Cultura

Brasil disponibiliza R$ 21,2 bilhões para renovação de caminhões e ônibus e reforça política industrial

Brasil renovação de caminhões
Imagem: Ricardo Stuckert/PR

O governo brasileiro ampliou para R$21,2 bilhões o volume de recursos destinado ao financiamento de caminhões, ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários. A iniciativa integra o programa Move Brasil e será operacionalizada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES.

Do total anunciado, R$14,5 bilhões terão origem no Tesouro Nacional e outros R$6,7 bilhões serão disponibilizados pelo BNDES. A nova etapa supera os aproximadamente R$20 bilhões inicialmente estudados pelo governo.

O programa permite financiar caminhões novos, caminhões seminovos destinados a transportadores autônomos, ônibus, micro-ônibus e implementos como reboques, semirreboques e carrocerias. Podem solicitar os recursos caminhoneiros autônomos, cooperados, empresários individuais e empresas de transporte de cargas e passageiros.

O limite de financiamento é de até R$50 milhões por beneficiário. Para transportadores autônomos e cooperativados, o prazo poderá chegar a 120 meses, com até 12 meses de carência. Empresas de transporte de cargas terão prazo de até 60 meses, enquanto empresas de transporte de passageiros poderão financiar em até 120 meses.

As taxas variam de acordo com o tipo de veículo, o perfil do tomador e a entrega ou não de um veículo antigo para desmontagem. Para pessoas físicas que adquiram caminhão novo ou seminovo e encaminhem um veículo antigo para desmontagem, o componente fixo do custo financeiro foi estabelecido em 1% ao ano. Na aquisição de caminhão seminovo sem desmontagem, o componente fixo é de 2% ao ano.

Para pessoas jurídicas e empresários individuais, a aquisição de caminhões ou ônibus novos com desmontagem utiliza uma composição formada por 65% de custo fixo de 3% ao ano e 35% vinculados à Taxa de Letra de Crédito do Desenvolvimento, a Taxa LCD. Sem a desmontagem, o componente fixo aplicado sobre 65% do financiamento sobe para 5,5% ao ano.

Esses percentuais, entretanto, não representam isoladamente a taxa final paga pelo cliente. As operações indiretas incluem também a remuneração do BNDES e a remuneração da instituição financeira responsável pela concessão do crédito. A análise de risco, as garantias e a decisão final sobre a aprovação do financiamento permanecem sob responsabilidade do banco ou agente financeiro credenciado.

A primeira etapa do Move Brasil havia disponibilizado aproximadamente R$10 bilhões e, segundo o BNDES, os recursos foram consumidos em cerca de dois meses, com mais de 8 mil operações de aquisição de caminhões. A forte demanda levou o governo a ampliar o orçamento e incluir novos tipos de veículos.

A medida busca acelerar a substituição de veículos antigos, reduzir custos de manutenção, melhorar a segurança nas rodovias e aumentar a eficiência energética. O governo destaca que o transporte rodoviário responde por aproximadamente 64,8% das cargas movimentadas no Brasil, o que torna a modernização da frota estratégica para a economia.

O programa também funciona como instrumento de política industrial. Os financiamentos são direcionados principalmente a veículos de fabricação nacional que cumpram as regras de credenciamento e conteúdo local do BNDES.

Para fabricantes chineses, a principal oportunidade está na produção ou montagem de veículos no Brasil, na formação de parcerias com empresas locais e na nacionalização de componentes. Empresas chinesas de ônibus elétricos, caminhões de baixa emissão, baterias, sistemas de propulsão e equipamentos de recarga podem encontrar espaço relevante no processo de modernização da frota brasileira.

As regras publicadas pelo BNDES estabelecem prazo para apresentação das operações até 28 de agosto de 2026, condicionado à disponibilidade de recursos. A iniciativa reforça a utilização do crédito público para modernizar o transporte, estimular a indústria e atrair investimentos vinculados à produção local.