboratórios terrestres para aprofundar o conhecimento sobre a geologia, o ambiente e a evolução das condições de habitabilidade de Marte.
Fonte: news.cn

