Uma nova tecnologia desenvolvida por pesquisadores chineses alcançou mais de 99% de eficiência na produção de sementes clonais de arroz híbrido, mantendo a fertilidade e a produtividade das plantas. O avanço pode reduzir significativamente os custos de produção de sementes e facilitar o cultivo do arroz híbrido, uma das principais culturas para a segurança alimentar mundial.
A pesquisa foi conduzida pelo Instituto de Pesquisa do Arroz da China, sob liderança do cientista Wang Kejian. A nova variedade, chamada Yixi No. 1, foi apresentada em um estudo publicado em 21 de julho na revista científica internacional Vita.
Atualmente, os sistemas usados para produzir arroz híbrido exigem a fabricação de novas sementes a cada safra, porque as sementes colhidas perdem as características que garantem maior produtividade. Esse processo é complexo e pode custar mais de dez vezes o valor da produção de sementes de arroz convencional.
Para superar essa limitação, os pesquisadores desenvolveram uma tecnologia que permite que a planta produza sementes praticamente idênticas à original, preservando as características do híbrido ao longo das gerações. Na prática, isso significa que um único cruzamento pode gerar sementes capazes de manter o mesmo desempenho por várias safras.
A pesquisa começou em 2013. Em 2017, a equipe conseguiu produzir as primeiras sementes clonais de arroz híbrido, mas a eficiência era de apenas cerca de 5% e a formação de grãos ainda era baixa.
O avanço mais recente ocorreu após a identificação de um gene do próprio arroz, chamado HUAXU, que induz a formação de sementes sem necessidade da fecundação tradicional. Combinada a outras técnicas desenvolvidas pela equipe, essa descoberta elevou a eficiência de clonagem para níveis superiores a 99%, resultado confirmado em diferentes variedades e em testes de cultivo em larga escala.
Segundo Wang Kejian, a tecnologia poderá transformar o modelo atual de produção de sementes de arroz híbrido, eliminando a necessidade de produzir novas sementes todos os anos e contribuindo para fortalecer a segurança alimentar.
Antes da aplicação comercial, porém, a tecnologia ainda precisará passar por testes de biossegurança, avaliações de estabilidade genética e novos estudos para validar seu uso em larga escala.
Fonte:news.cn

